09/09/2017

As histórias de um Oficial de Resgate no Serviço Florestal dos EUA (PARTE 4)

PARTE 1 - PARTE 2 - PARTE 3

Ei, pessoal! Voltei do treinamento e tenho muitas histórias realmente interessantes para compartilhar com você. Tenho o suficiente para dividi-las em duas partes, sendo esta a primeira. Eu adoraria que houvesse apenas uma parte, mas ainda não tive a chance de escrever todos as histórias.

Nada de muito louco aconteceu enquanto estive fora, mas houve um incidente com um novato que achei relevante. Como tenho certeza de que vocês estão esperando por isso, vou começar logo as histórias. Atribuirei cada parte da histórias à pessoa que me contou.

K.D: K. D é uma veterana oficial da SAR há cerca de quinze anos. Ela é especializada em resgates de montanhas de grandes atitudes, e é amplamente considerada uma das melhores em sua área. Ela era uma das contadoras de histórias mais entusiasmada, e, como estávamos juntos durante os exercícios, ela acabou me contando cerca de quatro casos que realmente ficaram em minha memória.

  • O primeiro caso que me contou foi em resposta à minha pergunta sobre suas chamadas mais traumáticas. Ela balançou a cabeça e me disse que as piores chamadas acontecem mais frequentemente nas montanhas, já que o potencial de acidentes desagradáveis ​​é maior. Há cerca de cinco anos houve uma série de desaparecimentos em um dos parques em que ela trabalhou. Foi um ano ruim, ela disse, um dos piores registrados até hoje. Caia cerca de 30 centímetros de neve nova a cada dois dias, e havia algumas avalanches que mataram alguns alpinistas. Eles avisaram para as pessoas sobre permanecer nas áreas mapeadas, mas é claro que sempre há quem não escuta.

    Em um caso particularmente desagradável, uma família inteira foi aniquilada porque o pai decidiu que sabia melhor do que os funcionários, e os levou para uma área que não era segura. Eles eram acostumados a praticar esportes na neve, e  K.D imaginou que caminharam para uma parte da neve que parecia sólida, mas na verdade não era. Ela cedeu, e essa família rolou por quase 100 metros abaixo, em uma inclinação. Eles atingiram pedras lá em baixo e os pais morreram instantaneamente. Uma das crianças também morreu, mas os outros dois sobreviveram. Um tinha uma perna quebrada e costelas fraturadas, já o outro estava quase ileso, salvo poucas contusões e um tornozelo torcido.

    A criança não ferida deixou seu irmão para trás e partiu para encontrar ajuda. K.D disse que o garoto não conseguiu caminhar por mais de 800 mtros antes que uma tempestade o alcançasse. A criança parou para tentar se aquecer, ou talvez apenas para descansar, e acabou congelando até a morte. Eles acabaram encontrando a família com a ajuda de algumas testemunhas que os viram se dirigindo para uma região selvagem, e K.D foi a pessoa que encontrou o garoto que morreu congelado procurando por ajuda. Disse que tinha começado a nevar, apenas o suficiente para dificultar a visão de longa distância, mas não o suficiente para tornar a caminhada impossível. Viu uma figura sentada na neve à frente, e ela chegou o mais rápido possível. Ela descreveu, em detalhes, como, ao aproximar-se, percebeu primeiro que era uma criança, em segundo lugar, que estavam falecidos e, em terceiro lugar, que haviam congelado em uma das posições mais lamentáveis ​​que já encontrou um cadáver. O garoto estava sentado com os joelhos dobrados contra o peito. Seus braços estavam curvados ao redor dos joelhos e sua cabeça estava escondida em seu casaco. Quando ela moveu o casaco para olhar o rosto dele, ela viu que ele morrera chorando. Seu rosto estava torcido, e as lágrimas estavam congeladas em suas bochechas. Ela disse que era dolorosamente óbvio que o garoto estava aterrorizado quando sucumbiu à hipotermia e, como mãe, isso quebrou seu coração. Ela me disse repetidamente que espera que o pai esteja queimando no inferno enquanto conversávamos.
  • A outra história traumática que ela me contou que se destacou em minha mente, foi uma que aconteceu quando ela era novata. Sua equipe recebeu uma chamada de um alpinista experiente que não havia chegado em casa no dia anterior. Sua esposa estava convencida de que algo ruim acontecera, porque ele nunca deixou de chegar em casa no horário. Saíram procurando por ele, e tiveram que escalar partes desafiadoras. Chegaram a uma área relativamente plana, e K.D começou a ver sangue na neve.

