30/10/2017

Chocolate é combustível para pesadelos (parte 1/2)

Minha esposa, Faye, tem um distúrbio noturno não diagnosticado. Eu sabia disso desde muito antes dos eventos de Pike's Peak. Assim que começamos a namorar, ela contou algumas de suas memórias de sonâmbula da infância, e uma delas nunca saiu da minha cabeça. Quando não passava de uma criança, ela se arrastou para fora da cama e rastejou pelo chão, rosnando como um cachorro raivoso, então se escondeu no escuro enquanto sua irmã mais velha assistia televisão. Faye a observou por vários minutos, focando a garganta, e de repente voltou a si. Ela não conseguiu explicar porque se sentiu compelida a fazer aquilo. Como fã de terror, o distúrbio de Faye me fascinou.

No início da relação, não percebi que ela sofria terrores noturnos antes de começar a dormir em sua casa. Terrores noturnos são diferentes de pesadelos; eles são longas, intensas alucinações que persistem até depois que a pessoa abre os olhos. A fantasia não acaba ao acordar — ao contrário, acordar lhe traz para a realidade. Esses fenômenos ocorrem em níveis de sono diferentes dos pesadelos.

Cada noite é uma nova aventura quando vamos para a cama. Normalmente, as ocorrências estranhas se dão quando ela está sob extrema pressão do trabalho, ou quando mudamos de fuso horário. De vez em quando acontece ao dormirmos em um lugar novo, tipo a casa de um parente ou um hotel. Qualquer mudança abrupta em sua vida pode desencadear um incidente — mas chocolate parece estimular o problema drasticamente.

A primeira vez que notei isso foi no Halloween do nosso último ano na faculdade. Comemos alguns doces que sobraram da festa e então fomos para a cama.

No meio da noite, Faye se sentou lentamente, passou os dedos pela minha bochecha e disse "Quero vestir isso". Ela começou a rir, então caiu na cama roncando.

Outra vez, acordei para ver Faye com uma mão para o alto, estalando seus dedos de novo e de novo.

"Amor?" perguntei, "O que você está fazendo?"

Ela pediu silêncio com os dedos e indicou o chão.

"Tem uma cobra ali embaixo", sussurrou. "Gigante. Toda enrolada nos pés da cama. Tem a cabeça de um homem".

Teve uma ocasião que realmente me assustou. Durante uma semana, ininterruptamente, Faye me acordava e perguntava se eu podia ouvir uma criança cantando no escuro. Sempre respondi que não, mas ela persistia que em algum lugar da casa, havia uma criança cantado sobre ursinhos.

Os terrores noturnos de Faye começaram a se tornar muito mais frequentes quando passamos a morar juntos. E, claro, chocolate era o estímulo.

Era outubro. Meu aniversário é no dia 30, então a maioria das pessoas o associam com o Halloween. Por consequência, sempre recebo uma tonelada de cookies, chocolates e doces como presentes, e esse estoque normalmente dura várias semanas.Nós comeríamos incansavelmente dúzias de barras de chocolate e biscoitos caseiro, disparando a propensão de torná-la uma psicopata noturna.

Após algumas noites de gula, Faye começou a conversar enquanto dormia. Isso não era incomum; ela fazia de vez em quando, mas só murmúrios sobre trabalho e algumas risadas. De qualquer forma, naquela noite, ela disse alguma coisa sobre um homem.

"Vai embora", ela resmungou, rolando a cabeça lentamente pelo travesseiro.

Eu estava acordado, como de costume, escrevendo no meu notebook, ao lado dela. A alcancei e afaguei seu cabelo até que caísse em um sono profundo. Mas, quase uma hora depois, quando eu já estava adormecendo, ela gritou para o escuro.

"Nos deixe em paz".

Quando os terrores noturnos acontecem, existem alguns sinais de que um incidente sério se aproxima. Um deles é claramente enunciar palavras. Se ela fala como se estivesse acordada, é ruim. Se ela está de dirigindo a alguém especificamente, é pior. E se, Deus me livre, ela ficar chateada, é sinal de que vamos passar por um furacão de terrores noturnos.

Me acomodei junto a ela e disse, "Tá tudo bem, amor. Volta pra cama".

Ela exalou ríspida, de olhos ainda fechados, e respondeu "Não gosto dele".

Na manhã seguinte, enquanto tomávamos café, perguntei a ela se lembrava sobre o que sonhara. Ela não lembrava, então mudei o assunto e não mencionei mais nada sobre a noite anterior. Era melhor não informar Faye sobre seus distúrbios detalhadamente, porque ocasionalmente ela fica envergonhada. Além disso, aumenta o risco de acontecerem mais deles. Passei o dia calado e escondi os cookies na dispensa. Eu tinha que apresentar uma palestra na manhã seguinte, então precisava dormir bem.

Aquela noite, fomos para a cama cedo. Faye assistiu uma comédia romântica em seu computador enquanto eu dava nota para algumas poucas provas, e no tempo que levei para escovar os dentes, ela já havia adormecido. Ao me inclinar sobre ela para apagar a luz, vi uma embalagem de Snickers no chão.

