31/01/2017

A Bruxa na Janela

Bom gente, hoje trago pra vocês um relato meu, espero que curtam. Quero aproveitar pra agradecer a todos que me elogiam e fazem críticas construtivas, pois desde que entrei no site melhorei bastante o meu trabalho graças a vocês. 

Mês que vêm começo a facul e talvez não consiga postar com tanta frequência, mas prometo sempre arranjar um tempo e postar uma creepy legal aqui quando for possível. Deixei algumas creepys dos fãs programadas, fiquem ligados :) 


Quando eu era criança, dormia em um berço de madeira antigo que ficava perto da janela,  minha casa era de madeira e ficava em cima de uma casa de alvenaria.

Desde pequeno eu sempre via vultos, figuras estranhas e também tinha muitos pesadelos, era como se todas aquelas coisas quisessem me levar com elas, e numa certa noite eu não conseguia dormir, via um vulto preto voando na janela.

Devia ter uns 5 anos de idade, chorava muito e dizia para minha mãe que tinha algo lá fora. Ela dormia no mesmo quarto que eu e mesmo assim não via nada, como não tínhamos ar-condicionado a janela sempre ficava aberta, pois era muito calor. Meu padrasto trabalhava a noite e só chegava de manhã. Já era tarde, minha mãe tinha dormido e eu não conseguia nem fechar os olhos de tanto medo.


Aos poucos o vulto se mexia menos e aquela sombra ia tomando forma. Eu sei que você vai pensar: ‘’Bruxas não existem!’’ Mas foi exatamente o que vi naquela noite.

Ela era idêntica as bruxas dos contos de fadas, tinha um longo nariz, pele escamada meio verde, usava um vestido preto, mas ao contrário das bruxas de contos de fadas ela não tinha vassoura, tinha um par asas pretas enormes parecidas com asas de mariposa, seus dentes eram pontudos e pretos, seu cabelo longo e acinzentado. 



Eu gritava de medo e minha mãe mesmo assim não via nada, ela tentava o tempo todo me acalmar, mas não dava certo. Então fechou a janela, e depois de algum tempo consegui dormir, mas jamais vou esquecer aquela cena da bruxa sorrindo para mim, me olhando como se quisesse me devorar. 


Quando eu era criança, eu queria ser uma sereia

Quando criança, eu sempre quis ser uma sereia. Acho que muitas crianças têm o mesmo desejo. Eu acreditava firmemente que "sereia" era algo que eu poderia ser, uma vez que fosse adulta o suficiente. Eu imaginei que eventualmente cresceria uma cauda longa coberta de escamas brilhantes. Eu tinha o sonho de deslizar pela água. Talvez crescesse um longo e ondulado cabelo ruivo. Eu esperava pelo dia que eu seria uma sereia na vida real.


Minha família vivia bem próxima ao mar. Era um belo cenário para crescer. Eu sei que agora as pessoas matariam por uma casa assim. A brisa do mar acariciava meu rosto todos os dias. Ele sempre cheirava a chuva fresca. Eu passava meu tempo na praia recolhendo conchas ou construindo cabanas de fadas na areia. Os golfinhos estavam em toda parte, tagarelando um com o outro. Havia peixes lindamente coloridos e outras adoráveis criaturas. Era o paraíso.


Eu tina quatro irmãs com quem passava todo o meu tempo. Todas eram mais velhas que eu e mais maduras. Mesmo assim, entretinham minha fantasia de sereia, me ajudando a construir elaboradas caudas de algas. Elas fingiam ser um príncipe afogado e eu as resgatava. Todas nós ríamos ao salvar o príncipe perdido. Eu adorava ser abraçada, rindo enquanto nadávamos pela maré.


Mas é claro que você não pode simplesmente decidir ser uma sereia. Minha mãe deixou isso bem claro. Toda vez que eu tocava no assunto, ela zombava de mim. "Sereias não são reais", ela dizia com firmeza. Ela até repreendeu minhas irmãs por brincarem comigo. “Vocês não deveriam encorajá-la."


