09/10/2017

Existe uma razão para que ninguém ouça rádio

ATENÇÃO: ESSA SÉRIE/CREEPYPASTA É +18. CONTÉM CONTEÚDO ADULTO E/OU CHOCANTE. NÃO É RECOMENDADO PARA MENORES DE IDADE E PESSOAS SENSÍVEIS A ESSE TIPO DE LEITURA. LEIA COM RESPONSABILIDADE

Estou cansado das músicas do rádio. Toda merda de estação, é "all you have to do is stay", ou aquela versão de Despacito do Justin Bieber, ou qualquer lixo que o Justin Bieber tem cantado recentemente, ou "that's what I like, that's what I like". Isso é o que eu não gosto. Às vezes, você troca a estação, e a mesma música está tocando em outras 3 estações ao mesmo tempo. A maioria das pessoa sequer ouvem rádio mais, simplesmente usam seus celulares, mas nem sempre tenho tempo e paciência para conectar o celular ao carro, procurar no spotify e encontrar uma música antes de dirigir. Uma noite eu estava parado em um sinal vermelho, quando fiquei tão puto com as mesmas músicas de sempre que, em um ato de desespero, eu finalmente comecei a girar o botão do rádio. Próxima estação. "All you have to do is-" mudar a porra da música. Próxima estação. "Look what you made me do-" você me fez trocar de estação. Próxima estação. Música clássica... que deveria se chamar "pop clássico", porque até mesmo essas estações só tocam algumas poucas músicas em loop. Sim, Vivaldi de novo, que original. Assumindo o risco de soar como um hipster pretensioso, cresci tocando violino, então música clássica não é nada "novo" para mim, e os "top hits" tocando na rádio são qualquer coisa, menos únicos. Próxima estação. "Body like a bac-" Próxima. Próxima próxima próxima próxima. Porque se tem uma coisa que as pessoas querem ouvir, é uma música country com os samples do hip hop de 2005 ao fundo. Mas então eu tropecei em uma estação diferente. Alguma coisa única. Alguma coisa selvagem, e real. Uma mulher estava cantando a capela, uma música que eu nunca havia ouvido em uma língua que não pude identificar. Sem autotune, sem filtros, apenas puro talento vocal. Angelical seria uma palavra muito óbvia para descrever. Existem alguns cantores com vozes que podem causar arrepios... ainda que alguma coisa na voz daquela mulher fosse ainda mais peculiar que isso. Soou pessoal, como se ela estivesse cantando diretamente pra mim. Sem melodia de fundo ou refrão, somente uma voz, mas tão poderosa que parecia preencher o quarto — ou qualquer lugar onde ela estivesse. Dava pra ouvir um eco sutil, não de um efeito adicionado na produção, mas do espaço onde ela havia cantado. Era permanentemente lindo. Você já ouvi uma canção tão bonita que parecia estar viajando pra outro mundo? Como se tudo ao seu redor desaparecesse, e tudo que permanece é você, flutuando no vácuo, rodeado por nada além da música? Eu estava me afogando na voz da mulher, como se ela estivesse cantando para mim e apenas eu pudesse ouví-la, nós dois conectados pela melodia. Meu corpo paralisou por um momento, apenas ouvindo. Acho que até esqueci de respirar nesse tempo. Fui despertado por um carro buzinando nervoso atrás de mim. O sinal tinha ficado verde. Enquanto eu voltava à realidade, a música se misturou ao outros sons em segundo plano. Pisei no acelerador, murmurando um baixo "desculpe" pela janela, mas não acho que o cara de trás percebeu. Eu não era de me distrair fácil enquanto dirigia, especialmente ao voltar pra casa depois de um longo dia. Quanto mais eu me aproximava de casa, mais estática aparecia na rádio, até cobrir toda a música e a estação claramente desaparecer. Desapontado, eu desliguei o rádio, e esqueci esse episódio por um tempo. Pelas próximas semanas, eu continuei ouvindo esta estação sempre que eu tinha sorte o suficiente para entrar no seu raio de transmissão. Nunca haviam comerciais, nunca um DJ falando sobre as músicas, nunca outros artistas — apenas a mulher, cantando seus pulmões para fora, colocando sua alma pelas ondas do rádio, não importando a hora do dia. Nunca era a mesma música, eu acho, mesmo que quanto mais eu ouvisse, mais cada uma delas se tornava mais familiar, ainda que únicas — talvez eu só estive identificando o estilo dela. Eu queria saber quem era ela, e teria pesquisado no Google pelas letras, mas não conseguia identificar o idioma em que