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As estranhas cartas para meu filho (PARTE 4)

16 comentários
PARTE 1
PARTE 2
PARTE 3

Carrie e eu nos conhecemos dezesseis anos atrás - no final de 2001, acho - em um piquenique na igreja. Eu era relativamente novo na cidade, então quando um colega de trabalho me convidou para ir com ele em um sábado a tarde, não vi motivos para não. Eu sempre ouvira dizer que igrejas e supermercados eram os melhores lugares para se conhecer mulheres decentes e solteiras, e parece que é verdade. Naquela tarde, conheci a garota mais linda que já vira. Ela estava atrás de uma travessa de frango frito, com seu avental engordurado que dizia Igreja Metodista Union Street, rindo enquanto colocava coxas e peitos e sobrecoxas no prato de todos. Lembro que seu cabelo loiro estava preso em um rabo de cavalo alto, que balançava para lá e para cá quando mexia a cabeça. Parecia uma líder de torcida ou algo do tipo. Fiquei apaixonado desde o primeiro momento em que coloquei meu olhos nela. 

Depois do almoço, comecei a conversar com ela e nos demos bem de primeira. Logo mais já estávamos namorando, e nos casamos em Outubro de 2002. Aquele foi o melhor dia da minha vida. O segundo foi o dia que Kyle nasceu. 

Ler aquela carta que o psicopata mandara para o jornal fez meu coração se partir em dois. Meu primeiro pensamento foi, não a MINHA Carrie. Mesmo que ela tenha negado a traição, não conseguia tirar da cabeça a imagem da minha esposa de quinze anos de união, em um carro com outro cara - fazendo AQUILO, não menos. Na hora que chegou em casa na noite de ontem, eu estava com raiva. Fervendo, na verdade. Assim que entrou pela porta, eu a confrontei, o jornal em minhas mãos. 

Eu: Porque você não está respondendo minhas mensagens?

Carrie: Desculpa, querido, fiquei ocupada. Você sabe como meu chefe é. Não posso ficar com meu celular durante o trabalho. 

Eu: Você sempre responde minhas mensagens. O que está acontecendo? 

A expressão em seu rosto me disse tudo. Ela não era boa em mentir, e pude perceber que havia algo. Por algum motivo, isso me deixou com menos raiva. Ela parecia chateada. 

Carrie: Nada, Dean (Ela não olhava para mim. Foi para a sala de estar onde Kyle estava vendo TV, e falou para que ele fosse para seu quarto. Começou a pegar coisas aleatórias do sofá e chão como se estivesse arrumando a casa).

Eu: Conheço esse olhar - você não sabe mentir. Amor, por favor, Andrew está desaparecido e esse psicopata está com ele. Se algo daquela carta é verdade, você tem que me dizer. Seja o que for, vamos superar (parecia uma mentira, quente em minha garganta, mas falei da mesma forma). 

Ela me olhou, olhos marejados, e então apenas desabou. Se encolheu no sofá e ficou lá sentada, rosto nas mãos, soluçando. Sentei ao seu lado e acariciei suas costas. 

Eu: Carrie, está tudo bem (meu coração estava descontrolado em meu peito. É uma sensação terrível saber que você pode estar a segundos de ouvir algo que nunca será retirado. E que pode mudar tudo). 

Carrie: (entre soluços) Eu não sabia que isso tinha algo com aquilo...

Eu: Que? Oque foi? Só me fale. 

Carrie: Eu juro, foi um erro... eu nunca quis que isso acontecesse. 

Eu: Só fale, Carrie. Por favor. 

Carrie: (limpou a maquiagem que escorria no rosto) Foi no final de semana que você estava fora da cidade com seus amigos. Acampando, eu acho. Foi a muito tempo. Oito ou nove anos atrás. 

Eu: Eu lembro. (Eu tinha me juntado com uma galera da faculdade, o que não acontecia muitas vezes. Só voltei no domingo de noite). 

Carrie: Eu e as meninas fomos para um bar na sexta de noite. Eu juro, eu não acho que bebi tanto. Tomei umas cervejas, acho, mas nada destilado. E tinha esse cara lá, e...

Eu: E O QUE, Carrie?

Carrie: (Finalmente me olhando) Não me faça falar. 

Eu: Então é VERDADE?!

Carrie: Meu Deus, eu sinto muito. Eu me lembro de me sentar no bar, do lado de Jenny e o cara chegando e falando com a gente. A próxima coisa que me lembro é de estar sentada no carro dele em um estacionamento perto do rio. Eu não sabia como tinha parado lá. Fiquei com tanta vergonha... Eu juro, a gente não transou... ele queria, mas eu disse que não... 

Eu: (Já estou lacrimejando nesse momento, segurando a raiva) Um cara qualquer? Em um estacionamento? Jesus Cristo, estou tentando entender, Carrie. 

Carrie: Eu sei que não faz sentido. Eu não sei o que aconteceu - nunca fiz nada desse tipo antes. E não, não um qualquer. Isso que é estranho sobre tudo isso. Eu o conheci na igreja. 

Eu: Na Igreja? NOSSA igreja? 

Carrie: Aquela sexta foi um dia de serviço. Estávamos indo para o Gentle Hills, naquela casa de repouso para visitar os velhinhos. O grupo jovem faz essa coisa chamada de "palhaçar", onde se vestem de palhaços e pintam os rostos e trazem balões para os residentes que não podem sair de lá. Eles amam isso. Levei essa ideia para o grupo adulto e queriam fazer também. Quando nos encontramos na igreja, esse cara estava lá. Eu nunca tinha o visto antes nas missas, mas achei que era amigo de alguém. Dean? 

Eu estava sem palavras, lágrimas escorrendo por minha bochechas. Devastado. Mas eu não precisava falar isso. Ela já saboa. 

Carrie: Eu sinto muito. 

Eu: Ele falou como se chamava? 

Carrie: Ray, eu acho (fungando). Se me falou o sobrenome, não lembro. Dean, eu sei o que você está pensando. Não pode ser o mesmo cara. Ele era um cara normal, Jean, camisa de botão. Cabelo curto. Parecia muito bêbado, mas normal. Acho que comentou que era um contador. Ele fez algumas piadas dizendo que faríamos filhos lindos, mas ignorei isso, achando que estava só me elogiando. Acho que até fiz piada dizendo que nunca queria ter filhos. Isso obviamente foi antes de nós termos Kyle. Talvez esse psicopata tenha nos visto naquele dia? Talvez ele estivesse lá perto do rio. Eu não sei. 

Eu: Você viu esse cara de novo depois? 

Ela parecia não querer responder.

Eu: Carrie? 

Carrie: Ele me ligou. No dia seguinte. Acredito que eu tenha dado meu número. Disse que queria me ver de novo, que estava apaixonado por mim. Eu fiquei tão envergonhada, não sabia o que dizer. Só desliguei o telefone na cara dele e bloqueei o número. Nunca mais o vi. Só queria esquecer daquilo tudo. 

Eu: Nunca mais?

Carrie: Nunca mais ou vi ou ouvi falar dele de novo. Juro por Deus (ela se virou para me olhar). Dean, eu sinto muito. Eu não tenho desculpar para o que aconteceu. Eu acho que bebi mais do que deveria, e cometi esse erro terrível. Eu sei que arruinei tudo. E agora tudo isso com as crianças... Por favor, querido... 

Me levantei e a deixei lá no sofá, chorando. Se eu tivesse dito algo, teria sido está tudo acabado entre nós, mas eu não conseguia. Eu amava Carrie. Mas sabia que tinha que sair de perto dela, por um tempo, pelo menos. A culpei por não ter me contado o que acontecera assim que recebemos a primeira carta, mesmo que não tivesse motivos para ela acreditar que as duas coisas estavam interligadas. 

Fui para o quarto de Kyle e sentei em sua cama. Ele estava no chão, brincando com uns bonequinhos. Quando me viu sentar, me olhou e perguntou se o homem mau estava vindo o buscar. Se era por isso que a mamãe estava chorando. Me sentei no chão e o abracei forte. Eu não havia contado ainda sobre Andrew. Não sabia se conseguiria. 

Não, eu não vou deixar isso acontecer. Nunca, tá bom? Sou seu pai, e é meu trabalho te proteger. E é isso que vou fazer. Eu juro. Eu acho - espero - que ele tenha acreditado em mim. Não falei com Carrie pelo resto da noite. A ignorar era uma sensação horrível, especialmente com tudo que ela estava tendo que lidar. Mas eu não sabia mais o que fazer. Não conseguia aguentar a ideia de ter que falar com ela. 

Tarde naquela noite, perto das dez, detetive Carr ligou. Saí do sofá e fui para a varanda dos fundos enquanto conversávamos. Carrie estava dormindo no quarto e não queria acordá-la. 

Ele tinha ido na casa do detetive aposentado e conversaram sobre o caso de Kerrington. O detetive se lembrava bem, disse - pessoas não desaparecem com frequência na nossa cidadezinha, aparentemente, e esse caso o perturbou profundamente. Garota jovem de uma família decente que desaparece do nada sem deixar vestígios e ele não conseguiu encontrá-la. Ainda o assombrava.

Ele confirmou as informações que Carr encontrara nos relatórios. Suzanne tinha sido vista pela última vez em uma academia. A amiga que a tinha visto - Emily, lembrava - disse que Suzanne estava empolgada para se encontrar com esse cara que conhecera na noite anterior. Ela queria treinar braço para que ficassem bonitos numa regata. Coisas estranhas desse tipo, acaba ficando na memória. Ela era uma moça decente para seus 21 anos de idade. Nunca frequentava bares da cidade e nunca arranjava encrencas. Seu maior círculo social era a igreja, disse. 

Meu coração pulou uma batida quando falou isso. Que igreja? 

Union Street, detetive Carr respondeu. Porque? 

Union Street. Nossa igreja. 

