02/07/2017

Minha esposa e eu achamos uma porta no no meio da floresta

"Mas que porra é essa?"

"O que foi, querido?" A voz da minha esposa soou por trás de mim. 

"É uma porta."

Ela riu.

"Você fumou maconha mais cedo? Estamos no meio da floresta, como que teria uma- ah, hm." 

Karen parou de andar quando a viu, e ficamos parados lado a lado olhado para ela, uma porta antiga de madeira construída na encosta de uma colina no meio do nada. 

"É realmente louco o que as vezes encontramos nessas expedições, não é, amor?" Ela sorriu. "Deveríamos bater?"

Sacudi a cabeça. 

"Não tenho certeza se quero conhecer alguém que more dentro de uma colina."

"Ah, vamos lá." Karen deu um soquinho no meu ombro. "Onde está seu senso de aventura?"

Karen troteou até a porta e bateu educadamente. 

"Olá? Estou procurando pelo Sr. Árvore? Senhor Barbárvore?" 

Eu ri enquanto balançava a cabeça. Karen nunca me deixava esquecer as pequenas coisas maravilhosas sobre ela que me fizeram ficar tão apaixonado. Se virou para mim com uma cara de decepção forçada. 

"Acho que não tem ninguém em casa, querido." Me disse. 

"Tá bom, vamos." Falei. "Já temos cogumelos suficientes, vamos procurar um bom lugar para viajar."

"Você só pode estar brincando, né? Meu Deus, me casei com o homem mais chato do universo! Temos que entrar!"

"Mas e se alguém morar aí?"

"Mas e se alguém morar na encosta de uma colina? Acho que qualquer homem que tem a capacidade de construir uma casa no meio de uma floresta seria bastante compreensivo se compartilhássemos um pouco da nossa maconha com ele." 

"Você está presumindo que, só porque alguém mora dentro de uma colina, a pessoa fuma maconha? Não sei, Karen, isso me soa bastante racista."

"Racista? Contra quem?"

"Pessoas-árvores, obviamente. Quem mais?"

Karen riu e me deu mais um soquinho no ombro. Fingi sentir dor, mesmo que amasse quando ela fazia aquilo. 

"Tá bom," finalmente concordei. ""Afinal, se eu ignorasse completamente o senso comum, não teria me casado com você em primeiro lugar".

"Você é muito engraçadinho. Depois de eu te expulsar de casa, talvez você possa vir morar com o Sr. Barbárvore no meio da floresta."

Eu ri e tentei girar a maçaneta. A porta estava destrancada. Ao abri-la, fomos recebidos por um cheiro úmido e bolorento. O quarto no interior estava em um breu total, mas parecia ser feito inteiramente de pedra, sem terra, como eu esperava.

"Espera um pouquinho," Falei, colocando a mochila no chão e procurando por um lanterna. 
Iluminei as paredes. 

"Mas que porra..."

Todas as paredes estavam cobertas de gravuras sem sentido. Me lembrava de quando aprendemos sobre hieróglifos na escola.  

"O que é isso? Wingdings?" Karen brincou. 

Não respondi. Comecei a me sentir como se estivesse sendo observado. Lancei a luz da lanterna para a parede do fundo, mas descobri que não existia uma. A passagem continuava e inclinava-se para baixo até a luz da lanterna bater no teto cerca de 10 metros de distância.
"Karen, acho que devíamos..."

"Espera um pouco, o que é isso?"

Karen apontou para um ponto escuro no chão e eu iluminei o local. Era algum tipo de líquido preto. 

"Óleo de motor?" Brinquei. Mas Karen não estava para brincadeiras. Se ajoelhou e observou a poça.

"É sangue, Danny." Falou. "E olha, continua indo lá para baixo."

Inclinei a lanterna. Ela estava certa, havia sangue indo mais para dentro da caverna. 

"Provavelmente é de algum animal" Falei. "Melhor irmos embora." Mas Karen já estava fazendo um rabo-de-cavalo assim como fazia quando ia começar a trabalhar. Colocou as mãos em concha em volta da boca. 

"Olá!?" Gritou. Ouvi seu grito ecoar pela câmara, que parecia ser bem maior do que originalmente eu imaginara. "Tem alguém aí embaixo?" 

Silêncio. Mas pouco depois, uma resposta quase inaudível. 

...S-socorro...

A pedido de ajuda soava como se estivesse vindo do fundo da caverna. Quando eu o ouvi, todos os pelos da minha nuca se arrepiaram e houve e senti como se meu peito estivesse afundando. Todos os meus instintos começaram a gritar que eu precisava sair o mais rápido possível daquela merda de lugar. 

"Karen, pode ser um tipo de armadilha," Falei. "Vamos ligar para a polícia florestal e sair dessa porra."

"Tem alguém machucado lá, Danny." Falou severamente. Mas depois sua expressão ficou mais calma. "Desculpa, querido, mas foi nesse tipo de coisa que se meteu quando decidiu se casar com uma enfermeira."

Suspirei. Já sabia que não tinha de fazê-la desistir de algo depois que já tivesse se decidido, mas mantive minha mão bem segura na lanterna enquanto íamos pelo caminho escuro. 

A trilha de sangue ficava mais fina quanto mais adentrávamos na caverna. Seja lá quem fosse, tinha perdido a maior parte de seu sangue na primeira câmara. Mas se estava por aí, machucado, por que foi ainda mais para dentro da caverna? Por que não sair para onde teria a chance de ser encontrado? Não fazia sentido.

O ar ficava mais quente e úmido enquanto caminhávamos mais abaixo pela encosta que era cada vez mais íngreme, e um cheiro pungente de mofo invadiu nossas narinas. Tossi enquanto respirava aquele cheiro horrível. De onde vinha toda essa poeira? As partes mais profundas das paredes da caverna tinham sido abertas por raízes de árvores que haviam atravessado as pedras.

"Que porra de lugar é esse?" Sussurrei para Karen.

"Talvez algum abrigo de sobrevivência?" Chutou. Ela colocou as mãos em volta da boca e gritou novamente. "OLÁÁÁ?!"

Seu grito ecoou pelo corredor. "Se você pode me ouvir, fique calmo! Estão indo te ajudar e levá-lo em segurança!"

"...S-socorro..."

A voz soou um pouco mais alta desta vez. Estávamos nos aproximando, pensei. Mas a sensação de repulsa que senti ao ouvi-lo só piorou. Como ela não estava sentindo o mesmo que eu?

Quando entramos mais fundo, descobrimos onde a trilha de sangue terminava. Havia uma enorme mancha no chão. Parecia que alguém tinha sido arrastado pelo chão enquanto sangrava pesadamente. E então ele simplesmente parou. Nem mesmo uma gota depois disso. Nesse ponto as paredes estavam quase completamente cobertas pelas raízes, e respirar estava ficando difícil à medida que o ar se tornara mais quente e mais sufocante com poeira.

"...S-socorro..."

A voz estava bem próxima agora, e podíamos ouvi-la claramente. Era estranha, ofegante e rouca, como se fosse uma imitação de como uma pessoa naquele estado devia soar. O chão agora se tornara tão íngreme que era impossível ir mais longe sem arriscar uma queda para Deus sabe onde. 

"Temos que descer até ele de algum jeito." Karen sorriu. Ela devia estar sofrendo mais do que eu para respirar naquela poeira toda. 

"Eu vou, pode deixar." Falei. "Você fica bem aí." 

Peguei a corda que tínhamos levado em caso de emergências e amarrei em uma das raízes grossas que brotavam pelas paredes da caverna. Dei algumas puxadas fortes para ter certeza de que estava seguro antes de amarrar a outra extremidade ao redor da minha cintura. Nunca na vida eu quis tanto dar meia volta e ir para casa, mas sabia que não havia nenhuma maneira que Karen faria isso. Comecei a descer com cuidado, inclinando-me e movendo a lanterna para tentar ver alguma coisa sem escorregar e cair. Pude ver levemente a silhueta de um homem na escuridão, e então apontei a luz para ele. 

Meu sangue gelou. 

"Karen... corre."

"Que?"

"CORRE!"

Minha respiração cortada momentaneamente quando a corda amarrada na minha cintura foi puxada. Queria que fosse Karen me puxando, mas eu sabia que não era. Ela não tinha tanta força assim. Cai no chão com força e a corda continuou sendo puxada. 

"Danny, que diabos está-"

"CORRE, PORRA!"

Ela começou a se afastar quando as raízes nas paredes começaram a se mexer, se movendo na nossa direção. Eu cortei a corda com o canivete que estava no meu bolso e tropecei e comecei a subir e correr, levando Karen junto comigo. Ela não hesitaria se tivesse visto o que eu vi. No fundo da caverna, um homem havia sido suspenso acima do chão em uma teia gigante de raízes que se retorciam e deslizavam pelo seu corpo. Pequenas protuberâncias moviam lentamente das raízes até seu corpo encolhido e mirrado, uma raiz envolta de sua garganta que se apertava toda vez que tentava gritar por ajuda. A planta estava fazendo-o de marionete para pedir socorro. 

Deixamos a lanterna e a mochila para trás enquanto corríamos por nossas vidas na escuridão total, tossindo e pigarreando enquanto o ar mofado enchia nossos pulmões exaustos. Tropecei várias vezes ao longo do caminho. Senti um puxão na minha mão quando Karen caiu, e nós dois desabamos sobre as raízes contorcidas que circundavam nossos membros e começaram a nos arrastar para trás. Comecei a puxá-la desesperadamente tentando cortar a planta com a faca. As raízes recuavam quando eu conseguia atingi-las e assim consegui libertar minhas pernas. Puxei as mãos de Karen, mas as raízes eram mais fortes.

"Vai, me deixa aqui!" Ela gritou.

"Nem fodendo!" Bati com a faca cegamente na direção de suas pernas, atingindo algo duro. Fiz isso mais uma dúzia de vezes, cortando sua perna por engano uma vez antes de conseguir libertá-la. 

Nós continuamos correndo em direção da porta, e eu podia sentir o ar ficar mais frio e fresco, e o chão começando a nivelar. Estávamos quase lá. Agora já conseguia ver o contorno da luz na porta. Nós corremos com tudo, saltando de volta para a primeira câmera. Por favor, esteja aberta, pensei. Peguei a maçaneta e puxei, e uma torrente de ar fresco e luz solar entraram na caverna. Agarrei o braço de Karen e a puxei para fora e caímos juntos na grama, exaustos. 

"Conseguimos." Suspirei. Meu peito subia e descia rapidamente enquanto eu tossia por causa de todo aquele pó. 

"É." Karen estava vermelha de tanto correr, seus braços e pernas cobertos em arranhões e machucados. Acredito que eu não estava muito melhor. 

"Que porra foi essa?" Falei sem fôlego, me levantando.

Karen sacudiu a cabeça. "Não sei... mas vamos sair daqui".

Ajudei Karen a ficar de pé, e nós dois ficamos lá, ofegantes e tossindo com as mãos nos joelhos. Karen tossiu algo em sua mão.

"Danny?" Disse, mostrando para mim.

Era uma pequena folha. Observei seu rosto enquanto pequenos tendões verdes começaram a se espalhar e a enrolar sob sua pele, e apavorado entendi que não era pó que estávamos respirando na caverna. 


Eram esporos.
 Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigada! Se gostou, comente, só assim saberemos se vocês estão gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião! 



29 comentários:

  1. nao entendi mt bem essa porta ai, primeiro pensei que era uma porta aleatoria numa floresta, dps pensei que era uma casa, depois que era uma caverna, n entendi nada disso ai

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    1. É uma porna na base de uma colina,como se fosse na saida de uma caverna

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    2. É uma porna na base de uma colina,como se fosse na saida de uma caverna

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  2. Parece um prévia de Reembolso haha.

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  3. Teria sido melhor se tivessem encontrado escadas rs

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  4. Este comentário foi removido pelo autor.

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  5. Eu sabia que aquele Barbárvore não prestava. Bicho chato do cacete.

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  6. N entendi,oq exatamente era o pó? ;-;

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  7. N entendi,oq exatamente era o pó? ;-;

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    1. Leia o artigo "Esporos", e entenda que é uma forma da planta se espalhar. No caso, os esporos estavam dentro do corpo deles.

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  8. Fantástica......simplesmente fantástica......

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  9. e é por isso que a minha mãe não quer que eu durma com plantas no quarto

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  10. Essa creepy está muito mal escrita, você mal entende o que está acontecendo em diversas partes, e ela foi, nem podemos dizer baseada, mas copiada do filme "As ruinas" de 2008, até a cena do pedido de ajuda quanto do final dos "poros". Assistam que esse sim vale muito a pena.

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  11. Tapoha, creepy magnífica!!!

    Ps: Meu nome é Karen hehe ^^

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  12. Tapoha, creepy magnífica!!!

    Ps: Meu nome é Karen hehe ^^

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