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O Aborto

Eu, minha mãe e minha irmã crescemos em uma área rural com pastos e florestas. Nós tínhamos um serelepe pastor escocês, Herbert, que corria para cheirar flores e cocô de cervo com seu rabo preto balançando. Minha infância foi amável e minha mãe foi extremamente sincera com a maioria das coisas, como nosso pai ter fugido de casa, um alcoólatra sem cura. Quando nos tornamos maiores de idade, já havíamos sido advertidas sobre coisas que voam tipo pássaros, abelhas e afins, e foi aí que aprendemos sobre o aborto.

Minha mãe era muito religiosa em nossa criação, era querida e doce, mas extraordinariamente rígida com coisas que entravam em conflito com suas crenças. Ela explicou que seu filho, quem ela chamou de Roger, tinha anormalidades cromossômicas que fizeram ele parar de se desenvolver no útero. Os médicos a aconselharam a abortar por conta de problemas de saúde, para seu horror. Ela relutantemente foi para a clínica sozinha, já que meu pai estava fora há três dias. Ela explicou isso como um aviso sobre sexo irresponsável, eu acho, e foi a única vez que mencionou isso.

Anos se passaram enquanto eu cresci, fui em encontros, comecei a faculdade e limpei as lágrimas de coração partido. Estava me sentindo deprimida e tudo na minha cidade me lembrava do ex, então fiz planos nesse final de semana para passar tempo com minha mãe. Eu avisei por mensagem cerca de quatro horas atrás de que estaria chegando lá pelas 2, e não recebi resposta enquanto comprava minha passagem e uma revista de acompanhante para a viagem de três hora de trem. Cochilei, cheguei na estação e liguei pra ela, recebendo caixa postal como resposta. Chamei um táxi e logo entrei no brilhante veículo preto, passando por finas folhas de outono e um céu azul. Mamãe frequentemente estava estudando, longe do celular, então eu ainda não estava preocupada.

Nós saímos da estrada e agradeci ao motorista, que dirigiu para seu próximo destino. Inalei o ar fresco de interior e minha infância pareceu voltar enquanto me dirigia até a porta da frente, que estava destrancada. “Mãe? Cheguei” avisei para a casa, sem resposta, e entrei. O som do rádio enchia a cozinha, e uma cebola cortada ao meio repousava na tábua de corte, enrugada e que claramente estava ali há dias. O pânico afundou minha mente quando percebi que algo havia acontecido. “MÃE!” chamei alto, correndo freneticamente pelas escadas, e nada, não tinha sinal algum dela. Depois de procurar por toda casa e entender que ela não estava lá, decidi ligar pro meu pai, e foi aí que o medo cresceu em mim.

Ele atendeu depois do quarto toque, e expliquei que eu estava em casa e ela tinha sumido. Perguntei se ele sabia notícias dela, e se poderíamos nos ver, porque eu estava preocupada. Contei sobre a cebola cortada ao meio e percebi seu tom mudar de amigável para grave. “Oh... oh, Deus...”, disse, soando como se soubesse de algo que eu não sabia, algo horroroso. “Não vá ao porão, estou indo pra aí agora mesmo”. Ele falou com uma voz aterrorizada.

“Hã, pai, nós não temos porão” constatei, como se ele tivesse esquecido pelos quinze anos que estivera fora. Tínhamos um sótão, uma varanda, um corredor, uma garagem e dois banheiros, os quais eu já havia checado em busca da minha mãe, mas não havia porão. Ele começou a falar sobre sua bebedeira enquanto eu examinava o chão de cada quarto, indo até o estúdio da mãe.

“Comecei a beber depois que larguei sua mãe” ele disse sob o som de um motor sendo ligado, um chiado em sua voz. “Não antes. Comecei a beber quando percebi o que ela fez”. Notei a porta do armário aberta no seu estúdio que sempre estava fechado, meu celular pressionado firmemente contra minha orelha. “Você tinha só três anos naquela época, não queria te abandonar, mas não podia ficar, não sabendo o que eu sabia” ele começou a chorar, completamente ofegante, e eu vi uma pequena maçaneta no fundo do armário, às beiradas da pouca visível portinha que havia lá.

Abri a porta para encontrar escadas que levavam ao escuro porão. Meus pés adentraram, apesar do medo que fez meus pelos se arrepiarem e meu coração acelerar. Meu pau continuou “ela disse que foi à clínica, mas ela mentiu” ele suspirou. O porão era gelado e um breu, então cliquei no meu celular para reativar a iluminação da tela. “Ela nunca abortou” ele sussurrou. O brilho esbranquiçado era muito fraco, ouvi uns grunhidos e removi a voz do meu pai de meu ouvido para iluminar às sombras em minha frente e vi o que estava fazendo barulho.

Tinha cerca de um metro, era liso, levemente translúcido e com um cabeça gigante e malformada. Era branco e inchado, com veias escuras visíveis sob a macia, gelatinosa pele. Seus olhos negros refletiram a tela do meu celular, sem sentimento, enquanto ele me encarava atrás do corpo comido pela metade da minha mãe. Era meu irmão Roger, de alguma forma mantido vivo graças àquelas paredes até se tornar aquela coisa. Ele era um feto em pé com algumas partes desenvolvidas como adulto, seus dedos compridos, seus dentes serrilhados, seus pés. Seu cérebro era aparamente na enorme testa acima dos buracos/olhos. E aquela terrível boca que, assim que eu gritei enquanto me arrastava pelas escadas em terror absoluto, gritou de volta para mim.

FONTE

Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigada! Se gostou, comente, só assim saberemos se vocês estão gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião!

PS: não comentem meme do abortinho, vou rir demais.