24/03/2017

Creepypasta dos Fãs: Rotina

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6:45 – O relógio desperta. Estou soando. Mais uma noite péssima. Checo meu celular, talvez alguma boa mensagem fará com que meu dia não seja tão mal. A quem estou enganando? Nenhuma mensagem. Mais um dia. Fazer roupa de cama, alimentar os gatos, trocar areia. Tomar banho. Ir ao trabalho.

7:15 – Ponto de ônibus, não tomei café da manhã, droga. Eu odeio esse trabalho. Está quente hoje e o ônibus demora. Sinto tontura. Checo o celular.
Pessoas passam por mim, desejo um bom dia. Nem todas respondem. Não me importo.

9:10 – Atrasado pro trabalho. Ter de cumprimentar pessoas, sorrir e aparentar bom humor. Me pergunto se elas são felizes ou estão fazendo o mesmo teatro que eu. Não importa.

9:30 – Termino de abrir e limpar a loja. É um local pequeno. Já já aparece o primeiro cliente. Ouço sarcasmo vindo do patrão e outros colegas em relação a mim. Sorrio, ignoro.

9:47 – Primeiro cliente. Sorri e desejei um bom dia. Esperou que eu dissesse cada um dos produtos, levou a coisa mais barata.

9:48 – Checo meu celular. Nada, ninguém se importa. Não importa. O dia continua a ficar mais quente. Há moscas aqui. De hora em hora, ouço críticas ao meu respeito. Fico calado. Eu os odeio.

18:45 – A caminho de casa, um alívio. Mas por que um alívio? Tenho algum plano pra hoje? Não. Apenas chegar em casa. É o ponto alto do dia. Estou nervoso. Escolho ir andando pra casa e me acalmar no caminho.

18:52 – É engraçado como eu torço pra que algo aconteça. Qualquer coisa, um suspiro de emoção. Eu poderia ser assaltado agora e reagir. Eu poderia levar um tiro e morrer. Eu poderia fazer com que um carro sofresse um acidente andando alguns metros pra direção da pista. Nesse momento, eu sinto poder de mudar meu destino. É errado pensar assim? Eu não sei, me sinto mais calmo. Ainda é o ponto alto do dia.

19:13 - Chego em casa. Sinto o cheiro de fezes de gato desde a escada. Mas finalmente estou em casa e estou aliviado por isso. Por que estou aliviado? Entro em casa, coloco comida pros gatos. Eu estou desesperado, mas continuo. Troco a areia. Tomo meu banho. Como algo. Eu quero que isso acabe.

20:30 – Sento em frente ao meu computador. Meu quarto está uma bagunça. Não me importo, gostaria que o prédio inteiro desabasse. É meu momento de escapismo durante o dia. Alguém falou comigo? Não. Esqueço que estou sozinho ou torço por milagres? Patético.

20:40 – Vou até o travesseiro, coloco meu rosto nele e grito, grito o mais alto e forte que consigo, até que minha garganta doa. Me sinto menos mal. Volto pro computador. Eu quero morrer.

01:30 - Finalmente atingi o ponto em que estou cansado demais pra pensar ou fazer algo ruim a mim mesmo. Me pergunto até quando eu vou aguentar isso. Não importa, vou dormir. O relógio desperta às 6:45 e eu gostaria de não acordar.


6:45 – O relógio desperta e eu acordo. 

Autor: R
Revisão: Gabriela Prado


Creepypasta dos Fãs: Eu vejo você

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Medo. Gritos. Por que é que eles sempre gritam? Na maioria dos filmes de terror, o personagem babaca se vê perto do "monstro" e então grita "Tem alguém aí?", como se já não soubesse que está prestes a se encontrar com seu assassino. Por que eles representam assim? Todo mundo sabe que é idiota, e não faz o menor sentido. 

No mundo real, isso não passa de uma grande utopia. Quando eu era mais nova, eu via coisas. Acordava todos os dias às três da manhã gritando por minha mãe, e quando ela aparecia, me salvava dos monstros que me perseguiam mesmo depois de acordar dos pesadelos. Todo santo dia. 

Eu culpo a casa. Desde que nos mudamos daquela casa, eu não tive mais pesadelos diários, aquilo passou. Foi um grande alívio para mim e, é claro, para minha mãe.  Mas eu ainda via coisas. Eu ainda vejo. 
Não é nada tão horrível assim, apenas uma figura feminina no final do corredor com longos cabelos pretos, pele pálida e um vestido branco. Se assemelha muito a maioria dos filmes de terror, e eu nem sei por quê. Só assisti dois em toda a minha vida, e um deles era sobre a Bloody Mary; quando eu tinha uns quatro anos, entrei no quarto onde minha irmã e meus primos estavam assistindo — eles amavam filmes de terror — e vi uma cena em que ela aparece no espelho após ser chamada. Fiquei extremamente perturbada, e sequer fui capaz de me olhar no espelho por meses. 
Até hoje eu tenho um certo receio de espelhos, mas digamos que isso passou. Essa mulher que aparece pra mim, eu não sei o que ela quer. Ela é a única que ainda permanece aqui. Eu a vejo pelo canto do olho quando estou deitada no sofá atenta ao celular, então eu meio que coloco o aparelho na frente do corredor e não a vejo mais. Quando eu tento olhar pra ela, ela some. 
Às vezes eu vejo uma criança idêntica a ela, que corria para o banheiro quando eu a olhava. Mas essa mulher está aqui, todas as noites. 
Uns anos atrás eu a temia mais do que tudo. Quando ia dormir, desligava a TV da sala e ia correndo até o quarto, atravessando o corredor o mais rápido que podia. Eu nunca a vi se não pelo canto do olho enquanto estou mexendo no celular, mas não era necessário vê-la. Eu a sentia. 
Enquanto eu corria, era como se uma respiração fria dançasse pela minha nuca. Era o suficiente para o meu corpo todo arrepiar. Quantas vezes atravessando aquele corredor eu senti alguém atrás de mim, ouvi passos... E quando tinha coragem para virar, lá estava: o grande nada. Gostaria de saber o que ela é, o que ela quer e por que ela não me deixa. Mas ela está aqui há tanto tempo, que eu já nem me incomodo mais. Eu apenas a ignoro com aquele esquema de colocar o celular tapando a visão do corredor. É bem simples. 

Por que as pessoas têm tanto medo? Ela nunca me fez nada. Os outros fizeram, eles me traumatizaram; mas sumiram. Já ela, apenas me assusta algumas vezes.  Não é tão grave assim. Ela sumiu. Eu posso ouvir a sua respiração pesada, o som de cada passo; mas ela não está mais aqui. 
Ainda sim, quando eu fecho os olhos, tudo o que eu ouço são gritos implorando por misericórdia, enquanto roda na minha mente a imagem dos cartazes pendurados nos postes, tão claros quanto sua pele jamais foi. 


Paira sobre mim uma lembrança não tão recente daquele pequeno corpo ferido sendo arrastado para o meu banheiro. E os gritos agonizantes soando como estacas furando a minha cabeça,  qualquer som que emitia me incentivava a rasgá-la cada vez mais. Eu vejo o sangue escorrendo pelo seu delicado vestido branco, seu cabelo completamente emaranhado, seus olhos piedosos
e seu choro sem fim. Eu sinto o toque de suas mãos tentando lutar, sua voz perdendo a força, seus olhos congelando, seu corpo sem reação.... Uma linda garotinha. Então eu abro os olhos e, finalmente, eu entendo porque ela sumiu. 
Ela sabia que não era o único monstro aqui. 

Autor: Mariana Marques
Revisão: Gabriela Prado


22/03/2017

Compilação de Falhas no Matrix 6 (3ª Edição Brasil)




Uma falha no Matrix é uma experiência que prova que há algo de errado no mundo ou em algum “lugar” do seu cérebro.  Aqui está o terceiro (talvez o último, talvez não) compilado de pequenas histórias ditas reais.

Nesta terceira edição Brasil, estou trazendo algumas falhas que aconteceram exclusivamente com pessoas Brasileiras! Todas eu peguei dos nossos maravilhosos leitores que se disponibilizaram a comentar nos outros posts de Falha no Matrix. Todos os nomes serão editados para preservar a privacidade de seus autores. Alguns relatos terão algumas edições na escrita, gramática e para não ficarem tão longas.

Espero que gostem!
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Há um tempo atrás enquanto eu estava esperando meus pais chegarem em casa e acabei dormindo deitado na cama de casal deles. Tenho certeza de ter olhado as horas, eram 22:16 quando eu desliguei meu Video Game. Acordei dentro do banheiro, no chuveiro ligado, usando roupas. Quando saí de lá, me sequei e coloquei roupas novas, o relógio marcava 21:30.

