14/08/2017

É só minha casa



Eu realmente não sei como começar esta história. Eu nunca fui do tipo escritor. Nunca o criativo ou artístico. Então me desculpo previamente pela minha falta de técnica. Sou um homem prático. Lógico, pragmático. De qualquer forma, eventos recentes me fizeram questionar esses fatos, e subsequentemente minha sanidade.

Apesar da minha escassez de talento literário, minha irmã é praticamente o contrário. Ela é repórter, tendo escrito para vários jornais do nosso estado natal, Ohio. Recentemente, ela conseguiu um emprego no Alasca e precisou de ajuda para transportar seus pertences para lá. Nós enchemos o porta-malas do seu Volkswagen com tudo o que pudemos e pegamos estrada. A viagem inteira pareceu surreal, tudo correu muito bem, sem nenhum problema sequer. Imagine, 4800km de estrada que passaram perfeitamente. Quando digo perfeitamente, não estou exagerando. Chegamos aqui em 4 dias. Encontramos hotéis que aceitassem gatos de imediato (trouxemos os dois gatos dela). Só vimos um policial a viagem inteira! Sem tráfego e clima agradável. Foi inacreditável.

Depois da viagem tranquila de carro e uma longa travessia de balsa, chegamos na casa dela nas primeiras horas da manhã. Como eu começo a descrever a casa? Isolada? É no meio de uma floresta nacional, sem vizinhos por quilômetros. Eu nunca tinha visto as estrelas tão claramente como vi naquela noite. É uma casa simples, um quarto e um banheiro. Tem uma pequena cozinha, uma sala de jantar e uma varanda na frente que animou minha irmã para relaxar nela. Estando tão exausta, ela decidiu ir dormir assim que chegamos. A casa estava completamente vazia, exceto por nossos computadores, um colchão de ar e comida. Minha irmã encheu o colchão em seu quarto e rapidamente adormeceu.

Algumas horas depois, me lembro de estar jogado no chão da sala de estar, com alguns travesseiros e cobertores embaixo de mim por algum conforto mínimo. Lembro de estar deitado, navegando no Reddit e ocasionalmente olhei para a lua através da janela. Enquanto lia possíveis soluções para o Paradoxo de Fermi, escutei o que só posso descrever como estática. Era quase como uma rádio fora do ar, estalando por aí. Estava vindo de fora da casa, do lado esquerdo, o lado da janela. Cheio de curiosidade, me levantei e me aproximei da parede. O barulho sumiu quando cheguei. Olhei para fora e não havia nada. Silêncio. Presumi que era culpa do meu cansaço, por não ter dormido. Nós estivemos na estrada por um longo tempo.

No dia seguinte, acordamos cedo e decidimos fazer turismos. Fomos em um passeio de bote e vimos águias e baleia. Almoçamos em um restaurante local e fizemos muitas compras. Foi um dia incrível. Voltamos para a casa dela (a alguns quilômetros da cidade) de tarde e resolvemos assistir ao último episódio de Game Of Thrones. Depois de uma hora de televisão, fizemos o jantar. Acabamos por comer um espaguete pré-cozido com molho de tomate. Delícia! Depois da nossa “festa”, minha irmã resolveu desmaiar. Ela se arrastou até seu colchão de ar e dormiu quase instantaneamente, para não perder o costume.

Nem uma hora depois que ela dormiu, escutei o familiar barulho de estática vindo do exterior de novo. Muito mais alto dessa vez. Pareciam haver pequenos murmúrios nela. Eu pulei e corri até a janela, só para ouvi-la desaparecer. Determinado a encontrar a fonte do ruído, calcei meus sapatos e agarrei uma lanterna. Evitando acordar minha irmã, saí pela porta da frente o mais quieto possível.
Então lá estava eu.  No breu, com uma lanterna, andando por fora da casa no meio do nada, procurando por um inexplicável barulho de estática. Depois, talvez uns 15 minutos de procura inútil, perdi as perdi as esperanças de saciar minha curiosidade. Antes de voltar para dentro e continuar minha pesquisa na internet, resolvi fumar um pouco de maconha. É legalizada no Alasca, e como eu disse, fizemos turismo aquele dia. Parado na varanda de madeira, fumando por prazer, observando as estrelas claras como nunca... E eu ouvi.

A estática! Estava vindo do outro lado da casa! Liguei minha lanterna e corri o mais rápido que pude, permanecendo próximo às paredes. Chegando aos fundos, ouvi a estática claramente, originada na densa floresta. Desliguei a lanterna e tentei focar apenas no barulho. Enquanto eu estava atentamente escutando e focando na fileira de árvores, vi uma fraca luz vermelha. Uma pequena, pulsante luz vermelha. Não mais que 30 metros dentro da floresta. Parecia vir de perto da origem da estática. Nesse ponto, aterrorizado, eu disparei até a porta da frente, a batendo e fechando o trinco. Me atirei no quarto da minha irmã, gritando “Elana, ELANA, acorda!”. Minha irmã não ficou feliz em me ver, nem em ouvir minha história. Não dando tempo a ela pra reclamar por ter sido acordada, expliquei o que aconteceu. Ela estava muito cética. Pensou que ou estava brincando, ou tinha fumado muita maconha, ou simplesmente havia perdido a cabeça para o cansaço. Ela estava irritada e queria ir para fora ver o mesmo. Eu não deixaria.

Bom, deixe-me explicar. Eu e minha irmã somos MELHORES amigos. Ela sabe o quanto sou racional e me escuta quando digo as coisas. De qualquer forma, o jeito que ela se comportou durante o incidente foi muito peculiar. Eu esperei que ela endoidasse, ligasse para nossos pais, para a polícia, ligasse todas as luzes. Ela não fez nada disso. Abriu a porta da frente, espreitou para fora, a fechou e trancou, andou até a janela, abriu, foi buscar um copo d’água e o derramou para fora sem tomar uma gota e voltou para a cama. Assustado o suficiente, eu passei a noite inteira assistindo Netflix, alerta para barulhos estranhos. Nada mais aconteceu aquela noite, graças a Deus.

O dia seguinte aconteceu como planejado, sem ocorrências bizarras. Compramos coisas para sua casa, fomos para seu novo trabalho e conhecemos todo mundo, fizemos mais coisas de turistas, etc. Compramos uma TV para a sala. Decidimos jogar um pouco de Xbox enquanto escurecia. Eu tive pensamentos sobre a noite anterior o dia todo. É estranho. Eu estava horrorizado com a possibilidade de acontecer de novo, mas uma pequena parte de mim desejava isso. Queria descobrir, pelo meu bem. Eu esperava que Elana ouvisse também, que eu não estivesse temporariamente louco. Meu plano falhou, e depois de 2 horas jogando Call Of Duty, ela foi dormir. Em sono profundo em seu quarto; comigo, suficientemente no limite, tentando me distrair na sala.

Lá pelas 3 da manhã, meu navegador foi interrompido novamente pela estática. Eu imediatamente fui até o quarto da minha irmã e a acordei. Perguntei “Você está ouvindo isso? É o que eu tenho ouvido! Você consegue ouvir?”. – “Sim” ela respondeu. Eu não sei se isso deveria ter me assustado mais ou me acalmado. Me relaxou, mas também me deixou aterrorizado. Ela calmamente disse “Vamos lá fora descobrir isso”. Relutante, eu concordei. Se minha irmã está disposta a fazer algo e não está assustada, não há razão para que eu esteja. Certo? Calcei meus sapatos e peguei a lanterna. Elana pegou a lanterna da minha mão e a colocou de volta no balcão. “Não precisamos disso”, ela declarou. Confuso, a segui para a porta da frente. A destrancou, abriu lentamente e saiu por uma fresta. Assim que a porta estava completamente aberta, minha irmã havia sumido. Ela desapareceu por aquela fresta mais rápido do que eu jamais havia visto ela se mover. Descalça e de pijama, direto para a noite. Perdendo ela de vista quase imediatamente na escuridão, eu me virei e peguei a lanterna, só então a seguindo pelo quintal escuro. Me senti obrigado a correr para os fundos da casa. Eu lentamente rodeei o canto para os fundos e encontrei Elana.

Parada no breu, encarando a casa, calada e completamente imóvel. Confuso, assustado e pulsando pela adrenalina, gritei “Elana, que porra está acontecendo? QUE PORRA VOCÊ ESTÁ FAZENDO AÍ?”. Ela se voltou para mim e respondeu indiferente “Zach, relaxe, é só minha casa.” – “Que caralho você quer dizer com ‘é só sua casa’?”, eu berrei. “Não há com o que se preocupar, Zach, vamos voltar para dentro.”, sussurrou. Completamente perplexo, fiquei sem palavras. Ela andou serenamente de volta à frente da casa, comigo seguindo seus passos, girando a lanterna para todos os lados.

Assim que entramos de volta em casa, eu estava muito irritado. Eu queria ligar para a polícia. Queria ligar para nossos pais e dizer que algo estava errado. Queria sair daquela casa. Mas esse era o novo lar da minha irmã e não podíamos fazer nada disso. Elana estava dizendo que nada estava errado. Ela eventualmente me convenceu depois de uma hora conversando. Ela não mencionou nenhuma vez sequer a estática lá fora ou o que quer que tivesse sido aquilo. Para meu horror, ela decidiu ir dormir. Ela voltou para a cozinha e encheu um copo d’água. Então derrubou a água de novo, sem tomar um gole, e disse “Boa noite, Zachary”. Ela nunca havia me chamado de Zachary. Nenhuma vez.

Desnecessário dizer que ela não dormiu muito tempo. Depois de 30 minutos que ela deitou, escutei a estática. Mais alto que antes. Enlouquecido, a acordei de novo. Nós mutuamente decidimos não ir para fora. Ficamos na janela, mantendo vigilância na floresta lá fora. Minha irmã, inexplicavelmente calma, e eu, beirando o terror. Enquanto a estática oscilava entre um tom agudo e outro grave, vi a pequena luz vermelha novamente. A pequena e brilhante luz vermelha, bem entre as árvores. De repente, a estática parou e a luz virou um sólido e vermelho farol na floresta. Pareciam haver figuras se movendo em torno da luz. Eu não posso descrever com precisão o que era, porque estava muito escuro. Minha irmã estava impassível, encarando a noite. Eu me lembro de olhar para ela e ver seu olhar nulo. Até que me afundei na luz novamente.

Peguei meu celular para ligar na polícia e não tinha serviço. O que me assustou pra caralho, porque tínhamos serviço lá o tempo todo, até usamos ele para o computador. Abri a câmera para tentar filmar a luz e meu celular desligou subitamente. Estava completamente carregado. Depois do que pareceu uma hora mas pode não ter sido mais de um minuto, a luz vermelha lentamente desapareceu. Minha irmã estava muito calma sobre a situação. Logo que sumiu, ela disse “Viu? Sumiu. Não há com o que se preocupar. Vamos dormir”. Muito assustado para ficar sozinho, eu deitei com ela no colchão de ar, que adormeceu quase imediatamente. Me deitei próximo a minha adormecida irmã, tentando pensar em qualquer explicação plausível.

Nada. Não há nada que explique o que eu vi.

Antes que eu percebesse, era de manhã.

Depois dessa terrível e estressante noite, é hora de voltar pra casa hoje. Estou no aeroporto agora para minha conexão in Seattle. Estou assustado, confuso, triste, preocupado e um mix de outras emoções. Antes de deixar o Alasca, implorei que minha irmã viesse comigo. Eu aleguei “Elana, alguma coisa está errada. Você deveria vir para casa comigo, ou encontrar outro lugar para morar. Não fiquei naquela casa sozinha. Tem alguma coisa que não está certa lá”. O que ela respondeu me petrificou. Depois de horas pensando sobre aquilo, eu ainda não entendi o que Elana quis dizer. Indiferente, ela olhou para mim suavemente e respondeu “Zachary, está tudo bem. É por isso que estou lá. É só minha casa”.


Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avisa! Obrigada! Se gostou, comente, só assim saberemos se vocês estão gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião!



20 comentários:

  1. Que bela tradução, que bela historia, nota 10

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  2. Gostei, mas pelamor de Deus se alguém entendeu esse final, favor explica ;_;) que nem o personagem entendeu, será que ou autor dela entendeu? 7/10

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  3. Ou um demônio estava controlando ela, ou aliens estavam a controlando pela frequência do rádio ou ela invocou sabe-se lá oque e o que ela invocou estava na casa ou eu não entendi nada!!! Qual esta certa???

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  4. Gente na hora que ela sumiu alguma coisa deve ter pegado ela e trocado ela por alguma copia que ficaria serena e não desconfiaria de nada

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  5. Esse cara é burro! Bem aprendi com atividade paranormal 1 e agora com essa creepy: Se você tem certeza que algo tá errado e mesmo assim uma mulher insiste que tá tudo bem, dá o fora e larga ela aí.
    Porque logo a vítima será vc.

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  6. Acredito que sejam aliens, paradoxo de fermi é uma análise sobre a possibilidade de vida extraterrestre

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  7. Cara pela estatica e a luz vermelha obviamente eh o slender mas n faz sentido o final msm assim

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    1. (Pressionei em publicar sem querer)
      ...certo medo psicológico.

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    1. Ou então é só a casa da muié caraie... Nada demais

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  10. Talvez tudo isso tenha sido só uma Bad Trip, ele nem deve ter saido de casa

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    1. Verdade , talvez ele só tenha fumado demais kkkkkk

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  11. Ela deve ser uma cópia. A irmã original deve ter sido pega pelos aliens que decidiram fazer experiencias com ela na floresta

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