02/09/2017

As histórias de um Oficial de Resgate no Serviço Florestal dos EUA (PARTE 3)


Hoje vou abordar algumas coisas comuns novamente, e depois passar para as histórias. Vou escrever tudo o que posso lembrar, além das histórias do meu amigo, e provavelmente não vou atualizar novamente até ter a chance de responder algumas perguntas que eu mesmo tenho aos meus superiores.

Tudo bem, então vamos as perguntas comuns que vocês me fizeram:
  • Não me sinto confortável para falar onde exatamente trabalho, infelizmente. Na verdade, algumas das coisas que mencionei aqui podem me complicar ou causar minha demissão, então é melhor se simplesmente não falar sobre isso. Posso dizer que estou nos Estados Unidos, e em uma área que tem grande parte composta por uma região selvagem. Estamos falando de centenas de quilômetros de floresta, com uma serra e alguns lagos.
  • Ainda há um grande interesse nas escadas, e, por sorte, meu amigo tem uma história que acho que você ficarão muito interessados. Vou falar mais sobre isso no final dessa atualização. E sobre ter pensado em falar ou não sobre isso com meus supervisores, eu quero, mas, novamente, não quero arriscar meu trabalho. No entanto, um dos meus ex-superiores não atua mais como um oficial da SAR, e é possível que ele esteja disposto a falar comigo sobre. Falarei com ele daqui uma semana, e vou deixar todos vocês informados.
  • No que diz respeito as perguntas sobre como se tornar um oficial da SAR, eu acho que o melhor conselho que posso dar é entrar em contato com o escritório local do Serviço Florestal e ver se eles oferecem cursos de treinamento, ou quais são as qualificações. Fiz isso por anos e comecei como voluntário ajudando nas operações da SAR. É um excelente trabalho, apesar das ocasionais situações trágicas, e não gostaria de fazer nada mais.

Tudo bem, vamos para as histórias:

  • A primeira ocorreu logo depois que saí do treinamento e ainda era muito inexperiente em tudo. Antes de assumir esse cargo eu era um voluntário, então tinha uma ideia básica do que esperar. Mas nessas chamadas você está lidando principalmente com encontrar pessoas perdidas depois que os veteranos encontraram algumas pistas deles. Como um oficial da SAR, você recebe todos os tipos de chamadas, desde picadas de animais até ataques cardíacos. Este caso ocorreu logo no início da manhã; um jovem casal estava em uma das trilhas que passa pelo lago. O marido estava completamente histérico e não conseguimos descobrir o que estava acontecendo. Pudemos ouvir a mulher gritando ao fundo e ele estava nos implorando para ir até lá imediatamente.

    Quando chegamos nós o vemos segurando sua esposa, e ela tinha algo em seus braços. Ela emitia gritos terríveis, animalescos, e ele estava soluçando. Ele nos vê e grita para ajudá-los, pedindo para trazer uma ambulância. Obviamente não podemos apenas dirigir uma ambulância pela trilha, então perguntamos se sua esposa precisava de ajuda ou se ela poderia caminhar sozinha. Ele ainda está histérico, mas consegue nos dizer que não é sua esposa que precisa de ajuda.

    Caminhei até eles enquanto um dos veteranos tentava acalmá-lo e perguntei para a esposa o que estava acontecendo. Ela estava balançando, segurando algo, gritando sem parar. Me agachei e vi que o que ela estava segurando estava cobrindo-a de sangue. Quando percebi o sling em sua frente meu coração parou. Pedi que me dissesse o que estava acontecendo e afastei seus braços gentilmente para saber o que ela estava segurando. Era um bebê, obviamente morto. Sua cabeça estava afundada de um lado e ele está coberto de arranhões. Já vi cadáveres antes, mas algo sobre essa situação me afetou.

    Demorei um pouco para me recompor, me levantei e fui buscar um dos veteranos que estava de pé. Contei que era uma criança morta, ele me deu um tapa no ombro e disse lidaria com aquilo. Levamos mais de uma hora para que a mulher nos deixasse ver seu filho. Toda vez que tentávamos tirá-lo dela ela se virava e nos dizia que não podíamos pegá-lo, que ele ficaria bem se a deixássemos sozinha e permitíssemos que cuidasse dele. Eventualmente um dos veteranos conseguiu acalmá-la e ela nos deu o corpo. Fomos à área médica, mas quando os EMTs apareceram nos disseram que não havia como de salvar a criança. Ele morreu instantaneamente pelo trauma em sua cabeça.

    Eu era amigo de uma das enfermeiras do hospital, e ela me contou mais tarde o que aconteceu. O casal andava com o bebê pelas pedras, e pararam porque o garoto estava agitado. O pai pegou o filho e o segurou. A mãe estava caminhando ao seu lado, até que ela pisou em um pedaço de solo solto e tropeçou. Ela caiu no pai, que deixou o bebê cair. A criança acabou caindo cerca de seis metros abaixo de um pequeno barranco sobre as pedras lá em baixo. O pai desceu e pegou o bebê, mas ele havia caído de cabeça. A criança tinha apenas quinze meses. Foi um claro acidente, uma série de eventos que se juntaram e formaram o pior resultado possível. Provavelmente foi uma das chamadas mais terríveis em que estive.

  • Não presenciei muitos ataques de animais no meu tempo como um oficial de SAR, principalmente porque não há muitos animais que se aproximam dessa área. Embora haja ursos, eles tendem a ficar muito longe das pessoas e os avistamentos são bastante incomuns. A maioria dos animais que você vê são pequenos, como coiotes, guaxinins ou gambás. No entanto, vemos alces com frequência. E deixe-me dizer, os alces são desagradáveis pra caralho. Eles perseguem qualquer coisa por qualquer motivo, e Deus te ajude se você se meter entre uma fêmea e seu filhote. Uma das chamadas mais divertidas foi a de um cara que tinha sido perseguido por um alce macho absolutamente enorme e estava preso a uma árvore. Demoramos quase uma hora para resgatá-lo, e quando finalmente ele estava no chão novamente ele olhou para mim e disse: "Meu Deus, essas porras são grandes pra caralho de perto.” Acho que não é realmente uma história assustadora, mas ainda rimos disso.

  • Sinceramente, não sei como esqueci dessa história, mas é, de longe, a coisa mais assustadora que me aconteceu. Acho que talvez eu tenha tentado esquecê-la por tanto tempo que simplesmente não me lembrei imediatamente. Como alguém que passa literalmente todo o tempo na floresta, você nunca quer ter medo de estar sozinho, ou de ficar no meio do nada. É por isso que, quando você tem experiências como essa você tende a simplesmente se esquecer delas e seguir em frente. Isto é, até agora, essa foi a única coisa que me fez realmente considerar se este é o trabalho certo para mim. Eu não gosto muito de falar sobre isso, mas vou dar meu melhor que posso para lembrar de tudo.

    Recordo que isso aconteceu no final da primavera. Era uma típica chamada de uma criança desaparecida: uma garota de quatro anos tinha se afastado do acampamento da família e tinha desaparecido há duas horas. Seus pais estavam completamente abatidos e nos disseram o que a maioria dos pais dizem: “Minha filha nunca se afastaria, nunca sai de perto, nunca fez nada assim antes.” Garantimos aos pais que faríamos tudo o que pudéssemos para encontrá-la, e nos espalhamos em uma formação de busca padrão.

    Eu estava em parceria com um dos meus bons amigos e estávamos conversando enquanto caminhávamos. Eu sei que isso parece insensível, mas nos tornamos dessensibilizados depois de fazermos isso por tanto tempo. Torna-se rotina, e acho que até certo ponto você tem que aprender a se dessensibilizar para permanecer neste trabalho. Procuramos por duas horas, indo muito além de onde pensávamos que ela estaria. Saímos de um vale pequeno quando algo nos faz parar. Congelamos e nos encaramos. Meus ouvidos ficaram em alerta, e tive uma estranha sensação de despressurização, como se tivesse caído 3 metros. Comecei a perguntar ao meu amigo se ele havia sentido isso, mas antes que eu terminasse a pergunta, ouvimos o som mais alto que já ouvi em minha vida.