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Há cerca de um mês, eu estava lendo alguma coisa no meu celular e decidi ir me deitar na cama. O quarto estava todo escuro, mas a preguiça fez com que eu me jogasse na cama sem nem ao menos ligar a luz. Quando me atirei, estava com o celular na mão, mas quando “aterrissei” na cama, não estava na minha mão ou em nenhum lugar em minha volta. Liguei a luz e encontrei ele do lado da TV, na minha estante.

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Um caso não muito recente (cerca de três anos atrás) foi uma das situações que mais me deram dor de cabeça. Lembro que era um período de férias e a nossa família (quatro pessoas) estavam em casa. Por volta das sete e meia da manhã, minha mãe abriu a porta do quarto e perguntou para mim e para minha irmã se queríamos leite quente paro café. Respondemos que sim, sentando na cama. Ela disse que iria sair para comprar pão e que chamaria a gente quando o café estivesse pronto. Acordei quase 10h da manhã, com ela gritando e perguntando quem tinha deixado o fogão ligado, enquanto todo mundo ainda estava dormindo. Expliquei para ela que ela mesmo tinha vindo perguntar quem queria leite quente, e minha irmã confirmou. Mas minha mãe negou qualquer coisa, dizendo que havia acordada apenas agora, com o cheiro de queimado. Meu pai também afirmou que ela não tinha saído da cama até o momento.

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Eu estava sentada no sofá, mexendo no celular, quando vi minha prima entrando no meu quarto (que é uma suíte), acho que para tomar banho. Tudo bem, até porque ela estava dormindo num colchão perto da minha cama, como sempre. Então eu apenas voltei a fazer o que eu estava fazendo no celular. Depois de alguns pouquíssimos minutos, acho que nem cinco havia passado, eu vejo ela atravessando a minha frente como se ela nem tivesse entrado no quarto. Não me convenci quando disse que não tinha entrado no quarto e nem passado por mim. E mesmo que ela esteja mentindo, eu teria com certeza visto ela passar. Mesmo olhando para o celular, eu teria visto por cima do olho.

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Esses dias algo tenso aconteceu comigo e minha irmã. Vivo tendo pesadelos com um dos porões que tem na minha casa, sempre sonho que tem algo escondido ou "adormecido" lá, então na semana passada sonhei que estava lá dentro quando vi umas criaturas meio estranhas com olhos brilhantes. Não lembro tudo que aconteceu do sonho, sei que foi ruim e que agradeci ao acordar por ser só mais um pesadelo. No mesmo dia eu estava mexendo no PC quando minha irmã me disse que tinha tido um pesadelo com o porão. Já fiquei assustada e perguntei como tinha sido o sonho. Ela disse que havia sonhado que estava lá dentro e que tinha uma criatura bizarra que andava para trás e que havia mordido a cintura dela, na mesma hora ela acordou sentindo uma dor na cintura. Eu contei que também havia sonhado naquela mesma noite com o mesmo porão e ela ficou surpresa, aí eu disse que vivia sonhando com o porão e ela disse que também, e que sempre sentiu que tinha algo adormecido lá. Será que a coisa acordou?

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Eu estava no quarto da minha avó, não me lembro o porquê de ter estado lá, mas sabia que tinha que pegar algo. Era de tarde, então me aproximei da estante que ficava perto da cama e vi ali uma moeda de 25 centavos, mas o estranho era que é a forma como o número 5 estava, ele estava virado como se estivesse em um espelho. Quando contei para minha tia ela me disse que o 5 normalmente fica na forma que já conhecemos e me garantiu que eu imaginei coisas, e eu até tentei provar, mas quem disse que achei a moeda? À noite, não sei se foi no mesmo dia, na estante ao lado da televisão tinha outra moeda, acredito que era de 50 centavos e novamente o cinco estava daquela forma ao contrário, mas já sabendo que ninguém acreditaria em mim eu deixei para lá.

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Eu estava no quintal, minha mãe estava pedindo para que eu entrasse em casa mas eu não queria tomar banho pra poder brincar mais, foi nesse instante que peguei uma folha com três ramificações que sempre crescia por ali no meu pátio e desejei mentalmente "espero que minha mãe não me encontre", o estranho é: eu estava do lado dela e um pouquinho mais para frente, mas a minha mãe sequer olhava pra onde eu estava e dizia que se eu não aparecesse ia me bater, ela sequer moveu a cabeça na minha direção. Fiquei super desconfiada e resolvi "aparecer" e disse “estou aqui" e ela me viu.

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À noite, eu estava fazendo nebulização no quarto com o meu pai e a minha mãe, e sem motivo aparente meus pais ficaram como estátua, não como uma pedra fisicamente, mas eles ficaram meio que congelados, parados no tempo. Só o que eu conseguia ouvir era a máquina de nebulização que continuava a fazer o seu trabalho. Eu fiquei assustada e confusa, olhei para o meu pai e depois para a minha mãe pedindo mentalmente que parassem de brincar pois estava me assustando, mas pedir mentalmente parecia ser inútil. Não sei por quanto tempo isso durou, para mim foi uma eternidade muito incomoda. Eu parecia ser a única que não fora afetada por essa situação de ficar paralisada e tudo mais. Mas felizmente eles voltaram a se mover como se nada tivesse acontecido, e eu fiquei apenas com uma expressão apavorada e aliviada por aquilo ter acabado.

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Estava eu e minha mãe, segundo ela mesma porque eu era muito pequena para me lembrar, sozinhas na casa de aluguel e não sei se estava de dia ou a noite, mas acredito que meu pai estava no trabalho. Minha mãe estava assistindo TV em pé e de costas para uma janela e uma porta que ficavam lado a lado e eu estava no colo dela e de costas. Segundo ela, eu estava muito animada, risonha e inquieta sabe, subindo pela barriga dela toda empolgada. Minha mãe ficou "o que foi querida? Calma!" Dizia isso enquanto assistia TV e tentava me acalmar, mas não adiantou muito porque eu continuei, até que ela resolveu saber o motivo do porque eu estar assim. Quando ela se virou havia uma sombra preta em forma humana brincando daquela típica brincadeira, acho que era um "cadê o bebe, achou" porque ele se apoiava na divisória da janela com a porta e ficava fazendo um movimento da esquerda para a direita toda hora, e eu apenas ria. Minha mãe quase teve um treco e só o que ela fez, saiu correndo comigo no colo até a casa da minha avó.

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Vou contar uma coisa que aconteceu comigo quando era pequena. Uma vez, estava sem nada para fazer então decidi ficar olhando diretamente para o espelho para ver se acontecia alguma coisa. Após alguns segundos comecei a me perguntar se aquilo que eu estava vendo era realmente real, se eu não era um fruto da imaginação de alguém, que não verdade eu não existia e etc. Após isso comecei a sentir uma sensação muito estranha, minha visão ficou desfocada, e eu não sentia nada. Era como se não estivesse ali, eu tocava o meu rosto e não o sentia. Parecia que eu tinha saído do meu corpo e agora estava me vendo, olhando no espelho, e tinha algo me controlando. Fiquei muito assustada mas consegui sair daquilo e nunca mais tentei. Minha avó, que estava num local próximo disse que eu fiquei uma hora olhando para o espelho, sem me mexer, mas para mim pareceu poucos segundos. Nunca mais tentei, mas tenho curiosidade para saber até onde vai. Até hoje me pergunto, eu existo? Ou sou uma mera ilusão?

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Eu tenho sérios problemas com sonhos. Passei um tempo viciado em sonhos lúcidos e uma época os tinha sempre. Certa vez já tinha tomado consciência do sonho, mas tudo se passou de maneira tão real que me convenci de que era (sério, a passagem de tempo, os acontecimentos eram todos muito convincentes) acho que no sonho passou uns cinco anos. Mas tudo era muito real. Quando acordei foi muito esquisito demorei um tempo para me acostumar.

E outra vez eu tive cinco camadas de sonhos. Cada uma delas mais bizarra e estranha. O esquisito é que em todas eu sabia que estava sonhando, mas sempre que fazia algo para acordar, só acordava em outro sonho. Foi tão angustiante que quando realmente acordei passei o dia inteiro tentando me convencer de que era realidade.

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Fui em um cyber jogar videogame de tarde. Depois fui para casa. No dia seguinte peguei o ônibus para visitar o meu pai. Quando passei na frente do mesmo cyber, lá estava alguém muito parecido comigo, no mesmo lugar que eu estava e usando a mesma roupa que eu estava no dia anterior. E eu acho que a hora em que eu passei lá foi a mesma.



21/03/2017

Papai, tive um pesadelo

 - Papai, tive um pesadelo.
Você pisca os olhos e levanta os seus cotovelos. Seu relógio pisca uma luz vermelha no escuro – são 3:23 da manhã.
 - Você quer se deitar na cama e me contar mais sobre esse pesadelo?
 - Não, papai.
A estranheza da situação te acorda mais rapidamente. Você quase não consegue distinguir a forma empalidecida de sua filha no escuro de seu quarto.
 - Por que não, querida?
 - Por que no meu sonho, quando te contei sobre o sonho, a coisa que vestia a pele da mamãe se sentava.

