07/11/2017

Todos os papéis caem esta noite

Já tiveram um daqueles momentos de "como diabos eu cheguei aqui"? Tipo aqueles flashes de clareza onde você realmente vê sua vida. Você se olha no espelho e se vê tão distante da pessoa em que você sonhava ser quando criança que fica chocado e se, palavras.

O meu aconteceu já cerca de um ano, uma semana ou duas depois do Dia de Ação de Graças, quando eu acordei no hospital. Eu estava incrivelmente desorientado; tudo parecia irreal e distante, como se não estivesse realmente acontecendo comigo... como se eu estivesse sonhando, ou um avatar em um video-game.

Talvez fosse porque eu já me sentia desconectada... talvez fosse a lembrança aterradora da minha própria mortalidade... mas senti como se estivesse me vendo com olhos de um estranho. Ondas de vergonha e auto-ódio tomavam conta de mim na cama do hospital, e eu prometi mudar minha vida.

Eu tinha tentado soluções semelhantes antes e falhei miseravelmente, mas desta vez era diferente.

Desta vez, a mudança foi quase sem esforço nenhum: velhos hábitos se evaporaram, as tentações antigas perderam todo o fascínio. A pressão dos olhares não era mais um problema, porque eu simplesmente não estava mais interessado em sair com meu grupo de sempre; quando eu tentei sair com eles sóbrio, eles me encheram o saco até que eu chorasse.

Enquanto isso, outros relacionamentos na minha vida estavam melhorando. Na festa do de aniversário de Logan, meu filho, eu até ouvi por acaso meu ex-marido dizer a sua mãe que eu havia finalmente crescido e parado de causar angústia aos outros.

Quando as últimas crianças haviam partido e eu estava limpando, meu filho me surpreendeu com um abraço. Ele envolveu seus braços ao meu redor e me apertou mais forte do que nunca.

"Você vai ficar?" ele sussurou.

Afastei seu cabelo com a mão. "Claro! Ficarei o tempo que você quiser. Você pode até passar a noite comigo hoje, se seu pai disser que está tudo bem."

Ele suspirou alegremente. "Você é muito melhor do que minha mãe de verdade".

Cada célula do meu corpo congelou.

Lancei um discursou sobre como eu era sua mãe, estava tentando mudar, sabia que precisava ganhar sua confiança novamente, etc.

"Ok!" Ele disse, obviamente ansioso para retornar à sua pilha de presentes.

Mas pouco antes ele fugiu... piscou para mim, como se tivéssemos um incrível segredo.

Logan não pôde ficar comigo àquela noite, depois de tudo... e honestamente, eu estava um pouco aliviada. O que ele havia dito tinha cortado meu coração, e pela primeira vez em quase um ano, eu quis desesperadamente beber.

Fiz todo o caminho até a porta do meu apartamento antes de eu começar a soluçar. Estava revirando a bolsa para encontrar minhas chaves, tentando ver através das lágrimas, quando Sam colocou a mão em meu ombro.

Sam havia morado no apartamento ao lado há 4 anos. Antes da minha epifania, eu mal olhava para ele... mas depois, sentia borboletas no estômago sempre que ele passava.

Eu nunca tive que perseguir um cara antes. Não é como se eu fosse Angelina Jolie ou coisa parecida, é só que eu costumava gastar uma enorme quantidade de tempo e dinheiro para me fazer parecer o menos possível comigo mesma. Você viu a antiga eu, ou um dos meus incontáveis clones: um golem de silicone e acrílico, lantejoulas e alvejante. Basicamente como um zumbi, eu suponho, você mal consegue se mover com medo de que partes de você caiam.

De volta ao ponto: eu estava tentando chamar a atenção de Sam há meses, e era terrível nisso. Eu conversaria com ele e acho que chegaria a algum lugar... mas então eu faria uma piada, ou citaria um filme, e ele se encolheria como se eu estivesse o esfaqueado.

