06/08/2017

Me Queima

ATENÇÃO : ESSA SÉRIE/CREEPYPASTA É +18. CONTÉM CONTEÚDO ADULTO E/OU CHOCANTE. NÃO É RECOMENDADO PARA MENORES DE IDADE E PESSOAS SENSÍVEIS A ESSE TIPO DE LEITURA. LEIA COM RESPONSABILIDADE. 
Alguns relacionamentos são sustentados apenas pelo fato de que as vezes é mais fácil fingir, transar e ir dormir juntos do que desmoronar sua vida já construída.

Era assim que funcionava comigo e Marla. Nos conhecemos em um bar, transamos a noite toda, e ela nunca mais foi embora. E é por causa dela que eu vou morrer. 

Eu disse que ela nunca foi embora, mas é mais para nunca mais saiu. Fiquei surpreso quando acordei de manhã e ela ainda estava lá. Geralmente vão embora no meio da noite sem fazer barulho. Creio que eu não seja o "homem ideal" de ninguém, estou mais para "ideal no momento". E isso depois de vários drinks.

Dei de ombros e deixei ela dormir mais um pouco, achando que quando eu voltasse do trabalho a noite, ela já teria ido embora. Não. Voltei para casa e Marla estava lá, só me olhando com uma cara de "onde diabos você estava?"

Foi aí que percebi que havia algo de muito errado com ela. 

Eu jantei em silêncio, ela só me olhava, olhos arregalados, sem piscar. Seu olhar me fazia sentir como se insetos rastejassem por debaixo da minha pele.

Queria ela fora de lá; mas era fraco demais para falar isso. Naquela noite acabamos transando de novo. Quando o sol nasceu e eu ainda estava dentro dela, a realidade caiu sobre mim e me senti enojado comigo mesmo. Como alguém podia ser tão fraco? 

Prometo que daria um jeito dela sair de lá quando voltasse do trabalho no dia seguinte. 

Mas, claro, quando voltei, ela ainda estava lá. Estava deitada na cama, TV ligada, e fedia como se não tivesse tomasse banho a três dias. 

Ela nem sequer tirou os olhos da TV quando entrei. Nem me importei em pedir que fosse embora; sabia que só faria me ignorar. 

Era aquele tipo de relação onde você só tem a outra pessoa porque é melhor do que bater uma no final do dia. Nós não conversávamos, não tínhamos uma conexão, era só sexo. 

Transamos na mesa de jantar, no chão do banheiro, na bancada da cozinha. Aonde tivesse espaço, nós trepamos. Nosso sexo começou a ficar violento, foi aí que comecei a notar as poças. 

Cheguei do trabalho e lá estava; uma poça no meio da sala. Não conseguia distinguir o que era, mais cheirava a abacaxi podre. 

Eu estava cansado demais para limpar, falei para Marla dar um jeito naquilo para variar. Brigamos por causa disso, transamos por causa disso e depois dormimos. Como sempre. 
No dia seguinte havia outra poça. 

As coisas continuaram desse jeito por um tempo, todo dia uma nova briga, uma nova transa, uma nova poça. Comecei a despejar água sanitária nelas e arrastar com o rodo para o jardim, mas a casa ainda estava um lixo. Eu tinha pesadelos em quais eu me afogava nessas poças que fediam a abacaxi podre. 

Então tudo começou a dar errado. Uma noite, enquanto eu estava dentro de Marla, ouvi-a sussurrando no meu ouvido.

"Me queime."

"O que?" Eu quase gritei.

"Me queime."

Procurei nos bolsos da minha calça e peguei meu isqueiro, acendendo-o a um centímetro de sua pele.

"Assim?"

Olhei para ela procurando aprovação, mas ela apenas me encarou, seus grandes olhos negros nem piscavam.

"Não só me machuque," sibilou, "me queime".

Movi o isqueiro para mais perto e vi como sua pele começou a derreter como cera.

"Mais." 
Ela sussurrou.

"M-mais?"

"Mais." Ela olhou para a garrafa de Everclear que ficava em cima da geladeira.

"M-Marla, acho melhor a gente não..."

"MAIS!" Ela gritou na minha cara e eu caí da cama e corri para a geladeira para pegar a garrafa.

Eu derramei um pouco em seu braço, mas derramei bastante na cama também, pois minhas mãos tremiam violentamente.

