31/03/2017

Museu

[Oi, gente, Gabriela Prado (revisora Creepypasta dos Fãs) aqui. Esse é um continho curto que escrevi e espero o feedback de vocês para melhorias. Abraço!]

Um senhor grisalho limpava o espelho e o móvel. Eu senti um calafrio. Parecia que as paredes estavam gritando, pareciam estar desesperadas. Estavam me chamando, e eu me senti pressionada a ir atrás das vozes.

O homem grisalho estava no outro cômodo também. Ele estava agora há pouco na sala de entrada... Mas nem foquei nele, porque nesse instante, eu já estava absorvida pela história que as paredes contavam.

Mortes e arrependimento era tudo que eu sentia. Sangue escorrendo e marcas de unhas no chão. Pedidos de socorros jogados ao vento, e a sensação de estar sendo observada. Quem ou que vive nas paredes, está louco pra sair e me comer viva. A minha alma está enfraquecida. Minha aura está abalada. E o que é que queira me sugar para dentro da parede, está se mostrando pelo retorcido papel de parede. Olho pra minha pele e reconheço essa textura, esse design. Agora faço parte do museu das almas caladas. E espero você, para que eu possa sussurrar seu nome e te atrair para dentro do confortável, úmido e sangrento concreto.


Creepypasta dos Fãs: Esconde-esconde

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Baseada em fatos reais.

Então, leitores: Imaginem 2 casas, um quintal e um corredorzinho extenso. Da casa principal, a porta dava na entrada da cozinha. Na 2ª casa, dava pra subir no telhado que, em cima dele, dava pra ver a laje do outro lado, e no corredor tinha uma janela, que se colocassem uma escada lá, daria para subir na laje.

Tendo isso em mente, vou começar. Então um dia aí qualquer, quando eu era criança, os amigos do meu irmão foram brincar de baralho lá em casa, na cozinha, até que do nada as luzes se apagaram. Eles pegaram velas e já foram acendendo-as para não interromper o jogo, até que um dos amigos falou que o baralho estava chato e propôs uma outra brincadeira, o esconde-esconde.

Estava tudo escuro no quintal, escuro mesmo. Tinham vários lugares para se esconder naquele blackout, e decidimos tirar 2 ou 1 para ver quem iria bater cara, e acabou por ser meu irmão. Ok. Eu comecei a pensar em um lugar para me esconder, até ter a brilhante ideia de ir para cima do telhado da casa 2, que dava de frente pra laje. Até aí tudo bem. De cima do telhado eu podia ver meu irmão nos procurando que nem doido, e eu só conseguia rir. E foi aí que o estranho aconteceu, porque quando eu menos percebi, me vi olhando pra laje fixamente.

Ouvi um barulho daquelas escadas de madeiras sendo colocadas para alguém subir (a escada estava no corredor), e eu permaneci olhando fixamente para a laje, e foi aí que eu vi 2 pessoas subindo a escada. Eu não conseguia enxergar direito, estava tudo muito escuro. Quando as 2 pessoas estavam em cima da laje, um pouco do brilho da lua pairou sobre eles e eu consegui enxergar.


Eram 2 idosos, um com o saco de lixo grande, que parecia pingar algum líquido dele, e o outro idoso estava só do lado, parado. Os olhos deles eram fundos e pretos. Meus olhos ainda estavam fixos neles, até que, em questão de segundos, escuto um agudo no meu ouvido. Eles, então, fazem gesto de silêncio e depois começam a rir, de uma forma distante. Pisco meus olhos e eles já não estão mais lá. A luz já tinha voltado e meu irmão e seus amigos já tinham parado de brincar de esconde-esconde, porque estavam demorando demais para me achar. Saí de cima do telhado e fui dormir. Passei a ter vários pesadelos com o que parecia ter acontecido com aquela pessoa que estava no saco de lixo.

Autor: Marcello Dalle Nogare
Revisão: Gabriela Prado 


Creepypasta dos Fãs: Eu vejo você

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Eu vejo você.

Eu te vejo chegar no quarto e te vejo dormir de luzes acesas. Eu te vejo em desespero quando volta para casa em meio a um blackout. Eu te vejo ligar para amigos para não se sentir sozinha. Eu te observo desde o momento em que você entra até o momento em que você sai do quarto. Eu sei porque você age dessa forma. Porque mesmo que eu te veja, você não pode me ver. Mesmo que eu acaricie seus cabelos enquanto dorme, você não me vê. Mesmo quando te observo ao pé da cama, você não me vê. Mesmo que você acenda a luz e continue sem me ver, se lembre: eu ainda estarei ao seu lado ao adormecer.

Autor: Nathaliaizidio
Revisão: Gabriela Prado


30/03/2017

Kibe

Atenção, essa creepy pode conter conteúdo inadequado para pessoas extremamente sensíveis. 

Todos os dias vejo pessoas comprando o famoso Kibe da cantina, é algo fora do normal, tem tantas variedades de salgados e bolos e mesmo assim insistem em só comprar o mesmo salgado todos os dias.

Devo ser o único na faculdade que ainda não comeu, prefiro a boa e velha coxinha, aquela massa crocante e o frango bem temperado são o conjunto perfeito. Minha amiga comeu 3 kibes ontem com muita maionese caseira.

Enquanto todos se deliciam, apenas observo algo estranho na mulher que vende os salgados, ela está com uma coceira feia na coxa, dá para ver um liquido viscoso escorrendo por baixo da saia. Esse liquido é esbranquiçado e parece muito com a maionese que a minha amiga botou ontem em cima do salgado.


Mas o mais estranho  é que quando o vento bate na saia dá para ver que faltam alguns pedaços de suas coxas..  

(Autor: Andrey S. Menezes)

(Desculpem pela creepy pequena, ando meio sem tempo, mas assim que der começo a escrever uma creepy mais bem trabalhada e maior rs)  


29/03/2017

Minha família vem sendo perseguida há 4 anos (PARTE 3)

(PARTE 1) - (PARTE 2)

NOTA: Eu já entendi. Fui idiota de não contar para minha esposa. Um dos milhares de comentários falando isso fez com que eu entendesse. Por favor, se é só isso que você tem para comentar, nem perca o seu tempo.

As coisas ficaram tranquilas por alguns meses, sem nada demais acontecendo. Me encontrei enlouquecendo pelo fato de não poder fazer nada sobre o que acontecera. Tinha me forçado em aceitar que a piscina no desenho era uma metáfora para o lago, que que essa pessoa estava nos observando. Mas não sabia o que fazer em relação aos presentes. Ele já tinha feito... o que fez com Roscoe. Achei que aquilo era um presente? Mas ele já tinha devolvido o desenho do cachorro quando nos deu Roscoe, então não era isso.

Também nessa época, as crianças voltaram para a escola (N.T: A escola nos estados unidos se inicia em setembro), algo que me deixava especialmente apreensivo. Entretanto, tinha que reprimir minhas preocupações para não alertar minha esposa do motivo que eu nunca queria sair de perto das crianças. Mas por sorte, como já disse, nada aconteceu nos primeiros meses. Eu estava em uma época de mais paz desde que tudo começara. Mas então a época de Natal chegou.

Tínhamos acabado de montar nossa árvore, com enfeites e tudo mais. Fizemos um belo jantar de família naquela noite, lembro vividamente. Tudo estava maravilhoso. As crianças estavam animadas para o Natal, minha mulher estava apreensiva com as compras natalinas na lata de sardinha que ousava chamar de shopping na nossa cidade. Nossos filhos estavam ótimos nos estudos, minha esposa e eu prosperando em nossas carreiras e, mais importante, o perseguidor não entrara mais em contato. A única coisa de importância que aconteceu nesses últimos tempos tinha sido que minha esposa meio que chamou minha atenção. Ela havia percebido que algo estava errado pela minha atitude em geral de estar preocupado o tempo todo, mas eu deixei isso de lado. Conversamos por um tempo, sobre tudo, mas os dois lados ficaram felizes no final da conversa. Meu raciocínio era que, se aquilo tinha acabado, então porque trazer à tona agora?

