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A chegada do Papai Noel

"Mamãe, o que você está fazendo?"

"Estou marinando o peru."

"O que é marinando?" 

"É colocar o peru dentro da água com sal e-"

"Porque?"

"Ei," falei, apertando as tiras do meu avental, "Porque você não vai brincar com o bonequinho que te dei?"

"Não quero mais brincar com ele."

As crianças de hoje em dia. Perdem interesse em seus brinquedos em menos de uma hora. 

"Quer ver a mamãe tirar os biscoitos de Natal?" Tirei a travessa de biscoitos do forno. O calor lambeu meus dedos. Os biscoitos que Jackson tinha feito estavam queimados nas pontas, e estavam com formatos horrorosos. "Seus biscoitos ficaram lindos, viu?"

"Posso comer um agora?" Ele perguntou, suas mãozinhas avarentas indo direto para a travessa. 

"Achei que eram para o Papai Noel." 

"Eram, mas estou com fome. E se todo mundo está fazendo biscoitos para o Papai Noel, ele não precisa comer os meus, né?" 

Menino esperto. 

Levei-o até a sala de jantar, com os biscoitos e um copo de leite. "Aqui está, querido."

Ele se sentou. Olhei pela janela; As luzes de natal da casa da frente piscavam na escuridão. Baguncei o cabelo de meu filho e comecei a me afastar. 

"Mamãe!"

Ugh. O que agora? "Sim, Jackson?"

"Estou ouvindo o barulho dos sininhos! Das renas do Papai Noel!" 

Graças a Deus! Finalmente algo para deixá-lo ocupado. 

Voltei para a cozinha, e olhei chateadamente para o peru; era tão pálido e magro. Minha mãe chegaria amanhã, e ela era cheia de manias em relação à isso. "Não cozinhe demais - se não vai ficar seco. E não coloque sal demais - ninguém gosta de peru salgado demais! E não queime, pelo amor de deus, não queime." Sua voz ecoava na minha cabeça. "Dave fez um peru tão maravilhoso ano passado. O jeito que temperou, era esplendido!" 

É, bem, algum tempo depois eu peguei Dave temperando o peru de outra pessoa. 

(Se é que você me entende)

"Mamãe! Estou ouvindo!" gritou. 

"Maravilhoso," respondi. 

As tentativas de reconciliação de Dave eram, para dizer no mínimo, um lixo. As vezes ele deixava uma mensagem de voz - apenas dizendo "eu te amo" e depois desligando. Outras vezes, apenas me mandava uma foto por mensagem de sua mão usando a aliança. Sem legenda, nada mais nada foto - só a mão. E o anel idiota - de prata e com pedrinhas vermelhas encrustadas, porque 'vermelho é a cor do amor'. 

Vermelho também é a cor que eu vi, quando encontrei os dois fuden-

"Mamãe! Estou ouvindo eles! Os sininhos! E passos!"

"Que legal, amor."

"Ouça! Ouça!"

Suspirei, e lavei as mãos. "Tá bom, tá bom Jackson. Tô indo," falei, entrando na sala de jantar. 

Ouvi.

Tintilando, tintilando. 

Congelei. Meu coração começou a acelerar. 

"Papai Noel está aqui! Tá vendo?" Ele deu um gritinho. 

Tintilando, tintilando. 

Não era o tintilar de sinos, nem das coleiras das renas. 

Era o tintilar de chaves -

Enquanto alguém tentava abrir a porta da frente. 

Agarrei o braço de Jackson, arrastando-o para fora da sala de jantar. 

"Mamãe? O que você está fazendo?" 

"Nós vamos nos sentar aqui, e esperar o Papai Noel descer da chaminé, tá vendo?" Falei, minha voz oscilando. Olhei para a porta dos fundos - será que conseguiríamos correr até lá?

Bum, bum. 

"Ele está no telhado!" Jackson gritou, sorrindo.

Bum, bum. 

Abracei Jackson, segurando-o o mais próximo que podia - 

BUM!

Gritei.

Jackson se soltou dos meus braços, e correu em direção da chaminé.

Então eu vi.

"Jackson! Não!"

Era tarde demais. Ele pegou, sorrindo de orelha a orelha.

Então franziu o cenho. 

"Não é meu." Colocou no meu colo. "É para você, mamãe."

Com as mãos tremulas, peguei. 

O bilhete dizia:

VOCÊ TROCOU AS FECHADURAS

Meu coração pulava no peito, então abri a caixa - 

Um anel.

Encrustado com diversas pedrinhas vermelhas.