Eu segurei o isqueiro perto da sua pele e-

"MERDA!"

Eu bati com as costas no chão quando uma coluna de fogo se acendeu e as chamas lamberam o teto do quarto. Marla apenas ficou lá deitada gemendo de um jeito que eu nunca ouvira ela gemer antes. 

Eu corri para a cozinha e arranquei de baixo da pia o mini extintor de incêndio, rezando que ainda funcionasse. 

Esvaziei-o todo até que o fogo finalmente se extinguiu. O braço de Marla era uma mistura de ossos queimados e carne derretida.

"Bom trabalho." Sussurrou.

Parecia bastante satisfeita comigo quando subi de volta para a cama com minhas pernas ainda bambas. 

"Daniel?" 
Falou baixinho.

"Sim, Marla?"

"Me queime mais".

"A-amanhã... Só m-me deixe dormir".

"Você promete?"

"S-sim... Eu pro-prometo..." 

Mas quebrei minha promessa. Quando sai do trabalho no dia seguinte, fui direto para um hotel. Eu nem sequer queria olhar para Marla, e tinha certeza que ela estaria lá me esperando quando eu chegasse. 

Naquela noite, tive que tomar duas garrafas de uísque do minibar para começar a ficar sonolento. Só por volta das três da manhã que comecei a cair no sono. E então ouvi a voz. 

"Me queima, Daniel".

Me sentei em um pulo. Sabia que tinha apenas imaginado sua voz, mas tive o sentimento repentino de que eu não estava sozinha no quarto.

E então senti o cheiro. Abacaxi apodrecido. 

"O-onde você está?" Sussurrei na escuridão.

"Você sabe onde eu estou, Daniel".

"E-eu só quero ir para ca-casa" Implorei.

"Eu também. Mas preciso que você me queime antes".

Não havia o que fazer além do que eu já sabia que teria que fazer. Levantei, me vesti e dirigi para casa.

Estacionei na estrada de carros, e tirei do porta-malas um galão pequeno de gasolina que eu levava comigo em caso de emergências. 

Entrei no quarto e esvaziei-o em cima de Marla, junto com a garrafa de Everclear. Ela não se mexeu, apenas olhava para mim, parecendo satisfeita consigo mesma. Então eu fui até gaveta da cozinha para pegar os fósforos. De jeito nenhum eu me aproximaria dela com meu isqueiro. 

Soltei o fósforo e a cama explodiu em chamas, transformando todo o quarto em um brilhante inferno laranja.

"Obrigada." Marla gemeu enquanto queimava. 

"Me desculpe, Marla". Falei. "Na primeira noite em que nos conhecemos... Eu nunca tinha sufocado alguém durante o sexo antes. Eu não pretendia fazer tão forte. Eu não queria ter te matado." 

"Eu sei."  Marla falou arrastadamente enquanto seu rosto derretia, e as larvas surgiram nas chamas espinhas enormes cheias de pus. 

"Eu só preciso de mais uma coisa antes de deixá-lo em paz, Daniel".

"Si-sim, Marla?"

Achei ver até um pequeno indicio de um sorriso em seu rosto deformado. 

"Queime comigo."


Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigada! Se gostou, comente, só assim saberemos se você está gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião! 


19 comentários:

  1. Vocês ainda aceitam creepys do fãs?

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    1. Acho q sim pq EU escrevi o "Trote" e acho q ate agora eles aceitam !!?!

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  2. Acho que ando lendo muita creppy...achei previsível. Mas muito boa. Chequei a imaginar a coisa toda, foi nojento. Parabéns Divina, como sempre, suas creppys são as melhores.

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  3. Divina, ou qualquer Adm. Que esteja lendo esse comentário. Vocês poderiam por o gadget-Arquivos-no site de vocês, para vermos as primeiras creepypasta do site. Serio, iria melhorar muito.

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  4. Já esta disponível ali no topo da barra lateral direita. Se estiver acessando pelo celular, troque para "visualizar versão para web" para ver. Beijinhos ❤

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    1. Provavelmente líquido produzido pelo corpo em decomposição, que se acumulava nos locais onde ele o deixava.

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    1. Está viajando de mais no clube da luta kk

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  7. Primeira vez que leio aqui. E ja gostei muito.

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  8. era o espirito dela falando? porra

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