Eu sabia que tinha que contar para Carr sobre o que Carrie havia feito. Falar sobre aquilo com ele tornou tudo ainda mais real, e a ferida se abria cada vez mais enquanto eu falava todos os detalhes novamente.

Mesmo que Carrie não achasse que o cara com quem me traíra fosse o mesmo que sequestrou Andrew, detetive Carr achava que SIM. E a Union Street era a conexão. Carrie tinha conhecido "Ray" na igreja, talvez Suzanne também. Se isso estava correto, podiam ser o mesmo cara. No começo ele me perguntou como Carrie não reconhecera o nome de Suzanne da igreja, mas expliquei que Carrie tinha se mudado para ali por volta de 1999. Detetive Carr concordou: o caso de Suzanne já estava fora das notícias naquela época. Desligou o telefone rispidamente, dizendo que tinha algumas pistas pare seguir. Era óbvio que aquele cara não ia dormir tão cedo. 

Depois de desligar a ligação, fiquei sentado na varanda olhando para a escuridão do jardim, onde Kyle estava quando um estranho tinha entrado e deixado a carta aterrorizante que começara tudo isso. 

Porque a carta era Kyle? Porque isso agora, depois de dez anos? 

Eu sabia de uma coisa. Seja lá quem fosse esse nojento, ele gostava de vestir como um maldito palhaço. 

E usava a igreja como seu campo de caça. 

Voltei para o sofá, mas não consegui dormir bem. Eu sabia que teria uma equipe na casa 3 da Orange Circle pela manhã, quebrando o chão novo de concreto do porão, e fiquei imaginando a cova rasa que provavelmente encontrariam lá em baixo, com os ossos de Susie Kerrington lá dentro. Eu queria que Andrew não tivesse o mesmo destino. 

Hoje de manhã, não havia um novo artigo no jornal como eu esperava. Não tinha dado tempo do detetive Carr enviar informações para eles. Entretanto, eu estava ouvindo a rádio no café da manhã e durante o programa matutino, detetive Carr foi entrevistado. Instruiu aos moradores de ficarem dentro de casa depois do escurecer e manter janelas e portas bem trancadas. E então descreveu o individuo que era procurado. 

Quarenta e poucos anos (por volta da minha idade), provavelmente formado no ensino superior. Bem arrumado. Empregado, provavelmente contador. é provável que ele goste de passar essa imagem de adulto bem sucedido, mas sozinho é mais crianção. Talvez faça bicos em festas infantis fazendo animais de bexiga e pintura em rostos, ou como papai noel ou coelhinho da páscoa de shopping. Também pode frequentar jogos de basebol infantil, então seria bom que todos ficassem atentos para alguém que se encaixe nessas descrições que não seja parentes ou amigos próximos. Pode se chamar Ray. 

Carr continuou dizendo que ele era espero. E astuto. Ele quer a atenção que está recebendo. É o que o incentiva, o que provavelmente quer dizer que ele tem uma doença mental. Ele já matou uma vez e pode fazer de novo. NÃO CONFRONTE esse individuo se o ver. LIGUE PARA A POLÍCIA. 

Depois que largue Kyle na escola, passei pelo número 3 da Orange Circle. Haviam duas viaturas e um caminhão de construção na frente. Tinham colocado fita amarela de isolamento e pude ver alguém segurando dois baldes vindo da parte de trás da casa. Ele foi para a parte da frente do jardim e despejou o que parecia ser pedaços de concreto quebrado em uma enorme sacola verde de lixo. Provavelmente era a única forma de tirar aquilo do porão. Depois voltou para a parte de trás da casa.


DIA 07/03/2018: As estranhas cartas para o meu filho (PARTE 5)


FONTE

16 comentários :

  1. tá me tirandooooooo, mais 1 semana nao mano, muito ruim esperar kkkkk ta muito boa a história

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  2. Vamos ver se esse pai vai ser cuzao igual o pai de "minha família vem sendo perseguida há 4 anos"

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  3. Tenho a impressão que já li ou vi essa creepy em outro lugar...

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  4. AAHHHHH MANO esperar mais uma semana slc, estou apaixonada por essa serie

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  5. Hipotese* o "ray" é o mesmo rapaz que esta recendo as cartas ( o pai de kyle) e mano que mulher fdp zzz

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  6. A Creepy está tomando um rumo interessante, mas muitos erros ainda são notáveis. Eles não impedem ou estragam a leitura, mas se corrigidos, deixariam tudo mais prazeroso e menos cansativo, creio.

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  7. Muito boa mesmo e pra quem tá xingando a mulher: Ela estava bêbada e ela "querendo" ou não se o cara levou ela pra dentro de um carro e transou com ela enquanto a mesma estava bêbada é pq não teve consentimento e foi estupro.

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    1. ela disse que nao transou, só rolou um boquetzin

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    2. Mas como ela tava bêbada e nem lembrava que tinha dado o número de telefone talvez ela não lembre de ter transado/sido estuprada por ele...

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  8. Essa série tá demais!! Mas será que desistiram de voz e Beau?

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