11/10/2017

Paredes finas como papel



As paredes da minha casa são finas como papel e mesmo que isso possa soar clichê, é totalmente real. Eu tenho dezessete anos e vivo com minha mãe e irmã na nossa casa de infância. A casa era muito simples e em forma de caixa, nada chique, mas não me entenda mal, não éramos pobres os algo do tipo.

Para uma casa tão pequena, era incrível que eu e minha irmã tinha um quarto para cada e, por ter uma parede dividindo os dois, podíamos nos comunicar entre nós batendo com os nós dos dedos na parede sem que nossa mãe notasse. Mas, pensando agora, ela devia saber, pois, como já disse, as paredes eram finas como papéis.

Minha irmã é um ano mais velha que eu, então enquanto eu ainda era uma "criança" com dezessete anos, ela podia ir para festas e sair com amigos, e isso que ela nem é um ano inteiro mais velha! Então, era uma noite de outubro. Só estávamos eu e mamãe em casa enquanto Evie (minha irmã) estava com suas amigas em outra festa de 18 anos. Assistimos programas ruins na TV e pedimos tele-entrega de comida chinesa. Minha mãe é uma mulher maravilhosa e até não se importaria de eu sair para beber, mas sabe, pode parecer outro clichê, mas eu queria aproveitar mais um pouco daqueles últimos anos onde éramos melhores amigas.

Era por volta da 1h quando acordei, meus olhos turvos tentando se focar nas propagandas da madrugada que passavam na TV, até eu perceber que tinha adormecido no sofá. Olhei em volta e percebi que minha mãe tinha também caído no sono. Acordei-a e fomos cambaleantes para cama, eu só me lembro de cair na minha e voltar para meu sono de princesa.

Bzzz

Acordei com a vibração do meu celular debaixo do meu travesseiro, não uma ligação, mas uma mensagem, porém, eu ainda estava entre estar sonhando e acordada. Precisou de mais uma mensagem seguida para eu acordar de verdade. Era Evie.
Evie 02:31:54 “Nina, tá acordada?”

Evie 02:32:32 “Tô te ouvindo roncar, acorda!”

Resmunguei, Evie sempre fazia isso depois de uma noitada. Alguém tinha me falado que ela era muito fofa e ela surtou, pois não queria ser "fofa", queria ser "foda". Minha irmã não é a faca mais afiada do faqueiro, mas no final das contas, sempre tínhamos as melhores conversas de madrugada depois dos meus sábados solitários enquanto eu a esperava. A conversa foi essa a seguir, e cada mensagem que ela recebia, eu podia ouvir seu celular apitando do outro lado da parede.

Nina 02:35:12 “Tô acordada, tô acordada. O que você quer?”

Evie 02:35:22 “Que bom que acordou tava ouvindo seus roncos.”

Nina 02:36:23 “ Sério que você me acordou por causa dos meus roncos? Desde quando isso te acorda?”

Evie: 02:36:34 “Nao consigo dormir animada demais.”

Nina 02:37:36 “Meu deus Ev você tá chapada? Devíamos colocá-la em um campeonato de português.”

Evie 02:38:27 “Fala pra Mae que se ela quer a casa arrombada tem que trnacar a porta”

Nina 02:39:12 “Merda, nós caímos no sono assistindo Criminal Minds e esqueci. Você chegou bem em casa?"

Evie 02:40:12 “ Sim eu dividi o taxi com um cara muito fofo e ele pediu para vir pra cá"

Nina 02:41:43 “Evie, fala que você não o trouxe. Mamãe vai finalmente ter aquele AVC que vive falando." 

Evie 02:42:22 “Não não seja idiota. Ele era legal ate pagou o taxi.”

Aquela conversa quase me deu um ataque cárdico. Mamãe era muito estranha em relação de trazermos garotos para casa, mas pelo menos consegui dormir sabendo que tudo ocorrera bem. Meu celular se acendeu de novo, dessa vez uma ligação de um número desconhecido.

"Alô?" Perguntei, um pouco brava que alguém estava me ligando perto das três da manhã.

"Nina, puta que pariu, passei pelo inferno hoje a noite, pera aí, tem i, caminhão passando aqui." A voz da minha irmã soou pelo celular junto do barulho de um grande veículo que passava próximo.

"Que? Você saiu de novo?" Foi tudo que consegui dizer, minha mente tentando entender a situação.

"Hein? Sair de novo? Não! Eu peguei um taxi com um cara estranho pra caramba que insistiu em pagar a corrida e quando chegamos na casa dele, ele roubou minha bolsa e saiu correndo! O taxista me levou até uma delegacia e agora estou andando para casa. Você tá bem? Você parece estar tendo um ataque de pânico."

E eu estava, meu coração se debatia na minha caixa torácica, "Mas você estava me mandando mensagens..." enquanto eu falava, houve uma movimentação do outro lado da parede seguida por uma nova vibração. Afastei o celular da orelha e olhei para a tela, havia uma nova mensagem, Pulei da cama violentamente olhando para a porta e tudo que pude fazer foi gritar pela minha mãe enquanto eu ouvia minha irmã gritando do celular para eu correr.

Olhei para a mensagem enquanto ouvia mais movimentação no quarto da minha irmã, como se alguém levantasse da cama.

Evie 02:48:02 “Uau, essas paredes são finas como papel.”

FONTE

Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigada! Se gostou, comente, só assim saberemos se você está gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião! 


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