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A Mansão Escura

18 comentários
Oi gente, tô aqui pra anunciar que vou voltar a traduzir a série "As histórias de um Oficial de Resgate no Serviço Florestal dos EUA". A descontinuação das traduções da série tinham acontecido porque a tradutora que era responsável pela tradução saiu da equipe, mas como eu tenho acompanhado os comentários do blog, resolvi voltar de onde tinha parado. Então em breve vou disponibilizar as partes 6, 7 e Final! 


Cerca de uma semana atrás meu amigo desapareceu. No dia seguinte recebi um e-mail dele. No corpo da mensagem tinha apenas uma linha escrita e um link. 

"Você precisa ver isso."

O link me direcionou para um site com o download de um jogo em texto chamado "A Mansão Escura." Haviam alguns Print Screens do jogo; arte old school pixelada de uma casa assustadora, alguns carinhas sem rosto usando capuzes, e uma mulher amarrada em uma mesa. 

"Salvar a garota ou salvar a si? Você que decide seu destino nesse jogo de terror em texto! Escape da mansão antes que os monges te encontrem. Seja cuidadoso, três vezes e é game over... permanentemente. Você é esperto o suficiente para fugir da mansão? Baixe 'A Mansão Escura' de GRAÇA agora."

Cliquei no link e instalei o jogo. Uma música em 8-bit começou a estourar pelas caixas de som quando abri o arquivo. Abaixei todo o som, esperando que algum vizinho começasse a socar as paredes por acordá-los tão tarde da noite. 

'Aperte ENTER para jogar' apareceu na parte de baixo da tela. Porque Teddy me mandou isso? Ele programou o e-mail para me mandar antes de desaparecer? Havia uma pista a ser encontrada dentro do jogo? 

Apertei enter. 

'Você vê uma enorme mansão em sua frente. É antiga. Assustadora. Você vai entrar?'

Sim.

'Você entra na mansão. A porta range mas a entrada está vazia. A frente tem uma escada e uma porta na esquerda, outra na direita. Para onde você vai?'

Escolhi aleatoriamente. Porta esquerda.

'Você é esmagado até a morte por uma bigorna. Jogar de novo?'

Uma poça de sangue pixelada aparecia no que pareca ser o chão da mansão. Uma escrivaninha estava no que parecia ser um quarto, com uma enorme estante de livros atrás. Havia uma pintura dos homens encapuzados na parede da esquerda, e debaixo havia um pedestal com um crânio humano em cima. Bem, uma morte já foi. Faltavam duas. 

Sim, digitei. 

Eu estava na frente da mansão novamente. 

'Você vê uma enorme mansão em sua frente. É antiga. Assustadora. Você vai entrar?'

Yes.

'Você entra na mansão. A porta range mas a entrada ainda está vazia. A frente tem uma escada e uma porta na esquerda, outra na direita. Para onde você vai?'

Bem, eu sabia para onde não ir dessa vez. Escadas. 

'Você vai para o andar de cima. Há uma porta vermelha, uma porta azul, e uma porta amarela. Qual porta você passará?'

Fiquei pensando se a morte iminente estava me esperando atrás de alguma dessas portas em particular. O texto que eu lera no site apareceu na minha mente, 'morra três vezes e é game over, permanentemente". O jogo pararia de funcionar depois disso? Eu já havia morrido uma vez, isso significava que eu tinha mais duas tentativas. Duas tentativas e três portas. 

Amarela.

Vermelha parecia levar a morte, além do mais, eu gostava mais de amarelo do que de azul. 

Raios começaram a clarear lá fora, fazendo eu levar um susto e me remexer na minha cadeira. O vento veio logo e a chuva começou a cair. Cinco minutos atrás o céu estava limpo, sem sinal nenhum de chuva... 

'Raios clareiam os arredores e você vê uma figura encapuzada na distância. Está vindo em sua direção. O que você faz?'

Raios continuavam a aparecer nas janelas do jogo. Como dizia, uma figura encapuzada estava parado nas montanhas que eram visíveis pela janela. Era meio bizarro. Também era a primeira vez que eu ganhava liberdade de escolher o que fazer. 

Abrir escrivaninha. 

'Não há nada dentro.'

Usar telefone. 

'O telefone não funciona.'

Atirar na figura encapuzada. 

'Você não tem uma arma.' 

Pegar arma.

'Não existe arma.'