Por um momento, você fica paralisado; você não consegue tirar os olhos de sua filha. Então, as cobertas atrás de você começam a se mexer...

Nota: Como a creepy original não tinha título, coloquei a primeira frase da história como título.



20/03/2017

Raizes da Mudança



19 de Novembro de 2016

As luzes no céu eram uma distração. Nós devíamos ter olhado para baixo. 

20 de Novembro de 2016

Em questão de dias, os seguintes termos terão significado para todos no mundo:

Aquilo que cresce em nossos calcanhares.

Aquilo que sente o gosto de nossa pele.

Aquilo que enche os nossos poros.

O que esvazia.

21 de Novembro de 2016

Laura está morta. Gus está morto. Mohammad está morto. Nes também. 


22 de Novembro de 2016

Aonde alguém pode ir quando todos os lugares são uma armadilha esperando para ser armada? Sinto como se eu estivesse andando por um campo eterno de minas terrestres, onde casa passo tem o potencial de ser o meu último. Todos estão olhando para os céus com esperança em seus olhares. Todos irão morrer. 

23 de Novembro de 2016

Nós não devíamos ter procurado por eles. 


24 de Novembro de 2016

Roger está morto. Ele está aqui em minha frente de pé. 


25 de Novembro de 2016

Aquilo que cresce dos calcanhares de Roger já chegou aos tornozelos e coxas. Seu pescoço ainda está voltado para o céu e seu sorriso ainda está em seu rosto. Sua mascara de morte é de esperança e surpresa. Seu corpo está sendo digerido enquanto de pé. 


26 de Novembro de 2016

O último do nosso grupo recebeu uma mensagem do outro lado da base. Todos ainda estão em silêncio. Eu me recuso. Mesmo que eu esteja morto quando isso for publicado, as pessoas ainda poderão dizer que receberam algum aviso. 

Talvez seja tarde demais. 


27 de Novembro de 2016

Dr. Franklin está morto. Foi levado enquanto estava no chuveiro. Fui chamado para verificar a causa de sua morte, como se fosse possível ser alguma outra coisa além do óbvio. Ele estava enraizado ao chão e continuavam a crescer pelo piso. Enquanto assistia, seus tendões de aquiles romperam e caíram por cima de seus calcanhares. Ele não caiu. O crescimento parece estar mais rápido agora. Suas pequenas línguas se remexem pela pele dele. 

28 de Novembro de 2016

Laura, Gus, Mohammad, e Nes começaram a sofrer da fase dois. Seus poros estão se esticando. Os caules estão começando a sair para fora. Podemos ver as entidades movendo por seus corpos. A quantidade de pressão que a pele humana consegue suportar é um mistério. Espero morrer antes de descobrir. 

Mohammad se conectou com Gus. Laura e Nes estão crescendo longe do grupo. Gaivotas estão morrendo. 

29 de Novembro de 2016

Roger se conectou com Dr. Franklin através de um espaço de 230 metros. Aparentemente não existe material forte o suficiente nesse planeta para bloquear a conexão depois que já se iniciou. 

Ambos Roger e Franklin entraram na fase dois, muito mais rápido que os outros. 

30 de Novembro de 2016

As erupções do solo estão alcançando os céus para capturar pássaros. Começou com alguns na vizinhança do grupo de Laura/Gus/Mohammad/Nes, mas espalhou pela ilha inteira. O ponto de ruptura mais alto parece ser de mais de um quilometro. 

1º de Dezembro de 2016

Uma de nossas embarcações descobriu uma baleia azul a 15 metros d a superfície. O animal estava enraizado. Outras investigações mostraram que uma faixa de 600 metros abaixo da baleia também tinha raízes. Alguns dos afetados atingiram a fase três.


02 de Dezembro de 2016

Todos os mortos na ilha entraram na fase três. As entidades estão esvaziando os poros e transformando o solo abaixo. Os pássaros que tinham sido enraizados durante voo estão chovendo a substância no chão e na água abaixo. A nova biologia está começando a tomar conta. Está ficando mais difícil de respirar.


03 de Dezembro de 2016

O primeiro relatório de enraizamento no continente chegou durante a noite. Não há mais nada a fazer senão esperar. Se as luzes te satisfazerem, apenas continue assistindo-as. Apenas aproveite o momento pelo tempo que puder. Eu sinto muito.
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Escito por/ Written by UnsettlingStories.com


17/03/2017

Creepypasta dos Fãs: Culpa

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Acho o ser humano uma coisa extremamente engraçada.. Mais pro modo “rir pra não chorar” do que pro modo “cômico”. Acho patético o jeito como reprimem seus desejos e suas vontades em nome do “bem maior”, mas quando desmoronam e acabam sucumbindo, eles culpam a mim. Sim, você sabe bem quem sou eu, você finge que eu não tenho poder sobre você, finge que eu sou fraco quando, na verdade, eu te tenho na palma da minha mão.  

Acho ridículo como pregam nas igrejas que “a culpa daquele pobre homem ter matado a esposa e os dois filhos foi do demônio, o demônio estava dentro do corpo do homem”. HAHAHAHAHAHAHA, ISSO É RIDÍCULO! Eu não coloquei a arma na mão dele e fiz com que ele puxasse o gatilho, estourando os miolos daquela mulher e daquela pobre criança loira de olhos claros que brincava com seu urso de pelúcia. Ele QUIS fazer aquilo por livre e espontânea vontade.

Eu digo isso porque eu conheço as suas mais profundas emoções, aquelas mais obscuras que você deseja não sentir, mas sente. Você é fraco e você se agarra em sua religião porque sabe que se não se agarrar em algo, aquelas emoções tão obscuras que você pede a deus para afastar, irão se preencher e acabar sobressaindo-se. Eu sou mal compreendido e sempre foi assim. Já parou pra pensar por que eu fui expulso? Por que fui lançado igual a escória de lá de cima? Por que eu vim parar no meio de seres tão asquerosos e patéticos que não tem coragem de admitir suas próprias vontades? Seres que mentem, roubam, matam, se destroem....

EU VIM PARAR AQUI POR CAUSA DE VOCÊS! PORQUE EU AMAVA DEMAIS MEU PAI E NÃO QUERIA DIVIDIR MEU AMOR COM VOCÊS, EU AVISEI DESDE O COMEÇO QUE VOCES SÓ TRARIAM DESGRAÇA, MAS ELE DISSE “NÃO, ELES TRARÃO AMOR, PAZ, SOCIEDADE, SERÃO O FUTURO MAIS GLORIOSO QUE UM PAI PODERIA QUERER”. HAHAHAHAHAHA ISSO É UMA PIADA! Será que ele já fugiu de vergonha da desgraça que ele criou? Ele tinha se orgulhado tanto do mundo que havia criado, do quão lindo e perfeito era... Será que ele ainda se orgulha de ter populado esse mundo com vermes tão nojentos como vocês?
Sabe, eu acredito que ele tenha fugido de vergonha, mas eu estou aqui, observando tudo, sentindo tudo, me deliciando com a hipocrisia de vocês. Eu nunca matei ninguém, tampouco coloquei a arma não mão de alguém para que assim o fizesse. Nunca coloquei a cocaína nas narinas daquele pobre viciado, nem nunca coloquei mulher alguma na frente do homem casado para que se deitassem ou vice e versa. O desejo já existia dentro de cada um de vocês.


Foi como no inicio dos tempos, no jardim. Eu nunca coloquei a maça na boca de Eva para que a provasse, eu apenas dei alternativas. A vontade partiu de seu interior, e ela gostou tanto do que sentiu que fez com que seu parceiro Adão a provasse também. 

O que eu faço é sentar e assistir. Eu assisto enquanto aquela esposa trai o marido, assisto enquanto aquele marido descobre e enfia uma bala na cabeça daquela esposa. Assisto enquanto o filho desse pobre casal cresce sem mãe e com um pai na cadeia, assisto enquanto cresce com ódio, enquanto seu ódio o domina por dentro... 

Eu estou lá apenas observando e mostrando os caminhos. Ele sempre teve e sempre terá o livre arbítrio. Eu assisto enquanto ele pratica a violência devido ao ódio pelos acontecimentos de sua infância, enquanto ele mata, rouba, estupra, se droga e quando ele finalmente chega ao fundo do poço sem esperança ou perspectiva de vida... E aí eu decido levantar e estender-lhe a mão para leva-lo a um lugar maravilhoso. E eu prometo, eu farei isso com cada um de vocês.

Autor: Caíque Franco
Revisão: Gabriela Prado


Creepypasta dos Fãs: Olá

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Olá! Eu sou o Mike, Mike Smith. E bom, eu morri. Morri há um ano e meio, e para ser sincero, eu nem lembro o motivo, mas lembro da vida que eu tinha. Minha vida era basicamente acordar cedo todos os dias e tomar um leite quente, acariciar o meu gato, ainda usando minhas pantufas, e ligar para a minha mãe, que era de outra cidade. Eu amava a voz dela, era tão, tão, tão doce! Eu amava seus cabelos ruivos e, quando pequeno, amava acaricia-los.