Naquela noite, todos fomos dormir contentes. Sabe, eu durmo pesado. Entretanto, naquela noite, acordei por volta das três e meia da manhã. Normalmente quando acordo com sede, eu só tento esquecer e volto a dormir. Mas por alguma razão, naquela noite, me levantei e fui até a cozinha pegar água. Enquanto eu subia as escadas de volta, algo fez com que eu me virasse em direção da árvore. A luz da lua vindo da janela iluminava a árvore e foi aí que eu vi. Havia um presente debaixo da árvore. Rapidamente, mas em silêncio, andei até lá e peguei o pacote. Era uma caixa pequena, enrolada em um papel verde bem natalino. Havia um cartão de "De: / Para:" e um laço. No "De:" estava um ":)" e no "Para:" estava escrito "Katie".

Me lembro de ficar ali parado por alguns instantes totalmente em choque; esse homem tinha entrado dentro da porra da minha casa. Antes de fazer qualquer outra coisa, eu andei por toda casa, todos cantinhos, para ter certeza que ele ainda não estava ali dentro. Conferi meus filhos e depois minha esposa. Depois quando me convenci que estava tudo bem, que pareceu mais de uma hora de procura na casa, voltei para o "presente". Rasguei a embalagem e abri a caixa. Dentro havia um envelope e uma fita. Sim, uma fita de vídeo. Tipo aquilo que usavam antes do DVD ser inventado.

Abri o envelope, já sabendo o que seria. Outro desenho que minha filha. Desdobrei o papel e dessa vez era uma princesa que minha filha havia desenhado. A princesa estava com um vestido de festa rosa, uma tiara e varinha. Ele adicionara o que eu parecia ser uma poça de sangue nos seus pés, e no canto um pequeno desenho do próprio homem segurando algo que parecia uma faca. Esse me deixou mal. Eu não sabia se minha filha tinha desenhado se imaginando como uma princesa, ou se aquele homem tinha visto dessa forma, não tinha como saber. Me livrei da caixa e do papel de presente para que minha esposa não os encontrasse, e coloquei a fita e o desenho nas minhas coisas de trabalho.

No dia seguinte, fui em uma loja de loja de penhores e comprei um aparelho de videocassete, paguei apenas três dólares, pode acreditar? De qualquer forma, depois fui para casa enquanto minha esposa e filhos não tinham chegado ainda e fui para o porão, só em caso deles chegarem mais cedo em casa. Conectei o aparelho antigo em uma televisão velha que tínhamos deixado ali na nossa "sala de recreação" improvisada, e coloquei a fita. Antes de apertar play, milhões de coisas passaram pela minha cabeça. Eu não tinha certeza do que eu ia ver. Tudo que eu sabia era que eu não ia gostar. Eu esperava ver uma filmagem da minha família gravada de um local escondido.

A primeira cena era de um quarto escuro com um lenço branco pendurado em uma parede, caído em parte no chão, como um fundo verde. Uma pessoa sai de trás da câmera, mas não vai longe o suficiente para poder ver seu rosto. Ele está bem no canto esquerdo da tela, apenas seu ombro direito aparecendo. Ouço um tipo de rangido, parecendo uma porta abrindo. Então ouço um choramingo. Um choro de menina. Uma voz fala "Vai" e então uma menina de uns 8 ou 9 anos aparece vestida como uma princesa. Ela era uma versão do desenho de minha filha. Vestido de festa rosa, tiara e varinha. Ela anda até o lençol e se vira, de frente para a câmera. Lágrimas escorrem de seu rosto. O homem vai até a câmera e a pega. Sua voz preenche o chiado silencioso que paira sobre o meu porão.

Rapidamente sussurra "Faça. Faça o que tem que fazer."

A garota começa a soluçar convulsivamente. Uma mão aparece na cena e dá um tapa na menina. Isso me faz estremecer. Ela parou de chorar e começou a.... "atuar". Faz uma reverencia e se apresenta como "Princesa Penélope". Esse é o título do desenho da minha filha. Entre fungadas, ela começa a dizer como estava feliz por ter sido salva pelo seu príncipe, e como ele havia a levado para um enorme castelo e que viveram felizes para sempre. Começou a chorar novamente. A voz do homem soou novamente, severa, mas ainda sussurrada.

"Continue. Agora."

A menina deu umas fungadas e se recompôs para continuar. "Meu... meu papai foi malvado comigo. Ele não queria que meu príncipe me salvasse." Meu coração despenca. Senti como se aquilo fosse uma alegoria sobre minha filha. A garotinha continuou "Então agora, o príncipe irá me punir porque meu papai não foi legal com ele." A câmera é colocada de volta no suporte inicial. O homem vai para cima da menina enquanto ela grita, e ele começa a esfaqueá-la repetidamente.

Não consegui assistir, virei meu rosto. O som era pior ainda. Aqueles gritos nunca sairão da minha cabeça. O grunhindo dele enquanto apunhalava a faca nela será um som/imagem que estará para sempre na minha mente. Olhei de volta, porque eu precisava saber quem era aquele homem. Todas as partes de mim queriam que ele fosse idiota o suficiente para mostrar seu rosto, mas eu já sabia que isso não aconteceria. E claro, não tive sorte. Na verdade, ele usava um tipo de máscara. Quando terminou, andou fora do alcance da câmera propositalmente, deixando apenas o corpo sem vida da garotinha na cena, e terminou o vídeo.

Vomitei. Várias vezes. Até que não restava mais nada no meu estomago. A primeira coisa que fiz foi ir a uma delegacia. Contei tudo que já havia acontecido até aquele momento, desde o arrombamento do carro, o cachorro, até isso. Agora que existia um assassinato, que parecia legítimo e não encenado, eles começaram a levar a sério. Contei que não estava contando sobre todos esses acontecimentos para minha família, algo que foram totalmente contra e fizeram cara feia, mas disseram que respeitariam minha decisão. Fiquei muito agradecido por isso.

Cheguei tarde em casa naquele dia e minha esposa questionou onde eu tinha estado o dia todo. Falei que havia ido fazer uma entrevista com um detetive para um projeto que estava trabalhando (sou escritor). Ela acreditou. Naquela noite, perguntou o que me preocupava. Já estávamos casados faziam anos, por isso ela conseguia me ler como a palma de sua mão. Tive que ir inventando coisas. Falei que estava frustrado com meu novo projeto, que estava difícil de desenvolve-lo. Sendo a esposa maravilhosa que é, me encorajou com lindas palavras, as quais que, se eu realmente precisasse, teriam resolvido o problema na hora. Obviamente, isso pesou na minha consciência. Era a primeira vez desde que tudo começara que fiquei realmente tentado em revelar tudo. Como já disse, lá no fundo, eu queria, mas por alguma justificativa orgulhosa, achava melhor manter tudo aquilo na escuridão. Se fosse agora, teria contado tudo para ela desde o começo. Foi uma época assustadora para mim, não estava pensando direito. Então peguem leve.

Cerca de uma semana depois, o detetive que estava em cargo do meu caso ligou. Basicamente me disse que não conseguiram nada. Não faziam ideia quem era a menina do vídeo, e ela não parecia compatível com nenhuma criança desaparecida no arquivo nacional. Obviamente não conseguiram identificar o lugar onde fora filmado. A única coisa que que podiam dizer é que era uma filmagem recente por conta de uma embalagem de cigarro que aparecia na segunda cena, que tinha um logo novo da marca. Pedi para a polícia ficar na minha rua e perto da escola dos meus filhos com carros não oficiais, algo que aceitaram de prontidão.

Depois disso, nada aconteceu até março. Embora a polícia não tivesse arquivado o caso, também já não estava no topo das prioridades, por falta de pistas. Não haviam mais policiais cuidando de nossa casa ou na escola. As ligações da polícia começaram diminuíram e se espaçaram, até que eu não recebia mais nenhuma. Mas eu sabia que essa fase de calmaria não duraria. Todo dia eu sentia que era o dia que eu receberia um novo envelope. Ou melhor, que ele tentaria dar um novo envelope para minha filha. Eu apenas tinha sido sortudo de conseguir descobrir antes das outras vezes. Mas eu não tive sorte para sempre.