Suspirei. O quarto parecia ser um beco sem saída. Aproximei o rosto da tela e tentei achar algo, alguma pista do que fazer no quarto. Nada que eu digitava funcionava. Recostei em minha cadeira e comecei a digitar de novo quando notei. A figura encapuzada... estava mais perto. Não era apenas um gif de tela de fundo. A figura realmente estava se aproximando. 

"Merda." Sair do quarto. 

'Você sai do quarto. Há uma porta vermelha, uma porta azul, e uma porta amarela. Qual porta você passará?'

Azul.

'Você está em um corredor. As portas estão marcadas 1-13. Qual vai escolher?'

Era um corredor escuro que ia longe. As portas diminuíam mas eu podia ver os números nas mais próximas. 1, 2, 3, 4, de frente uma para outra em pequenos intervalos. 

A chuva batia contra a minha janela quando de repente ouvi um grito. Não era do jogo; parecia ter vindo lá de fora. Sai da cadeira e corri para a janela mas tudo estava muito escuro. Não consegui ver nada. Um raio clareou brevemente a rua lá em baixo. Não havia ninguém. 

Talvez tenha vindo do jogo mesmo? 

Voltei para o computador. 

'Você ouve o grito de uma mulher. As portas estão marcadas 1-13. Qual vai escolher?'

Tá bom, pensei. Eles provavelmente não esperavam que alguém escolheria a porta 13 de primeira, então digitei 13. 

E lá estava de novo. Agora parecia bem mais próximo que antes. Olhei para as caixas de som e me lembrei... Eu havia abaixado todo o volume. 

Não era no jogo.

Sentei e esperei, prestando atenção. Meu quarto estava todo escuro, iluminado só pela tela do computador. A chuva batia mais forte na janela. 

Tudo estava silencioso tirando a água que batia no vidro. 

Me virei novamente para a tela. 

'Você vê sangue nas paredes e ouve os gritos de uma mulher vindo diretamente debaixo de você. O que você faz?'

Uma sensação de presságio tomou conta de mim. O quarto em si estava vazio, quatro paredes de madeira e o chão também de madeira, todo respigado de sangue pixelado. Havia uma única janela na parede oposta. Dessa vez havia uma floresta ao longe. 

Um raio iluminou a janela. A figura encapuzada estava bem na janela. 

Gritei. 

Sair do quarto.

'A porta está trancada.' 

Claro que estava. 

Se esconder. 

'Não há onde se esconder.'

Claro que não. 

Ouvi batidinhas na minha janela.  Pulei de novo. Como poderia haver batidinhas na minha janela? Eu moro no quarto andar... Tinha que ser o vento. Ou um galho de árvore. Então porque eu estava com tanto medo de ir olhar? 

O texto na tela começou a mudar. 

'A janela quebra. A figura encapuzada entra no quarto. Se aproxima de você lentamente. O que você faz?'

Tinha um limite de tempo para fazer as coisas nesse jogo? Nunca foi dito que a história ia continuar acontecendo que eu não fizesse nada. 

"Uhhhh..." Dar um soco na figura encapuzada. Eu não sabia o que fazer além disso. Era um quarto vazio sem nada que eu pudesse usar. 

'Você soca a figura encapuzada mas ele te esfaqueia na garganta. Você está morto. Vai tentar de novo?'

Suspirei. Eu estava rapidamente perdendo interesse no jogo, mas tinha mais uma tentativa. Poderia usá-la. 

Sim.

'Você vê uma enorme mansão que atormenta seus sonhos. É velha. Escura. Assustadora. Uma figura te espia da janela. Vai entrar?'

Bem, isso era novo. E bem tenso. Havia uma figura encapuzada me olhando de uma janela do terceiro andar. Um raio clareio o cenário e pude ver outro se aproximando das montanhas. Era o mesmo da minha outra tentativa. Eu precisava entrar. 

Sim.

Ignorei a porta da esquerda, subi as escadas, fui direto para a porta azul e fiquei no corredor debatendo em que porta eu devia entrar. 13 era um beco sem saída, mas ainda tinha que escolher entre 1 e 12. Números demais para escolher aleatoriamente e esperar pela sorte. 

Tinha dito antes que o grito da mulher vinha diretamente debaixo do quarto 13. Talvez a porta 11 tinha um jeito de descer de andar? Mas e se não tivesse? E se fosse uma porta aleatória? Eu tinha só uma chance de acertar antes que o jogo terminasse. Permanentemente.

'Você ouve passos.'

O texto passou na tela. As figuras encapuzadas já estavam lá? Era cedo demais!