ela cantava. Eu tentei usar o Shazam em uma noite, mas também não funcionou. Talvez fosse muito obscura, muito underground, e estremeci ao pensar em que tipo de hipster eu devia estar sendo por gostar tanto. Eu tentei pesquisar sobre a estação para descobrir o que era tudo aquilo, mas não havia nada. Nada estava registrado na área por ter a estação 95.7 FM — a única estação em que ela cantava — e as estações mais próximas à essa eram as músicas pop de sempre. Provavelmente era uma estação de rádio pirata, como nos velhos tempos. A voz dela tinha uma sensação nostálgica, sendo moderna e clássica simultaneamente. Talvez a pessoa responsável pela estação fosse um hipster, obcecado por coisas retrô, o que explicaria a decisão de estabelecer uma rádio em vez de usar a internet. Não se encontra rádios piratas facilmente hoje em dia, já que rádios pela internet e podcasts dão voz à muitas pessoas e alcançam uma audiência ampla sem o risco de prisão federal, porém ainda é muito fácil construir um transmissor FM. Alguém possivelmente encontrou as instruções online e decidiu ter sua própria estação — talvez fosse a mulher, uma artista local que queria propagar sua voz e se amparou na possibilidade de alguém encontrar sua rádio. Isso explicaria porque sua voz soava tão pessoal, tão real, tão selvagem e emocional. Talvez fosse um fã dela querendo mostrar ao mundo o que era música em sua forma mais artística. Um dia, para minha felicidade, ela começou a cantar em inglês (N/T: adaptado para o português a fins de melhor compreensão). "E quando a luz vir e preencher o quarto Você verá novamente, você não verá novamente Quando vir o escolhido, não será o escolhido Você se tornará um junto ao som" Por cantar em outros idiomas, eu pensei, ela provavelmente não fala inglês. A música não fazia sentido... Mas com certeza era lindo o jeito que ela a cantava. Afinal, existem muitas músicas que, se você prestar atenção na letra fora de contexto, elas não fazem sentido, ou são muito estúpidas, ou são ridiculamente vagas e artísticas. Pense em alguns clássicos como "I Am the Walrus". Tentei dar um google nessa letra, procurando pela artista (talvez ela tivesse postado suas músicas online), mas não obtive nada. Um dia, concordei em dar carona a um amigo até a escola. Quando ele abriu a porta e ouviu a música, ele paralisou. Olhou para mim por um momento. A melodia a capela se tornou tão corriqueira para mim que esqueci o quão desconhecida a estação era, e até mesmo o gênero musical diferenciado. "Que merda é essa que você tá escutando?" Ele riu. "Música. Tipo, música de verdade.", eu respondi. Ele me deu um olhar julgador. Não pode culpá-lo; até eu percebi o quão babaca aquilo tinha soado. "Ok", eu disse, "Admito que soei pretensioso... Mas ela tem a voz mais incrível". "Com certeza", ele deu uma risadinha. Alguns momentos de silêncio desconfortável. "... Em que língua isso está?", ele perguntou. "... Inglês, idiota.", dessa vez, fui eu quem o julguei com o olhar. "Ah!", ele riu. "Jesus Cristo, quanto tempo isso dura?!". "Já está tocando uma música diferente de quando entramos... Mesma cantora.." "Oh. Parece igual." Ele segurou o botão do meu rádio, e eu dei um tapa em sua mão, a afastando. "Eu juro, cara, que se você ia colocar uma merda da Selena Gomez..." "Eu não ia." "Ou Chainsmokers..." "..." "Por que somos amigos?", eu brinquei. Nós éramos de mundos à parte. Ele gostava de qualquer música que estivesse em alta, eu não. Ele gostava de assistir filmes, eu gostava de ler livros. Ele havia desistido dos estudos, eu era estudante. Ele gostava de festas, eu gostava de ficar longe dos grupos de pessoas e de não interagir com estranhos. Mas acho que nos dávamos bem por podermos ser babacas um com o outro e continuar de boa. A estação continuava sendo minha preferida sempre que eu estava dirigindo para algum lugar. Eu não ouvia rádio e nem sequer possuía um desses aparelhos fora do meu carro, considerando que estamos em 2017, então me peguei arrumando desculpas para dirigir à deriva com a única finalidade de ouvir aquela voz. Eu queria encontrar aquela mulher — ou ao menos o produtor, para dizer o quanto eu amava a estação, amava a música, amava a intimidade que ambas