EM BREVE: Minha família vem sendo perseguida há 4 anos (PARTE 4)


FONTE: NC

Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigada! Se gostou, comente, só assim saberemos se vocês estão gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião!


26/03/2017

Micropastas de SnakeTongue - PARTE 1 (+18)

Nota do autor: Esta é uma antologia de todas as micropastas escritas por SnakeTongue237.
Nota da tradutora: Esta antologia foi dividida em três partes, sendo cada uma de três creepies cada.

3:21 AM

“Toda noite, às 3:21 da manhã, um homem se enforca ao pé de minha cama. Não sei quem ele é ou o que ele está fazendo em minha casa, mas isso tem me assustado. Não consigo dormir e não sei como lidar com esse problema. Não importa o que eu tente fazer, o homem está sempre lá, toda noite. Eu acordo e o vejo em pé no suporte da cama, com um nó em volta de seu pescoço. Conforme eu grito, ele pula para trás e se pendura ali. Então, às 3:22 da manhã, seu corpo desaparece. Preciso que você me ajude, só durma no meu quarto por uma noite, tenho certeza de que ele não aparecerá se houver alguém comigo."
Eu conhecia minha amiga e o vizinho Louis não poderia estar falando a verdade, isso era invenção da mente dele. Eu mandei ele sair da minha casa com algumas recomendações de bons terapeutas no nosso bairro.
Uma semana depois, fui surpreendido pela notícia de que Louis tinha se suicidado ao se enforcar no pé de sua cama. Eu compareci ao seu funeral e dei minhas condolências à família antes de sair repleto de arrependimento... talvez eu devesse tê-lo ajudado com sua tarefa boba, mesmo se isso fosse ridículo, eu deveria tê-lo impedido de se matar.
Levou muito tempo até que eu caísse no sono naquela noite, e quando consegui, acordei um pouco depois por causa de um barulho em meu quarto. Abri meus olhos preguiçosamente, e a primeira coisa que vi foi meu relógio digital, que mostrava 3:21 AM.
Eu girei minha cabeça, e Louis estava lá em pé no suporte da cama, com uma corda ao redor de seu pescoço. Dei um grito aterrorizado antes que ele caísse para trás, e ele fica pendurado ali por um minuto pela primeira vez de muitas que virão.

Ácido

Você já tomou ácido? Duvido que tenha. Estou prestes a tomar um dentro de alguns segundos pela primeira vez em minha vida.
Eu honestamente acho que tenho permissão para fazer isso depois dessa merda de vida que tenho tido. Pode me chamar do que quiser, mas essa é só a maneira que eu acho que as coisas tem que ser.
Tudo começou quando minha esposa, Claudia, divorciou-se de mim há um mês e meio. Ela era tudo para mim, e a ideia de que ela poderia até considerar me deixar era estranha em minha mente. Então descobri sobre o caso que ela tinha. Um homem que durante a escola sempre considerei meu amigo, de repente se tornou o meu pior inimigo de todos os tempos. Na verdade, eu dei um jeito de entrar em uma briga em um bar com esse cara. Mas o que isso resolveu? Absolutamente nada, e tudo o que consegui foi um nariz ensanguentado e um braço quebrado, para dificultar. E isso nem foi o pior de tudo.
O que me matou foi que ela levou as crianças. Isso foi a gota d´água que destruiu minha vida como eu a conhecia. Minhas duas preciosas crianças foram tiradas de meus braços amorosos para passarem suas vidas com uma mulher sem coração que nunca poderia as amar com eu as amo.
Eu tomo o ácido logo, antes que eu possa mudar de ideia, e então tomo um shot de Scotch para ajudar a descer.
De acordo com a internet, ingerir ácido clorídrico é uma forma muito eficaz de suicídio.

O Filme Final

Sou produtor de mais de vinte e três filmes snuff. Eu estou falando sério.
Agora que tive minha juventude roubada, sinto-me quase culpado por todas as coisas terríveis que fiz. Mas então eu me lembro do quão rentável esse negócio era, e não me arrependo de nada. Você ficaria surpreso com a quantidade de pessoas que querem as gravações que eu costumava fazer. Todos os tipos de pessoas também, jovens e velhas, belas e feias, baixas e altas, homens e mulheres. Creio que algumas pessoas tem apenas um lado animalesco que precisam alimentar.
Na maioria dos filmes, eu era o homem que cometia e atos terríveis. Eu tinha toda uma equipe para me apoiar, e na maior parte do tempo era outra pessoa que ia lentamente cortando o apêndice de uma mulher de meia idade que nós conseguimos raptar, ou cortando os testículos de um garotinho que nunca mais era visto. Mas às vezes eu não conseguia resistir em sujar minhas mãos. O processo parecia tão... interessante.
Tudo o que eu tive foi gasto rápido demais. Eu vivi uma curta porém agradável vida de drogas e prostituição antes do dinheiro esgotar. Eu era tanto um viciado em sexo quanto em heroína, e estava desesperado por fazer parte dessas atividades, até mesmo quando fiquei sem dinheiro. Hoje em dia, as únicas coisas que possuo são essa câmera e uma faca no bolso da minha jaqueta, com a qual tenho feito muitos filmes de qualidade. Eu sei que agora é hora de fazer o filme final, e, mais uma vez, eu sou a estrela.
Preparar a filmadora não leva muito tempo, basta coloca-la em uma das milhares de lixeiras deste beco, e antes que eu possa piscar já estarei olhando a mim mesmo no visor. Eu ajustei a câmera para trás, certificando-me de que serei o foco, antes de tirar a faca de meu bolso.
É uma coisa realmente muito linda. É um canivete estilete italiano com uma alça personalizada com um desenho de cervo e uma lâmina baioneta. Eu a utilizei muitas vezes antes, e hoje a usarei pela última vez. Aperto o botão de liberar, e 13 centímetros de lâmina cromada saem com um clique satisfatório.

Eu dou um passo adiante e aperto o botão vermelho pela última vez antes de enfiar a lâmina em meus pulsos.


25/03/2017

Estátuas Submersas

Quando era criança, eu tinha um sonho recorrente. Talvez ele explique os motivos pelo meu medo de água? Não estou 100% certo disso, mas quando você tem o mesmo sonho tantas vezes entre os seus três e quinze anos, não pode deixar de pensar que ele signifique algo. Pode parecer besteira para alguns, mas isso foi algo que me incomodou por grande parte da minha vida. Agora vamos ao sonho; já faz muito tempo, então posso não lembrar tão perfeitamente. 

No sonho, eu andava em um caminho numa floresta com dois garotos. Tenho certeza que nesse sonho eu era um tipo de babá para eles. Eles se pareciam bastante com algumas pessoas que conheci futuramente, mas sei que nada de ruim aconteceu com eles até o momento, porém, de qualquer forma... Os dois garotos me levavam por esse caminho, contando que havia um lago onde queriam nadar. 

“Certo pessoal, mas vocês sabem que não posso nadar,” respondi. 

“Tudo bem! Podemos ensina-la!” O mais jovem falou excitado. 

“Tudo bem. Posso apenas observar,” rejeitei educadamente. 

Assim que viu o lago, o mais novo tirou a camisa e mergulhou. Uma sensação de pavor tomou conta de mim por um momento, e eu não tive certeza do motivo. 

“Qual o problema Senhorita C?” (Vou referir a mim mesma como “Senhorita C” simplesmente para não revelar a minha identidade) O garoto provavelmente tinha visto o meu rosto empalidecer. 

“Nada, só estou preocupada com o seu irmão.” 

“Quer que eu vá ver ele?” Eu estava prestes a dizer que não precisava, mas o garoto já tinha mergulhado antes que eu pudesse falar. 

Eu esperei e esperei. O mais novo ficou nadando pela superfície do lago como se não houvesse nenhuma preocupação no mundo, e então ele mergulhou. Verifiquei meu relógio. Eles já estavam lá embaixo por muito tempo, mas eu não tinha visto bolhas ou qualquer outro sinal de afogamento. Talvez fosse um truque? Talvez existisse uma passagem ou algo assim abaixo da superfície da água e que não pudesse ser vista. No entanto, eu não voltaria sem eles. Apesar de não saber nadar, pulei no lago. 