Me preparei para escrever "11" quando parei. Não, a porta vermelha. Tinha que ser a pota vermelha. Eu tinha pensado a mesma coisa sobre número infortúnio 13 e não tinha me dado muito bem. Eu sabia que era a porta vermelha. 

Sair do quarto.

Há uma porta vermelha, uma porta azul, e uma porta amarela. Qual porta você passará?'

Vermelha.

'Você está em um banheiro. O que vai fazer?'

Devia ter uma porta secreta escondida em algum lugar daquele quarto. Eu tinha que encontrar antes que as figuras me encontrassem. 

Olhar banheira. 

'Não há nada em especial.'

Olhar armário.

'Alguns pílula sem identificação e uma escova de dentes.'

É provável que seja melhor não tocar nas pílulas. Não tinha mais nada no banheiro, então só significava que...

Olhar vaso sanitário.

'Você coloca sua mão dentro do vaso sanitário. Tem algo lá. Você quer puxar?'

Ugh. Sim.

'Você puxa e ouve um clique. Um único azulejo se move no meio do cômodo. O que você faz?'

E eu tinha opção? 

Pressionar azulejo.

'Você pressiona o azulejo. Uma parte da parede se abre. Você vai atravessá-la?'

Sim.

Ouço de novo. Dessa vez muito mais alto e claro. No andar de baixo. Uma mulher no andar de baixo estava gritando. 

'Você entra em um quarto secreto. Os gritos estão mais altos. Você ouve passos se aproximando. Tem duas portas. Qual vai entrar?'

O texto aparecia na tela enquanto a tempestade uivava lá mora. Esperei e escutei. Sem mais gritos. Nada além do som do vento e da pesada chuva nas janelas. 

Não. Não era só o vento e a chuva. Estava lá. Um barulho suave. Passos. De botas enormes e pesadas, como solas de aço contra concreto. Ouvi alguém batendo em uma porta em algum outro apartamento. Olhei para o relógio. Uma da manhã. Quem estava batendo em portas a essa hora?

'Você ouve alguém batendo em uma porta próxima. Que porta você vai entrar?'

O texto mudou de novo. Estava começando a parecer muito mais que meras coincidências. Meu coração começou a acelerar. Quando disse que a terceira morte seria permanente não queria dizer que... ou será que sim?

Esquerda.

Meu coração pulou quando me lembrei que a última vez que digitei esquerda fui direcionado para uma morte imediata. 

'Você entra em um laboratório. Parece que um experimento foi feito aqui recentemente. Sangue mancha a mesa de operação. O que você vai fazer?'

Lá fora tudo estava silencioso. Será que atenderam a porta? Talvez fosse apenas um amigo ou parente chegando tarde, alguém que esqueceu as chaves. 

Olhar escrivaninha. 

'Há um relatório. Você quer ler o relatório?'

Sim.

'Relatório: 1º de Outubro de 2017. Cobaia reclama de dores de estômago. Estômago removido. Sem mais reclamações. Necessita-se de nova cobaia. 

Relatório: 2 de Outubro de 2017. Novo convidado chegou hoje. Inteligência abaixo do normal, mas será suficiente. Cérebro removido. Transplante para novo dono será feito logo.

Relatório: 3 de Outubro de 2017. O transplante foi um sucesso. 

Relatório: 6 de Outubro de 2017. Cobaia reclama de dores nos membros inferiores. Membros serão removidos. Necessita-se de mais estudos.'

Fiquei olhando para a tela do computador. Eu não queria mais jogar. Não fazia ideia do que estava acontecendo mas estava me apavorando e nada fazia sentido.

Clank. Clank. Clank.

Os passos lá fora estavam chegando mais perto. Eram vagarosos, metódicos. Outra batida na porta. Parecia ser a umas 3 portas de distância. 

"O que você..." Não ouvi o resto da frase. Engoli a seco e me virei para a tela do computador, meu coração batendo mais forte do que nunca. 

'Os passos se aproximam. Você precisa fazer uma escolha. Você vai achar a garota ou vai fugir?' 

Fugir. 

Digitei sem pensar. Eu só queria que acabasse logo. 

'Você tem que encontrar a saída.'

Sair do quarto. 

'A porta está trancada.' 

Claro que está. Só tinha uma porta à frente. 

Abrir porta.

'Você abre a porta. Um corredor com uma única porta no fim. Duas janelas. O que você faz?'

Se eu tentar pular a janela, o personagem provavelmente iria morrer, estava no segundo andar, afinal de contas. Relâmpagos iluminaram as janelas e meu coração parou. Havia uma floresta cheia de árvores de pixel lá fora, mas ao longe na floresta havia inúmeras figuras encapuzadas, todos ali, de pé. Me assistindo. Esperando. Com cada relâmpago, eles pareciam crescer em número.

