17/10/2017

Meu estudante entregou a "História Viva" mais bizarra que já li


Uma das partes que mais detesto sobre ser uma professora de história de ensino médio, é a merda do trabalho "História Viva" que damos no final de todo ano escolar. As crianças têm que se sentar com seus avós e filmar, gravar ou transcrever as memórias mais antigas para transmitir posteriormente para suas futuras gerações.

Já faço isso à dezessete anos, e quando recolhi os projetos esse ano, achei que seriam tão supérfluos quanto os de todos os outros. Não era uma turma particularmente brilhante.

Então fui para casa, enchi uma taça de vinho, e me preparei para uma longa moite de "eu só tinha um par de sapatos quando tinha sua idade" e "meu irmão apanho com um jornal enrolado por jogar uma bola no quintal do vizinho". E claro, esses projetos eram salpicados com comentários inocentes de idosos, mas eram tão carregados de racismo e machismo que eu só podia rir.

Bem, tenho uma aluna nessa turma que chamarei de Olivia. Ela era gordinha, quieta e uma aluna nota 8. Esperava que seu projeto fosse tão irrelevante quanto ela mesma, e deve ser por isso que fiquei completamente perturbada com o que testemunhei naquela noite.

Olivia tinha me entregado dois CDs, então comecei com o que estava nomeado como 'entrevista'. Minha tela piscou duas vezes antes de uma imagem granulada de uma sala de estar aparecesse. O lugar era um inferno de acumulador. Olivia estava encolhida em uma poltrona agarrada em seu notebook, parecendo tão assustada quanto um bichinho indefeso. No lado oposto, havia um homem fumando um cigarro com um semblante sombrio, olhando para ela ansiosamente.

"Vá em frente," a voz de uma mulher soou por de trás da câmera. Os olhos de coruja de Olivia apontaram em direção da tela, depois de volta para o homem.

"Estou aqui com meu tio-avô Stephen," começou a falar, quase inaudível. "Ele vai contar para nós sobre suas memórias mais antigas de quando estava no exército".

Tio-avô Stephen parecia que gostaria mais estar em uma maldita trincheira do que ali naquela hora, mas esperou pacientemente pelas perguntas.

Não foi surpresa para mim que Olivia leu roboticamente as sugestões de perguntas que eu dera em aula. Ele respondia-as bruscamente. Uma ou duas vezes ouvi sua mãe sussurrar "Fale mais alto, Olivia" por trás da câmera. Uma chatice típica.

Então fiquei intrigada quando Olivia fechou se notebook e perguntou, "Você gostou de estar no exército?"

Isso era algo totalmente fora do script. Tio-avô Stephen soltou uma coluna de fumaça. "Não. Entretanto, fiquei feliz em sair da minha cidade."

"Para onde você foi?"

"Bálcãs."

"Unhum," ela falou. Duvidei que Olivia soubesse onde Bálcãs ficava, e minhas suspeitas se confirmaram quando perguntou "Bálcãs era muito diferente daqui?"

"Sim."

A mãe limpou a garganta por de trás da câmera, talvez tentando ser um pouco encorajadora para que tio-avô Stephen fosse mais específico.

Mas Olivia parecia genuinamente interessada. "Tio Stephen," falou, "qual é sua pior memória do exército?"

O velho amassou sua bituca de cigarro no cinzeiro e então lentamente se levantou da cadeira, "Já volto," resmungou. A câmera desligou.

Quando a imagem voltou, tudo era o mesmo, exceto que Tio Stephen tinha varias folhas de papel dentro de fichas plásticas em cima de sua mesinha de café. Uma, segurava em mãos.

"Eu era uma criança quando fui alistado," falou, olhando para Olivia. "Da idade do seu irmão," comentou com ela. Olivia assentiu. "Eu nunca entrei em combate. Servi em duas cidades do Leste Europeu que tinham sido destruídas por guerras civis, me sentia como um zelador, porr-"

"COF-COF!" A mãe fingiu uma tosse para censurar o palavrão.

Tio Stephen suspirou e olhou para o papel que tinha em mãos. "Minha unidade foi designada a arrumar uma escola que havia sido destruída por violência. Janelas quebradas, salas destruídas - e por alguma razão, o que mais me deixou ressentido é que estava daquele jeito faziam anos. Ninguém levantou um dedo pra arrumá-la. Eu via crianças o tempo todo por lá implorando por dinheiro ou qualquer merda-"

A câmera apontou para o chão e consegui ouvir a mãe sussurrando algo secamente para Stephen. Não consegui entender as palavras, mas não era difícil de imaginar.

"Você quer que eu conte a maldita história ou não?" Eu ouvi-o latir em resposta. "Então é melhor deixar eu contar do meu jeito."

