18/08/2017

INFESTATIO


Boa noite espreitadores, mais uma creepypasta de minha autoria. Vou dividi-la em partes, uma a cada sagrada sexta-feira. Quantas? Depende da repercussão, ainda não possui final, apenas um frágil esqueleto. Critiquem, se expressem, confabulem, criem teorias, ridicularizem...

 PARTE - I

Aos poucos a crise realmente mostrou a sua temida face, em minha cidade finalmente o que era apenas mostrado nos noticiários passou a acontecer de fato.

Com as grandes Companhias  caindo uma após uma, o fluxo de famílias provenientes de outros Estados foram as primeiras a saírem, estavam ali pelos empregos que não existiam mais e quase todas elas pagavam aluguel, seguido de famílias oriundas da cidade, aos poucos foram indo embora...

Minha enorme cidade, famosíssima pelos congestionamentos e longas filas em frente ao transporte público foi desafogando e perdendo a diversidade que tanto a tornava linda.

Veja bem, nunca tive oportunidade de estudar, desde os 11 anos me virava sozinha, então sempre trabalhei e lutei para me manter, no meu canto, conseguindo me alimentar e arcar com despesas básicas. Não tive tempo para livros, ensinamentos, doutrinas ou tempo de construir uma base para possuir a tal "mente pensante" ou até mesmo derrubar essa base e construí-la do nada.

Apesar de desconfiada e sempre com um pé atrás eu sou e fui manipulada pela mídia local, oras, era de lá que tirava as minhas instruções...

E diziam na TV para que quem pudesse, que estocasse comida, não fizesse dívidas em cartão de crédito, não comprasse nada em prestações etc. Apontavam que se hoje o quilo da batata gira em torno de R$ 2,50, amanhã poderia chegar a R$ 22,00.

Calculei com ajuda de um aplicativo o quanto precisaria ter de comida se ficasse desempregada nos próximos 4 ou 6 meses... E foi o que fiz. Gastei minha rescisão contratual em comida, apenas almoçava para passar o dia inteiro procurando por uma nova oportunidade de trabalho.

As ruas estavam vazias, serviços como táxi, uber, food delivery, lava carros, entre outros praticamente não existiam mais. Haviam baratas, ratos, morcegos e tudo quanto é tipo de praga à vontade por aí. A população de animais de rua caiu drasticamente assim como os moradores de rua também (não estou os colocando como "animais" que fique claro).

A criminalidade aumentou, porém dois sacos de feijão e um de arroz valiam mais que um ótimo smartphone, era precário...

Eis que no dia 1º de Outubro de 2017 tudo mudou, a solução caiu do céu!

Com os imóveis totalmente desvalorizados ficou fácil para que a Corporação Infestatio montasse sua enorme base em minha cidade, gerando milhares de novos empregos.

Minha reserva alimentícia se encontrava em pouco menos da metade do que havia comprado, me custou 7kg, mas no final as coisas se acertaram, consegui um novo emprego, assim como praticamente todos a quem eu conhecia.

A Infestatio se aproveitou das reformas instauradas pelo governo e se aproveitou também da patética situação da prole trabalhadora, passávamos praticamente 14 horas em atividade, sobrava tempo apenas para voltar pra casa, tomar um banho, comer alguma coisa, dormir pouco e enfiar a cara no trabalho novamente.

Quanto as normas de segurança, quanto a insalubridade, periculosidade e riscos... A Companhia tinha praticamente uma livre autonomia, não havia fiscalização e se houvesse uma entidade regulamentadora empenhada, provavelmente deixariam a cidade da maneira em que se encontrava a poucos meses atrás.

Eu achava "engraçado" passar tantas horas produzindo um tipo de veneno inseticida, do qual não consumia, do qual ia pouco ao mercado para vê-lo em prateleiras ou até mesmo ter tempo para contemplar esses insetos e pragas em meus dois "luxuosos" dois cômodos.

Chegamos em uma época em que a Infestatio era a maior empregadora do país, segundo a Forbes foi a empresa de toda a história que atingiu a maior ascensão em tão pouco tempo. Essa explicação se dá devido ao regime praticamente escravocrata que somos submetidas, enfim...

Adequada ao racionamento que praticava a um ano e meio atrás na época que veio a ter o nome de "Grande Escassa" somado com a longa jornada de trabalho e minha falta de apetite devido a náusea e enjoo constantes que sentia com a mistura dos produtos químicos, passei a comer bem pouco. Quando terminava meu turno e visitava o mercado eu sempre tinha o ímpeto de gastar muito em produtos  alimentícios, mesmo sem consumi-los devidamente.