Sabe, pelo menos aqui onde eu "vivo" agora, eu não posso ver o sofrimento cujo ela passa com minha morte, já que eu era seu único filho. E pra ser sincero, eu nem conseguiria, me daria náuseas. Mas como todos os lugares, sempre há os pontos negativos, e os daqui com certeza são o calor do fogo contra minha pele, os gritos aterrorizantes e agonizantes e as criaturas grotescas que aqui habitam. 

De uma coisa eu sei: Aqui não é o céu.

Autor: Mary Dixon
Revisão: Gabriela Prado

16/03/2017

Uma história realmente pequena

Uma garotinha está brincando em seu quarto quando ouve sua mãe a chamar da cozinha, então ela corre escada abaixo para encontra-la.

Conforme ela está correndo pelo corredor, a porta do armário debaixo da escada se abre, e uma mão sai e puxa a menina para dentro. É sua mãe. Ela sussurra para a filha:

- Não vá até a cozinha, eu também ouvi.



15/03/2017

Minha família vem sendo perseguida há 4 anos (PARTE 2)

(PARTE 1)

Long Lake é uma cidadezinha cheia de cabanas onde as pessoas vão para passar as férias; acho que não existem moradores fixos. As pessoas que trabalham no mercado e restaurante de lá normalmente moravam em uma cidade que ficava a uns 30 Km. Mas no fim do verão, haviam pouquíssimas pessoas por lá, se é que haviam. Quando chegamos em nossa cabana, nosso vizinho que conhecíamos há muitos anos, um senhor de idade chamado Floyd que passava ali as férias junto dos netos, estava arrumando suas coisas para voltar para casa. Aparentemente, tinha passado três semanas ali naquele ano, duas semanas a mais do que habitual. Mas sozinho. Seus netos estavam se sentindo "velhos demais" para passar o verão lá. Fiquei triste por Floyd, eu sabia o quando ele ficava empolgado por aquela semana perto de seus netos.

Depois de apresentar Roscoe para o nosso vizinho de verão, nos despedimos de Floyd, que prometeu voltar ano que vem mesmo que sozinho. Minha esposa e meus filhos começaram a tirar as coisas do carro enquanto eu ia destrancar a cabana. Antes de chegar na porta, fique ali, olhando para o lago e respirando uma boa lufada de ar fresco do campo. Senti um peso sendo tirado de meus ombros só por estar ali, saber que não teria que me preocupar todos os dias se receberia mais um desenho da minha filha pelo correio. Me sentia verdadeiramente em paz, mesmo que por alguns minutos. Entretanto, aquela paz sumiu no momento em que eu abri a porta da cabana. Já estava destrancada. Sim, existem chances de não ter sido trancada no ano passado. Eu não tinha motivo para suspeitar de outra possibilidade a não ser essa, mesmo com tudo que acontecera. O homem misterioso não tinha como saber onde ficava essa cabana, muito menos ter chego lá antes de nós. Durante a viagem eu fiquei cuidando cautelosamente se estávamos ou não sendo seguidos. Só para ter certeza.

Abri a porta da cabana e o ar era pesado e úmido. Havia uma fina camada de poeira em cima de tudo que eu via, amplificado pelos raios de sol que vinham das janelas. Tudo estava exatamente como no ano anterior. Respirei com mais calma, aceitando o fato que provavelmente fora o eu do passado que fez com que o eu de agora se preocupasse tanto por alguns segundos. Andei até o quarto principal e liguei os disjuntores e assim fez-se a luz. Minha família entrou na cabana, meus filhos com os olhos arregalados de excitação. Correram para o outro quarto, o que tinha o beliche e imediatamente começaram a brigar sobre quem ficaria com a cama de cima. Minha esposa foi novamente na rua pegar mais algumas malas e mochilas, enquanto isso eu ia ligando o registro da água. Saber que a luz e a água estavam funcionando me deixou com paz de espirito; significava que ninguém estivera usando-os nos últimos tempos, assim como evidenciava a poeira nos moveis.

Tudo ocorreu bem no primeiro dia. Nos ajeitamos na casa, adiei o aparar da grama para o dia seguinte. Andamos de quadriciclo e jogamos jogos de tabuleiro. No dia seguinte, levei minha família para um lugar do outro lado do lago onde levávamos as crianças todos os anos. Tinha uma pracinha, e uma praia de verdade. Havia pequenos piers que agora minha filha já era velha o suficiente para brincar com minha esposa, enquanto meu filho ficava na beira do lago tentando pegar peixinhos com as mãos. Fizemos cachorros quentes e comemos bem, ficamos lá até o sol se por. Meu plano era cortar a grama quando voltássemos, mas quando estacionamos na pequena área verde que usávamos de garagem, notei que a grama estava recém cortada. Meu coração mais uma vez foi parar no estômago.

Minha esposa comentou que algum vizinho devia ter nos prestado um favor e seguiu com seus afazeres. Olhei em volta e todos os outros gramados que via não estavam cortados. Eu sabia bem quem havia feito aquilo. Bem, não exatamente quem, mas sabia. Fiquei realmente confuso sobre os motivos que levavam esse perseguidor fazer o que fazia. Até agora, ele havia nos dado um cachorro que agora era um membro da família e depois cortado a grama da nossa cabana? Uma parte de mim estava quase considerando apenas aceitar o que estava acontecendo, pois parecia inofensivo. E esse sentimento só cresceu quando nada de ruim aconteceu no dia seguinte. Mas então o quarto dia chegou.
Era por volta das sete da manhã, e minha esposa abriu a porta para Roscoe dar uma corrida lá fora e usar o banheiro. Ela amarrou sua coleira em um poste feito especialmente para ele, e depois entrou para casa para preparar o café da manhã. Roscoe aprendia rápido, e nesse pouco tempo que estava com a gente, ensinamos a fazer algumas coisinhas. Uma delas era latir quando estivesse pronto para entrar para casa. Minha esposa preparou o café da manhã, eu acordei as crianças e sentamos para comer. Foi só quando estávamos terminando de comer que Katie perguntou onde estava Roscoe. Estranho, pensei, não ouvi ele latindo para dizer que estava pronto para entrar. Achei que apenas estava se explorando e se divertindo bastante na natureza. Falei para Katie que a mamãe tinha levado para fora e já iria buscá-lo. Nada poderia ter me preparado para o que eu vi quando sai da cabana.

Roscoe estava no chão, e sua garganta tinha sido grotescamente cortada, o corte era tão absurdo que estava quase decapitado. Depois, do corte da sua garganta, havia outro feito na vertical que iam até seus testículos, e todos seus órgãos haviam sido retirados e colocados do lado de seu corpo sem vida. Seu sangue estava empoçado embaixo de seu pequeno cadáver. Senti que ia vomitar. Corri até ele e olhei seus ferimentos. Deu para perceber que havia sido feito por uma lâmina, não tinha como ser um ataque de algum outro animal. Antes de fazer qualquer coisa, corri para dentro da cabana e falei para minha família não sair nem olhar pelas janelas. Voltei para rua antes que pudessem fazer perguntas.

Enquanto as lágrimas escorriam pelo meu rosto por conta de que teria que fazer, comecei a cavar um buraco para Roscoe. Gentilmente coloquei-o no buraco e acariciei sua orelha macia uma última vez. Eu realmente gostava dele, não importava sua origem. Enchi a cova de terra e depois coloquei a pá de volta no galpão. Não sei como não havia notado quando fui buscar a pá, mas do lado do galpão havia algo escrito, como que parecia ser o sangue do próprio cachorro.

Apenas dizia "CÃOZINHO BONZINHO"

Apaguei a mensagem antes de voltar para dentro da cabana. O tempo todo eu ficava tentando explicar o que havia acontecido. Eu sentei com meus filhos e expliquei que enquanto estávamos dentro de casa, um outro animal, um bem maior que Roscoe, tinha brigado com ele e machucando-o a um ponto que teve de ir para o céu dos cachorrinhos. Minha esposa e meus filhos choraram, e eu também. Nenhum de nós conseguia acreditar que tínhamos acabado de perder o mais novo membro da família. E então, com isso, mandei todos arrumarem suas malas porque não era seguro ficar ali com um animal tão perigoso à solta.  Eles respeitaram minha decisão, e dentro de uma hora já estávamos na estrada.