Algo não estava certo. Eu estava lutando, mal conseguindo me manter na superfície. Eu odiava estar na água. Meu pé roçou em algo frio. Parecia uma pedra. Aquilo era uma mão? Não, estava muito rígido. Talvez fosse uma estátua que alguém jogou no lago? Mas logo percebi que não conseguia mexer meus pés. Minhas pernas se recusavam a se movimentar e ficavam insuportavelmente pesadas. 

Comecei a entrar em pânico. Não conseguia me manter na superfície, meus braços se agitavam impotentes. E logo o peso das minhas pernas começou a me fazer afundar. Enquanto procurava por ar e me afastava mais da superfície, eu vi os dois garotos, transformados em pedra, bocas escancaradas em terror, agora congelados desse jeito pela eternidade. E não eram os únicos, havia vários outros petrificados da mesma maneira. Olhando para minhas pernas, percebi que estava indo de encontro ao mesmo destino. Estava me transformando em pedra, impossibilitada de contar para alguém sobre o que aquele lago era capaz de fazer. 

Nesse ponto, eu sempre acordava. Eu odiava esse sonho, e sempre achei que ele tentava me dizer algo. Desde então, continuo com medo de água. Sempre que vejo uma estátua realística de uma criança, não consigo parar de olhar e pensar se um lago assim existe em algum lugar... 


Shinigami.Eyes

 

24/03/2017

Creepypasta dos Fãs: Rotina

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6:45 – O relógio desperta. Estou suando. Mais uma noite péssima. Checo meu celular, talvez alguma boa mensagem fará com que meu dia não seja tão mal. A quem estou enganando? Nenhuma mensagem. Mais um dia. Fazer roupa de cama, alimentar os gatos, trocar areia. Tomar banho. Ir ao trabalho.

7:15 – Ponto de ônibus, não tomei café da manhã, droga. Eu odeio esse trabalho. Está quente hoje e o ônibus demora. Sinto tontura. Checo o celular.
Pessoas passam por mim, desejo um bom dia. Nem todas respondem. Não me importo.

9:10 – Atrasado pro trabalho. Ter de cumprimentar pessoas, sorrir e aparentar bom humor. Me pergunto se elas são felizes ou estão fazendo o mesmo teatro que eu. Não importa.

9:30 – Termino de abrir e limpar a loja. É um local pequeno. Já já aparece o primeiro cliente. Ouço sarcasmo vindo do patrão e outros colegas em relação a mim. Sorrio, ignoro.

9:47 – Primeiro cliente. Sorri e desejei um bom dia. Esperou que eu dissesse cada um dos produtos, levou a coisa mais barata.

9:48 – Checo meu celular. Nada, ninguém se importa. Não importa. O dia continua a ficar mais quente. Há moscas aqui. De hora em hora, ouço críticas ao meu respeito. Fico calado. Eu os odeio.

18:45 – A caminho de casa, um alívio. Mas por que um alívio? Tenho algum plano pra hoje? Não. Apenas chegar em casa. É o ponto alto do dia. Estou nervoso. Escolho ir andando pra casa e me acalmar no caminho.

18:52 – É engraçado como eu torço pra que algo aconteça. Qualquer coisa, um suspiro de emoção. Eu poderia ser assaltado agora e reagir. Eu poderia levar um tiro e morrer. Eu poderia fazer com que um carro sofresse um acidente andando alguns metros pra direção da pista. Nesse momento, eu sinto poder de mudar meu destino. É errado pensar assim? Eu não sei, me sinto mais calmo. Ainda é o ponto alto do dia.

19:13 - Chego em casa. Sinto o cheiro de fezes de gato desde a escada. Mas finalmente estou em casa e estou aliviado por isso. Por que estou aliviado? Entro em casa, coloco comida pros gatos. Eu estou desesperado, mas continuo. Troco a areia. Tomo meu banho. Como algo. Eu quero que isso acabe.

20:30 – Sento em frente ao meu computador. Meu quarto está uma bagunça. Não me importo, gostaria que o prédio inteiro desabasse. É meu momento de escapismo durante o dia. Alguém falou comigo? Não. Esqueço que estou sozinho ou torço por milagres? Patético.

20:40 – Vou até o travesseiro, coloco meu rosto nele e grito, grito o mais alto e forte que consigo, até que minha garganta doa. Me sinto menos mal. Volto pro computador. Eu quero morrer.

01:30 - Finalmente atingi o ponto em que estou cansado demais pra pensar ou fazer algo ruim a mim mesmo. Me pergunto até quando eu vou aguentar isso. Não importa, vou dormir. O relógio desperta às 6:45 e eu gostaria de não acordar.


6:45 – O relógio desperta e eu acordo. 

Autor: R
Revisão: Gabriela Prado


Creepypasta dos Fãs: Eu vejo você

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Medo. Gritos. Por que é que eles sempre gritam? Na maioria dos filmes de terror, o personagem babaca se vê perto do "monstro" e então grita "Tem alguém aí?", como se já não soubesse que está prestes a se encontrar com seu assassino. Por que eles representam assim? Todo mundo sabe que é idiota, e não faz o menor sentido. 

No mundo real, isso não passa de uma grande utopia. Quando eu era mais nova, eu via coisas. Acordava todos os dias às três da manhã gritando por minha mãe, e quando ela aparecia, me salvava dos monstros que me perseguiam mesmo depois de acordar dos pesadelos. Todo santo dia. 

Eu culpo a casa. Desde que nos mudamos daquela casa, eu não tive mais pesadelos diários, aquilo passou. Foi um grande alívio para mim e, é claro, para minha mãe.  Mas eu ainda via coisas. Eu ainda vejo. 
Não é nada tão horrível assim, apenas uma figura feminina no final do corredor com longos cabelos pretos, pele pálida e um vestido branco. Se assemelha muito a maioria dos filmes de terror, e eu nem sei por quê. Só assisti dois em toda a minha vida, e um deles era sobre a Bloody Mary; quando eu tinha uns quatro anos, entrei no quarto onde minha irmã e meus primos estavam assistindo — eles amavam filmes de terror — e vi uma cena em que ela aparece no espelho após ser chamada. Fiquei extremamente perturbada, e sequer fui capaz de me olhar no espelho por meses. 
Até hoje eu tenho um certo receio de espelhos, mas digamos que isso passou. Essa mulher que aparece pra mim, eu não sei o que ela quer. Ela é a única que ainda permanece aqui. Eu a vejo pelo canto do olho quando estou deitada no sofá atenta ao celular, então eu meio que coloco o aparelho na frente do corredor e não a vejo mais. Quando eu tento olhar pra ela, ela some. 
Às vezes eu vejo uma criança idêntica a ela, que corria para o banheiro quando eu a olhava. Mas essa mulher está aqui, todas as noites. 
Uns anos atrás eu a temia mais do que tudo. Quando ia dormir, desligava a TV da sala e ia correndo até o quarto, atravessando o corredor o mais rápido que podia. Eu nunca a vi se não pelo canto do olho enquanto estou mexendo no celular, mas não era necessário vê-la. Eu a sentia. 
Enquanto eu corria, era como se uma respiração fria dançasse pela minha nuca. Era o suficiente para o meu corpo todo arrepiar. Quantas vezes atravessando aquele corredor eu senti alguém atrás de mim, ouvi passos... E quando tinha coragem para virar, lá estava: o grande nada. Gostaria de saber o que ela é, o que ela quer e por que ela não me deixa. Mas ela está aqui há tanto tempo, que eu já nem me incomodo mais. Eu apenas a ignoro com aquele esquema de colocar o celular tapando a visão do corredor. É bem simples. 

Por que as pessoas têm tanto medo? Ela nunca me fez nada. Os outros fizeram, eles me traumatizaram; mas sumiram. Já ela, apenas me assusta algumas vezes.  Não é tão grave assim. Ela sumiu. Eu posso ouvir a sua respiração pesada, o som de cada passo; mas ela não está mais aqui. 
Ainda sim, quando eu fecho os olhos, tudo o que eu ouço são gritos implorando por misericórdia, enquanto roda na minha mente a imagem dos cartazes pendurados nos postes, tão claros quanto sua pele jamais foi. 