    Seguiu o rastro e começou a ver pequenos pedaços de carne. Não tinha certeza de que parte do corpo era, mas quanto mais seguia, mais havia. Seguiu a trilha de sangue e tecido para uma área abrigada sob um penhasco, e finalmente encontrou o alpinista. Disse que havia muito sangue, mais do que já tinha visto na vida. Ele estava deitado de bruços, um braço esticado para frente, como se tivesse morrido rastejando. Chegou mais perto e viu que o homem foi estripado, e era dali que a carne que tinha visto havia vindo. O cara tinha uma picador de gelo enfiado em um dos lados do quadril, coberto de sangue. Claro, nunca terão certeza do que exatamente ocorreu, mas me contou o que imagina que tinha acontecido: o cara estava tentando escalar até a próxima área, e estava usando seu machado de gelo para subir. Provavelmente acertou uma parte solta e caiu. Enquanto caia, ou possivelmente quando ele pousou, ficou empalado pelo machado, e foi estripado. Ela não é uma pessoa que se incomoda muito com gore, mas alguns dos caras que vieram ajudá-la a remover o corpo vomitaram quando o pegaram e uma boa parte dos intestinos caiu.
  • Mencionei a ela que estava interessado em ouvir sobre qualquer experiência que ela tinha com pessoas que desapareceram completamente. Seus olhos se iluminaram, ela se aproximou de mim e perguntou: "Quer ouvir uma história louca?" E começou a me contar sobre como, quando começou, havia um caso que chamou muita atenção na mídia.

    Uma família estava em uma área de colheita muito perto da entrada do parque. Havia dois meninos, ambos com menos de cinco anos, e em algum momento do dia, um deles desapareceu. Houve uma busca enorme, e eles não encontraram absolutamente nada. Esse caso foi apenas mais um dos que a criança desapareceu sem deixar nenhum vestígio, como se jamais houvesse existido. Os cães não conseguiram farejar nada. A busca continuou por cerca de dois meses, mas foi eventualmente cancelada.

    Seis meses depois, a família voltou ao local do desaparecimento para colocar flores em um memorial que foi criado para o menino. Eles trouxeram o outro filho. Enquanto eles colocavam as flores, eles perderam de vista o garoto por cerca de três segundos, e nesse período de tempo ele desapareceu do nada. Obviamente, os pais ficaram extremamente devastados. É terrível o suficiente perder um filho, mas perder dois é além do imaginável. A busca novamente foi enorme, uma das maiores da história do estado. Houveram cerca de trezentos voluntários que vasculharam cada centímetro do parque, procurando pela criança. Mas, novamente, não há nenhum vestígio dele.

    A busca continuou por cerca de uma semana, com pessoas que procuravam por quilômetros além dos limites do parque que desapareceram. E então, quase duas semanas depois, um voluntário há quase 25 quilômetros da área de busca designada encontrou o menino. Eles assumiram que a criança estava morta, mas o voluntário disse que não estava apenas vivo, mas também estava muito bem. K.D e sua equipe saíram para resgatar o garoto, e quando chegam lá, não pode acreditar que aquela era a criança desaparecida.

    Suas roupas estão limpas, não estava sujo, e não parecia traumatizado. O voluntário desse que encontrou o garoto sentado em um tronco, brincando com um pequeno conjunto de galhos enrolados em uma corda velha. K.D pergunta por tinha estado, com quem estava por essas duas semanas, e a criança lhe disse que estava com o  "homem fuzzy". K.D acredita firmemente no pé-grande, então ela ficou entusiasmada e perguntou o que ele quis dizer com fuzzy. Ele quis dizer peludo? Mas o garoto diz que não, ele não era peludo. Ele era um "homem difuso", e ele descreve um homem embaçado, "como quando você fecha os olhos, mas não completamente". Ele diz que o homem saiu das árvores e o levou até a floresta. O garoto diz que dormiu em uma árvore oca, e o homem difuso lhe deu frutas para comer. K.D pergunta se o homem era malvado, se o assustou, e o garoto respondeu: "Não, ele não era assustador. Mas não gostei que ele não tinha olhos.”