Paramos em um posto de gasolina na saída de Long Lake para abastecer, pegar alguns lanches e usar o banheiro antes de embarcar na nossa viagem de quatro horas. Todos entramos juntos na loja de conveniência e, felizmente, fui o primeiro a sair. Vi pelas portas transparentes da loja: um envelope colocado no para-brisa do meu carro. Corri até ele com esperança de pegá-lo antes que minha esposa visse. Consegui isso com sucesso, e imediatamente olhei em minha volta para ver se via alguém. Ninguém. Não havia nem uma pessoa sequer. Nenhum carro saindo dali, e ninguém a pé que eu pudesse ver. Eu até fiz a volta no posto de gasolina e depois chequei dentro da loja também, e não achei ninguém que já não estivesse lá dentro antes. Eu queria pedir para os funcionários me mostrarem as câmeras de segurança, mas dando uma olhada em volta percebi que o lugar não tinha nenhuma. Além do mais, eu não queria que minha esposa soubesse do envelope que acabara de receber.

Esperei meu filho sair do banheiro e pedi que todos me esperassem dentro da loja. Entrei no banheiro, abri o envelope e tirei lá de dentro um papel dobrado no meio. Esse desenho era um de nossa casa, que Katie havia feito uma semana antes de começarmos nossa viagem. Lembro disso porque eu coloquei-o em nossa geladeira com um imã logo depois dela terminá-lo, mas então ela havia o pego de volta para botar junto com seu "portfólio". Esse retratava nossa família na piscina de nosso quintal. O desenho adicional nesse era o mesmo homem feito bruscamente, atrás da cerca, com vários presentes embrulhados em sua volta. Novamente, havia uma coisa escrita atrás da folha. "Somos uma familha felis :)".

Eu não sabia o que pensar daquele desenho. Minha família e eu tínhamos usado nossa piscina diversas vezes naquele verão, até depois do primeiro incidente quando eu estava 100% alerta. Eu tinha certeza que não havia ninguém nos espionando. A única alternativa que pude pensar era que o homem estava usando a piscina para ilustrar o lago em que tínhamos estado no dia anterior, e que a cerca eram as árvores que envolviam a clareira, de onde podia ter ficado nos vigiando. Seja qual fosse o caso, eu dobrei, coloquei em meu bolso e saí com a minha família dali. Para voltar para casa, peguei estradas secundárias e alguns atalhos que não fossem na rodovia principal, algo que deixou minha esposa bastante confusa. Falei que era para testar uma coisa no carro, mas obviamente era um jeito de ter certeza que ninguém estava nos seguindo. Novamente, não achei evidências disso.

Quando cheguei em casa, a primeira coisa que fiz foi cobrir a piscina e "interditá-la" pelo resto do pouco que sobrara do verão, algo que aborreceu um tanto minha família. Inventei uma mentira sobre o aumento de nível da água durante nossa ausência; algo que não fazia muito sentido mas encerrou-se o caso.

Eu queria contar para minha esposa o que estava acontecendo. Eu realmente queria, mas nesse ponto, achei que já havia escondido tantas coisas que o foco dela não seria no fato de estarmos sendo perseguidos e sim que eu estava omitindo coisas para ela. Então continuei deixando isso só para mim. Eu era o protetor desta família, e eu faria jus a esse cargo. Não era algo que eu não conseguiria lidar sozinho, falei para mim mesmo. Pensado agora, eu poderia ter usado uma ajuda ou outra.



EM BREVE: Minha família vem sendo perseguida há 4 anos (PARTE 3)


FONTE: NC

Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigada! Se gostou, comente, só assim saberemos se vocês estão gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião!


14/03/2017

Anotações (Final)

15 de janeiro/ 06:20  
É triste ficar sozinha nessa casa, meu amigo corvo só aparece a noite e durante o dia brinco com minhas bonecas. Mamãe está na cozinha fazendo o jantar, meus irmãos não param de chorar, ainda posso ouvi-los.

16 de janeiro/ 23:00
Mamãe sumiu outra vez, não sei como ela saiu e entrou no poço, a tampa é pesada e não tem como escalar as paredes, é impossível.
(00:00). Meus irmãos estão chorando, o corvo me disse que o poço nunca vai secar, suas lagrimas o manterão sempre cheio e assim nunca vai faltar água.

17 de janeiro/09:41
Mamãe está assistindo TV, mamãe está comendo biscoitos, mamãe está rindo, mamãe deixou o volume da TV no volume máximo, meus ouvidos doem, meus olhos doem, tudo dói.

18 de janeiro/ 02:22
O corvo quer biscoitos, preciso fazer alguns e entregar a ele; não podemos deixar que sinta fome ou sede.
(03:50). Meu amigo disse que as contas estão empilhadas, são contas muito caras, são contas que mamãe não pode pagar.

19 de janeiro/ 10:10
A vizinha veio aqui agora pouco e perguntou onde estavam os meus irmãos, a levei para visitá-los. Estão todos felizes, estão todos flutuando, a vizinha também está segura.

20 de janeiro/07:00
Cortaram a luz, cortaram a água, mas não me importo, o poço está cheio e nunca vai faltar água..

21 de janeiro/ 23:14 
O corvo comeu os restos de comida que estavam na geladeira essa noite não vai ter jantar, nem migalhas sobraram, vamos dormir com fome.

22 de janeiro/ 00:00
Mamãe está bonita, mamãe está se olhando no espelho, eu estou bonita, mamãe está bonita, eu estou bonita.

23 de janeiro/ 02:59 Meus filhos vão adorar os biscoitos que mamãe fez, vou jogar os biscoitos no poço. Eu fiz com amor..



13/03/2017

Anotações

Janeiro de 2000, Texas. 

1 de janeiro/12:15
Mamãe comprou uma casa nova, eu e meus irmãos estamos felizes, nossa casa antiga tinha muito mofo e as janelas sempre tinham que estar abertas; não gosto muito, os ventos bagunçam o meu cabelo. Nós vamos nos mudar amanhã, preciso fazer as malas e guardar as minhas bonecas na caixa que a mamãe me deu.

2 de janeiro/09:10
Finalmente chegamos, a casa parece uma casinha de boneca feita de madeira, é pequena e aconchegante, é toda branca e tem uma escadinha rosa na frente, a casa é um pouco alta, tem um assoalho antigo. Só temos dois quartos, um banheiro pequeno e uma cozinha espaçosa, também tem um gramado e uma portinha que dá embaixo do assoalho, mamãe disse para não abrirmos a porta.

3 de janeiro/19:00
É a nossa primeira noite aqui, mamãe está na cozinha fazendo biscoitos enquanto eu e meus dois irmãos estamos comendo uma tigela grande de sucrilhos, só estou dando o leite para eles. Acho melhor fechar a janela, está começando a ventar lá fora.

4 de janeiro/06:45
Mamãe saiu para ir no colégio mais próximo, gostaria de voltar a estudar o quanto antes, os meus irmãos ainda são muito pequenos para estudar, mamãe precisa de um emprego também, as contas logo vão chegar.

5 de janeiro/20:34
Ainda não tem vaga na escola, vou ter que ficar um tempo sem estudar, mas posso brincar bastante enquanto isso, ainda preciso tirar as minhas bonecas da caixa e pôr na prateleira perto da porta. Sinto cheiro de frango frito vindo da cozinha..

6 de janeiro/00:00
Tive um pesadelo, não consigo dormir, sonhei com água, estava muito escuro, mas eu sentia a água me molhando, vou fazer uma oração e tentar dormir de novo, espero que dê certo. Minha mãe já dormiu, acho melhor não ir até o quarto dela.

7 de janeiro/11:11
Mamãe estava chorando, não consegue emprego em lugar nenhum, estou com medo de não termos o que comer.

8 de janeiro/ 22:14
Mamãe disse que não vamos mais ligar a torneira e nem o chuveiro, vamos usar a água do poço que fica embaixo de assoalho. Ela disse que não devemos ir até lá, é perigoso.

9 de janeiro/ 00:00
Acordei com a voz da mamãe me chamando, mas quando fui até o quarto ela estava dormindo, acho que foi só um sonho, meus irmãos também estão dormindo no berço. Escutei de novo alguém me chamar, tem um barulho saindo do assoalho.

10 de janeiro/13:00
Mamãe está lavando a louça do almoço, a geladeira está cheia, minha mãe disse que a vizinha deu alguns alimentos para nós. Gostaria que a minha mãe tivesse um emprego.

11 de janeiro/00:30
É frio aqui embaixo, tem um corvo na tampa do poço e ele parece estar com frio; dei a ele umas migalhas de biscoitos que estavam no bolso do meu vestido, mas, ele se assustou e voou.

12 de janeiro/ 17:05
A cozinha está suja de sangue, meus irmãos não estão mais no berço e minha mãe deixou a torneira aberta.

13 de janeiro/23:50
A torneira ainda está aberta, tem água por toda parte.  Meu amigo corvo disse que a mamãe e os meus irmãos estão seguros lá e que eu não posso deixá-los sair, aqui fora não é seguro, e é por isso que essa tampa jamais vai sair daqui.

14 de janeiro/ 03:00

Estão todos flutuando, nenhum deles reclama mais do frio agora. Estão todos seguros.. 

(Autor: Andrey D. Menezes.)


10/03/2017

A noite em que conheci Tommy Taffy (+18)

ATENÇÃO: ESSE CONTO E/OU SÉRIE ESTÁ CLASSIFICADO COMO +18. PODE CONTER CONTEÚDO ADULTO E/OU CHOCANTE. NÃO É RECOMENDADO PARA MENORES DE IDADE E PESSOAS SENSÍVEIS. PODE TER ACIONADORES DE GATILHOS E/OU TRAUMAS SOBRE ABUSO SEXUAL E INFANTIL. LEIA COM RESPONSABILIDADE. 

SE AINDA NÃO LEU OS CONTOS RELACIONADOS, LEIA PARA ENTENDER MELHOR A SÉRIE:

1- O Novo Membro da Família (+18)
2- O nome dele era Tommy Taffy (+18)
3- Os Gêmeos de Tommy Taffy (+18)

***

Sendo um policial, vi diversas coisas durante meus anos de serviço. Muitas coisas terríveis, doentias. Coisas que te fariam reavaliar se realmente ainda existe um lado bom na humanidade. Coisas que carreguei comigo por anos, que jamais esquecerei. Vi atos de crueldade humana que excedem qualquer história de terror que possa imaginar. Mas existe um incidente que está acima de todos. Um que vem me assombrando por anos e anos, que são a fonte de todos meus pesadelos. Um incidente que faz eu perder o ar por alguns segundo só por estar relembrando. Algo que me aterroriza até hoje.

A noite em que conheci Tommy Taffy.

24 de Julho de 1987. 

"Merda, temos um chamado na rua Tenner," meu parceiro Henry falou, se inclinando sobre o assento do motorista e abrindo a porta para mim.

Equilibrei os dois cafés em minhas mãos e me abaixei para entrar, deslizando para trás do volante. Passei para ele um dos copos descartáveis fumegantes e suspirei profundamente.

"Maravilha. E eu achando que seria uma noite tranquila. O que vamos encontrar lá?"

"A rádio informou que uma menininha ligou, algo relacionado a perturbação domiciliar," Henry respondeu, tomando um gole cauteloso da bebida fervente. 

"Fantástico. Adoro me meter no meio de briga de casal," suspirei. 

Coloquei meu café no porta copos e liguei as luzes da viatura, sai do posto de gasolina, e fui para a rodovia. Enquanto dirigia, batucava ansiosamente meus dedos contra o volante. Já tínhamos passado por diversos chamados como aquele, mas toda vez eu sentia meu coração acelerar. Disputa doméstica sempre queria dizer que alguma das partes estava fora de controle. Fora de controle significava imprevisível. E imprevisível significava perigo.

Depois de alguns minutos, Henry apontou para a noite.

"Lá que fica a Tenner."

Virei o volante, "Vamos lá."

A estrada estava escura e silenciosa, uma linha reta de casas pequenas ajustadas em terrenos de um quarto de acre. Conferi o endereço e estacionei em frente a uma residência pequena de dois andares que ficava no final de uma rua sem saída. Dei uma sondada nos arredores da casa, procurando por vizinhos curiosos. A rua estava parada e vazia. Saí da viatura, com o ar quente de verão acariciando meu rosto, ajustei meu chapéu. Henry fez a mesma coisa do outro lado do carro, trocando olhares rápidos comigo.

"Não ouço nada," sussurrou, observando a parte da frente da casa. As cortinas estavam fechadas, mas podíamos ver luzes acesas.

"Provavelmente viram as luzes vermelhas e azuis piscando e calaram a boca," bufei, andando até a calçada. Henry se juntou a mim e fomos marchando até a porta da frente.

"Quer ter as honras?" Henry perguntou, balançando a mão em direção da porta.

"Você sabe como mimar um cara," falei, levantando meu punho e batendo na porta.

"Polícia! Por favor, abra a porta!" Anunciei. 

Ficamos parados na porta enquanto alguém se movia lá dentro, o som dos passos secos se aproximando. Houve um momento de silêncio e achei que ouvia a voz de alguém falando, uma voz masculina. 

"Polícia! Por favor, abra a porta!" Repeti, batendo mais uma vez com meus nós dos dedos contra a madeira.

Mais silêncio, seguido de uma conversa abafada.

Finalmente, a porta abriu com um rangido.

Uma mulher nos espiou por uma fresta, o pouco que pude ver de seu rosto estava ruborizado. 

Henry tocou a ponta do próprio chapéu, "Boa noite, senhora. Temos queixas de briga domiciliar.... Poderia por favor abrir a porta?"

"Está tudo bem aqui," Falou rapidamente, seus olhos movendo de mim para Henry. "Só nos deixe em paz. Estamos bem." 

Coloquei uma mão na porta, com a voz séria, "Senhora, podemos falar com o homem da casa?"

E então soou uma voz lá de dentro, calma e controlada, quase em tom de divertimento.

"Tudo bem, Mary, deixe que entrem."

Tremendo, umedecendo os lábios, deu um passo para trás e abriu a porta. Entramos e percebemos como ela estava desarrumada. Seu cabelo era uma bagunça, suas bochechas estavam vermelhas e suor brotava em sua testa. 

E parecia totalmente apavorada.

Nós tiramos nossos chapéus e demos um sorriso seguro enquanto fechava a porta atrás de nós. 

"Boa noite, senhores."

Me virei para olhar para a sala de estar e, por um segundo, meu coração parou.

Um homem estava sentando no meio da sala em uma cadeira. Mas... não era um homem. Sua fisionomia não era natural, quase alienígena. Um sorriso revelava dentes que não eram dentes, apenas uma coluna branca sem divisórias dentro de sua boca. Seu nariz era apenas uma leve protuberância no centro de seu rosto e seus olhos eram de um azul brilhante. A pele era perfeita, sem poros, e sem nenhum defeito. Os cabelos eram loiros e cortados curtos e os braços estavam cruzados por cima da camiseta que dizia "OI!" em letras vermelhas infantis.

Imediatamente me lembrou de um boneco, mas... não exatamente.

"Parece que temos um desentendimento," O homem falou, sem se mover.

Henry me olhou com um olhar que dizia que estava tão perturbado com aquele cara quanto eu. Limpou a garganta e deu um passo à frente. 

"Recebemos uma ligação dizendo que estava acontecendo algum tipo de discussão aqui. Só passamos para conferir, ter certeza que está tudo bem."

O homem sorriu largamente, "Mary e eu tivemos um pequeno desentendimento. Nada que valha envolver a polícia." 

"Qual seu nome?" Perguntei. Não conseguia afastar aquela sensação, de que um dedo gelado estava sendo passado por minha espinha.

"Meu nome é Tommy Taffy."

Coloquei meu chapéu novamente, "Ok, Tommy, você é o marido desta mulher?"

Tommy levantou o dedão e passou lentamente pelos lábios, o sorriso aumentando.

Henry levantou uma sobrancelha, "Senhor?"

"Ele não é meu marido," A mulher atrás de mim sussurrou em um tom tão baixo que achei ter imaginado aquela voz. Me virei e a vi, Mary, encostada no corrimão da escada, pálida como um punhado de neve. 

Henry foi até ela e pôs a mão em seu ombro, "Senhora, está se sentindo bem? O que houve?"

A voz dela ficou ainda mais baixa, os olhos avermelhados arregalados, "Tirem... ele... da... minha... casa... por favor."

Sirenes começaram a tocar na minha mente e me virei de volta para Tommy, dando um pulo quando o vi. Ele havia se levantado e agora estava bem na minha frente, aquele sorriso ainda grudando em seu rosto. 

"Ela está chateada no momento, ” falou suavemente, sua voz como uma faca quente contra manteiga, "Ela não quis dizer isso."

Olhei para Henry e percebi que ele estava sentindo o mesmo que eu. Algo naquela situação, no homem estranho, no terror gravado nos olhos da mulher, estava errado, muito errado. O dedo gelado contra minha espinha estava se transformando em uma garra afiada. 

"O que você fez com minha filha?" A mulher sibilou para Tommy.

"Senhor, de um passo para trás," Falei, colocando a mão sobre o coldre. Filha? Seria essa a menina que ligou para a polícia?

Tommy levantou as sobrancelhas quando vi meu gesto, "Passo para trás? Policial, estou cooperando e tentando resolver essa situação." Ele olhou para a mulher, "Só quero voltar a vida normal com a minha família."

Henry colocou a mão no peito de Tommy e gentilmente afastou-o de mim, "Senhor, eu vou ter que pedir para você se sentar até resolvermos isso tudo."

Tommy, ainda sorrindo, deu alguns passos para trás, mas não se sentou. Seus olhos estavam grudados em Mary, algo queimava neles. 