"Mãe," Olivia chiou. "Para de interromper."

"Você vai apresentar isso para sua classe?"

"Não, mãe, só vou entregar para a professora."

"Tenho certeza que ele já deve ter ouvido a palavra merda e porra na vida," Tio Stephen contribuiu para o assunto. Eu não era um 'ele', mas de resto estava certo.

A câmera foi levantada de novo e depois alguns ajustes no foco, a cena era a mesma.

"Ah, de qualquer forma, estou falando demais," ele resmungou. Aproximou o pedaço de papel do rosto. "No porão, encontrei essa carta. não sabia o que dizia nela, mas pedi para um colega meu traduzir. Então vou ler agora. E depois vou contar o que vi no porão."

Um arrepio correu pela minha espinha. A mãe deu um zoom no rosto de Stephen e em sua carta. Suas mãos pálidas tremiam enquanto seguravam a folha. Começou a ler:

"Caro Senhor,

Eu nunca amei meu país.

Muitos desses conflitos nascem do patriotismo, uma luta de poder por lascas de um até-então império, mas eu não ligo para o nome que minha casa tem em um mapa. Essa briga é sem sentido e fico mais longe que posso dela.

Não foram estes ataques e violência desorganizada que tiraram as vidas da minha esposa e de minha criança. Foi a doença. Pela glória Divina, para o bebê foi rápido. Nadja sofreu mais. Assisti em horror, sabendo que não podia fazer nada por eles. Meu único consolo é que eu estava lá até o fim. Simplesmente parei de ir trabalhar um dia, ninguém veio à minha procura. Duvido que tenham percebido o meu sumiço. Meu trabalho ficava perto de casa, apenas atravessava um campo, inclusive até visível da minha janela. Seria fácil ir e vir para cuidar deles de hora em hora. Mas qual era o sentido disso? Tudo que eu fazia era limpar chão. Era tão inútil para o mundo quanto era para minha família.

Tentei levar Nadja para o Hospital, mas a jornada seria muito longa e cara. Trouxe-a para casa e ela morreu naquela noite.

Depois que Nadja e o bebê se foram... bem, não lembro muito. Mal saia de meu casebre, mal comia ou dormia, pensava demais em tirar minha própria vida. Mesmos sendo tentador, me sentia paralisado por minha própria insignificância.

A coisa que me mantinha são era meu rádio. Eu nunca o desligava. Mesmo não ouvindo as palavras que eram ditas - na verdade, a estação que estava sintonizado era em Inglês (acho), mas eu não conheço nenhuma palavra na língua. Mas as vozes, as músicas, e o saber que a vida ainda existia além daquela cidade violenta me sustentavam.

Não faço ideia quanto tempo havia passado até ver a luz do dia de novo. Estava tonto de fome, então encontrar comida era minha prioridade. Meu rádio veio comigo, é claro. Ele ia comigo a todos os lugares. Fala comigo quando eu durmo e quando eu acordo. Não sei o que está dizendo, mas sei que morrerá comigo.

Assim que consegui um pouco de comida e água, percebi que a única coisa a se fazer era voltar a trabalhar. Então eu o fiz. Na manhã seguinte, simplesmente voltei para a escola onde trabalhava como zelador e comecei a trabalhar de novo.

Ninguém deu muita bola. Como eu disse, Nadja estava doente fazia muito tempo, e aqueles que trabalhavam na escola sabiam disso. Fiquei grato que ninguém me apressou para voltar a trabalhar nos dias mais difíceis da minha vida. Os professores nunca conversavam muito comigo, mas trocávamos sorrisos nos corredores e esse respeito mutuo foi provavelmente o motivo para eu voltar.

O lugar estava uma muvuca sem mim, então simplesmente peguei minha vassoura e panos em meu armário e comecei a limpar. Sei que todos estavam gratos de me ter de volta. E a melhor parte é que ninguém se importava com meu rádio. Levo-o comigo para todos os lugares que vou e mantenho o volume baixo o suficiente para não atrapalhar os alunos. Nunca ninguém reclamou. Na verdade, acho que até gostam.

O prédio da escola não é muito grande, mas requer muita manutenção. O chão está sempre grudento e manchado, então passo maior parte do tempo passando pano. Crianças são bagunceiras - acredito que deve ser por isso que ainda tenho um emprego. Às vezes tenho que deslocar coisas de lugar para ter certeza que tudo está lindo e limpo, e me orgulho disso.

E os reparos! A escola sempre precisa de ajustes aqui e ali, e fico feliz em ajudar. Alguns dias estou consertando uma mesa quebrada enquanto assovio junto do rádio, outras vezes lido com coisas mais sérias, problemas de estrutura. Dias que tenho mais trabalho como esses, me sinto como uma ferramenta, uma engrenagem em uma grande máquina. Como essa escola sobreviveria sem mim? Demorou bastante, mas novamente sentia que tinha um propósito na minha vida.

Atrás da escola, tem uma despensa cheia de comidas em conserva. Ao invés de pagamento, tenho permissão de pegar toda a comida que eu precisar. Esse acordo é bom - de qualquer forma, o que eu faria com dinheiro? Antigamente costumava a levar a comida até minha casinha, mas ninguém pareceu notar quando comecei a dormir no porão. Essa escola é importante para mim e não posso deixá-la sem vigia.

Quando sou atormentado com as lembranças de minha esposa e bebê, aumento o volume do rádio para afogar tais pensamentos. Funciona todas às vezes.

Exceto hoje de manhã.

Porque, hoje de manhã, acordei com um silêncio mortal.

Freneticamente examinei o rádio para ver o que tinha acontecido. Honestamente não sei dizer exatamente a quantidade de dias que estava usando-o sem parar. Será que parou de funcionar naturalmente? Passei o dia inteiro tentando consertá-lo. Na maior parte desse tempo, estive chorando. Estou enlouquecendo sem ele.

Dei um ultimato para mim mesmo: o por-do-sol. Se não conseguir arrumá-lo até lá, irei me matar. Estou escrevendo isso, pois a luz do sol está lentamente morrendo e sei qual será meu destino.

Pensei em dar uma última caminhada pelos corredores da escola, dando tchau para alunos e professores. Sei que sentirão minha falta. Mas não consigo sair desse cômodo. Não consigo ir para lugar algum sabendo que meu rádio está aqui, morto.

Não existem mais lágrimas em mim. Parece que não consigo mais respirar. Vomitei o pouco de comida que tinha no estômago e me sinto tonto de novo, como me sentia quando Nadja morreu. Não sirvo mais para esse mundo.

Mas antes de tirar minha vida, fechei a porta desse quartinho e coloque uma cadeira em baixo da maçaneta. É o único cômodo que existe aqui nesse porão e por debaixo da porta entra um pouco de luz, o suficiente para saber o que estou fazendo. Se alguém for amável o suficiente para me procurar e ver o que aconteceu, não precisarão ter essa visão terrível. Talvez vejam que a porta está trancada, sintam o cheiro do meu corpo em decomposição e simplesmente deixem para lá.

Mas deixarei meu rádio e essa carta no lado de fora da porta. Caro senhor, se está lendo isso, tenho apenas um humilde pedido: conserte-o. Salve meu rádio. Ele não merece morrer em seu sono e estou envergonhado de não conseguir revivê-lo.

Agora estou pronto para me juntar de Nadja e da pequena Ludmila. Espero que essa escola possa encontrar outro zelador que ame e se importe, assim como eu.

A hora é agora. Não esqueça do meu rádio.

Stanislav"

Quando a mão diminuiu o zoom, Olivia tinha lágrimas nos olhos. "Obrigada por compartilhar, tio Stephen," a mãe disse, sua voz engasgada. "Acho que é o suficiente".

"Espera!" Olivia gemeu. "Ele disse que tinha mais. O que você viu?"

Antes de Tio-avô Stephen abrir a boca, a imagem foi cortada. Fiquei de boca-aberta. Era isso? O que Tio Stephen tinha visto?

Prontamente, lembrei que havia um segundo CD. Esse não tinha nada escrito, mas esperei que lá estivesse a segunda parte da entrevista.

Não havia vídeo, apenas áudio. A voz que ouvi de início era de Olivia.

"Oi, senhorita Gerrity. Peço desculpas sobre minha mãe, mas ela não deixou que eu gravasse o resto do que meu tio falou. Mas pedi que ele continuasse e gravei escondido a história pelo meu celular. Lembrei que você falou no começo do ano, que a história da guerra sempre é escrita pelo lado vencedor." Ela respirou fundo e começou a chorar. "Mas a história de todo mundo é importante, mesmo se for de pessoas tristes e patéticas e mesmo que nunca tenham ganhado nada em suas vidas. Não consegui dormir uma noite inteira desde que comecei esse projeto, mas você precisa ouvir o que meu tio me contou."

Eu também estava com lágrimas nos olhos. A sinceridade nas palavras dela era linda. Também fiquei lisonjeada que Olivia havia lembrado de uma frase que eu disparei no meio de uma aula, pois eu havia ouvido isso também a muitos anos atrás do meu professor de história de ensino médio.

Antes que eu pudesse ficar toda sentimental, o áudio começou novamente.

"Tá bom," a voz frustrada da mãe soou. "Se você quer ouvir o final da história, tudo bem, mas isso não é apropriado para um projeto escolar."

"Me deixe terminar," grunhiu Stephen. "Se é demais para você, pode ir fazer um lanche na cozinha, mas Olivia quer saber o que aconteceu."

Ouvi a mãe resmungando algo e saindo da sala. Olivia e seu tio estavam sozinhos. Imaginei-a olhando para ele cheia de expectativas.

"Então, você encontrou o rádio? Ou ele estragou quando a escolha explodiu?"

Ele grunhiu e ouvi o som reconhecível de um isqueiro sendo aceso. "Aquela carta," começou a falar lentamente, "tinha uma data nela."

"Que data?" Ela falou rapidamente, faminta pela história.

"Tinha a data de duas semanas antes de começarmos a arrumar a escola."

"Mas você não tinha dito que a escola tinha sido detonada faziam pelo menos uns dois anos?"

"Sim," respondeu tio Stephen. "Faziam dois anos."

Houve um silêncio prolongado e senti meus braços arrepiando. A imagem que veio em minha mente era demais para pode expressá-la, mas tio-avô Stephen colocou-as em palavras sem nenhum esforço. Claramente passara a vida inteira pensando naquilo.

"Esse homem, esse Stanislav, entrou em uma escola vandalizada, caindo aos pedaços para limpar sangue e tripas como se fosse pó e refrigerante derramado. Ele sorria para cadáveres nos corredores e acreditava que estavam sorrindo de volta para ele por causa de seu rádio. Ele arrastava corpos para limpar em volta. O telhado havia caído, então quando chovia devia ficar todo encharcado, mas acho que não sentia mais nada." Eu conseguia ouvir Olivia chorando bastante. "Encontrei a despensa que ele comentou sobre. Eram comidas em conserva que provavelmente tinha gosto de merda. A maior parte dos potes estavam mofados."

"Você- você viu o cadáver dele?"

"Sim. Enforcado, mas ainda parecia tão... cheio de vida. Ele não estava apodrecendo. Isso não havia acontecido faziam anos."

"Ele parecia em paz?" ela perguntou, um tom de desespero em sua voz.

"Não sei dizer. O cheiro era terrível, seu rosto estava azul e os olhos esbugalhados, tipo assim." Imaginei tio-avô Stephen demonstrando.

"E o rádio?" Olivia gemeu.

Ouvi Stephen dar uma longa tragada em seu cigarro. "É, o rádio estava lá. E ainda estava ligado."


Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigada! Se gostou, comente, só assim saberemos se você está gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião! 


32 comentários:

  1. Boa creppy, bem melhor que "crianças" que aliás, me deixou bem desconfortável.

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    1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. que creepy maravilhosa puta merda

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  4. 9/10 só pelos erros de português mas foi muito boa

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  5. Este comentário foi removido pelo autor.

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  6. Caraca bicho, to arrepiado até os pelo do nariz...

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  7. Comecei a ler sem nenhuma expectativa, e no fim fiquei impressionado! Essa realmente mexeu comigo...

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  8. MEU DEUS 100000000/10
    Até caiu uma lágrima aqui de tanta emoção em ver uma creepypasta tão bem feita gzus

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  9. MEU DEUS, UMA DAS MELHORES CREEPS QUE JA LI

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  10. CARALHO QUE PUTA HISTÓRIA!!!!! MEUS PARABÉNS PRO ESCRITOR, TO ARREPIADO AQUI.

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  11. HÁ TEMPOS NÃO LEIO ALGO TÃO BOM ASSIM, ESSA CREEPY DEFINITIVAMENTE MEXEU COM MEU PSICOLÓGICO, MUITO BEM ESCRITA, INTERESSANTE E NÃO FOI CANSATIVA.

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  12. Esse final me bugou... como assim o rádio ainda funcionava? Alguém me explica pf?!

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    1. ele provavelmente disse q o rádio havia quebrado como desculpa para o suícido,pensando q ninguém o encontraria por anos.até lá o rádio não funcionaria mais

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    1. E ele ficou louco, ele estava sozinho na escola em ruínas, comendo comida estragada, no meio dos cadáveres... Ele colocava o radio no talo pra afastar os pensamentos... Até o dia que acordou com um silêncio mortal

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  14. Eita, pesada1

    Saudades desse tipo de creepy aqui no CPBR

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  15. Vejo todo mundo aqui da 10/10 na maioria das creepys e na moral emissor desvaloriza as reais 10/10 como essa daqui parabéns pra quem escreveu e traduziu sou "novo" aqui e essa foi a que realmente me surpreendeu

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