    K.D diz que eles levaram o menino de volta à sede, e um policial o levou para a cidade para conversar sobre o que aconteceu. Ela é amiga do policial que conversou com ele, e a criança disse que o homem o manteve numa árvore, e lhe deu frutas quando estava com fome. Foi autorizado a percorrer uma clareira muito específica, mas quando tentou ir mais longe, o homem distorcido ficou louco e gritou muito alto, mesmo não tendo boca. Quando a criança ficou assustada à noite, o homem distorcido "tornou-se mais brilhante" e lhe deu o conjunto de galhos. Disse que o homem difuso tinha que deixá-lo ir porque o garoto não era "o tipo certo". Ele não pode ou não irá falar mais sobre isso. Os policiais ficaram cheios de dúvidas, e a busca por seu irmão recomeçou, sem resultados. O garoto não tem ideia de onde seu irmão pode estar, e eles nunca o encontraram.
  • A última história que K.D me contou foi algo que aconteceu com ela quando se separou de seu grupo de treinamento quando era novata. Estavam aprendendo conceitos básicos em um lado bem-mapeado da montanha, e ela tinha que usar o banheiro. Ela saiu cerca de cinquenta metros de distância do grupo, durante a pausa para comer. Vou contar o resto exatamente como me contou.

    “Fui fazer xixi, e assim que terminasse, voltaria para o grupo. Mas só andei cerca de um metro quando percebi que não tinha ideia de onde estava. Quero dizer, eu não tinha, literalmente, nenhuma pista de onde eu estava. Se você tivesse me perguntado, não acho que teria sido capaz de lhe dizer em que estado estávamos. Era como as pessoas que tem amnésia, sabe? Você está completamente perdido e você não faz ideia do que fazer. Então fiquei parada por um tempo, apenas tentando descobrir onde diabos eu estava e o que eu deveria fazer. Mas quanto mais eu permanecia lá, mais confusa ficava, então comecei a andar. Como me lembro, escolhi uma direção aleatória e fui por ela. Enquanto andava, tudo piorava, até o ponto em que não tinha ideia do que eu estava fazendo nas montanhas. Apenas atravessei a neve, e então eu comecei a ouvir uma voz na minha cabeça me dizendo repetidamente 'está tudo bem, está tudo bem, você só precisa encontrar algo para comer. Encontre algo para comer e você estará bem, apenas continue andando e encontre algo para comer. Comer. Comer.' Então eu começo a olhar para qualquer coisa que eu possa comer, e eu juro por Deus que nunca senti tanta fome em toda a minha vida. Acho que teria comido quase qualquer coisa que você colocasse na minha frente naquele momento. Eu não tinha conceito algum de tempo, então eu não tinha ideia de quanto tempo estive fora, até que ouvi uma voz real vindo em minha direção.

    Fui até a voz e vejo um dos outros oficiais, e ele parece assustado. Ele estava correndo em minha direção, perguntando se eu estava bem e o que diabos eu estava fazendo naquele lugar. E o assustador foi que, enquanto ele corria em minha direção, eu meio que me vi pegando no meu cinto, na minha faca de caça. Não estava realmente pensando no que estava fazendo, mas o que passava na minha mente era que eu tinha que comer. Se eu não comesse, nunca mais ficaria bem, então eu só tinha que comer. Ele me viu fazendo isso e recuou imediatamente. Gritou para eu largar minha faca, que não ia me machucar, e isso me trouxe de volta. De repente, eu sabia exatamente onde estava, e coloquei a faca no lugar. Corri para ele e perguntei quanto tempo tinha passado, pensando que me diria que eu desapareci por meia hora ou mais. Mas então me disse que desapareci por dois dias. Passei por dois picos e acabei quase do outro lado da montanha, e se eu continuasse, eu teria terminado vagando por cerca de trezentos quilômetros de terra selvagem. Eles nunca me encontrariam. Ele não conseguia acreditar que eu não estava morta, e é claro que não sei o que diabos pensar. Para mim, nenhum tempo passou. Eu não disse nada, apenas voltei com ele para o ponto de encontro e fui levada de volta à sede para ser transportada de helicóptero para o hospital.

    Quando cheguei lá, eles fizeram todos os tipos de testes e tentaram descobrir o que aconteceu. Na melhor das hipóteses, eles deduziram, estive em algum tipo de estado de fuga estranho, que é como uma amnésia. Mas a verdade é que nós realmente não sabemos. Nunca mais aconteceu, mas eu vou te dizer, desde então eu nunca vou até aquele lugar sozinha. Quando as pessoas querem se distanciar para fazer suas necessidades eu apenas digo a eles que é melhor mijar na neve do que se perder por dois dias numa montanha gelada.