"Senhora... Seu nome é Mary, certo? Tem alguma criança na casa?" Perguntei gentilmente, ficando em sua frente para bloquear a visão de Tommy.

Ela olhou para mim com lágrimas nos olhos, "Ele a levou lá para cima..." Então cobriu o rosto com as mãos e começou a soluçar. Meu coração começou a disparar e olhei para Henry. 

"Eu vou," disse, passando por mim.

Enquanto Henry subia as escadas, me virei de volta para Tommy. "Aconteceu alguma coisa que devo saber?"

Os olhos de Tommy brilharam, “Hehehehehe…”

"Senhor, você fez alguma coisa?" Perguntei, dando um passo em sua direção.

Tommy não se mexeu, "Eu fiz várias coisas... policial."

Henry subiu rapidamente as escadas e eu fiquei observando Tommy atentamente, tentando ver algum tipo de reação. Ele só me encarava, o sorri emplastado em sua cara. 

"Tem mais alguém na casa?" Perguntei para Mary, os pelos de minha nuca se eriçando.

Ela continuava a chorar, totalmente perturbada, mas conseguiu sussurrar entre soluços, "Meu marido... minha filha..."

"Eu sou seu marido," Tommy disse, balançando a cabeça, sorrindo. Ele deu os ombros e piscou para mim, "Ela fica um pouco tontinha quando está triste. Sabe como são as mulheres."

De repente, Mary levantou seu punho fechado e começou a gritar, "O que você fez com Michael?! Onde está Lilly?! O que você fez com eles?!"

Dei um pulo com o surto repentino, tentando entender melhor o que exatamente estava acontecendo ali. Antes que eu pudesse falar qualquer coisa, ouvi um grito de Henry do andar de cima.

"JESUS CRISTO! MAS QUE PORRA É ESSA!? QUE PORRA É ESSA?!"

Eu soltei a presilha do coldre, os dedos deslizando para pegar minha arma. Confusão e medo de misturavam dentro da minha mente que girava. Olhei para Tommy que apenas sorriu largamente, e então andei de costas até a escada.

"Henry!? Henry, o que está acontecendo?!"

Henry apareceu no meu campo de visão no topo da escada, olhos arregalados, rosto branco. Se inclinou para frente e colocou as mãos no rosto, respirando fundo. Estava tremendo incontrolavelmente, uma reza saindo de seus lábios em sussurros frenéticos.

"HENRY!" Gritei, mantendo meus olhos em Tommy. 

Ele tirou as mãos do rosto, seu olhos vermelho-sangue, e apontou para Tommy. "Algeme-o. Algeme-o agora mesmo!" Então desceu os degraus correndo, ainda apontando, "Seu doente nojento! Como pode fazer isso? COMO VOCÊ PODE FAZER AQUILO COM UMA CRIANÇA?!"

Ele passou como um raio por mim e antes que eu pudesse reagir, estava com Tommy no chão, saliva voando de sua boca.

"Seu assassino FILHO DA PUTA!" Eles rolaram pelo chão, grunhindo, Henry lutando para ficar no topo. Tommy não sorria mais, dava o seu melhor para tentar resistir o ataque, seus lábios eram uma linha fina e sombria em seu rosto liso. 

Mary caiu ao chão, choramingando, abraçada a si mesma. Em pânico, sem entender o que estava acontecendo, tirei minha arma do coldre e apontei inutilmente para meu parceiro e Tommy. Henry conseguira colocá-lo de barriga para baixo no chão, segurando-o com um joelho nas costas. Ele pegou suas algemas e colocou nos pulsos de Tommy. 

"Seu bastardo maldito, você vai morrer na cadeia por isso," Henry cuspiu, visivelmente abalado. Dei um passo à frente e coloquei-o de pé, dando meu melhor para acalmá-lo. 

"Henry! Fale comigo! O que houve?"

Ele rangeu os dentes, fechando os olhos com força, "Ele... ele... a menina está morta."

Tommy começou a rir, "Ah, que desentendimento terrível. Apesar das aparências, asseguro que ela está bem viva." Tommy virou sua cabeça para nos encarar. "Eu me importo muito com aquela menininha. Eu nunca a mataria. Ela só foi punida por usar o telefone."

Os olhos de Henry se arregalaram, "Meu Deus..." e então correu escada acima. 

Meu mundo girava, os eventos atuais correndo pela minha mente em uma velocidade que não conseguia acompanhar. Mantive minha arma apontada para Tommy e olhei para Mary que estava deitada no chão em posição fetal, chorando. 

"Onde está o seu marido?!" Perguntei, tentando encontrar uma resposta naquela situação bizarra, "Mas que DIABOS está acontecendo aqui?" 

Mary se balançava para lá e para cá, sua mente lentamente se desintegrando naquela agonia aparente. Não me respondeu, então me ajoelhei ao seu lado e segurei seus ombros, forçando-a olhar para mim.

"MARY! Onde está o seu marido?!"

Entre lágrimas, apontou para o andar de cima, sua voz tremendo com um pesar absoluto, "Ele o-o le-levou... levou lá pa-para... o qua-quarto... eu a-acho." E então parou de olhar para mim e se perdeu na própria mente.

Minha boca estava seca e eu tentava não olhava para Tommy, que estava sorrindo do chão em minha direção.

De repente, a voz de Henry soou em um grito lá de cima, "Suba aqui, preciso de ajuda para desce-la! Ela ainda está respirando! RÁPIDO!"

Lancei um olhar para Tommy antes de subir correndo os degraus. Cheguei no topo da escada e pude ver Henry no final do corredor, carregando algo com dificuldade, mas tudo se enevoou quando olhei para o outro lado do corredor em direção da suíte do casal. 

Pela porta aberta, pude ver a ponta da cama king. Haviam postes nos quatro cantos da cama, e em um, o marido estava empalado. 

De cabeça para baixo. 

Sua boca estava arregaçada, e seus lábios tocavam na borda do colchão, uma piscina de sangue se formando logo abaixo. O bastão de madeira sumia em sua garganta e reaparecia na região da virilha. Seu corpo estava pendurado, completamente nu, seu corpo um antro de hematomas e cortes. Sangue e fezes cobriam o chão e dei um passo para trás, um grito se formando em minha garganta. 

Que porra é essa, que porra é essa, mas que PORRA...

Eu podia ouvir Henry gritando meu nome, mas aquela visão visceral me segurava como um vício. Senti o vômito cutucando o fundo da minha garganta, mas descobri não ter ar o suficiente nos pulmões para expeli-lo.

De repente, um novo grito cortou meu transe, um guincho agudo e intenso.

Mary.

Algo ricocheteou lá em baixo e ouvi um barulho arranhando, como se algo estivesse sendo arrastado pelo chão. Os gritos de Mary se cessaram tão rápidos quanto começaram. Henry estava urrando no telefone pedindo reforços e uma ambulância, mas minha mente começava a derreter pelos horrores que presenciara. Eu pisquei e senti a tontura tomando conta de mim e me apoiei no corrimão da escada para não cair. Quando olhei para baixo, examinei o local onde havia deixado Tommy. 

Ele havia sumido junto com Mary.

As algemas de Tommy estavam retorcidas e quebradas no chão.

"Jesus Cristo, o que diabos está acontecen..." estava falando.

E então a energia foi cortada.

Eu ouvi Henry gritando de surpresa e confusão enquanto eu ia me aproximando para a parede mais próxima, tropeçando na escuridão total. Uma voz na minha cabeça estava dizendo que as coisas tinham acabado de avançar para um nível que eu não poderia mais lidar.

"Ligue as luzes de novo!" Henry gritou. 

Me sentindo como se não pertencesse ao meu próprio corpo, eu andei para frente e encontrei p corrimão novamente. Me inclinei na escuridão, tentando ouvi algo, tentando saber se Tommy tinha ido embora. Meu coração pulsava em meus tímpanos.

E então... do abismo lá embaixo...

“Hehehehehe….”

Tropecei e fui indo para o fundo do corredor em direção de Henry e da menina, balançando as mãos na minha frente como um cego. Encontrei uma porta e podia sentir Henry respirando na minha frente. Caí de joelho e o chamei.

De repente, uma luz me cegou e levantei as mãos para tapar os olhos. Henry abaixou a lanterna, seu rosto pálido e apavorado.

"Que merda é essa que está acontecendo?!" Henry sibilou.

Comecei a responder, mas parei quando vi a menininha que ele segurava em seus braços. Não devia ter mais do que cinco anos. Havia uma corda enrolada e retorcida por todo seu corpo com nós e entrelaço que pareciam intermináveis. Seus olhos estavam fechados e a boca tampada com fita isolante. Notei que suas bochechas estavam inchadas, como se algo tivesse sido enfiado na boca por baixo da fita.

Estiquei a mão e tirei a fita de sua boca, meus dedos ficando cheios de seu sangue. Lentamente, algo começou a sair de lá junto de uma mistura de sangue e saliva.

"Ai meu Deus..." Henry sussurrou, a voz tremendo. 

Dúzias e dúzias de tachinhas afiadas foram caindo de seus lábios no carpete. Meus olhos se encontraram com os de Henry, e compartilhamos um olhar de horror absoluto. Gentilmente, Henry enfiou o dedo na boca dela para retirar os poucos que ainda estavam lá, jogando-os de lado com uma expressão de nojo total.

"Que tipo de monstro faz isso?" Falei em um cochicho. 

"Isso não é o pior," Henry falou, balançando a cabeça. "Olhe."

Ele levantou a pequena saia amarela que ela vestia e senti a vida se esvaindo de meu corpo com uma lufada de agonia mental.

"Que-que ele fe-fez... Co-como..." Eu gaguejei, sentindo uma rajada de ódio se formando em meu peito.

Henry baixou a saia, "Vai demorar muito para ela ficar bem de novo."

De repente, vindo de trás, ouvimos a madeira rangendo que insinuava que alguém estava subindo as escadas. Puxei minha arma do coldre e Henry desligou a lanterna, ficando contra a parede e me lançando um olhar de medo.

"Mate o desgraçado," Henry sussurrou.

Levantei, a arma firmemente em minhas mãos suadas. Com minhas costas contra a parede, espiei pelo corredor escuro.

Eu ouvi alguns sussurros nas sombras perto do topo da escada.

"Policial ferido... Policial ferido...hehehehehe…”

Peguei minha lanterna do cinto e preparei-a em minha mão, colocando-a debaixo da arma e apontando em direção da voz.

"Faça." Henry rosnou.

Liguei a luz, meu coração disparado e preparei para atirar..., mas não havia ninguém lá. Mirei a luz para todos os lados, pulando com qualquer sombra que aparecia, mas o corredor continuava vazio. Lambi os lábios e dei um passo em direção das escadas, o dedo firme no gatilho.

"Onde você está...?" Sussurrei para mim mesmo, uma gota de suor rolando pela minha coluna. Continuei a andar pelo corredor, e olhei para o andar debaixo. Tudo continuava silencioso e parado, nem um som ou suspiro.

"Reforço está a caminho," Henry falou suavemente de trás de mim. Me virei, e voltei para o quarto. Tínhamos que sair o mais rápido possível daquela casa.

Desliguei a lanterna e me ajoelhei ao lado de Henry e da menina. Ele ajeitou-a em seus braços e passou-a para mim. Segurei-a gentilmente em meus braços, observando seu rosto pálido e sangrento. Parecia estar morta. Lágrimas começaram a brotar dos meus olhos e fechei com força, balançando a cabeça.

"Eu sei..." Henry disse, sua voz falhando. "Você o viu sair? Você viu Mary? Para onde eles foram?"

Uma voz respondeu no final do corredor, no quarto onde o marido estava empalado.

"Temo que ela tenha sofrido um acidente..."

Henry e eu pulamos com o som viramos nossa cabeça para a escuridão. Dois olhos azuis brilhavam no final do corredor, tintilando com dois diamantes. 

"Mary escorregou nos degraus para o porão e quebrou o pescoço," Tommy falou com uma risadinha. "Infelizmente, essa noite toda virou um desastre."

Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, Henry estava de pé, rosnado e com a arma na mão. Se jogou para frente e disparou três tiros contra aqueles olhos. A escuridão absorveu o azul e ainda ouvimos o bastardo rindo do outro quarto. 

"Fique aqui," Henry falou entre os dentes. Ele pisou no corredor e fechou a porta do quarto onde eu estava, me deixando na escuridão total. Antes que a porta se fechasse por completo, vi as luzes vermelhas e azuis do reforço chegando pela rua. 

Os passos de Henry ecoavam pelo corredor e ouvi-o gritando de raiva por Tommy. Sua voz ficou abafada quando entrou no quarto do outro lado do corredor e depois a casa ficou completamente silenciosa, e o silêncio foi tão de repente que prendi o ar como se isso fosse adiantar em algo. 

Contei as batidas do meu coração... um...dois...três...quatro...cin-

A porta em minha frente explodiu em pequenos pedaços de madeira enquanto Henry era arremessado por ali, com a cabeça primeiro. Ele bateu contra a parede e ouvi o estalo fatal de sua espinha dorsal quebrando. Eu gritei, o ar voltando para meus pulmões junto com uma lufada de horror. 

Eu preciso sair daqui, pensei. 

Agarrei a menina em meus braços e levantei, o suor se impregnando no colarinho do meu uniforme. Umedeci meus lábios secos e ouvi a madeira estalando enquanto Tommy descia as escadas novamente, sua voz como um fantasma pela casa. 

"Policial ferido... Policial ferido...hehehehehe…”

Desci até o hall de entrada e vi pela janela da frente que dois policiais estavam agora se aproximando da porta principal. 

Antes que eu pudesse falar qualquer coisa, Tommy abriu a porta, seu sorriso plástico estampado no rosto. 

"Qual o problema?" Perguntou casualmente, fechando a porta atrás de si, bloqueando minha visão. 

Sabendo que eu tinha apenas alguns segundos preciosos, apoiei a menina sobre meu ombro esquerdo e comecei a procurar outra saída. Lá de fora, pude ouvir alguém gritando.

Me virei na escuridão e fui para a cozinha, eu ofegava sem nem ao menos perceber. Bati meu braço em uma parede e o senti doer muito, mas ignorei enquanto ainda procurava uma saída. 

Ali!

Uma porta de vidro de correr!

Desci a menina para meus braços enquanto abria a porta, saí para a rua, respirando aliviado com o ar quente e sequei o suor da minha testa. Cuidadosamente fechei a porta em minhas costas enquanto ouvia Tommy entrar na casa de novo. Sem fazer barulho, contornei a casa, todos os meus sentidos à flor da pele. 

Fui até a frente da casa, o carro de polícia que eu havia visto pela janela apareceu na minha frente.

Dois policiais estavam deitados no gramado, suas gargantas cortadas. 

"Jesus Cristo," gemi baixinho. Minha mente estava exausta por tudo aquilo que passara naquela noite, o trauma já estava bem formado, gritando dentro de mim para aparecer. 

"Corra," falei para mim mesmo, "Corra antes que ele te encontre!"

Respirando fundo, corri o mais rápido possível até o meu carro de patrulha. Meus pés se afundavam na grama cheia de orvalho e depois contra o asfalto duro, e consegui chegar no carro em poucos segundos. Abri a porta do carona e coloquei a menina delicadamente, lançando um olhar aterrorizado por cima do meu ombro. 

Depois que tive certeza que ele não estava atrás de mim, corri para o banco do motorista e quase arranquei a porta. Me joguei no banco e girei a chave. Quando o motor começou a funcionar, vi a porta da frente se abrindo. 

Na verdade, vi todas as portas da frente se abrindo.

Todas as portas de todas as casas da rua Tenner. 

Acelerei e os pneus cantaram. Enquanto passava em alta velocidade pela rua, observei em absoluto pavor que Tommy estava saindo de todas as casas, um sorriso macabro pintado em seus lábios. 

"Meu Deus," sussurrei, "Ele infestou toda a vizinhança."

Virei em uma esquina para sair daquela rua e os pneus gritavam abaixo de mim enquanto escapávamos daquele filme de terror da vida real, escapando da carnificina... escapando de Tommy Taffy. 

Já fazem trinta anos desta fatídica noite. Nenhum dia se passa sem eu pensar nas coisas horríveis que presenciei. Como explicar toda aquela violência e bizarrice para alguém que não viu tais coisas com os próprios olhos? Não dá para se fazer, e então sofri com essas memórias em silêncio. 

Nenhum rastro de Tommy Taffy foi encontrado depois do incidente. Quando cheguei com a menina ao hospital, gritando no rádio por todo o percurso, a vizinhança toda havia sumido. Sim. Sumido.

Aquele monstro queimou toda a rua.

Todas as casas, todas as pessoas. Toda a vizinhança. Ouvi isso pela rádio algumas horas depois de internar a menina pelo pronto socorro. Me lembro de estar do lado de fora do hospital, o sangue ainda em minhas mãos, vendo o brilho distante do incêndio. 

O inferno que levo dentro de mim...

Mas nem tudo acabou em desgraça.

Continuei em contato com a menininha que salvei naquela noite. Milagrosamente, ela sobreviveu e conseguiu encontrar alegrias em sua vida. Não sei como ela conseguiu se recuperar mentalmente e emocionalmente daquela noite... mas conseguiu. Eu visito ela e seu marido de vez em quando. 

Ela realmente é um amor de pessoa. 

Fui até sua casa alguns dias atrás e fui agraciado com uma notícia maravilhosa. 

Me contaram que estão esperando um bebê. 



Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigada! Se gostou, comente, só assim saberemos se vocês estão gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião! 

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TRADUÇÃO POR: FRANCIS DIVINA