passavam, como se fosse um clube secreto que apenas aqueles sortudos o suficiente para encontrá-lo pudessem fazer parte. E suponho que parte da minha curiosidade, e obsessão, vinha de querer resolver o mistério que era aquela estação. Quem foi? Quem a criou? Por quê? Me tornei determinado em rastreá-la. Comecei a dirigir por aí, tentando mapear o perímetro do sinal da rádio — descobri que ela precisava estar no centro. Dedução óbvia, né? Infelizmente, não era tão fácil quanto pensei que fosse, e não era um circulo perfeito para que eu pudesse encontrar seu centro. Deveria ter adivinhado que não seria tão simples. Acontece que é tão fácil encontrar instruções para construir um rastreador de sinal FM quanto é para construir um transmissor, e é barato também. Não precisei encontrar alguém na FCC (N/T: Federal Communications Commission, ou, em português, Comissão Federal de Comunicações) para me emprestar seu equipamento, só precisei de 20 dólares e do Google. Usando o rastreador, fui guiado até os subúrbios, o que realmente não me surpreendeu. Percebi que a estação era mantida por uma pessoa de classe média entediada. Tentar dirigir pela bagunça das ruas enquanto seguia o rastreador foi um desafio, especialmente porque todas as casas em todas as ruas pareciam praticamente idênticas, então eu não tinha certeza de que não estava andando em círculos. Não sei quem teve a ideia da infraestrutura dos subúrbios, mas certamente alguém deu um giz para uma criança do primário e disse "rabisque" e então construiu as ruas de acordo com esse esboço. Eventualmente, cheguei em uma casa que PRECISAVA ser a origem do sinal. Não havia nada de especial sobre a casa. Parecia como qualquer outra na rua. Tipicamente do subúrbio. Gramado bem aparado, uma árvore na frente, design em tijolos, nada especial. Era uma casinha fofa... Intrigante, eu diria. Imaginei por um momento ser capaz de bancar um lugar daqueles. Estacionei meu carro na frente e me aproximei da porta. Eu não estava completamente certo do que dizer... "Obrigado", eu acho. Bati ansioso na porta. Sem resposta. Eu não sabia o que estava esperando. Talvez o transmissor não estivesse em casa. Talvez estivessem ocupados transmitindo. Talvez eles não atendam a porta para estranhos. Eu não abro. Se não estou esperando ninguém, não atendo a porta nem o telefone porque provavelmente é alguém tentando me vender alguma coisa, me converter para uma religião ou então é um serial killer. No melhor cenário, você precisa interagir com um ser humano, e quem quer isso? Enfim, eu percorri todo aquele caminho, então resolvi tentar mais uma vez. Toc, toc, toc. Um homem atendeu. Meu coração falhou uma batida. Que porra eu ia falar? E se o rastreador estivesse errado, e esse cara achar que sou louco? E se ele achar que sou um stalker doente? Por que eu fiz isso? Por que eu só não deixei um bilhete ou alguma coisa anonimamente? Assim que a porta se escancarou, pude ouvir a familiar voz da mulher vindo de dentro. Toda minha ansiedade pareceu se dissipar quando aquele som tão conhecido me embalou como um abraço quente, e me senti calmo e gentil enquanto a melodia parecia me atrair. Por um segundo, quase me esqueci do homem parado à minha frente. "Sim?" Ele disse pacientemente. Era um homem bizarro, baixo, esguio e pálido. Ele tinha pequenos olhos suspeitos que brilhavam de malícia, sua linguagem corporal era reservada e ele era parecia ter perdido muito cabelo, falando de forma não muito delicada. Vestia um blazer 3 vezes maior do que seria o ideal, e uma calça de moletom muito pequena. Eu não estava surpreso com esse homem ser... Excêntrico. A maioria dos artistas é. Não estava surpreso com o fato de ele ser recluso, também. Se eu estivesse ocupado transmitindo uma rádio pirata que toca 24hrs por dia, seria do mesmo jeito. De fato, se eu não tivesse trabalho e estudos, ficaria na internet o tempo todo, então quem sou para julgar? "Sim?" Ele disse novamente, abriu mais a porta e acenou para que eu entrasse. Antes que eu assumisse que ele só sabia uma palavra, ele reassegurou, "Entre, entre". Normalmente, eu teria recusado a oferta, dizendo que não queria atrapalhar. Mas eu estava tomado de curiosidade, e o som da cantoria era tão