E.W: A próxima pessoa com quem falei foi E.W, um ex-treinador que agora trabalha como EMT. Ele ainda vem para a reserva para ajudar, mas não atua o tempo inteiro como nós. Se especializou em encontrar crianças perdidas, ele parecia ter um sexto sentido quando se tratava de saber para onde eles tinham ido. Ele é uma lenda entre os veteranos mais antigos. Se sentou comigo no jantar uma noite, e acabamos trocando histórias. A maioria delas era casual, mas quando chegamos ao assunto de nossas chamadas mais estranhas, mencionei que eu tinha um amigo que subiu um conjunto de escadas. Ele ficou meio quieto e me perguntou se eu tinha ouvido falar de um garotinho que havia desaparecido do parque alguns anos atrás. Eu não tinha, então ele me contou essa história:

  • Estavam procurando por um menino de onze anos, Joey, que havia desaparecido perto de um rio. Claro, o primeiro pensamento era que caiu e se afogou, mas quando eles trouxeram os cães, eles levaram os oficiais da SAR para longe do rio, até uma área de floresta densa. Quando fazemos buscas por pessoas sempre procuramos por um padrão. O que a equipe notou imediatamente foi que um padrão muito estranho estava surgindo. Cães estavam farejando o cheiro de Joey em lugares alternados, não contínuos. Isso, é claro, não fazia nenhum sentido, porque como o garoto poderia saltar de uma área para outra sem deixar um rastro ou cheiro em cada lugar que ele passou? E.W e seu parceiro passaram por um lugar em que o menino esteve, e percebeu um conjunto de escadas a cerca de cinquenta metros de distância. Disse ao seu parceiro que precisavam ir verificar perto das escadas, mas ele recusou. Falou para E.W que fazia questão de nunca se aproximar de qualquer escada que via, e que, embora isso possa ser uma rotina, ele não devia fingir que era algo normal.

    Falou que aguardaria enquanto E.W verificava. E.W diz que estava irritado, mas entendeu o cara e não insistiu no assunto. "Eu andei até a escada. Ela era pequena, como escadas de um porão. Realmente não tinha uma opinião formada sobre, então não tive medo nem nada. Acho que sou como todos os outros, e prefiro não pensar muito nelas. De qualquer forma, eu fui até lá e pude ver que havia algo deitado na parte inferior, meio ondulado. Meus ouvidos ficaram atentos, porque é claro que você sempre espera o melhor, e estávamos confiantes de que acharíamos este garoto vivo, porque ele só havia desaparecido por algumas horas.

    Mas eu soube imediatamente que era ele, e que ele estava morto. Ele estava enrolado como uma pequena bola em cima de um degrau, segurando seu estômago. Parecia que ele tinha sofrido uma dor horrível quando morreu, mas não vi nenhum sangue, exceto um pouco nos lábios e no queixo. Comuniquei a todos pelo rádio que o encontrei, e nós conseguimos pegar seu corpo. Aquela pobre família, ficaram devastados. Os pais não podiam entender como podia estar morto, porque tinha sumido por pouco tempo. E, além disso, não tivemos nenhuma causa óbvia de morte, o que apenas piorou. Achei que provavelmente tinha comido algo venenoso, já que  estava segurando seu estômago quando o encontrei, mas não consegui adivinhar. É difícil saber que seu filho está morto, e aposto que é pior ainda ter um idiota da SAR tentando imaginar o que aconteceu. Eles o levaram e tentei não pensar mais nisso. Odeio encontrar crianças mortas, cara. Adoro este trabalho, mas é uma das razões pelas quais eu sai. Eu tenho duas filhas e só de pensar em perdê-las dessa maneira…” Ele começou a fungar um pouco. Eu não sou bom com coisas emocionais, e é sempre meio estranho ver um homem adulto chorar, então eu realmente não sabia o que fazer. Ele se recompôs e, eventualmente, continuou.