Minha mãe provavelmente estava certa. Você simplesmente não pode ser algo que você não é.


Aprendi isso na véspera do meu décimo segundo aniversário. Era noite, e minhas irmãs e eu estávamos sentados nas rochas. Nós nos banhávamos no brilho do luar. Um navio se aproximou. Era apenas um pequeno navio de pesca, provavelmente perdido. Eu geralmente ficava quieta e observava minhas irmãs preparando o jantar. Mas naquela noite minha mãe balançou a cabeça para mim. Era minha vez.


Eu limpei minha garganta. Minha respiração tinha cheiro de peixe podre e sal. Abri a boca e comecei a cantar. Minha voz ecoou pela praia. Para os meus ouvidos soava como um chamado de um animal moribundo. Ele lançou o anzol e caiu desajeitadamente. Minhas irmãs estavam sorrindo. O tom terrível do meu canto assustou os animais da costa.


Para o capitão, porém, minha música soava linda. Ele olhou pelo mar para me ver, uma menina, descansando sobre uma rocha. Em seus olhos eu estava radiante. Talvez eu tivesse cabelo longo e vermelho como a sereia que eu queria ser quando criança. Para ele meu corpo era flexível e jovem. Minhas pernas estavam dispostas de forma inocente, convidativas. Ele não poderia resistir à combinação da minha beleza e da minha canção.


Na realidade eu usava a pele de uma menina morta. Meus dentes afiados com formato reptiliano saindo da minha cabeça. Como minha mãe, eu tinha três caudas blindadas que caíram contra a água. Minhas mãos enroladas como garras. Minha segunda boca estava aberta ruminando, onde provavelmente estaria meu estômago. As barbatanas ao longo do meu torso. Dentre minhas irmãs, eu era a mais hedionda. Se elas me amassem menos, talvez tivessem ciúmes.


Mas como todos os homens antes dele, o capitão só podia ver o que queríamos. Ele permaneceu em seu barco o máximo que pôde antes que a necessidade o alcançasse. Ele mergulhou na água. Ele nadou contra a corrente, ansioso para alcançar sua visão da menina nua. Eu continuei cantando. Logo minhas irmãs se juntaram a mim, nossos gritos horríveis fazendo ondulações na superfície do oceano.


O homem nunca chegou até nós. Ele se afogou a quase seis metros de distância. Era tão reconfortante ver o cadáver branco como o leite balançando ao luar.


Minha mãe sorriu para mim com a sua segunda boca. "Você foi bem, filha. Agora vá buscar o corpo para o jantar."


Às vezes eu sinto falta dos sonhos de infância de ser uma sereia. Mas sinceramente, eu não mudaria quem sou agora. É muito mais divertido ver os homens morrendo do que salvá-los.




Oi gente, o que acaharam? O conto hoje foi bem curtinho porque foi meio emergência. Enfim, estou viajando e semana que vem outro colaborador vai publicar pra mim, no meu dia (que é a terça-feira). Mas depois estarei de volta. Estou procurando creepys com os temas que vocês sugerem, mas se tiverem uma creepy específica, só mandar o link. Até mais!


29/01/2017

Desmemoriado

Espero que gostem dessa creepy curta.(Autoria minha.)

Estou tentando melhorar :)

Leiam em suas mentes com a voz de Domingos Meirelles. rs 


Erica fazia trabalhos voluntários, ajudava moradores de rua que não tinham o que comer, mas não fazia isso sozinha, ela contava com a ajuda de Luciano, seu pai. 



Numa noite enquanto distribuía sopas pelas ruas frias de São Paulo, conheceu um morador de rua chamado Vitor que aparentava ter em torno de 30 anos, 5 anos mais velho que Erica. Os olhos verdes  se destacavam em meio a sujeira que cobria o seu rosto. Aquilo a encantou de tal forma que naquele mesmo instante começou a sentir afeto por ele. 