"Porra, Faye", disse, revirando os olhos. Baixei o interruptor e me virei para dormir.

Eram mais ou menos 2 da manhã quando acordei com ela falando.

"Por quê?" perguntou, depois de algumas palavras que não consegui distinguir.

Me virei para encontrá-la sentada, seus cachos vermelhos descendo em cascatas por suas costas. Ela encarava um ponto além da cama.

"Faye—".

"Shh!", me censurou. "Tá ouvindo?"

"Amor," falei, "vai dormir. Preciso descansar." Procurei por seu olhar e percebi que ela tinha os olhos fechados. Mesmo assim, inclinou sua cabeça para mim e falou.

"Fale com o homem que está no banheiro... Que ele não pode mais vir aqui".

Me arrepiei. Faye sempre fala coisas assim, mas ainda assusta pra caralho. Olhei para o nosso banheiro através da escuridão. A luz lá dentro estava acesa, iluminando as frestas deixadas pela porta. Faye era uma sonâmbula excepcional, então cheguei à conclusão de que ela se levantara para usar o banheiro, esquecera de apagar a luz e, por fim, sonhara que alguém estava lá.

Gentilmente a deitei na cama e fui cambaleando para o banheiro. A claridade me cegou quando abri a porta. Obviamente, não tinha ninguém lá dentro. Desliguei a luz e fiquei no escuro por um momento, esfregando meus olhos cansados, e voltei para a cama.

"Ele foi embora?", ela murmurou, sonolenta.

"Sim, amor. Cuidei dele".

Me arrastei pelo dia seguinte Sofri para voltar a dormir depois de checar o banheiro, e expressei o quanto eu estava chateado por Faye ter comido chocolate na cama. Ela tinha acabado de voltar da academia, e seu pequeno corpo estava envolto em lycra.

"Parece que eu tenho que começar uma dieta?" ela riu, se inclinando sobre o balcão da cozinha e alcançando um shake de proteínas.

"Isso não foi o que eu quis dizer e você sabe", falei. "Você tem me mantido acordado. Só estou pedindo para cortar o chocolate por alguns dias".

Faye se aproximou e me rodeou com seus braços.

"Eu vou, amor," disse com um grande sorriso. "Assim que eles acabarem".

As coisas pioraram muito aquela noite. Escondi os chocolates e doces e revirei o quarto atrás de algum escondido. Não encontrei nada.

"Não comi nada.", ela disse, direta. Rastejou para debaixo dos lençóis e afundou a cabeça no travesseiro. Desliguei as luzes e me juntei a ela. Olhei pela janela em algum momento. Estava começando a chover.

Não sei por quanto tempo dormi.

Acordei no susto, para ouvir Faye gritando no escuro.

"Não entre mais aqui!"

Ela estava sentada com a pernas pra fora da cama, com os pés no chão, olhando para a porta que leva até o corredor. Meu instinto protetor surgiu, saí da cama e investiguei a área.

Nada. Faye murmurou atrás de mim.

"O quê?", perguntei.

"O homem no corredor... Ele está estragando o papel de parede. Espalhando sujeira."

"Tá", respondi, fechando a porta e voltando para a cama. Estava exausto e ficando saturado disso, mas sempre tentei ser paciente com ela.

"SAIA!" ela gritou a plenos pulmões.

A sacudi, tentando acordá-la.

"Faye!" repreendi. "Mais baixo! Você vai acordar a porra dos vizinhos!"

Ela voltou a si e olhou envolta com olhos cansados.

"O que aconteceu?" perguntou, confusa.

"Sem. Chocolate." respondi. Deitei e cobri a cabeça com os lençóis, voltando a dormir. A última coisa que ouvi foi:

"Eu não sou uma criança de merda, Felix. Não me trate assim."

Faye já tinha saído quando acordei. Era meu dia de folga, então cochilei metade do dia e fui dando notas pausadamente. Quando ela finalmente chegou em casa, jantamos juntos. Ela aceitou minhas desculpas por agir como pai dela, e reconheceu que vinha sendo imprudente sobre minhas noites maldormidas.



Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigada! Se gostou, comente, só assim saberemos se vocês estão gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião!


16 comentários:

  1. coitada dessa pessoa kkkkkkk mano que horror

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  2. deus me dibre eu não aguentaria ficar sem dormir tantas noites assim... interessante, espero a continuação

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    1. Dibre kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Ronaldinho curtiu isso

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  3. crendiolencia, com uma mulher dessa só p dar fuga eu corria 3 dias e 3 noites

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  4. Mt bem narrado, ansioso pela continuação!

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  5. Se essa mulher já fica loucona com uns chocolates, imagina se fosse casada com o Willy Wonka

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  6. Uma mulher dessas só deveria se casar com um exorcista, isso sim

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  7. Esse cara é doido por se casar com uma mulher louca dessas

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    1. Bem, ent não é só ela que tem um distúrbio mental.

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  8. Gostei do casal
    Sabem superar as coisas
    Eu teria trancado ela num comodo da casa com um bujao de gas aberto
    Se ela ligasse ou n a luz n seria minha culpa ;-'

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  9. Essa mulher nem pra lavar a louça de madrugada rsrsts

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