Abrir porta.

'Você não está próximo o suficiente.'

Correr até a porta.

'Você corre até a porta. Uma mulher grita em um quarto próximo.'

Várias figuras encapuzadas se aproximavam. Outros continuavam no mesmo lugar, como em vigília. 

Abrir porta. 

'Você entra em uma estufa. Está escura e sem luz. O que você vai fazer?'

Ligar luz.

'Não consegue encontrar o interruptor.'

Acender fósforo.

'Você não tem fósforos.'

Andar para frente.

'Você não consegue ver nada.'

Eu batia o pé furiosamente no chão enquanto meu cérebro pensava em um comando que funcionasse. Os relâmpagos no jogo continuava a brilhar esporadicamente. Todas as paredes da estufa eram de vidro com a floresta de fundo. Cada vez que a tela se iluminada, vários encapuzados se aproximavam cada vez mais. 

Então entendi.

Digitei andar para frente e esperei. Quando um raio iluminou o jogo, apertei enter. 

'Você anda para frente. Uma fileira de prateleiras bloqueia seu caminho.'

Digitei virar a esquerda e andar para frente, esperei, quando outro raio fez a estufa aparecer, dei enter. Os encapuzados estavam quase chegando no vidro. Meu coração acelerou.

Mais batidas no corredor. Dessa vez no apartamento do lado. 

Havia uma porta bem na minha frente. Chegaria nela no próximo relâmpago. Digitei correr para a porta e esperei.

E esperei. 

A tela continuava escura. Um texto branco apareceu na tela.

'Tem certeza que quer deixar a garota para trás?'

Sim.

'Tem certeza mesmo? Essa ação não poderá ser desfeita.'

Sim. 

Raios iluminaram o jogo. As figuras encapuzadas estavam do outro lado do vidro. 

Ouvi uma batida na porta do meu apartamento. 

Correr para a porta. 

Apertei enter. A tela ficou toda preta. Esperei. O vento e a chuva pareciam com raiva lá fora. Fiquei tenso, meu coração na garganta enquanto esperava por mais uma batida na porta. 

Mas nada aconteceu. 

'Enquanto você corre para fora da mansão, ouve gritos vindos lá de dentro. As figuras encapuzadas te observam, mas não te seguem. Conseguiram o sacrifício dessa noite, mas você conseguiu escapar.'

A tela ficou toda preta e logo apareceu 'PARABÉNS' em letras grandes piscando na tela em várias cores diferentes. Não ouvi mais nenhuma batida na porta. 

Desliguei o computador e fui para a cama. Fiquei lá deitado ouvindo o som da tempestade até o raiar do dia. 

Enquanto eu saia do meu prédio na manhã seguinte, vi carros da polícia circulando pela rua e na entrada. Aparentemente uma mulher tinha sido encontrada morta. Suas pernas tinham sido amputadas e não foram encontradas. 

FONTE

Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigada! Se gostou, comente, só assim saberemos se você está gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião! 

18 comentários :

  1. Excelente, por mais creppys como essa Lindão

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  2. Achei que faltou um pensamento sobre o amigo dele desaparecido, aparentemente ele perdeu o jogo, ou ele decidiu salvar a garota? Fica um ar de duvida, mas no final esquece totalmente sobre o amigo, adorei a creepy 10/10 só achei que deveria ter algo sobre o amigo dele no final por que a historia prende muito o leitor no suspense acabei esquecendo do amigo dele que acredito que deveria ter tido uma atenção maior. Excelente obrigado pelo trabalho !!!

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    1. Cara até é verdade, mas pensa bem, na situação dele, vc se preocuparia com seu amigo? As vezes se ele colocasse muita coisa sobre o amigo perderia um pouco da realidade, no que diz respeito a mente do protagonista, visto que ele ta preocupado com a própria sobrevivência

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    2. Gente? Que ar de dúvida? O problema é com você que não leu direito.

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    3. "Você vai salvar a garota ou a si mesmo?" Provavelmente ia ter um sacrifício ou a garota ou ele

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    4. eu acho que o amigo estava participando do ritual de sacrificio, pq ele mandou um jogo com risco de morte real enquanto estava "desaparecido"

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  3. pq será q temos tanto medo de jogos, principalmente em texto-aventura?

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  4. fica um ar de duvidas sobre o amigo , porem eu achei fantastico

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