Foi aí então que me dei conta... Pra onde ia toda a minha comida??? Eu não jogava fora, não doava, não consumia... Alguém entrava em casa e levava?

Passei o turno inteiro pensando nisso, na hora da pausa convidei Marta a ir ao mercado comigo após o expediente, ela topou de imediato dizendo que : " Havia muita coisa que precisava comprar pra casa". Ela também era solteira e sem filhos...

O turno dela terminava uma hora antes do meu, então decidi dar uma voltinha em torno da fábrica para dar uma observada... Não haviam mais carrinhos de cachorro-quente, pipoca, trailers, lanchonetes, algodão-doce, crepes nem nada... Haviam máquinas de snacks, salgadinhos, conservas, nada que fosse preparado na hora, pra consumo imediato.

Sentei-me no meio-fio e fiquei encarando uma barra de chocolate por extensos 7 minutos sem ter a menor vontade de abri-la. Quase dois anos atrás esse artigo poderia ser motivo suficiente para um brutal assassinato, digo sem exageros pois fui sortuda de ter sobrevivido com folga a Grande Escassa, muita gente morreu de fome ou sobreviveram em condições de extrema carência em boa parte do continente.

Subi no carro e fui observando pela janela as ruas, extremamente LIMPAS, não era nem sombra do que a cidade já foi, sem embalagens pet, restos de bolacha, pacotinhos rasgados de salgadinhos, papéis de bala... nada...

Não queria influencia-la, apenas olharia... Marta encheu seu carrinho de comida, a cada passada de mão com seus finíssimos dedos nas prateleiras ela comentava algo como "você deveria levar um também, esse é gostoso, olha que barato, não vai precisar?, está em promoção..."

Após chegarmos, descarregarmos todas a compras e nos sentarmos eu perguntei :
- Não vamos comer nada, Marta?
ela respondeu : - Olha Veronica, agora não estou com fome, você está?
Fiz que sim com a cabeça e disse : - Por favor, ligue seu laptop pra mim?

E fui até seu armário, geladeira, dispensa e lixos...

Perguntei se podia usar o cartão de crédito dela, disse que tudo bem, já me fornecendo os dados e a senha.  Comentei com ela as minhas ideias, logo de cara as refutou e me tomou como louca.
Tirei a fatura de seu cartão de crédito e me sentei ao lado dela com um marca-texto púrpura e fui "pintando" praticamente toda a folha impressa.

Ela se levantou foi até seu armário, geladeira, dispensa e lixos...

Me olhou e como uma criança de quatro anos que gostaria de entender como "uma hora" funciona, com seus sessenta minutos e seus três ponteirinhos num relógio qualquer, questionou o que eu já esperava: "Cadê a minha comida???"









17 comentários:

  1. Bem interessante... quero ver no que isso vai dar.
    Os novos integrantes da equipe do CPBR são muito criativos!

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  2. Gostei, bem interessante, conseguiu me prender do começo ao fim.

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  3. Achei bem interessante... Estou louca para saber o que vai acontecer.

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  4. Não entendi nada do final, mas achei a ideia foda demais, parabéns!

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  5. Baah, super interessante, desenvolve umas boas 4+ partes ae que pela ideia da um roteiro de filme hahahaha ansiedade já ta me cutucando e dizendo aqui 'só por sexta'.

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  6. Obrigado pelas críticas!
    Brenda, quanto ao final a Veronica pediu a fatura do cartão de crédito de Marta e destacou o quanto ela gastou com comida ao longo dos meses, fazendo com que a amiga entendesse que além de ter consumido muito pouco daquilo, não tinha sinal daquele volume todo em casa, era essa a dúvida?

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  7. Incrível. Um suspense que segura o leitor e o faz esperar ansiosamente pelo próximo capítulo. Já existem outras partes escritas? Não nos decepcione com a ausência da continuação!!! ~Willer.

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  8. Noooooza vey, muito boa a creepy esperando muito aqui...

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  9. muito bom a creepy, tem uns erros de português mas nada agressivo. 8/10 e manda mais que começou bem.

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  10. Muito boa, conseguiu me prender até a última linha.

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  11. Achei muito interessante apesar de eu gostar de ler creepypastas mais assustadoras. Pretendo ler as futuras partes que provavelmente você postará devido às quantidades de comentários positivos. Só contém alguns erros bobos: erros de pontuação e ortografia. Algumas vezes você acrescenta uma palavra sendo que ela não deveria estar ali e isso acaba prejudicando a leitura fazendo com que eu fique em dúvidas pensando o que é que você estava querendo dizer. Fora tudo isso, eu gostei bastante.

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