Paira sobre mim uma lembrança não tão recente daquele pequeno corpo ferido sendo arrastado para o meu banheiro. E os gritos agonizantes soando como estacas furando a minha cabeça,  qualquer som que emitia me incentivava a rasgá-la cada vez mais. Eu vejo o sangue escorrendo pelo seu delicado vestido branco, seu cabelo completamente emaranhado, seus olhos piedosos
e seu choro sem fim. Eu sinto o toque de suas mãos tentando lutar, sua voz perdendo a força, seus olhos congelando, seu corpo sem reação.... Uma linda garotinha. Então eu abro os olhos e, finalmente, eu entendo porque ela sumiu. 
Ela sabia que não era o único monstro aqui. 

Autor: Mariana Marques
Revisão: Gabriela Prado


22/03/2017

Compilação de Falhas no Matrix 6 (3ª Edição Brasil)




Uma falha no Matrix é uma experiência que prova que há algo de errado no mundo ou em algum “lugar” do seu cérebro.  Aqui está o terceiro (talvez o último, talvez não) compilado de pequenas histórias ditas reais.

Nesta terceira edição Brasil, estou trazendo algumas falhas que aconteceram exclusivamente com pessoas Brasileiras! Todas eu peguei dos nossos maravilhosos leitores que se disponibilizaram a comentar nos outros posts de Falha no Matrix. Todos os nomes serão editados para preservar a privacidade de seus autores. Alguns relatos terão algumas edições na escrita, gramática e para não ficarem tão longas.

Espero que gostem!
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Há um tempo atrás enquanto eu estava esperando meus pais chegarem em casa e acabei dormindo deitado na cama de casal deles. Tenho certeza de ter olhado as horas, eram 22:16 quando eu desliguei meu Video Game. Acordei dentro do banheiro, no chuveiro ligado, usando roupas. Quando saí de lá, me sequei e coloquei roupas novas, o relógio marcava 21:30.

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Há cerca de um mês, eu estava lendo alguma coisa no meu celular e decidi ir me deitar na cama. O quarto estava todo escuro, mas a preguiça fez com que eu me jogasse na cama sem nem ao menos ligar a luz. Quando me atirei, estava com o celular na mão, mas quando “aterrissei” na cama, não estava na minha mão ou em nenhum lugar em minha volta. Liguei a luz e encontrei ele do lado da TV, na minha estante.

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Um caso não muito recente (cerca de três anos atrás) foi uma das situações que mais me deram dor de cabeça. Lembro que era um período de férias e a nossa família (quatro pessoas) estavam em casa. Por volta das sete e meia da manhã, minha mãe abriu a porta do quarto e perguntou para mim e para minha irmã se queríamos leite quente paro café. Respondemos que sim, sentando na cama. Ela disse que iria sair para comprar pão e que chamaria a gente quando o café estivesse pronto. Acordei quase 10h da manhã, com ela gritando e perguntando quem tinha deixado o fogão ligado, enquanto todo mundo ainda estava dormindo. Expliquei para ela que ela mesmo tinha vindo perguntar quem queria leite quente, e minha irmã confirmou. Mas minha mãe negou qualquer coisa, dizendo que havia acordada apenas agora, com o cheiro de queimado. Meu pai também afirmou que ela não tinha saído da cama até o momento.

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Eu estava sentada no sofá, mexendo no celular, quando vi minha prima entrando no meu quarto (que é uma suíte), acho que para tomar banho. Tudo bem, até porque ela estava dormindo num colchão perto da minha cama, como sempre. Então eu apenas voltei a fazer o que eu estava fazendo no celular. Depois de alguns pouquíssimos minutos, acho que nem cinco havia passado, eu vejo ela atravessando a minha frente como se ela nem tivesse entrado no quarto. Não me convenci quando disse que não tinha entrado no quarto e nem passado por mim. E mesmo que ela esteja mentindo, eu teria com certeza visto ela passar. Mesmo olhando para o celular, eu teria visto por cima do olho.

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Esses dias algo tenso aconteceu comigo e minha irmã. Vivo tendo pesadelos com um dos porões que tem na minha casa, sempre sonho que tem algo escondido ou "adormecido" lá, então na semana passada sonhei que estava lá dentro quando vi umas criaturas meio estranhas com olhos brilhantes. Não lembro tudo que aconteceu do sonho, sei que foi ruim e que agradeci ao acordar por ser só mais um pesadelo. No mesmo dia eu estava mexendo no PC quando minha irmã me disse que tinha tido um pesadelo com o porão. Já fiquei assustada e perguntei como tinha sido o sonho. Ela disse que havia sonhado que estava lá dentro e que tinha uma criatura bizarra que andava para trás e que havia mordido a cintura dela, na mesma hora ela acordou sentindo uma dor na cintura. Eu contei que também havia sonhado naquela mesma noite com o mesmo porão e ela ficou surpresa, aí eu disse que vivia sonhando com o porão e ela disse que também, e que sempre sentiu que tinha algo adormecido lá. Será que a coisa acordou?

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Eu estava no quarto da minha avó, não me lembro o porquê de ter estado lá, mas sabia que tinha que pegar algo. Era de tarde, então me aproximei da estante que ficava perto da cama e vi ali uma moeda de 25 centavos, mas o estranho era que é a forma como o número 5 estava, ele estava virado como se estivesse em um espelho. Quando contei para minha tia ela me disse que o 5 normalmente fica na forma que já conhecemos e me garantiu que eu imaginei coisas, e eu até tentei provar, mas quem disse que achei a moeda? À noite, não sei se foi no mesmo dia, na estante ao lado da televisão tinha outra moeda, acredito que era de 50 centavos e novamente o cinco estava daquela forma ao contrário, mas já sabendo que ninguém acreditaria em mim eu deixei para lá.

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Eu estava no quintal, minha mãe estava pedindo para que eu entrasse em casa mas eu não queria tomar banho pra poder brincar mais, foi nesse instante que peguei uma folha com três ramificações que sempre crescia por ali no meu pátio e desejei mentalmente "espero que minha mãe não me encontre", o estranho é: eu estava do lado dela e um pouquinho mais para frente, mas a minha mãe sequer olhava pra onde eu estava e dizia que se eu não aparecesse ia me bater, ela sequer moveu a cabeça na minha direção. Fiquei super desconfiada e resolvi "aparecer" e disse “estou aqui" e ela me viu.

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À noite, eu estava fazendo nebulização no quarto com o meu pai e a minha mãe, e sem motivo aparente meus pais ficaram como estátua, não como uma pedra fisicamente, mas eles ficaram meio que congelados, parados no tempo. Só o que eu conseguia ouvir era a máquina de nebulização que continuava a fazer o seu trabalho. Eu fiquei assustada e confusa, olhei para o meu pai e depois para a minha mãe pedindo mentalmente que parassem de brincar pois estava me assustando, mas pedir mentalmente parecia ser inútil. Não sei por quanto tempo isso durou, para mim foi uma eternidade muito incomoda. Eu parecia ser a única que não fora afetada por essa situação de ficar paralisada e tudo mais. Mas felizmente eles voltaram a se mover como se nada tivesse acontecido, e eu fiquei apenas com uma expressão apavorada e aliviada por aquilo ter acabado.

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Estava eu e minha mãe, segundo ela mesma porque eu era muito pequena para me lembrar, sozinhas na casa de aluguel e não sei se estava de dia ou a noite, mas acredito que meu pai estava no trabalho. Minha mãe estava assistindo TV em pé e de costas para uma janela e uma porta que ficavam lado a lado e eu estava no colo dela e de costas. Segundo ela, eu estava muito animada, risonha e inquieta sabe, subindo pela barriga dela toda empolgada. Minha mãe ficou "o que foi querida? Calma!" Dizia isso enquanto assistia TV e tentava me acalmar, mas não adiantou muito porque eu continuei, até que ela resolveu saber o motivo do porque eu estar assim. Quando ela se virou havia uma sombra preta em forma humana brincando daquela típica brincadeira, acho que era um "cadê o bebe, achou" porque ele se apoiava na divisória da janela com a porta e ficava fazendo um movimento da esquerda para a direita toda hora, e eu apenas ria. Minha mãe quase teve um treco e só o que ela fez, saiu correndo comigo no colo até a casa da minha avó.

