27/09/2017

Bem-vindo ao Inferno! Por favor, pegue uma senha (PARTE 3)

PARTE 1
PARTE 2

Você provavelmente percebeu pela minha última história que o papel de Satã no inferno é basicamente gerencial. Ele supervisiona as operações de todos os Largos, além de definir os demônios que ficaram encarregados de cada departamento e projetos especiais. Ele até considerou abrir uma pequena rede de padarias na Terra. Eu sei que soa como uma ideia horrorosa, mas ninguém diz para Satã que seu conceito é péssimo, a não ser que gostem de seus anus prolapsados.

Alguns dizem que ele era mais espírito-livre e não-autoritário quando mais novo, sempre discursando sobre derrubar o Céu, mas isso mudou quando se aquietou e teve filhos. Pessoalmente, acho difícil imaginar um Satã espírito-livre, mas isso foi antes de eu chegar aqui. Quanto a mim, depois de ajudar Satã com o problema do outro parque, ele me promoveu a técnico das atrações, o que é um pouco menos pior do que ser um torturado. Depois de me sair tão bem no Largo da Bruxa, o próximo Largo que me mandou era um dos grandes, Inveja.

INVEJA

O largo da Inveja é reservado para pessoas que sabotam, mentem, traem, ou roubam dos outros para obter sucesso. A cultura da corporação na América e o capitalismo desgovernado ajudaram bastante a preencher esse parque com pessoas que pisaram em seus colegas de trabalho apenas por um pequeno aumento ou um carro menos merda que o anterior. As pessoas nesse Largo tem enfiada nas costas uma faca para cada pessoa que traíram em vida, literalmente. O brinquedo mais irônico, e claramente o favorito de Satã, é o que você morre de fome dentro de uma jaula enquanto assiste os outros comerem e beberem, e esse era o que ele queria que eu desse uma ajeitada. Ainda me lembro da conversa.

"Hey, Jerry!" Mostrou aquele enorme sorriso que sempre carregava no rosto. "Estava aqui me perguntando se podia fazer uma magia para mim."

"Meu nome não é Jerry, Satã. O que você quer que eu faça?"

"Haha, clássico de Jerry. Você sabe o brinquedo onde as pessoas morrem de fome?"

"Uh, acho que sei agora. O que tem?"

"Queria saber se você pode fazer com que a comida que eles comem façam que caguem fogo. Tipo, literalmente."

"Comida? Pensei que você tinha dito que eles morriam de fome."

"Não, não, as outras pessoas. Vamos, Jerry, se você puxar minha perna eu puxo a sua também. Só que eu não vou só puxar,  vou arrancar! HA HA HA HA!" Ele bateu com a mão no joelho rindo de sua própria piada por vinte segundos inteiros antes de continuar. "Só vá logo lá e vê o que pode fazer por mim, tá bom, Jared?"

Fiquei me perguntando se ele realmente já tinha esquecido o nome que me chamara a 20 segundos atrás, mas deixei para lá e fui para o Largo. Tinha acabado de fazer o feitiço na comida quando uma mão cheia de garras bateu em meu ombro.

"Ei, Gary, fico ótimo! Eu trouxe um cara do marketing para tirar umas fotos para o nosso site corporativo. Gary, conheça Jeff. Jeff, Gary."

Satã gesticulou para o demônio abatido que tinha uma câmera pendurada no pescoço.

"Legal, Satã, mas o meu nome não é... esquece. Pera aí, o inferno tem um site corporativo?"

Satã coçou sua barbicha.

"Bem, não, ainda não. Mas quanto tivermos, precisa ter várias fotos. Se não mostrarmos as coisas boas aqui do inferno, ninguém vai querer vir para cá!"

"Você quer recrutar pessoas para o inferno... com fotos deles cagando fogo?"

"Exato! Como aqueles restaurantes mexicanos lá na terra!"

"Satã, eu não acho que restaurantes mexicanos fazer as pessoas literalmente-"

"De qualquer forma, vamos deixar Jeff fazendo essas coisas entediantes. Você virá comigo para Ira me ajudar a fazer umas magias boas. Ótimo lugar, Largo da Ira. Já foi lá?"

"Fiquei lá por duzentos anos."

"Não brinca! Então sabe do que estou falando!"


IRA


Logo mais, chegamos na Ira. Os portões rangeram e se abriram e deixei os ombros caírem enquanto tive um vislumbre de todo aquele sangue familiar demais.