Era uma maneira humilhante de finalmente ter conseguido sua atenção... berrando como uma criança com raiva nos degraus, limpando miseravelmente o catarro na minha manga enquanto eu choramingava confissões por um milhão de pecados.

Sam escutou pacientemente, apenas parando uma vez para sugerir que saíssemos do frio para que continuar conversando em seu apartamento.

Começamos a beber. Perdi toda a minha tolerância em um ano de sobriedade, mas Sam definitivamente não teve esse problema. Quando eu levantei para pegar mais uma pra nós, foi fácil ver o porquê: sua geladeira era parecida como a minha costumava ser, com cerveja, licor, lanches e condimentos antigos.

"Sua companheira de quarto se mudou?" Perguntei, levando nossas cervejas de volta para sua cozinha. "Ela não era uma grande cozinheira, né? Eu costumava caminhar por perto durante a hora do jantar."

"Ela não era minha companheira de quarto," ele disse calmamente. "Ela era minha esposa."

Meu rosto caiu, e o último ano passou como um flash em uma repetição repugnante: seu total desinteresse em mim, seguido por olhares infelizes e sumiços sempre que ele se pega flertando de volta. Eu nunca havia me incomodado em olhar se ele usava uma aliança.

"Se você quiser falar sobre isso, eu estou interessada... Mas eu não vou me meter se não quiser. Você que sabe."

Ele riu um pouco, balançando a cabeça. "É engraçado.Emily costumava ser uma boa juíza de caráter... mas ela estava tão errada sobre você. Pena que ela nunca chegou a lhe conhecer... Eu acho que era realmente teria gostado de você."

Ele mudou de assunto, e me desculpei logo depois.

No dia seguinte, a curiosidade me fez pesquisar sobre sua esposa. Conforme eu lia os resultados da pesquisa, meus olhos se arregalavam.

Emily tinha morrido na noite em que eu desmaiei, e pareceu que ela pode ter acidentalmente salvado minha vida. Falei com um vizinho e confirmei que meu palpite estava correto... os EMT's que responderam à chamada de Sam para o 911 foram os que me encontraram. Eles foram chamados para apenas um paciente e havia apenas uma ambulância, eles me coloraram em uma tábua e penduraram em ganchos no teto da ambulância.

Eu não dormi nada na noite em que descobri. Meu maldito vício em bebidas ficando acima dos piores momentos da vida de Sam e dos últimos de Emily... invadindo algo incrivelmente privado e íntimo.

Deitei em minha cama, olhando para o teto, imaginando como deve ter sido para Emily, olhando para uma mulher que ela achava um desperdício total, sabendo que eu iria acordar e ela jamais iria.

Me enterrei contra os travesseiros, pensando em como eu o havia atingido logo após sua morte. Eu não podia acreditar que ele acabaria me confortando.

Jurei nunca mais flertar com Sam novamente, e mantive essa promessa... mesmo quando ficamos mais próximos e acabamos com um compromisso semanal de TV e comida chinesa.

Eu não queria dá-lo um presente de Natal. Eu havia considerado, mas aquilo estava fora dos limites.

Então eu fui à uma lojinha e vi este canivete. Não era nada chamativo, mas algo naquilo apenas disse "Sam" para mim. Quando eu peguei e examinei, o dono apareceu atrás de mim.

"Você tem bom gosto, querida", ele disse. "Eles não fazem mais como estas."

E eu sorri, poruqe era como eu me sentia sobre Sam.

Mas quando Sam abriu o presente, seu rosto empalideceu.

"Eu... eu te contei sobre a noite em que eu estava muito bêbado?" ele murmurou, pegando a faca e a girando em seus longos dedos. "Eu devo ter contado..."

Sam havia herdado um exatamente como aquele de seu avô. Tinha se perdido quando ele e Emily se mudaram para o prédio, e ele se sentiu horrível por isso.

"Oh, merda... Sinto muito, não queria trazer maus recordações..."