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Vou contar uma coisa que aconteceu comigo quando era pequena. Uma vez, estava sem nada para fazer então decidi ficar olhando diretamente para o espelho para ver se acontecia alguma coisa. Após alguns segundos comecei a me perguntar se aquilo que eu estava vendo era realmente real, se eu não era um fruto da imaginação de alguém, que não verdade eu não existia e etc. Após isso comecei a sentir uma sensação muito estranha, minha visão ficou desfocada, e eu não sentia nada. Era como se não estivesse ali, eu tocava o meu rosto e não o sentia. Parecia que eu tinha saído do meu corpo e agora estava me vendo, olhando no espelho, e tinha algo me controlando. Fiquei muito assustada mas consegui sair daquilo e nunca mais tentei. Minha avó, que estava num local próximo disse que eu fiquei uma hora olhando para o espelho, sem me mexer, mas para mim pareceu poucos segundos. Nunca mais tentei, mas tenho curiosidade para saber até onde vai. Até hoje me pergunto, eu existo? Ou sou uma mera ilusão?

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Eu tenho sérios problemas com sonhos. Passei um tempo viciado em sonhos lúcidos e uma época os tinha sempre. Certa vez já tinha tomado consciência do sonho, mas tudo se passou de maneira tão real que me convenci de que era (sério, a passagem de tempo, os acontecimentos eram todos muito convincentes) acho que no sonho passou uns cinco anos. Mas tudo era muito real. Quando acordei foi muito esquisito demorei um tempo para me acostumar.

E outra vez eu tive cinco camadas de sonhos. Cada uma delas mais bizarra e estranha. O esquisito é que em todas eu sabia que estava sonhando, mas sempre que fazia algo para acordar, só acordava em outro sonho. Foi tão angustiante que quando realmente acordei passei o dia inteiro tentando me convencer de que era realidade.

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Fui em um cyber jogar videogame de tarde. Depois fui para casa. No dia seguinte peguei o ônibus para visitar o meu pai. Quando passei na frente do mesmo cyber, lá estava alguém muito parecido comigo, no mesmo lugar que eu estava e usando a mesma roupa que eu estava no dia anterior. E eu acho que a hora em que eu passei lá foi a mesma.



21/03/2017

Papai, tive um pesadelo

 - Papai, tive um pesadelo.
Você pisca os olhos e levanta os seus cotovelos. Seu relógio pisca uma luz vermelha no escuro – são 3:23 da manhã.
 - Você quer se deitar na cama e me contar mais sobre esse pesadelo?
 - Não, papai.
A estranheza da situação te acorda mais rapidamente. Você quase não consegue distinguir a forma empalidecida de sua filha no escuro de seu quarto.
 - Por que não, querida?
 - Por que no meu sonho, quando te contei sobre o sonho, a coisa que vestia a pele da mamãe se sentava.

Por um momento, você fica paralisado; você não consegue tirar os olhos de sua filha. Então, as cobertas atrás de você começam a se mexer...

Nota: Como a creepy original não tinha título, coloquei a primeira frase da história como título.



20/03/2017

Raizes da Mudança



19 de Novembro de 2016

As luzes no céu eram uma distração. Nós devíamos ter olhado para baixo. 

20 de Novembro de 2016

Em questão de dias, os seguintes termos terão significado para todos no mundo:

Aquilo que cresce em nossos calcanhares.

Aquilo que sente o gosto de nossa pele.

Aquilo que enche os nossos poros.

O que esvazia.

21 de Novembro de 2016

Laura está morta. Gus está morto. Mohammad está morto. Nes também. 


22 de Novembro de 2016

Aonde alguém pode ir quando todos os lugares são uma armadilha esperando para ser armada? Sinto como se eu estivesse andando por um campo eterno de minas terrestres, onde casa passo tem o potencial de ser o meu último. Todos estão olhando para os céus com esperança em seus olhares. Todos irão morrer. 

23 de Novembro de 2016

Nós não devíamos ter procurado por eles. 


24 de Novembro de 2016

Roger está morto. Ele está aqui em minha frente de pé. 


25 de Novembro de 2016

Aquilo que cresce dos calcanhares de Roger já chegou aos tornozelos e coxas. Seu pescoço ainda está voltado para o céu e seu sorriso ainda está em seu rosto. Sua mascara de morte é de esperança e surpresa. Seu corpo está sendo digerido enquanto de pé. 


26 de Novembro de 2016

O último do nosso grupo recebeu uma mensagem do outro lado da base. Todos ainda estão em silêncio. Eu me recuso. Mesmo que eu esteja morto quando isso for publicado, as pessoas ainda poderão dizer que receberam algum aviso. 

Talvez seja tarde demais. 


27 de Novembro de 2016

Dr. Franklin está morto. Foi levado enquanto estava no chuveiro. Fui chamado para verificar a causa de sua morte, como se fosse possível ser alguma outra coisa além do óbvio. Ele estava enraizado ao chão e continuavam a crescer pelo piso. Enquanto assistia, seus tendões de aquiles romperam e caíram por cima de seus calcanhares. Ele não caiu. O crescimento parece estar mais rápido agora. Suas pequenas línguas se remexem pela pele dele. 

28 de Novembro de 2016

Laura, Gus, Mohammad, e Nes começaram a sofrer da fase dois. Seus poros estão se esticando. Os caules estão começando a sair para fora. Podemos ver as entidades movendo por seus corpos. A quantidade de pressão que a pele humana consegue suportar é um mistério. Espero morrer antes de descobrir. 

Mohammad se conectou com Gus. Laura e Nes estão crescendo longe do grupo. Gaivotas estão morrendo. 

29 de Novembro de 2016

Roger se conectou com Dr. Franklin através de um espaço de 230 metros. Aparentemente não existe material forte o suficiente nesse planeta para bloquear a conexão depois que já se iniciou. 

Ambos Roger e Franklin entraram na fase dois, muito mais rápido que os outros. 

30 de Novembro de 2016

As erupções do solo estão alcançando os céus para capturar pássaros. Começou com alguns na vizinhança do grupo de Laura/Gus/Mohammad/Nes, mas espalhou pela ilha inteira. O ponto de ruptura mais alto parece ser de mais de um quilometro. 

1º de Dezembro de 2016

Uma de nossas embarcações descobriu uma baleia azul a 15 metros d a superfície. O animal estava enraizado. Outras investigações mostraram que uma faixa de 600 metros abaixo da baleia também tinha raízes. Alguns dos afetados atingiram a fase três.


02 de Dezembro de 2016

Todos os mortos na ilha entraram na fase três. As entidades estão esvaziando os poros e transformando o solo abaixo. Os pássaros que tinham sido enraizados durante voo estão chovendo a substância no chão e na água abaixo. A nova biologia está começando a tomar conta. Está ficando mais difícil de respirar.


03 de Dezembro de 2016

O primeiro relatório de enraizamento no continente chegou durante a noite. Não há mais nada a fazer senão esperar. Se as luzes te satisfazerem, apenas continue assistindo-as. Apenas aproveite o momento pelo tempo que puder. Eu sinto muito.
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Escito por/ Written by UnsettlingStories.com


17/03/2017

Creepypasta dos Fãs: Culpa

[Quer ver sua creepypasta aqui? Envie-a para o e-mail creepypastabrasil@hotmail.com]

Acho o ser humano uma coisa extremamente engraçada.. Mais pro modo “rir pra não chorar” do que pro modo “cômico”. Acho patético o jeito como reprimem seus desejos e suas vontades em nome do “bem maior”, mas quando desmoronam e acabam sucumbindo, eles culpam a mim. Sim, você sabe bem quem sou eu, você finge que eu não tenho poder sobre você, finge que eu sou fraco quando, na verdade, eu te tenho na palma da minha mão.  