"Então, a minha ideia é o seguinte, Gary, tá preparado?"

"Provavelmente não, mas continue."

"Duas palavras, Gary: Espetinhos. Humanos."

"Espetinhos... humanos?"

"Sim, imagina só! Nós espetamos várias pessoas junto com uns pimentões, talvez alguns tomates cerejas. Podemos usar humanos de várias cores diferentes para diversificar."

"Eu... que? Ok. Mas você precisa de magia para segurar os espetos?"

"Não, não, não. Eu já tenho um cara pra isso. Hey, amigão! É, você! Vem cá que Gary quer te conhecer!"

Meu queixo caiu quando um homem que devia ter pelo menos uns três metros de altura e puro músculo correu em nossa direção.

"Gary, gostaria que você conhecesse meu amigo Gollum. Gollum, Gary. Gary, Gollum."

"MEU NOME É GOLIAS."

Pulei com o estrondo que era a voz daquele homem.

"Golias? Tem certeza? De qualquer forma, Gary está aqui para ajudar a fazer umas mágicas para que as pessoas não fiquem caindo no fogo o tempo todo."

Satã se virou para mim.

"Só conseguimos mantê-los lá por só umas duas semanas antes do palito atravessá-los completamente. Mas, arrumem-se entre vocês. Tenho uma ligação importante para fazer, então vou ali."

Com isso, ele saiu andando e eu comecei a trabalhar nos espetos. Quando terminei, olhei por cima do ombro e vi Satã rindo junto de uma demônio estudante, que balançava seu cauda entre os dedos dele.

"Terminamos aqui, Satã!" Gritei.

Ele veio andando com um sorriso no rosto.

"Maravilha, maravilha! Venha, Gary!" Falou, jogando o braço por cima de mim.

Ele se aproximou de mim e começou a falar em uma voz sussurrada enquanto nos afastávamos. Seu bafo cheirava a café e enxofre.

"É melhor você se cuidar quando estiver perto de Golias," falou furtivamente, "e eu não me curvaria na frente dele. É tentador demais para ele, se é que me entende."

"Você quer dizer que ele é um-"

"Isso mesmo, Gary. Um canibal."

"Bem, eu não me - espere um pouco, que?!"

"É, eu perdi dois técnicos por causa dele semana passada. Arrancou a cabeça dos dois, espinha inclusa e tudo mais. E ele não ficou muito feliz com você. Você foi quem arrumou os espetos e agora ele não consegue mais arrancar a carne do palito."

"Espera aí, mas você acabou de... Uh, por que eu não poderia me curvar na frente dele por ser um canibal?"

"Que, você nunca ouviu falar de coxão de dentro? Jesus, Gary, você é meio lerdinho nas piadas às vezes."

"Eu, uh... Okay, Satã. Aonde vamos agora?"

"Gula, Gary. Você vai amar lá. É maravilhoso. Maravilhoso."

"Tá bom. O que você quer que eu faça lá?"

"Duas palavras, Gary: Cheesecake. Explosivo."

EM BREVE: "Bem-vindo ao Inferno! Por favor, pegue uma senha (PARTE 4)"


Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigada! Se gostou, comente, só assim saberemos se você está gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião! 


6 comentários:

  1. O inferno não me parece tão ruim assim ! Morro de rir a cada parte postada. 10/10 Divina como sempre ta de Parabéns

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  2. Ah canibal? Sim claro justo o que pensei! 😉 mas na parte da comida mexicana eu viajei. EI vocês não poderiam traduzir uma ou duas creepys da segunda guerra ou de realidades alternativas para um fã do site? Se sim eu agradeço se não eu agradeço também.

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    1. se você olhar propagandas de comida mexicana normalmente tem fogo envolvido porque é muito apimentada, mas obviamente não se espera que aconteça literalmente http://www.creepypastabrasil.com.br/logout?d=https://www.blogger.com/logout-redirect.g?blogID%3D8070543709247737010%26postID%3D9198607566054885981diferente do inferno

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  3. Ah canibal? Sim claro justo o que pensei! 😉 mas na parte da comida mexicana eu viajei. EI vocês não poderiam traduzir uma ou duas creepys da segunda guerra ou de realidades alternativas para um fã do site? Se sim eu agradeço se não eu agradeço também.

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  4. Sei q o objetivo é ter uns alívios cômicos mas acho q ta ficando meio exagerado a cada parte. Se não tiver um pouco de seriedade, perde o fator CREEPYPASTA. Kkkk mas tá divertida ainda.

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