tentandor... Além disso, o cara era pequeno, velho e frágil, então se ele fosse um serial killer ou algo assim, eu me sairia bem em uma luta. Vamos ser honestos, todos nós consideramos essa situação quando encontramos um estranho... "Quer conhecê-la?" Ele perguntou assim que pisei na soleira da porta. Puta merda, a cantora estava lá em pessoa. Talvez ela cantasse ao vivo, ou talvez fossem gravações. Ela provavelmente era esposa dele, ou filha, ou qualquer coisa. Apesar de muitas palavras passarem pela minha cabeça, tudo que pude fazer foi assentir. "Venha, venha". Ele acenou novamente, dessa vez me guiando pelo hall de entrada. Um homem de poucas palavras, pareceu, mas naquele momento, eu era como ele. Suponho que nem quisemos conversar muito sobre a fraca melodia da voz dela à distância, como se toda vibração fosse santa e sagrada. Enquanto avançávamos pela sala, a voz ficou mais forte. Comecei a identificar palavras. "Venha até mim, venha até mim". Ele abriu uma porta, e eu a vi. Ela era bonita. Sua pele parecia brilhar, seu cabelo ondulava em uma brisa que vinha de lugar nenhum, usava um vestido elegante. Ela sorriu enquanto cantava, e seus olhos pareceram me cumprimentar. Ela não parou de cantar. "Venha até mim, venha até mim". Ela cantou de novo, dessa vez me motivando. Dei um passo à frente. Sequer notei o homem fechando a porta atrás de nós. "Venha até mim". Ela cantou mais uma vez. O homem praticamente se jogou em seus braços abertos. Ela lhe deu um abraço aconchegante, cantando o tempo todo. Enquanto ele a abraçava, ergueu seus braços e trouxe as mãos até o rosto. Primeiro, eu achei que ele estava chorando... Limpando as lágrimas, talvez. Até ele enfiar os dedos em seus olhos com tanta força que sangue começou a escorrer. Seu sorriso permaneceu, e ele não reagiu com dor. Simplesmente continuou a abracá-la enquanto arrancava seus olhos. "Que porra é essa?!?", eu falei. Esse cara tava louco pra caralho. Assim que a cantoria acabou, eu saí do meu transe. Sangue escorria pelo pescoço do homem enquanto ele colapsava nos braços dela. Não mesmo, foda-se essa porra, tô fora, pensei, e me virei para a porta. Logo que o fiz, as luzes apagaram. Estávamos no completo escuro, não conseguia ver um palmo na frente do meu nariz. Não havia nenhuma luz do sol passando por debaixo da porta. A música começou novamente e senti que estava derretendo. "Corra da luz, corra da luz", ela cantou. Eu estava muito ocupado correndo dessa vadia. Como ela podia não reagir a um cara ARRANCANDO OS PRÓPRIOS OLHOS?!? Ela só continuou cantando, como se fosse coisa normal da rotina. Eu perambulei pelo escuro procurando pela maçaneta, mas não senti nada. Segui pela parede e não achei um sinal sequer de onde a porta estaria — era como se a porta tivesse simplesmente sumido, e estivéssemos em uma caixa selada sem caminhos para fora. Eu sabia que não era possível e deveria estar evitando a porta de alguma maneira, não era como se a escuridão pudesse remodelar o quarto. Tínhamos que ter entrado por algum lugar. Repentinamente houve um clarão, mas apenas por um instante. O velho sumira, a mulher ainda cantava, seu rosto coberto por sangue. Tentei me lembrar se vira algum meio de escapar durante aquele breve instante de luz, mas não havia nada além de paredes. A porta devia estar atrás de mim, então. Me virei para a parede, tateando à procura da maçaneta, enquanto tentava ficar o mais longe da mulher quanto possível. Pra onde o velho foi?!? Pensei que havia escapado. Ele devia ter encontrado a porta primeiro. Outro clarão. "Deixe a luz, ou você deixará a luz". Outro clarão, dessa vez ainda mais claro. Deve ter vindo de algum tipo de saída. Tentei encontrar sua origem e me direcionar a ela. Eu não iria prestar atenção nos avisos musicais dessa mulher. "Ou você sumirá, eles ainda ouvirão" ela cantou ainda mais alto. Outro clarão, dessa vez eu localizei um ponto e me aproximei. Não vi mais a mulher, ela deve ter saído do quarto de alguma maneira, mas eu não estava afim de ficar lá preso. Mais um clarão, dessa vez cegante. Não tenho certeza se ele me cegou ou se foi apenas a escuridão do quarto, mas senti que me meus olhos estavam sendo triturados. Ainda podia ouvir a música. "Você vê novamente, você não verá novamente". Parecia haver um refrão dessa vez. Senti lágrimas escorrendo pelo meu rosto... Mas eu não estava chorando. Limpei as lágrimas com a mãos, só para perceber que eram muito densas para serem lágrimas. Sangue. Meus olhos sangravam. "Você será o escolhido, você não será o escolhido" Posso jurar que a voz estava dentro da minha cabeça. "Você se tornará um junto ao som". Me senti dormente. Paralisado. Não conseguia controlar meus membros mais. Não podia sentí-los. Era como estar flutuando na escuridão, preso. "Somos todos um junto ao som". Dessa vez, senti como se eu estivesse cantando junto. E de alguma maneira, pareceu certo. Confortável. Como um lar. Houve um último clarão, e eu me sacudi num impulso. Tudo ficou borrado por um momento, apenas luzes na minha visão até que voltassem ao foco. Ouvi o som familiar de um carro buzinando atrás de mim. Vi um sinaleiro na minha frente que estava verde, postes de luz à distância, um velho posto de gasolina parcialmente aceso ao meu lado. Eu estava no meu carro, mãos no volante, de volta ao cruzamento onde eu estava quando ouvi a estação pela primeira vez. O zumbido da estática do rádio parecia ficar mais alto enquanto eu o percebia ao fundo. BIIIIIII. Acelerei, acenei em desculpas ao motorista atrás de mim que estava ficando sem paciência e então estacionei no posto de gasolina para me acalmar. Que inferno aconteceu?, pensei. Peguei meu celular. Era o mesmo dia em que descobri a estação. Apenas cinco minutos haviam se passado desde o dito momento. Deve ter sido tudo um sonho. Devo ter adormecido no volante, pensei. Nunca me aconteceu antes, mas ouvi que é normal com as pessoas. Especialmente se eu estava parado em um sinal ouvindo estática, isso seriam condições favoráveis para dormir. Mas foi tão real... Não pareceram minutos... A dor era excruciante, e pensei que sonhos não doessem, mas isso pode ser um mito. Talvez eu não tivesse só dormido, e sim alucinado tudo aquilo. Devia ter imaginado que era só imaginação, o que estava acontecendo não podia ser real. Desliguei o rádio por decidir que seria melhor pensar no silêncio. Assim que voltei à realidade, decidi ir para casa. Afinal, foram só cinco minutos perdidos, e tenho certeza que eu podia lidar com isso, só precisava ir pra casa dormir. Assim que voltei para a rua, bocejei, e senti uma lágrima escorrendo pela minha bochecha. Estendi a língua para apará-la quando tocou meus lábios. Em vez do gosto salgado que eu esperava, era metálico — o familiar gosto de sangue.

FONTE

Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigada! Se gostou, comente, só assim saberemos se vocês estão gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião!



19 comentários:

  1. se eu vejo +18 é q o negocio é loco e bom

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  2. Isso é um tipo de sereia de pedra?
    8/10

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  3. Bastante envolvente, assim como a música em si. Uma creepy bem misteriosa também. Gostei bastante

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  4. (SPOLIERRRRRRRR) muito boa, mas se ele tinha arrancado mesmo os olhos, como é que ele dirigiu até em casa e tals ? ou eu entendi errado ?

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  5. Não entendi. Tipo achei legal e tal, mas eu não estendi o final. Se alguém entendeu me explica ae.

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  6. Mano vc q fez? Despertou minha curiosidade ate é final 10/10 só te digo uma coisa crie mais assim

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    1. Este comentário foi removido pelo autor.

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    2. Não, a creepy foi retirada do reddit, eu apenas traduzi :) posso tentar trazer mais histórias do mesmo autor

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  7. Uma das melhores creepypastas que eu já li

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  8. O que? Eu nao entendi nada, 10/10 mas nao entendi mesmo kkdnsb

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  9. O que? Eu nao entendi nada, 10/10 mas nao entendi mesmo kkdnsb

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