Então Erica passou a levar roupas limpas, cobertores e comida para ele todos os dias na Praça da Sé. Ele falava muito pouco e isso a instigava muito. Aos poucos foram criando intimidade e passaram a conversar mais. Vitor não lembrava de como tinha chegado em São Paulo, a única coisa que lembrava era o seu nome.

Comovida, o convidou para morar em sua casa por alguns tempos, mas acabou se apaixonando.  

Numa conversa em que tiverem durante o jantar, Erica perguntou o que ele mais gostava de fazer, mas Vitor não conseguia lembrar por mais que tentasse.

Durante a madrugada tinha muitos pesadelos, alguns flashes de memória, mas nada que pudesse esclarecer algo. Era perturbadora a sensação de saber somente o seu nome e mais nada. Ele chegava e socar o próprio rosto as vezes de tanta raiva que sentia.

Era visível o olhar de espanto nos olhos dela, mas seu amado sempre deixava claro que jamais a machucaria. 

Cafés no quarto todas as manhãs e a louça sempre lavada em cima da pia era a certeza de que o homem perfeito estava em sua vida, era um amor que mal cabia em seu peito.

No dia em que fariam um mês de namoro ela deu a notícia de que havia arranjado um emprego para ele, era um emprego simples, mas honesto. Vitor iria trabalhar como ajudante de pintor junto com Luciano, pai de Erica.

Aquilo o deixou feliz, deu um beijo nela, trocou de roupa o mais rápido que conseguiu e foi encontrar Luciano para o primeiro dia de trabalho. Naquele dia estava usando uma bermuda jeans, camisa branca e um par de chinelos pretos.

O dia estava lindo, não estava muito quente, aquele seria o primeiro passo para uma nova vida e novas memórias. 

Enquanto forrava o chão com jornais velhos, ele encontrou uma foto sua no jornal na página policial. Vitor era procurado em dois estados por assassinatos e estupros.

O dia seguiu normalmente, mas aquilo martelava em sua cabeça, recusava-se a acreditar no que leu.

O trabalhou tinha chegado ao fim, Luciano pagou a ele 60 reais e então seguiu de volta para casa.

Erica estava esperando por ele com um almoço caprichado.  Almoçaram juntos e no fim da tarde foram dormir um pouco.

Vitor acordou Erica desesperadamente com um tom de animação, ele parecia feliz com alguma coisa.

Vitor.- Eu lembrei amor, lembrei do que eu mais gosto de fazer!


Disse isso enquanto envolvia firmemente o pescoço de Erica com suas mãos, e a estrangulava.. 







Mundo Reflexo

Esse post é uma parceria com a página Cons Pirei! Clique aqui e conheça a página!



Oi, gente! Primeiramente, fora Temer, vou me apresentar. Me chamo Letícia, sou estudante de Letras - Inglês, então além de dar aulas eu trabalho com traduções. Tenho como por hobby ficar lendo a subreddit do /nosleep de madrugada (às vezes bebendo com os amigos rs) e esse interesse por tradução e coisas misteriosas me uniu com a Divina para criar a página Cons Pirei!

Hoje trago um relato retirado de um fórum do site Reddit que ilustra a teoria de que existe um mundo que é o reflexo do nosso, em que existem cópias nossas vivendo de forma semelhante. Vem pirar com a gente!

“Minha namorada e eu estávamos juntos por mais ou menos um ano naquela época, nunca tivemos grandes problemas, nós somos pessoas de boa. Nunca brigamos, nunca tivemos problemas de confiança, essa treta toda.

Então um dia eu estava na frente do meu prédio, fumando um cigarro, e isto foi antes de nós morarmos juntos. Eu tinha visto ela na noite anterior, saímos para jantar, fomos para um bar, depois para meu apartamento, e depois ela pegou um táxi pra casa. Então eu estou na frente do meu prédio e ela desce de um táxi. Eu não estava a esperando e fiquei surpreso em vê-la. Apaguei meu cigarro, sorri e fui até ela dizendo algo tipo “E aí, o que tá fazendo aqui?” (de maneira amigável).