    "Nós nem sempre ouvimos dos forenses a causa da morte. Não faz parte do nosso trabalho saber. Mas eu tenho um amigo que trabalha para o departamento do xerife e ele geralmente me conta qualquer informação que pergunto. Neste caso, no entanto, recebi uma ligação dele cerca de uma semana depois. Me perguntou se eu me lembrava do garoto, e respondi que sim. Ele contou que alguma merda muito estranha tinha acontecido. Falou: 'Cara, você vai achar que eu sou louco, mas o médico legista não tem ideia do que aconteceu com essa criança. Ele nunca viu nada parecido.' Quando o legista abriu a criança, não conseguiu nem acreditar no que estava vendo. Os órgãos do menino eram como queijo suíço. Buracos foram perfurados através de quase todos os órgãos, inclusive o coração e os pulmões. Seu cólon, seu estômago, seus rins e até mesmo um de seus testículos estavam cheios desses buracos.  Mas o garoto não tinha um só arranhão, nem feridas de entrada ou saída de ferimentos externos. Era como se alguém tivesse o enchido de tiros. Ninguém tinha a menor ideia do que poderia ter causado. Meu amigo me perguntou se eu já tinha ouvido falar de algo assim, ou se havia tido casos semelhantes, mas eu nunca ouvi falar de algo assim. Pelo que sei, o juiz determinou a causa de morte como uma 'intensa hemorragia interna', mas ninguém sabe o que realmente aconteceu. Eu nunca consegui esquecer esse garoto. Tenho pesadelos sobre isso, várias vezes.  Não deixo minhas filhas irem para a floresta sozinhas, e quando vamos juntos eu nunca as deixei fora da minha vista. Jantamos e voltamos para nossas cabines."

    Antes de nos separarmos, ele pôs a mão em meu ombro e me olhou de perto. Falou que há coisas ruins na floresta. Coisas que não se importam se temos famílias ou vidas, ou que podemos pensar e se sentir. Me disse para a ser cuidadoso, e manter certa distância. Não tive oportunidade de falar com ele mais uma vez, mas essa história me marcou.

P.B: P.B está na SAR há anos. Formamos uma  parceria em uma grade busca, e nós estávamos conversando casualmente sobre como nós gostamos do trabalho, que tipos de coisas que tínhamos visto, e assim por diante. Casualmente mencionei que estava curioso sobre as escadas e que eu queria saber mais sobre elas. Me olhou como se quisesse me dizer alguma coisa, mas não tinha certeza se deveria. Finalmente, disse para eu desligar meu rádio.

  • Há cerca de sete anos, saiu em uma chamada com um novato. Eles foram em uma área do parque que tinha um monte de chamadas de estranhos eventos, como desaparecimentos, histórias sobre luzes na floresta, ruídos estranhos e coisas assim. O novato estava totalmente assustado, nas palavras de  P.B: "o cara não parava de falar sobre o 'homem bode’. Homem bode isso, homem bode aquilo, e, depois de um tempo, finalmente falei que devíamos temer o que acontece aqui, no mundo real, e que era melhor ele superar essa coisa toda de homem bode.

    O novato quis saber de que coisas eu estava falando, e eu disse a ele para continuar andando. Caminhamos um pouco e vimos uma escadaria cerca de dez metros à frente. O novato a encarou surpreso. Disse a ele, "Viu? É desse tipo de coisa que você tem que ter medo". O novato me perguntou o que diabos as escadas estavam fazendo ali, e por alguma razão, eu o contei a verdade. Ou o que haviam me dito que era verdade. Eu poderia ter me metido em um monte de problemas por fazer o que fiz, e eu poderia me meter em um monte de problemas por repetir isso para você. Mas você é um cara legal, e eu quero que você pare de fuçar nisso. Pare enquanto houver tempo. Vou lhe dizer o que sei, sob a condição de que você nunca contará uma só palavra.” Disse a ele que não contaria nenhuma palavra, e ele verificou novamente se nossos rádios estavam desligados.

    "As escadas estão aqui desde que o parque existe. Temos registos de décadas as descrevendo. As vezes as pessoas interagem com elas e nada acontece. Outras vezes... Olha, realmente não sei como falar sobre isso, mas às vezes, muita merda acontece. Eu vi um cara ter sua mão decepada quando ele chegou ao degrau mais alto. Ele estendeu a mão para tocar em um galho de árvore, e tudo aconteceu tão rápido… Em um segundo sua mão estava lá, e no outro ela sumiu. A ferida estava completamente limpa. Nós não encontramos sua mão, e o cara quase morreu. Outra vez, uma mulher tocou uma das escadas, e um dos vasos sanguíneos em seu cérebro explodiu. Literalmente explodiu, como água em um balão. Ela simplesmente caiu e tudo que conseguiu falar foi "acho que tem algo de errado comigo”. Ela caiu como um saco de farinha de trigo, morta antes mesmo de chegar ao chão. Nunca vou esquecer a forma como o sangue vazou dentro de seus olhos. Antes dela morrer, os assisti ficando vermelho. Eu assisti tudo acontecer e não havia uma única coisa que eu poderia fazer para ajudar. Alertamos as pessoas não chegarem perto, mas há sempre pelo menos um idiota que vai. E se nada acontece diretamente com eles, algo de ruim sempre acontece. Crianças desaparecem quando estamos quase as encontrando ou alguém aparece morto no dia seguinte cortado ao meio em uma parte completamente segura do Parque. Eu não sei por que, mas algo ruim sempre acontece." Ele me olhou como se ele quisesse dizer algo mais. Finalmente falou de novo. "Alguma vez você já notou como não consegue encontrar a mesma duas vezes?” Assenti, esperando ele continuar. Mas ele ficou quieto, de pé ao meu lado, e, eventualmente,  começou contar uma história sobre o maior dos cervos que já tinha visto no Parque.

    Não toquei no assunto novamente, e não o pressionei para contar mais histórias. Foi embora no dia seguinte. Aparentemente, saiu antes do sol se pôr, afirmando que estava se sentindo mal. Nenhum de nós teve notícias dele desde que partiu.
Estou parando aqui por enquanto. Vou tentar postar a outra parte nos próximos dias, mas como está no fim do verão estamos muito ocupados aqui. Agradeço pelo interesse, vocês realmente despertaram esta curiosidade em mim que não sabia que eu tinha!



24 comentários:

  1. Por isso que o cara la brigou com o amigo dele quando ele subiu as escadas, o moleque sumiu por culpa dele :/ kkkk essas escadas bizarra do carai.

    Sempre que tem esses casos de crianças mortas me dá um aperto no peito </3 o que diabos essas coisas querem com as crianças? Ainda bem que encontraram aquele lá vivo kk e a mulher q sumiu por dois dias oloko, não gosto nem de imaginar isso acontecendo cmg kk

    Obrigado à quem traduz esse trem aqui, serio, mt obrigado s2

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    1. Muito obrigada pelo comentário, God Diva! Se prepare, a próxima parte está classificada como NSFW!

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  2. Então vou passar a ter medo de escadas :O

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  3. Tem 15 anos, mãe, não liga para gore.
    *palmas* *palmas* *palmas*

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    1. Na verdade ela trabalha nesse lugar há 15 anos

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  4. Tomara que mais crianças desapareçam 😂😂😂😂😂 tão engraçado

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  5. eu queria realmente saber pq as pessoas n comentam nessa serie, pq cara, ela eh MUITO BOA '-'
    da uma angustia pq essas história realmente podem acontecer

    quando o cara pergunta "VC já reparou que não vê a MSM duas vezes" eu acho q eh pq cada escada eh como se representasse uma pessoa no mundo, e aí vai na sorte de algum idiota tocar nela ou não e vc bater as botas heuehuee

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    1. Ótima teoria, Mariana! Sim, já pensei até em desistir da série pela falta de reações, achei que vocês não estavam gostando :( Por isso valorizo muito comentários como os teus, me fazem querer continuar, obrigada <3

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  6. essa série é maravilhosa meu deus do céu

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  7. Este comentário foi removido pelo autor.

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  8. A melhor série do site nos últimos tempos. Parabéns. Continue a tradução. Ansioso pelo próximo

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  9. Muito boa estou ansiosa pela próxima parte!

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  10. Este comentário foi removido pelo autor.

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  11. Mdddssss
    uma das melhores séries daqui!
    simplesmente amando. oq djabo são essas escadas do inferno ? cê é loko

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  12. Gente, queria dar a dica de ajustarem o espaçamento entre linhas. Acesso pelo celular e chega um momento que não consigo mais ler aaaaaaaaaa
    Fica incômodo demais. Não sei se é só comigo, mas fica a dica...

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  13. A melhor das melhores. Essa série é tão boa, que devia virar uma coluna fixa, com atualização semanal. Eu ia amar. Obs. Não comento muito, mas leio todas as creppys e simplesmente amo o blog. Parabéns a todos os tradutores.

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  14. Pelo visto temos três mistérios: o homem borrado (difuso), que se assemelha a outras histórias (tipo, o menino que foi encontrado bem num buraco na parte 1 ou 2), o tal do Homem Bode e as escadas. Essa série tá muito boa, só precisam revisar melhor o texto antes de publicar...

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  15. MUITO BOM!TRAGA MAIS HISTÓRIAS ASSIM, VOU COMPARTILHAR COM MEUS AMIGOS.

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  16. Este comentário foi removido pelo autor.

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