    É quase como se um trem de carga passasse diretamente por nós, mas o som vinha de todas as direções ao mesmo tempo, incluindo acima e abaixo de nós. Ele gritou algo para mim, mas não consegui ouvir através do rugido ensurdecedor. Compreensivelmente assustados, olhamos ao redor tentando encontrar a fonte do som, mas nenhum de nós viu nada. Claro, meu primeiro pensamento foi um deslizamento de terra, mas não estávamos perto de nenhum penhasco, e mesmo que nós estivéssemos, já teria nos atingido. O som continuou, tentamos nos comunicar, mas não podíamos ouvir nada além do barulho.

    Então, tão repentinamente quanto começou, parou, como se alguém desligasse um interruptor. Por um segundo tudo ficou perfeitamente silencioso, e lentamente os sons normais da floresta voltaram. Ele me perguntou o que diabos acabara de acontecer, mas eu simplesmente encolhi os ombros e ficamos de pé um ao lado do outro por um minuto. Perguntei pelo rádio se alguém tinha acabado de ouvir o fim do mundo, mas ninguém mais o ouviu, apesar de estarmos a uma distância mínima uns dos outros. Meu amigo e eu simplesmente encolhemos os ombros e continuamos. Cerca de uma hora depois, todos se comunicaram através dos rádios mas ninguém encontrou a menina. Na maioria das vezes não procuraremos ao escurecer, mas alguns de nós decidimos continuar, incluindo meu amigo e eu. Nós nos mantemos juntos, e chamávamos pelo nome da menina a cada minuto.

    Neste ponto, eu ainda tinha esperança de encontrá-la, porque, embora eu não goste de crianças, a ideia de estarem sozinhos no escuro é horrível. A floresta pode intimidar as crianças à luz do dia; De noite, bem, é algo completamente diferente. Mas não vimos nenhum sinal dela, e por volta da meia-noite decidimos voltar para o ponto de encontro. Estávamos na metade do caminho de volta quando meu amigo parou e ligou sua lanterna a nossa direita, em direção a um grupo de árvores mortas. Perguntei a ele se ele ouviu alguma coisa e ele me mandou ficar quieto por um segundo e ouvir. Fiquei quieto, e a distância consegui ouvir o que parece ser uma criança chorando. Chamamos o nome da menina e esperamos qualquer tipo de resposta, mas ouvimos apenas um choro muito fraco. Seguimos em frente, chamando seu nome repetidamente. À medida que nos aproximamos do choro, comecei a sentir algo estranho no meu estômago, e digo ao meu amigo que algo não está certo. Ele me disse que se sente da mesma maneira, mas não conseguirmos descobrir o que era. Paramos onde estávamos, e chamamos o nome da menina de novo. E ao mesmo tempo, nós dois percebemos. O choro estava em loop. Era o mesmo pequeno soluço de engate, depois o gemido, depois um soluço silencioso, repetido repetidamente. Era exatamente o mesmo toda vez, e sem dizer outra palavra, ambos começamos a correr.

    Foi a única vez em que perdi minha compostura assim, mas algo sobre aquilo estava tão incrivelmente errado, e nenhum de nós queria ficar mais lá. Quando voltamos para o encontro, perguntamos se alguém mais ouviu algo estranho, mas ninguém sabia do que estávamos falando. Eu sei que isso parece anticlímax, mas essa chamada me perturbou por um longo tempo. Quanto à menina, nunca encontramos um traço dela. Nós sempre nos lembramos dela, assim como todas as outras pessoas que nunca encontramos, mas, francamente, duvido que encontraremos alguma coisa.

Das chamadas de pessoas desaparecidas que presenciei apenas poucas desapareceram por completo, o que significa que nenhum vestígio da pessoa e nenhum corpo já foi encontrado. Mas às vezes, encontrar um corpo apenas leva a mais perguntas do que respostas. Aqui estão alguns dos corpos que descobrimos:

  • Um adolescente que foi recuperado quase um ano depois que ele desapareceu. Encontramos o topo do crânio, dois ossos do dedo e sua câmera a quase quarenta quilômetros de onde ele foi visto pela última vez. A câmera, infelizmente, foi destruída.
  • A pelve de um homem idoso que havia desaparecido um mês antes. Isso foi tudo o que encontramos.
  • O maxilar inferior e o pé direito de um menino de dois anos no pico mais alto de um tergo na parte sul do parque.
  • O corpo de uma menina de dez anos com síndrome de Down, a quase 35 quilômetros de onde desapareceu. Morreu de exposição três semanas depois de ter desaparecido e todas as suas roupas estavam intactas, exceto pelos sapatos e jaqueta. Havia frutas e carne cozida em seu estômago quando fizeram a autópsia. O médico legista disse que parecia que alguém estava cuidando dela. Não houve suspeitos já identificados.
  • O corpo congelado de um bebê de um ano de idade. Ele foi encontrado uma semana depois de desaparecer no tronco oco de uma árvore a 15 quilômetros da área que ele estava pela última vez. Havia leite fresco em seu estômago, mas sua língua tinha desaparecido.
  • Uma única vértebra e a rótula direita de uma garota de três anos, encontrada na neve a quase 30 quilômetros do acampamento que sua família havia estado no verão anterior.

Agora vou contar algumas das histórias de meu amigo. Eu disse a ele que vocês estavam interessados em saber mais sobre as escadas, e vocês estão com sorte: ele teve uma experiência mais interessante com elas. Embora não tenha nenhuma explicação para elas, tem um pouco mais de experiência do que eu.

  • Meu amigo foi um oficial da SAR por cerca de sete anos, começando quando era um jovem na faculdade, e teve uma experiência muito semelhante a minha quando ele encontrou pela primeira vez as escadas. Seu treinador disse quase o mesmo que o meu, “nunca se aproxime, toque ou suba.” No primeiro ano ele fez exatamente isso, mas, aparentemente, sua curiosidade aumentou, e em uma chamada ele se separou da linha de busca e foi procurar um conjunto de escadas.

    Estava a cerca de quinze quilômetros do caminho de onde uma adolescente havia desaparecido, e os cães estavam seguindo o rastro. Estava sozinho, ficando para trás do grupo principal, quando viu um conjunto de escadas à sua esquerda. Pareciam que eram de uma casa nova, porque o tapete era limpo e branco. Me disse que quando se aproximou não sentiu nada diferente ou ouviu ruídos estranhos. Estava esperando que algo acontecesse, que seus ouvidos começassem a sangrar, mas ele ficou bem ao lado delas e não sentiu nada. A única coisa que era estranho era que não havia absolutamente nenhum detrito nos degraus. Nem sujeira, folhas, poeira, nada. E não parecia haver sinais de atividade animal ou de insetos na área, o que ele achou estranho. Não era como se essas coisas estivessem evitando-na, era como se estivesse em uma região estéril da floresta.

    Tocou as escadas e não sentiu nada, exceto aquele tipo de sensação pegajosa quando você toca em um tapete novo. Ele se certificou de que seu rádio estava ligado e lentamente subiu as escadas; Estava apavorado, por causa das estigmas que cercavam as escadas, não tinha certeza do que aconteceria com ele. Brincou que metade dele esperava ser teletransportado para alguma outra dimensão e a outra metade estava esperando que um OVNI descesse do céu. Ele chegou ao topo e ficou parado olhando em volta. Mas, disse, quanto mais permanecia no alto das escadas mais sentia que estava fazendo algo muito, muito errado. Descreveu como a sensação que você sentiria se estivesse em uma parte de um prédio do governo em que você não tem permissão de estar. Como se alguém estivesse prestes a te prender ou atirasse na parte de trás da sua cabeça a qualquer segundo. Tentou deixar para lá, mas o sentimento ficou mais forte e forte, e foi quando ele percebeu que não podia mais ouvir nada.