"Não, não, isso é ótimo... Eu tentei encontrar um por um longo tempo. Obrigado."

Eu acho que ele queria me dar um beijo na bochecha, mas acabou sendo no canto da minha boca... e a próxima coisa que eu sabia, ele estava me beijando de verdade.

Foi maravilhoso por cerca de dez segundos... e então ele saltou do sofá, balbuciando que estava arrependido, que ele tinha superado...

E então, ele desabafou.

Ele me contou sobre o quando eu o lembrava de Emily, que estar comigo era como estar com ela, que isso quebrou seu coração.

"Você diz coisas que ela disse, você cita filmes que ela costumava citar... Jesus, você usa algumas das mesmas roupas. Quem coloca essa merda verde nos biscoitos? Ninguém que eu tenha conhecido... exceto você e ela."

Não respondi. Não consegui responder.

"Eu não deveria ter te beijado. Meu terapeuta disse..." ele parou com um barulho desagradável, suspirando profundamente antes de continuar. "Eu simplesmente não acho que posso superá-la e fazer isso... os jantares com você. Eu não estou seguindo em frente, eu estou apenas... Estou apenas fingindo que não preciso."

Ele se desculpou novamente, e então se foi.

Olhei para a porta como uma idiota por alguns segundos. Ele tinha deixado seu presente na minha mesa de café e eu me inclinei para pegá-lo...

Você é muito melhor do que minha mãe de verdade.

De repente, os pedaços se juntavam em minha mente, e eu continuava a balançar a cabeça como se pudesse separá-los novamente. O que eu estava pensando era estúpido, louco, como uma lunática surpesticiosa.

Eu estava a poucos metros de distância na ambulância quando ela morreu. Acordei consumida com auto-aversão, me transformando em uma pessoa nova quase toda noite... uma com diferentes hobbies, diferentes opiniões, diferentes gostos. Até o meu próprio filho não acreditava de que era eu.

Tantas coisas se encaixavam. Minha paixão instantânea em Sam. Minhas novas roupas e penteado, tão similar aos dela em suas fotos no Facebook.

Como eu de repente decidi cozinhar... e era estranhamente boa nisso.

Como eu jamais colocaria geléia de menta nos biscoitos antes, e não tinha ideia do porquê eu mesma havia comprado.

Como eu não lembrava de ter visto nem metade dos filmes que eu sempre citava.

Eu comecei a ver um terapeuta. Ela diz que estou tentando me distanciar de um passado em que me envergonho. Essa baixa autoestima e minha paixão por Sam manifestaram em mim a imaginação de que sou uma pessoa que ele poderia amar. Ela acha que talvez eu tenha batido a cabeça quando caí, ou talvez eu tenho algo chamado desordem de despersonalização.

Eu li inúmeras histórias no Nosleep sobre assombrações e possessões. Vocês são os especialistas em banimento, rituais, sal e sálvia e ferro...

Mas o que eu faço se eu for o fantasma?

O que diabos eu faço?







Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigado! Se gostou, comente, só assim saberemos se você está gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião!


11 comentários:

  1. VIADOW
    Essa foi loka
    10/10
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    Tipo... A nova vc na verdade n é vc poha nenhuma
    Mas só faltava explicar como q a Emily morreu :P

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  2. Tem erros de digitação e em algumas partes fica bem confuso..

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  3. Respostas
    1. Pelo que eu entendi, ela “se transformou” na Emily.

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  4. Ja vi uma historia praticamente igual a essa no canal do MohamedAki, a única diferença é que os personagens q aqui são mulheres lá eram homens
    Acho q o dono do canal n foi o autor da creepy, mas de qualquer jeito, isso foi um plágio?

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  5. Eh confusa p um cacete, mas a história em si eh bem legal. Pra ela descobrir se eh um fantasma, basta fazer um círculo de sal e tentar entrar dele. Sou vacinada rarar

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