Ela veio procurando por mim e me deu um tapão na cara. Obviamente eu fiquei perplexo e sem palavras e só meio que olhei pra ela. Ela não disse nada, e só passou por mim e entrou prédio adentro.

Eu a segui até meu apartamento, perguntando o tempo todo o que estava acontecendo, ela entrou no apartamento, pegou a bolsa dela e algumas coisas que ela deixou lá, jogou algumas coisas em mim, e quebrou um ou dois copos quando derrubou um monte de coisa de uma prateleira. Ela me chamou de porco, disse que sabia de tudo e que eu havia partido o coração dela. Obviamente eu estou tentando entender o que está acontecendo e ela parou no caminho quando eu toquei na manga da roupa dela, me olhou e me deu outro tapa. Ela me falou algo tipo “Eu espero nunca mais te ver de novo” e foi embora. Eu a segui até a rua e ela entrou no táxi e foi embora. A rua estava bem vazia, era tipo 8 ou 9h da manhã e eu assisti ela indo embora. Nesse momento eu estou só sem palavras, assustado e triste.

Então, enquanto eu vejo o táxi partir, alguém me abraça por trás. Eu viro e é ela, com roupa de academia (antes ela estava de salto e jaqueta de couro), e eu fiquei completamente pálido. Ela disse “oi” do jeito animado de sempre e então notou minha cara e disse “o que aconteceu?”.
Eu me virei, não tinha táxi algum. Ele tinha partido há literalmente 5 segundos antes, ele não poderia ter virado em alguma rua e o semáforo estava vermelho. Eu não disse nada, só corri escada acima. A bolsa dela não estava ali, as coisas ainda estavam quebradas, minha porta ainda escancarada. Então eu contei a ela.

Nós dois estávamos incrivelmente confusos, de forma alguma eu a teria confundido com outra pessoa e ela é filha única. Nós pedimos à segurança para checar as câmeras e, de fato, estava lá eu seguindo uma moça até meu apartamento. Os ângulos não eram muito bons e a qualidade também não, mas era bem fácil de ver a mim e meu rosto, mas ela era difícil de identificar, se parecia muito com ela, mas a câmera não mostrava muito bem.

Não tem como ser a mesma garota.
Isso ainda me assusta pra cacete, e nós não falamos sobre isso.

PS: Alguém nos comentários fez eu perceber que eu deveria contar o que aconteceu depois: nós registramos ocorrência, eles vieram, colheram todas as coisas quebradas e acharam somente as digitais minhas e da minha namorada. A mesma coisa com a minha porta e essa menina entrou no meu prédio sozinha, o que significa que ela sabia o código da porta, aparece ela digitando o código na fita de segurança. Eu só espero nunca mais vê-la.

PS2: Surgiu, em uma conversa com /u/ZapActions-dower, que eu falei com um professor da Columbia (amigo da família) sobre essa situação “hipoteticamente”, não querendo soar um idiota. Ele ensina algo tipo filosofia e outras coisas a ver com superstições e explicar o inexplicável. Uma das explicações dele era muito próxima desta: de alguma forma, um “reflexo” de nosso mundo, com uma linha do tempo praticamente idêntica, dobrou-se sobre a nossa e colidiu com o nosso mundo temporariamente. Talvez ela tenha me visto no bar na noite anterior com outra garota (minha namorada), não viu o rosto dela e decidiu terminar comigo na manhã seguinte quando foi ao meu apartamento. Então todo esse barraco que foi causado pode ter feito nossos mundos se separarem da forma correta enquanto ela ia embora no táxi. Eu não sou o tipo de cara que acredita nessas coisas, mas depois disso eu acho que nada é impossível. E também eu fico pensando, se isso for verdade, o quanto isso deve ter f*dido o mundo reflexo? Não é possível que as coisas sejam as mesmas lá agora, ela terminou comigo. Sei lá, é muito pra se pensar.”

Então, já tinha pensado nessa possibilidade? Deixa aí nos comentários a sua opinião ou relato!



Este artigo foi traduzido/organizado exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigada! Se gostou, comente, só assim saberemos se vocês estão gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião!