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Como o Espantalho morreu

ATENÇÃO : ESSA SÉRIE/CREEPYPASTA É +18. CONTÉM CONTEÚDO ADULTO E/OU CHOCANTE. NÃO É RECOMENDADO PARA MENORES DE IDADE E PESSOAS SENSÍVEIS A ESSE TIPO DE LEITURA. LEIA COM RESPONSABILIDADE. 


Josh era uma dessas crianças que nascem só para ser um valentão. Sua estrutura parecia muito mais com a de um gorila do que a de um adolescente, e tinha a atitude de um Rottweiler que alguém acabara de tentar castrar com uma tesoura enferrujada. 
Existem diversas formas de praticar bullying com alguém, e Josh era expert em todas elas. Roubava dinheiro do lanche, enfiava cabeças em privadas, espancava crianças e até beliscava a bunda das meninas nos corredores. Mas quem fez com que Josh se tornasse um valentão foi, na verdade, seu pai. 
O homem era uma versão ainda maior e mais feia que Josh, e basicamente era dono da cidadezinha em que vivia, e parecia achar que era dono das pessoas que moravam lá também. 
Se alguém comentava que o garoto não deveria estar nos corredores dando tapas na bunda das meninas, pode aposta que algumas ligações depois, essa pessoa estaria demitida por pedido do pai de Josh. 
Até hoje fico me perguntando se os terríveis eventos que para sempre mudariam a história da nossa cidade poderiam ter sido evitados se alguém tivesse o contido. Mas ninguém nunca o conteu, então acho que nunca saberei. 
Começou de uma forma simples: Josh criou um interesse especial em tornar miserável a vida de um garoto em particular. O pequeno Billy Williamson era um alvo fácil de mais; era magricelo, pálido, e todas as crianças o chamavam de "O Espantalho", por causa dos remendos em suas roupas. 
Claro, não era culpa de Billy que sua mãe era pobre e não tinha dinheiro de comprar roupas novas, mas você sabe como crianças podem ser cruéis quando alguém é diferente. 
Eu sempre o chamei só de Billy.
Todos os dias Josh gritava pelos corredores "Ei, Espantalho! Venha aqui para eu arrancar a palha de dentro de você na porrada!" Ele achava essa piada tão genial que a repetia todos os dias, e se Billy não risse, o pobre coitado acabava com a cabeça dentro de um vaso sanitário. 
As coisas seguiram assim por um tempo. 
Ninguém parecia se importar em ficar do lado de Billy, e suas roupas largas escondiam as cicatrizes que começaram a crescer como raízes de árvores pelos braços. Nunca entendi por que as pessoas que sofrem nesse mundo acabam se punindo ainda mais, mas acho que é assim que as coisas funcionam. 
Eventualmente, Billy se fechou por completo. 
Ele não falava mais, não olhava mais nos olhos de ninguém; o garoto tinha medo da própria sombra. Todos achamos que não tinha como ficar pior, mas creio que o destino não se importava muito com o que achávamos, pois naquela semana a mãe de Billy morreu e dois dias depois a cidade toda já sabia que ela tinha sido encontrada com uma seringa enfiada no braço. 
Se isso parecia um momento de pegar mais leve, Josh não ligava. Na verdade, fez o oposto; sua presa estava ferida, e agora era hora de devorá-lo. 
"Ouvi falar como sua mãe morreu," sussurrava entre os dentes quando não haviam professores por perto, "queria que eu tivesse a encontrado. Mesmo sendo uma drogada, ela era bem gostosa." 
"Você está morando com sua vó agora, né? Talvez eu faça uma visita hoje a noite, acho que ela não resistiria muito."
Ninguém pareceu notar quando os cortes nos braços de Billy começaram a se espalhar pelo seu peito e pernas, ou como seu rosto se contorcia todas as vezes que Josh o insultava pelas costas. 
Ninguém pareceu notar que ele escrevia em seu diário que adoraria roubar a arma de seu avô e acabar com aquilo tudo do seu jeito. 
Às vezes você vê nos noticiários reportagens sobre adolescentes como Billy e fica se perguntando como ninguém interferiu, como ninguém percebeu o que estava acontecendo. A resposta é bem simples: é muito mais fácil fingir que não vê.  
A verdade é que as pessoas não encaram os fatos pois teriam que se perguntar porque não fizeram nada por tanto tempo. 
O último dia antes de acontecer, Josh havia encurralado Billy depois da escola, espancando-o até sua vida ficar por um fio. Quando chegou em casa naquele dia, seu rosto parecia um pedaço de carne sangrento, e enquanto se olhava no espelho, decidiu que o dia seguinte seria o fim.
Entrou de fininho no quarto dos avós e pegou o velho revolver do avô, que ficava de baixo da cama. Não sabia onde haviam mais balas, mas sabia que a avó a mantinha carregada caso alguém invadisse a casa. 
Na manhã seguinte ele colocou o revólver no cós das calças e escondeu com uma camiseta larga. Ele não checou se realmente estava carregada; na real, nem queria saber. 
Mas ainda sim apertou a mandíbula com determinação e pegou o ônibus. Quando chegou à escola, notou que havia uma multidão no campo de futebol. Agradecido pelo atraso, abriu caminho entre os ombros e os cotovelos, e foi aí que viu Josh.
Seu ex-inimigo estava nu, estripado da cabeça aos pés e amarrado ao poste do campo, palha saindo dos buracos de onde havia sido costurado grosseiramente de novo. Seus olhos eram poços vazios, arrancados por pássaros antes do primeiro a encontrá-lo. E em cima de sua cabeça, alguém colocara um velho chapéu de espantalho.
Billy foi embora imediatamente e veio para casa. Mal olhou para mim quando entrou, sentada na minha cadeira de balanço e tricotando. Em vez disso, ele foi diretamente para seu quarto e se jogou na cama. Era a primeira vez que dormia em muito tempo. 
Em poucos dias a notícia se espalhou pela cidade de que o menino tinha sido assassinado e, quando a polícia foi notificar o pai, bem, eles também foi encontraram morto.
Até hoje ninguém sabe quem foi. 
A polícia suspeitou de Billy no começo, e devem ter me perguntado uma dúzia de vezes se eu havia visto meu neto sair da casa naquela noite, mas minha resposta sempre foi a mesma.
Naquela noite eu estava a madrugada toda acordada vendo TV e teria percebido se ele saísse de casa. Eu podia perceber que eles achavam que eu era senil, mas nenhum se atrevia a dizer na minha cara. 
Bem, estou bem velha agora e não acho que tenho mais muito tempo de vida, então acho que é a hora de falar a verdade: Eu não sei o que Billy fez naquela noite pois eu não estava em casa. 
Eu estava na casa de Josh. E fiz com que ninguém nunca mais chamasse meu neto de "Espantalho". 
E ninguém nunca mais se atreveu.  
Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigada! Se gostou, comente, só assim saberemos se você está gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião!