29/07/2017

Uma dica para quando você tiver Sonhos Lúcidos

Tive meu primeiro sonho lúcido aos nove anos. 

Eu estava em um bairro decrépito - varandas apodrecidas, pintura descascada, barba de velho pendurado nas janelas, e assim por diante. Névoa circulava em torno de meus tornozelos enquanto caminhava lentamente pelas ruas. Como em um jogo antigo, o horizonte era imutável e inalcançável.

Eu andava por lá, entrando e saindo das casas cobertas de teias de aranha. Embora as ruas estivessem vazias, era comum encontrar alguns fantasmas flutuando dentro das casas. Havia algumas crianças, mas a maioria eram velhos, em vários estágios de decadência. Nunca me feriram, nem falaram. Eles simplesmente flutuavam. Às vezes me seguiam, mas nunca me senti ameaçado.

Não pensei muito no sonho em si, até que o tive novamente algumas semanas depois. E de novo, algumas semanas depois disso. Nunca fazia muita coisa lá. Vagava pelas calçadas, dava uma olhada nas coisas dentro da casa procurando algo interessante, jogando pedras, quebrando garrafas, esses tipos de coisas.

Na quarta vez que o tive, havia outra pessoa vagando pelas ruas também.

O eu dos meus sonhos tinha acabado de correr por todo quarteirão, batendo com um graveto contra as cercas de todas as casas, quando ouvi meu nome sendo chamado de um beco sem saída. Me virei e vi meu irmão de seis anos, Chota, correndo em minha direção, um enorme sorriso em seu rosto. 

"Mota!" Falou, parando na minha frente. "Você está aqui agora também! Oi!"

"Agora?" Falei, tentando entender a presença dele ali. "Você já esteve aqui antes?"

Ele não parecia perturbado com aquela novidade, estava com aquela animação infantil. "Você já viu a moça que não tem metade do rosto? Geralmente ela está na casa de tijolo lá em baixo."

E fomos.

Na manhã seguinte, antes de falar qualquer coisa, Chota e eu compartilhamos olhares incertos no nosso quarto compartilhado, confirmando que não só sonhamos com lucidez, mas estávamos de alguma forma compartilhando um sonho. Em nossas mentes ingênuas, jamais pensamos em contar para alguém. Apesar do medo de sermos chamados de loucos, ainda estávamos amando a possibilidade da magia e de nosso segredo. 

Ao longo dos anos, Chota e eu esporadicamente sonhávamos sobre o bairro enevoado e seus habitantes fantasmagóricos. Às vezes, eu estava lá sozinho, e às vezes Chota estava comigo. Geralmente, ficávamos um pouco mais corajosos quando estávamos juntos, nos aventurando em sótãos e porões escuros para procurar os fantasmas mais assustadores. Os fantasmas pareciam ser sempre os mesmos. Com o passar dos tempos, chegávamos a reconhecê-los e dávamos apelidos. Havia a Meio-Rosto, a mulher em decomposição; um menino, pingando água, que chamávamos de Menino Afogado; O Velho dos Ossos, uma figura de esqueleto, que só sabíamos que era uma figura masculina porque vestia uma kurta e dhoti tradicional; E o Homem Manco, um fantasma que deslizava inclinado para o lado de sua perna destroçada.

Quanto mais velhos ficávamos (e, para ser sincero, quanto mais jogos de vídeo game jogávamos), começamos a ficar entediados do nosso sonho no bairro nebuloso. Começamos a caçar os fantasmas, experimentando como jeitos de dominá-los.

Isso se transformou em um jogo para nós - como uma boa partida de Xbox, só que enquanto dormíamos. Às vezes, fazíamos estratégias complicadas para encontrar armas, estabelecendo uma base de operações e eliminando os fantasmas de certas casas para que pudéssemos assumir o controle.

Às vezes, nós apenas andávamos por lá, destruindo quem passasse pelo nosso caminho. Os fantasmas começaram a vir para cima de nós, gritando e resmungando. Eles nunca duravam muito. Alguns golpes com um pé de cabra ou uma tábua de madeira, e eles se dissipariam na mesma névoa estranha que enchia nosso mundo dos sonhos.

O ponto de viragem foi quando Chota tentou cortar o pequeno fantasma do Menino Afogado. Não consegui explicar o motivo, mas eu tinha o ímpeto de proteger aquele pequeno ser. Talvez fosse uma coisa de irmão mais velho. Talvez fosse por parecer tão triste e pequeno.

Mas quando Chota ergueu a faca de pão, pronto para parti-lo em dois, eu pulei em seu caminho. O Menino Afogado flutuou e desapareceu na névoa. Chota ficou furioso, pensando que eu estava tentando sabotar seus pontos (eu estava com mais pontos que ele, ganhando por 2) e começamos a brigar ali mesmo, rolando pelo chão, se debatendo no chão e gritando um com o outro. 

Nós fizemos as pazes eventualmente, mas a briga azedou um passatempo que a tempos já estava perdendo eu encanto. 

E, embora eu nunca tenha dito isso para Chota e nunca contarei, na manhã seguinte, eu acordei com os hematomas nos meus braços e os arranhões nos meus joelhos.

Quando eu fui à faculdade em outro estado e Chota ficou em casa, ainda nos víamos na nossa cidade dos sonhos. Se conversávamos pelo telefone ou através do Facebook, um de nós sempre soltávamos um irônico "Viu algum fantasma recentemente?" 

Mas, quanto mais velhos ficávamos, menos frequentemente tínhamos o sonho. Lentamente, começou a sumiu das nossas memórias.

Então, uma semana depois do funeral do meu avô, tive meu primeiro sonho lúcido em tipo cinco anos.

Ainda não contei isso para Chota. Não sei conseguirei um dia. 

Fiquei tão surpreso por estar de volta ao bairro em decrépito que, no início, tudo que fiz foi passear pelos becos e ruas gritando coisas como "Olá!" e "Estou de volta!" 

Entretanto, fiquei duplamente surpreendido quando uma figura solitária surgiu da névoa e começou a se aproximar de mim. Quando o reconheci, mas consegui conter as palavras que saiam da minha boca.

"Dada!" Chorei, correndo em direção dele. Abri meus braços para abraçá-lo, até lembrar que aqui ele não seria sólido. "Dada, como você veio parar aqui?"

No silêncio que se seguiu, saltitei de pé a pé como uma criança animada, meu peito cheio de anseio. Tudo o que eu queria era abraçá-lo, mas sabia que não era possível.

Não respondeu minha pergunta, mas me observou com desconfiança e depois fez sua própria pergunta.

“Mota, bete, eles me falaram que alguém tem vindo aqui por anos e anos, praticando atos de violência e só trazendo problemas. Era você? ”

Sua reação foi tão inesperada por mim que meu queixo caiu. Deixei a cabeça baixa como se tivesse cinco anos de novo, sendo repreendido por não comer meu jantar. 

"Sim, dada, era eu. Eu e Chota. Mas a gente estava só brincando. É só um sonho, dada. Você é só um sonho. 

Meu avô vagarosamente balançou a cabeça negativamente. 

"Bete," me disse, sua voz transbordando de uma tristeza absurda, "Eu não sei quem foi que permitiu que vocês viessem para esse lugar, mas isso aqui não é um sonho, e esses espíritos não são imaginários. São todos seus parentes."
Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigada! Se gostou, comente, só assim saberemos se você está gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião! 




15 comentários:

  1. Aquele meme do Vin Diesel cairia como uma luva agr :D :D
    "Eae Men"

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    1. Ou o do Pica-Pau do "Fui Tapeado" kkkjjjkjjjk

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  2. Que pena... Maldade humana é sem fim, vontade de destruir o que já está aos cacos sem motivo nenhum... Grande lição

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  3. quem deu risada de ver q o nome do irmão do menino é chota rsrs

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  4. Ótima! Muito boa! Essa creepy me trouxe umas memórias à tona, pois eu e o meu irmão gêmeo já compartilhamos um sonho. Foi simplesmente demais! Mas só aconteceu aquela vez ._.

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  5. Muito boa, mas alguém me explica qual a dica do título? Que nem todo sobho lúcido e sonho??

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  6. Noooss, eu queria tanto algumas linhas a mais. 100/10

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  7. Chota ahahshwjs ri na hora. Mas enfim, achei muito interessante essa♡

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  8. Divina sempre com creepys divinas. Ótima creepy 10/10

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  9. Gente, revisem o texto, por favor. Uns erros ortográficos bizarros aí.

    Fora isso, a história foi bem meh, nada de muito interessante e a narrativa não tenta se inovar pra puxar o leitor.

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