    Os sons da floresta desapareceram, e ele não conseguia ouvir sua própria respiração. Era como um tipo de zumbido estranho, horrível, mas mais opressivo. Recuou e voltou à busca, e não mencionou o que havia feito. Mas a parte mais estranha veio depois. Seu treinador estava o esperando no centro de boas-vindas depois que a busca do dia terminou, e ele encurralou meu amigo antes que ele pudesse partir. Seu treinador o olhou com uma raiva intensa, e ele perguntou qual era o problema. "Você subiu, não foi?" Meu amigo disse que era uma pergunta retórica. Perguntou como seu treinador sabia. O treinador apenas balançou a cabeça. "Porque não a encontramos. Os cachorros perderam o cheiro dela. Meu amigo perguntou o que isso tinha a ver. O homem perguntou por quanto tempo ele ficou na escada, e meu amigo disse por mais de um minuto. O treinador lançou um olhar realmente terrível para ele, quase de olhos mortos, e disse-lhe que, se ele voltasse a subir em outra escada novamente seria demitido imediatamente. O treinador se afastou, e acho que ele nunca respondeu nenhuma das perguntas que o meu amigo lhe fez desde então.
Meu amigo esteve envolvido em muitos casos de pessoas desaparecidas, onde nunca houve um só vestígio deles. Eu mencionei David Paulides, e meu amigo disse que pode confirmar que essas histórias são, em sua maior parte, verdadeiras. Falou que, na maioria das vezes, se a pessoa não é encontrada imediatamente, elas nunca serão encontradas, ou são encontradas semanas, meses ou anos mais tarde, em locais que não poderiam ter conseguido chegar. Uma história que ele me contou realmente se destaca entre todas as outras; o desaparecimento de um menino de cinco anos com uma grave deficiência mental.

  • O menininho desapareceu de uma área de piquenique no final do outono. Além da deficiência mental, ele também estava fisicamente incapacitado, e seus pais explicavam repetidas vezes que ele simplesmente não poderia ter desaparecido. Era impossível. Alguém tinha que ter o raptado. Meu amigo disse que procuraram esse garoto por semanas, indo a distâncias fora do alcance aceito, mas era como se ele nunca tivesse estado lá. Os cães não conseguiram sentir seu rastro em qualquer lugar, nem mesmo na área de piquenique onde ele aparentemente desapareceu. A suspeita caiu sobre os pais, mas ficou bastante claro que estavam devastados e não fizeram nada de sinistro com seu filho.

    A busca foi concluída cerca de um mês depois, e meu amigo disse que todos já tinham basicamente esquecido daquilo no invernos seguinte. Estavam em um treinamento na neve, em um dos picos mais altos, quando encontraram algo na neve. Ao se aproximar perceberam que era uma camisa congelada sobre a neve. Ele reconheceu como pertencente ao menino, pois havia um detalhe distintivo. A cerca de vinte metros de distância ele encontrou o corpo da criança, deitado e parcialmente enterrado na neve. Meu amigo disse que o menino estava morto há apenas alguns dias, embora ele estivesse desaparecido há quase três meses.

    O garoto estava enrolado em torno de alguma coisa, e quando meu amigo tirou a neve para ver o que era, disse que não podia acreditar no que estava vendo. Era um grande pedaço de gelo, que tinha sido esculpido grosseiramente para se parecer com uma pessoa. O garoto estava agarrando tão forte o pedaço de gelo que suas mãos e seu peito congelaram. Ele avisou a equipe pelo rádio, e eles tiraram o corpo da montanha. Agora, recapitulando tudo isso para mim, ele chegou a conclusão que simplesmente não havia como essa criança ter sobrevivido por quase três meses por conta própria ou chegar ao pico sozinho. Não havia nenhuma maneira lógica desse menino ter andado quase 80 quilômetros e acabar no topo de uma maldita montanha. Para completar, não havia nada no estômago ou no cólon dele. Nada, nem água. Era como se, meu amigo disse, o garoto tivesse sido tirado da terra e jogado na montanha meses depois, apenas para morrer de exposição. Ele nunca conseguiu superar essa chamada.

A última história de meu amigo que vou compartilhar foi uma que ocorreu relativamente recentemente, apenas alguns meses atrás.

  • Eles estavam fazendo um busca por leões da montanha, porque havia vários relatos de avistamentos nos últimos dias. Um dos nossos trabalhos é explorar as áreas onde esses animais são vistos para garantir que, se eles estiverem na área, pudéssemos alertar as pessoas e fechar essas trilhas.

    Ele estava sozinho em uma parte muito arborizada do parque perto do anoitecer quando ouviu o que parecia ser uma mulher gritando a distância. Agora, como a maioria de vocês sabe, quando um leão da montanha grita, soa quase exatamente como uma mulher sendo brutalmente assassinada. É inquietante, mas longe de ser anormal. meu amigo pegou o rádio e comunicou aos outros oficiais que havia ouvido um leão, e que iria tentar encontrar seu território. Ele ouviu o animal gritar mais algumas vezes, sempre do mesmo ponto, e determinou a área aproximada do território do leão da montanha.

    Estava prestes a voltar quando ouviu outro grito, dessa vez apenas a alguns metros dele. Claro, ele enlouqueceu e começou a correr em um ritmo muito mais rápido, porque a última coisa que queria era encontrar um leão da montanha e ser massacrado. Quando ele estava a cerca de dois quilômetros da base, os gritos pararam, e ele se virou para ver se o animal estava o seguindo. Estava quase de noite naquele ponto, mas disse que à distância, antes do caminho fazer a curva, ele conseguia ver o que parecia uma figura de um homem. Ele gritou, advertindo-o de que os caminhos estavam fechados e que precisava voltar para o centro de boas-vindas.

    A figura ficou ali, e meu amigo começou a andar. Quando ele estava a cerca de dez metros, a figura, como ele mesmo descreveu, "deu um passo impossivelmente longo" em direção a ele e soltou o mesmo grito que estava ouvindo antes. Meu amigo nem sequer disse nada, simplesmente se virou, voltou para a base e nunca olhou para trás. Quando voltou, os gritos voltaram para o bosque. Não mencionou isso para mais ninguém, apenas disse que havia um leão da montanha na área e que eles precisariam fechar esses caminho até que o animal pudesse ser localizado e movido.
Vou terminar por aqui, já que isto se transformou em um enorme texto. Irei para um treinamento anual amanhã de manhã, e ficarei até o início da próxima semana. Eu vou me encontrar com muitos formadores e amigos anteriores que trabalham em outras áreas do parque, e eu vou perguntar sobre as histórias que eles gostariam de compartilhar. Estou tão feliz que vocês estão interessados ​​em minhas histórias, quando voltar continuarei a compartilhá-las!




Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigada! Se gostou, comente, só assim saberemos se vocês estão gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião!



8 comentários:

  1. ''Essas porras estão muito perto'' Que bosta! Mas o resto foi ótimo <3 e mano...que dó do bebezinho,fiquei imaginando a cena toda na mente,cena horrorosa.

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    1. Bosta foi sua leitura ne? "Essas porras sao grandes pra caralho de perto" isso que estava escrito

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  2. Aaaa que creepy boa deu até vontade de subir umas escada aq

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  3. Minha namorada disse que se não traduzirem logo a próxima parte eu que vou sumir

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  4. Mano que agonia ler a droga dessa creepy. Tenho medo de floresta, não sei pq to lendo isso kkkk essa parte foi bem tensa, quando pensei q tava entendendo as escadas, fiquei mais confusa auhsuas'

    Da mt dó dessas crianças q somem, vey :/ sacanagem desse bicho q gosta de criança, deve ser o espírito do Michael Jackson -n

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  5. é a primeira creepy em muito tempo em que realmente me da uma ansiedade pra ler a próxima, melhor série sendo postada no momento, bom demais!!

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  6. Legal demais. Essas escadas são reamente estranhas

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