Acho ridículo como pregam nas igrejas que “a culpa daquele pobre homem ter matado a esposa e os dois filhos foi do demônio, o demônio estava dentro do corpo do homem”. HAHAHAHAHAHAHA, ISSO É RIDÍCULO! Eu não coloquei a arma na mão dele e fiz com que ele puxasse o gatilho, estourando os miolos daquela mulher e daquela pobre criança loira de olhos claros que brincava com seu urso de pelúcia. Ele QUIS fazer aquilo por livre e espontânea vontade.

Eu digo isso porque eu conheço as suas mais profundas emoções, aquelas mais obscuras que você deseja não sentir, mas sente. Você é fraco e você se agarra em sua religião porque sabe que se não se agarrar em algo, aquelas emoções tão obscuras que você pede a deus para afastar, irão se preencher e acabar sobressaindo-se. Eu sou mal compreendido e sempre foi assim. Já parou pra pensar por que eu fui expulso? Por que fui lançado igual a escória de lá de cima? Por que eu vim parar no meio de seres tão asquerosos e patéticos que não tem coragem de admitir suas próprias vontades? Seres que mentem, roubam, matam, se destroem....

EU VIM PARAR AQUI POR CAUSA DE VOCÊS! PORQUE EU AMAVA DEMAIS MEU PAI E NÃO QUERIA DIVIDIR MEU AMOR COM VOCÊS, EU AVISEI DESDE O COMEÇO QUE VOCES SÓ TRARIAM DESGRAÇA, MAS ELE DISSE “NÃO, ELES TRARÃO AMOR, PAZ, SOCIEDADE, SERÃO O FUTURO MAIS GLORIOSO QUE UM PAI PODERIA QUERER”. HAHAHAHAHAHA ISSO É UMA PIADA! Será que ele já fugiu de vergonha da desgraça que ele criou? Ele tinha se orgulhado tanto do mundo que havia criado, do quão lindo e perfeito era... Será que ele ainda se orgulha de ter populado esse mundo com vermes tão nojentos como vocês?
Sabe, eu acredito que ele tenha fugido de vergonha, mas eu estou aqui, observando tudo, sentindo tudo, me deliciando com a hipocrisia de vocês. Eu nunca matei ninguém, tampouco coloquei a arma não mão de alguém para que assim o fizesse. Nunca coloquei a cocaína nas narinas daquele pobre viciado, nem nunca coloquei mulher alguma na frente do homem casado para que se deitassem ou vice e versa. O desejo já existia dentro de cada um de vocês.


Foi como no inicio dos tempos, no jardim. Eu nunca coloquei a maça na boca de Eva para que a provasse, eu apenas dei alternativas. A vontade partiu de seu interior, e ela gostou tanto do que sentiu que fez com que seu parceiro Adão a provasse também. 

O que eu faço é sentar e assistir. Eu assisto enquanto aquela esposa trai o marido, assisto enquanto aquele marido descobre e enfia uma bala na cabeça daquela esposa. Assisto enquanto o filho desse pobre casal cresce sem mãe e com um pai na cadeia, assisto enquanto cresce com ódio, enquanto seu ódio o domina por dentro... 

Eu estou lá apenas observando e mostrando os caminhos. Ele sempre teve e sempre terá o livre arbítrio. Eu assisto enquanto ele pratica a violência devido ao ódio pelos acontecimentos de sua infância, enquanto ele mata, rouba, estupra, se droga e quando ele finalmente chega ao fundo do poço sem esperança ou perspectiva de vida... E aí eu decido levantar e estender-lhe a mão para leva-lo a um lugar maravilhoso. E eu prometo, eu farei isso com cada um de vocês.

Autor: Caíque Franco
Revisão: Gabriela Prado


Creepypasta dos Fãs: Olá

[Quer ver sua creepypasta aqui? Envie-a para o e-mail creepypastabrasil@hotmail.com]

Olá! Eu sou o Mike, Mike Smith. E bom, eu morri. Morri há um ano e meio, e para ser sincero, eu nem lembro o motivo, mas lembro da vida que eu tinha. Minha vida era basicamente acordar cedo todos os dias e tomar um leite quente, acariciar o meu gato, ainda usando minhas pantufas, e ligar para a minha mãe, que era de outra cidade. Eu amava a voz dela, era tão, tão, tão doce! Eu amava seus cabelos ruivos e, quando pequeno, amava acaricia-los.

Sabe, pelo menos aqui onde eu "vivo" agora, eu não posso ver o sofrimento cujo ela passa com minha morte, já que eu era seu único filho. E pra ser sincero, eu nem conseguiria, me daria náuseas. Mas como todos os lugares, sempre há os pontos negativos, e os daqui com certeza são o calor do fogo contra minha pele, os gritos aterrorizantes e agonizantes e as criaturas grotescas que aqui habitam. 

De uma coisa eu sei: Aqui não é o céu.

Autor: Mary Dixon
Revisão: Gabriela Prado

16/03/2017

Uma história realmente pequena

Uma garotinha está brincando em seu quarto quando ouve sua mãe a chamar da cozinha, então ela corre escada abaixo para encontra-la.

Conforme ela está correndo pelo corredor, a porta do armário debaixo da escada se abre, e uma mão sai e puxa a menina para dentro. É sua mãe. Ela sussurra para a filha:

- Não vá até a cozinha, eu também ouvi.



15/03/2017

Minha família vem sendo perseguida há 4 anos (PARTE 2)

(PARTE 1)

Long Lake é uma cidadezinha cheia de cabanas onde as pessoas vão para passar as férias; acho que não existem moradores fixos. As pessoas que trabalham no mercado e restaurante de lá normalmente moravam em uma cidade que ficava a uns 30 Km. Mas no fim do verão, haviam pouquíssimas pessoas por lá, se é que haviam. Quando chegamos em nossa cabana, nosso vizinho que conhecíamos há muitos anos, um senhor de idade chamado Floyd que passava ali as férias junto dos netos, estava arrumando suas coisas para voltar para casa. Aparentemente, tinha passado três semanas ali naquele ano, duas semanas a mais do que habitual. Mas sozinho. Seus netos estavam se sentindo "velhos demais" para passar o verão lá. Fiquei triste por Floyd, eu sabia o quando ele ficava empolgado por aquela semana perto de seus netos.

Depois de apresentar Roscoe para o nosso vizinho de verão, nos despedimos de Floyd, que prometeu voltar ano que vem mesmo que sozinho. Minha esposa e meus filhos começaram a tirar as coisas do carro enquanto eu ia destrancar a cabana. Antes de chegar na porta, fique ali, olhando para o lago e respirando uma boa lufada de ar fresco do campo. Senti um peso sendo tirado de meus ombros só por estar ali, saber que não teria que me preocupar todos os dias se receberia mais um desenho da minha filha pelo correio. Me sentia verdadeiramente em paz, mesmo que por alguns minutos. Entretanto, aquela paz sumiu no momento em que eu abri a porta da cabana. Já estava destrancada. Sim, existem chances de não ter sido trancada no ano passado. Eu não tinha motivo para suspeitar de outra possibilidade a não ser essa, mesmo com tudo que acontecera. O homem misterioso não tinha como saber onde ficava essa cabana, muito menos ter chego lá antes de nós. Durante a viagem eu fiquei cuidando cautelosamente se estávamos ou não sendo seguidos. Só para ter certeza.

Abri a porta da cabana e o ar era pesado e úmido. Havia uma fina camada de poeira em cima de tudo que eu via, amplificado pelos raios de sol que vinham das janelas. Tudo estava exatamente como no ano anterior. Respirei com mais calma, aceitando o fato que provavelmente fora o eu do passado que fez com que o eu de agora se preocupasse tanto por alguns segundos. Andei até o quarto principal e liguei os disjuntores e assim fez-se a luz. Minha família entrou na cabana, meus filhos com os olhos arregalados de excitação. Correram para o outro quarto, o que tinha o beliche e imediatamente começaram a brigar sobre quem ficaria com a cama de cima. Minha esposa foi novamente na rua pegar mais algumas malas e mochilas, enquanto isso eu ia ligando o registro da água. Saber que a luz e a água estavam funcionando me deixou com paz de espirito; significava que ninguém estivera usando-os nos últimos tempos, assim como evidenciava a poeira nos moveis.

Tudo ocorreu bem no primeiro dia. Nos ajeitamos na casa, adiei o aparar da grama para o dia seguinte. Andamos de quadriciclo e jogamos jogos de tabuleiro. No dia seguinte, levei minha família para um lugar do outro lado do lago onde levávamos as crianças todos os anos. Tinha uma pracinha, e uma praia de verdade. Havia pequenos piers que agora minha filha já era velha o suficiente para brincar com minha esposa, enquanto meu filho ficava na beira do lago tentando pegar peixinhos com as mãos. Fizemos cachorros quentes e comemos bem, ficamos lá até o sol se por. Meu plano era cortar a grama quando voltássemos, mas quando estacionamos na pequena área verde que usávamos de garagem, notei que a grama estava recém cortada. Meu coração mais uma vez foi parar no estômago.

Minha esposa comentou que algum vizinho devia ter nos prestado um favor e seguiu com seus afazeres. Olhei em volta e todos os outros gramados que via não estavam cortados. Eu sabia bem quem havia feito aquilo. Bem, não exatamente quem, mas sabia. Fiquei realmente confuso sobre os motivos que levavam esse perseguidor fazer o que fazia. Até agora, ele havia nos dado um cachorro que agora era um membro da família e depois cortado a grama da nossa cabana? Uma parte de mim estava quase considerando apenas aceitar o que estava acontecendo, pois parecia inofensivo. E esse sentimento só cresceu quando nada de ruim aconteceu no dia seguinte. Mas então o quarto dia chegou.
Era por volta das sete da manhã, e minha esposa abriu a porta para Roscoe dar uma corrida lá fora e usar o banheiro. Ela amarrou sua coleira em um poste feito especialmente para ele, e depois entrou para casa para preparar o café da manhã. Roscoe aprendia rápido, e nesse pouco tempo que estava com a gente, ensinamos a fazer algumas coisinhas. Uma delas era latir quando estivesse pronto para entrar para casa. Minha esposa preparou o café da manhã, eu acordei as crianças e sentamos para comer. Foi só quando estávamos terminando de comer que Katie perguntou onde estava Roscoe. Estranho, pensei, não ouvi ele latindo para dizer que estava pronto para entrar. Achei que apenas estava se explorando e se divertindo bastante na natureza. Falei para Katie que a mamãe tinha levado para fora e já iria buscá-lo. Nada poderia ter me preparado para o que eu vi quando sai da cabana.

Roscoe estava no chão, e sua garganta tinha sido grotescamente cortada, o corte era tão absurdo que estava quase decapitado. Depois, do corte da sua garganta, havia outro feito na vertical que iam até seus testículos, e todos seus órgãos haviam sido retirados e colocados do lado de seu corpo sem vida. Seu sangue estava empoçado embaixo de seu pequeno cadáver. Senti que ia vomitar. Corri até ele e olhei seus ferimentos. Deu para perceber que havia sido feito por uma lâmina, não tinha como ser um ataque de algum outro animal. Antes de fazer qualquer coisa, corri para dentro da cabana e falei para minha família não sair nem olhar pelas janelas. Voltei para rua antes que pudessem fazer perguntas.

Enquanto as lágrimas escorriam pelo meu rosto por conta de que teria que fazer, comecei a cavar um buraco para Roscoe. Gentilmente coloquei-o no buraco e acariciei sua orelha macia uma última vez. Eu realmente gostava dele, não importava sua origem. Enchi a cova de terra e depois coloquei a pá de volta no galpão. Não sei como não havia notado quando fui buscar a pá, mas do lado do galpão havia algo escrito, como que parecia ser o sangue do próprio cachorro.

Apenas dizia "CÃOZINHO BONZINHO"

Apaguei a mensagem antes de voltar para dentro da cabana. O tempo todo eu ficava tentando explicar o que havia acontecido. Eu sentei com meus filhos e expliquei que enquanto estávamos dentro de casa, um outro animal, um bem maior que Roscoe, tinha brigado com ele e machucando-o a um ponto que teve de ir para o céu dos cachorrinhos. Minha esposa e meus filhos choraram, e eu também. Nenhum de nós conseguia acreditar que tínhamos acabado de perder o mais novo membro da família. E então, com isso, mandei todos arrumarem suas malas porque não era seguro ficar ali com um animal tão perigoso à solta.  Eles respeitaram minha decisão, e dentro de uma hora já estávamos na estrada.

Paramos em um posto de gasolina na saída de Long Lake para abastecer, pegar alguns lanches e usar o banheiro antes de embarcar na nossa viagem de quatro horas. Todos entramos juntos na loja de conveniência e, felizmente, fui o primeiro a sair. Vi pelas portas transparentes da loja: um envelope colocado no para-brisa do meu carro. Corri até ele com esperança de pegá-lo antes que minha esposa visse. Consegui isso com sucesso, e imediatamente olhei em minha volta para ver se via alguém. Ninguém. Não havia nem uma pessoa sequer. Nenhum carro saindo dali, e ninguém a pé que eu pudesse ver. Eu até fiz a volta no posto de gasolina e depois chequei dentro da loja também, e não achei ninguém que já não estivesse lá dentro antes. Eu queria pedir para os funcionários me mostrarem as câmeras de segurança, mas dando uma olhada em volta percebi que o lugar não tinha nenhuma. Além do mais, eu não queria que minha esposa soubesse do envelope que acabara de receber.

Esperei meu filho sair do banheiro e pedi que todos me esperassem dentro da loja. Entrei no banheiro, abri o envelope e tirei lá de dentro um papel dobrado no meio. Esse desenho era um de nossa casa, que Katie havia feito uma semana antes de começarmos nossa viagem. Lembro disso porque eu coloquei-o em nossa geladeira com um imã logo depois dela terminá-lo, mas então ela havia o pego de volta para botar junto com seu "portfólio". Esse retratava nossa família na piscina de nosso quintal. O desenho adicional nesse era o mesmo homem feito bruscamente, atrás da cerca, com vários presentes embrulhados em sua volta. Novamente, havia uma coisa escrita atrás da folha. "Somos uma familha felis :)".

Eu não sabia o que pensar daquele desenho. Minha família e eu tínhamos usado nossa piscina diversas vezes naquele verão, até depois do primeiro incidente quando eu estava 100% alerta. Eu tinha certeza que não havia ninguém nos espionando. A única alternativa que pude pensar era que o homem estava usando a piscina para ilustrar o lago em que tínhamos estado no dia anterior, e que a cerca eram as árvores que envolviam a clareira, de onde podia ter ficado nos vigiando. Seja qual fosse o caso, eu dobrei, coloquei em meu bolso e saí com a minha família dali. Para voltar para casa, peguei estradas secundárias e alguns atalhos que não fossem na rodovia principal, algo que deixou minha esposa bastante confusa. Falei que era para testar uma coisa no carro, mas obviamente era um jeito de ter certeza que ninguém estava nos seguindo. Novamente, não achei evidências disso.

Quando cheguei em casa, a primeira coisa que fiz foi cobrir a piscina e "interditá-la" pelo resto do pouco que sobrara do verão, algo que aborreceu um tanto minha família. Inventei uma mentira sobre o aumento de nível da água durante nossa ausência; algo que não fazia muito sentido mas encerrou-se o caso.

Eu queria contar para minha esposa o que estava acontecendo. Eu realmente queria, mas nesse ponto, achei que já havia escondido tantas coisas que o foco dela não seria no fato de estarmos sendo perseguidos e sim que eu estava omitindo coisas para ela. Então continuei deixando isso só para mim. Eu era o protetor desta família, e eu faria jus a esse cargo. Não era algo que eu não conseguiria lidar sozinho, falei para mim mesmo. Pensado agora, eu poderia ter usado uma ajuda ou outra.



EM BREVE: Minha família vem sendo perseguida há 4 anos (PARTE 3)


FONTE: NC

Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigada! Se gostou, comente, só assim saberemos se vocês estão gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião!