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As estranhas cartas para meu filho (FINAL)

18 comentários
PARTE 1
PARTE 2
PARTE 3
PARTE 4
PARTE 5

Carr atendeu no terceiro toque. 

Eu: É Jay! Não Ray!

Carr: Espera, vá devagar...

Eu: (pegando folego) Carrie olhou nos boletins de filiação da igreja de 2007. Ela reconheceu Jayson Fisher sendo o cara de dez anos atrás... quando ela...

Carr: Tá...

Eu: Ele é juiz de basebol. Árbitro. Seja lá como são chamados. É conhecido como Jay. E ninguém consegue entrar em contato com ele, não nos últimos dias. Acho que ele está com Andrew. Temos que ser rápidos...

Carr: Sua esposa tem um endereço? 

Eu: Endereço?

Carr: No boletim. Deveria ter um endereço.Talvez não more mais lá, mas é um bom começo. 

Eu: Tá bom, ligarei de volta. 

Eu desliguei e liguei de novo para o celular de Carrie. Depois de cinco ou seis toques, caiu na caixa de mensagem. Desliguei e manei uma mensagem. Preciso do endereço de Jay. Olhe no boletim! 

Sai do sofá e peguei minhas chaves indo rapidamente para minha caminhonete. Entrei no carro e esperei, batendo os dedos na direção. Comecei a mandar uma mensagem para Ryan para saber se ele sabia o endereço de Jay, ou se conseguiria para mim com outra pessoa, quando uma mensagem de Carrie chegou para mim. 

15 Franklin dr

Mandei uma mensagem de volta: Obrigado. Kyle está bem? 

Na igreja. Está bem. 

Liguei para o detetive enquanto saia da minha garagem com a caminhonete. Quando atendeu, eu estava basicamente gritando. 

Eu: 15 Franklin Dr. Esse é o endereço! 

Carr: Tá, entendi. Já passei para a rádio e estou indo para lá. Dean, você está dirigindo? (abaixei o volume do rádio que estava tocando um pop horroroso que eu já tinha ouvido mil vezes). Olha, você sabe que esse cara é extremamente perigoso. (Ouvi as sirenes dele). Você e Carrie tem que ficar onde estão e... 

Desliguei e joguei meu celular no banco do passageiro. Eu sabia que ele estava certo, mas não tinha condição nenhuma de eu ficar sentado esperando. Carrie e eu tínhamos envolvido Andrew nessa bagunça e tive o pressentimento que precisaria de pelo menos um de nós dois para sair dessa. 

Liguei para Carrie mais duas vezes no caminho. Aqui é a Carrie! Deixe uma mensagem! Na segunda vez, eu deixei. Carrie, onde você está? Você está bem? Por favor, me liga. 

A rua Franklin era apenas dez minutos de distância da nossa casa, segundo meu GPS, mas cheguei lá em uns oito. As ruas estavam quase sempre vazias na manhã de domingo e consegui pegar quase todas sinaleiras verdes. Se Carr antes estivesse perto da delegacia, significa que estava vários minutos atrás de mim. 

Assim que virei e entrei na rua Franklin, senti como se tivesse levado um soco na boca do estomago. A caminhoneta branca de Carrie estava estacionada na frente de uma casinha de tijolos à vista cerca de três casas depois da entrada da rua. Reconheci de imediato por causa do adesivo roxo na janela traseira. Era da escola de Kyle. Naquele momento, por algum motivo bizarro, a única coisa que consegui pensar era: pelo menos eu disse que a amava. E isso é um pensamento grotesco de se ter sobre alguém que você realmente ama.

Estacionei atrás dela e pulei do carro. Achei estar ouvindo sirenes na distância, mas não podia esperar. Carrie estava lá dentro em algum lugar. Fui até a porta da frente, que estava trancada, mas então comecei a ouvir uns gritos que vinham dos fundos, e vi o portão da lateral da casa estava aberto. Corri por lá até o quintal. 

Jay estava de pé no meio do quintal, mas não se parecia exatamente como eu esperava. Ele era alto - mais de 1,80 - e estava com um boné de basebol colocado na cabeça de uma forma que tapava seus olhos. Uma barba a fazer estava crescendo em seu maxilar e pescoço, e eu podia ver a protuberância de sua barriga em sua camiseta de botão um-número-menor-que-o-ideal. Estava de pé como se suas pernas mal conseguissem mais aguentar, como um lutador que sabe que está prestes a perder. 

Andrew estava ao seu lado, de pé em cima de uma caixa que, por sua vez, estava em cima de um banco alto de cozinha. Tinha fita isolante em seus olhos e boca. Estava de pé perfeitamente parado, braços ao lado do corpo, enquanto Jay gritava para Carrie se afastar. 

Havia uma corta em volta do pescoço de Andrew, e essa corda estava amarrada em um galho alto de uma figueira. 

Carrie estava na minha frente para a esquerda, ainda usando seu vestido que usara para ir na igreja. O tecido dançava com o vento batendo em sua silhueta pequena. 

Quando Jay me viu, estreitou os olhos. 

Jay: Estava aqui me perguntando quando você apareceria, Deanizinho. Tão grosseiro, você! Sua mãe não te deu educação? 

Carrie olhou para mim, mas continuou com o corpo virado para a ameaça em sua frente. Ela sibilou um "sinto muito" antes de olhar de volta para frente. 

Eu: Deixe ele ir, Jay! (levantei as mãos vazias para cima) Sinto muito ter sido grosso com você. Ninguém precisa se machucar.

Jay: Ninguém precisa se machucar? É tarde demais para isso, babaca. 

Carrie: O que você quer?

Jay: Você, Carrie. Sempre foi VOCÊ!

Carrie: Porque as cartas, então? Você podia ter dado um jeito melhor de me ter. Ao invés disso, você arruinou minha vida. E a sua também.

Jay: Porque você mentiu para mim! E eu não queria mais que você mentisse. Se eu te procurasse, você nunca teria que ter contado sobre nosso caso para Dean. Então, te pressionei. E você tinha uma escolha! Contar para Dean nosso segredinho, para que ele pudesse resolver todo o mistério, ou esconder dele e deixar que Andrew morresse. Sendo que você está aqui, devem ter tido a maravilhosa conversa. E que maravilha deve ter sido a cena! Agora todos vão saber, e ninguém vai querer ficar com você, nem mesmo o seu maridinho! (Ele se virou para mim) Como está o casamento perfeito agora? Gostando de provar da minha saliva? 

Eu: Tá bom, você venceu, Jay. Você venceu. Pra que machucar Andrew?

Jay: Eu não quero machucar Andrew! Todo esse tempo. Eu fui bom todo esse tempo! Quando você é bom, deveria ganhar uma recompensa! (Olhou de novo para Carrie). Você me DISSE que não queria ter filhos. Você disse! E então ouvi chamarem Kyle no jogo, e você estava na arquibancada, e eu... 

Ele se balançou e seu quadril bateu contra o banquinho, balançando. Andrew abriu os braços para se equilibrar e o banco se endireitou. Mas não antes de algo cai de trás da caixa - por trás dos pés de Andrew - no chão. Jay se inclinou e pegou. Era uma enorme faca de cozinha. 

Eu: E você o que, Jay? 

Eu precisava que ele continuasse falando. Eu tinha ouvido as sirenes, mas não mais. A polícia estava na frente da casa. 

Jay: Carrie era para ser MINHA. E Kyle também. 

Carrie: Como podemos fazer com que tudo fiquei bem, Jay? (Ela deu um passo pra frente). 

Eu: Carrie...

Carrie: Jay, como podemos fazer com que tudo fiquei bem?

Jay: Podemos fazer uma troca. 

Carrie: Tá, ótimo. Trocar o que?

Jay: Sua vida, Carrie. 

Dei um passo para frente, mas parei quando Jay pressionou a faca na costela de Andrew e fez que não com a cabeça. Então, apontou a faca para Carrie. 

Jay: Sua vida pela de Andrew. Esse é o acordo. É a esse ponto que chegamos! Se não posso te ter, ninguém mais pode. É o único jeito. E se você se recusar... (Colocou a faca novamente em Andrew, pressionando mais forte dessa vez). Você terá que viver com... 

Carr: Largue a faca! AGORA! 

Carr estava no portão, sua arma em mãos. Jay se escondeu atrás de Andrew e colocou um pé perto do banco, como se estivesse prestes a chutá-lo. Andrew estava bem longe do chão e percebi que, se caísse, provavelmente quebraria o pescoço e nem teria tempo de sufocar. 

Carr: Toque nele e você morre, Jay! Me ouça! Coloque a faca no chão!

Haviam mais dois policiais no seu lado agora, os dois com armas em punho. 

Carrie: Não, espere!

Jay parou, ignorando todos menos Carrie. Prestes a chutar. 

Carrie: É minha culpa, Jay. Eu sei disso. (Ela deu mais um passo). 

Eu: Carrie, o que você está fazendo? 

Carr: Vocês dois, fiquem onde estão!

Jay: (ele estava sorrindo levemente agora) Temos um acordo? 

Carrie: Eu não posso voltar no tempo, mas posso compensar. 

Eu: Carrie! Não é sua culpa! Ele te drogou!

Jay: TEMOS? 

Carrie: Eu te amo, Dean.

Eu: Carrie!

Jay: TEMOS UM ACORDO?

Quando Carrie disse "temos" e correu para Jay, parecia que o mundo inteiro tinha parado no tempo. Parecia correr em slow motion, seu rabo de cavalo apertado flutuando atrás dela como se a gravidade não a afetasse. 

Então eu também corri, mas ela estava muitos passos a minha frente. E era tarde demais.

Carrie - mal chegava aos 50 quilos - que acreditava que tinha cometido uma coisa terrível e iria compensar agora, e Jay Fisher - um árbitro de mais de 100 quilos - que já tinha matado antes e que acreditava ser dono da vida daquela que um dia já escapara, colidirem com uma força que parecia muito maior que das duas partes. Dez anos de vergonha, culpa e vingança explodiram debaixo da figueira, e seus corpos giraram e caíram no chão, e um braço rebelde derrubou Andrew de seu banco. 

Naquele momento, o qual está gravado na minha mente, eu só tinha uma escolha: agarrar Andrew antes que ele caísse, ou me juntar ao montinho e salvar Carrie. Não me lembro de fazer uma escolha consciente. Só sei que no momento seguinte eu estava segurando Andrew, a corda em seu pescoço apertada o suficiente só para fazê-lo tossir, mas não o sufocar, e eu gritava para Carr ajudar Carrie. 

Então ouvi dois tiros, um seguido do outro. 

Quando olhei para baixo, vi sangue. Muito sangue. Fiquei me perguntando se Carr errara e acertara Carrie. Mas quando Jay rolou de barriga para cima, pude ver os dois buracos de bala. Um em seu peito e outro na barriga. Então porque havia sangue em Carrie? 

Assim que livrei Andrew, me ajoelhei junto de Carr. Ele estava pressionando uma ferimento na barriga de Carrie, onde a mancha vermelha se espalhava. 

Quando eu a ouvi chorar, foi o som mais lindo do mundo. Estava viva. 

Ontem, meu mundo quase acabou. Hoje, as coisas parecem mais claras, mas ainda temos muito a fazer. 

Estou sentado no quarto de Carrie no hospital, com meu notebook no colo, assistindo-a dormir. A faca perfurou seu intestino grosso mas não danificou mais nenhum órgão. Até agora, não há sinais de infecção, e os médicos acreditam que com uma boa recuperação, logo estará 100%. 

Já vi em minha mente o momento em que Andrew caiu umas centenas de vezes. Talvez mil. Meu coração diz que, se eu tivesse escolhido Carrie, talvez ela não tivesse sido esfaqueada. Me cérebro diz que Andrew teria morrido. Não sei se um dia conseguirei fazer as pazes com essa decisão, mas uma coisa é certa: agora sei como Carrie se sentia todos esses anos. 

É difícil olhar para dentro de si, admitir seus pecados (ou erros) e procurar redenção por eles. Acredito que foi exatamente isso que Carrie fez ontem, debaixo da figueira. Fez jus ao passado. E estou orgulhoso.

Andrew foi devolvido ao seu pai sem nenhum arranhão. Pelo o que ouvi de Ryan, o pai de Andrew acredita que nenhuma agressão - sexual ou física - aconteceu. Isso significa que Andrew provavelmente ficará bem, também. E isso fará Carrie ficar muito feliz quando acordar. Quando a temporada de basebol voltar - ah, sim, os pais já estão colocando isso em prática - preciso lembrar de me sentar com o pai dele e explicar o que aquele bilhete de Jay significava. Espero que entenda. 

Detetive Carr fez uma visita aqui no hospital hoje de manhã. Jay Fisher está morto, claro, e o sentimento mútuo na comunidade é choque e descrença. Aparentemente, Jay escondeu sua natureza verdadeira muito bem. Realmente ele se conservava bem arrumado antigamente, mas com o passar dos anos foi se deixando levar. Ah, e ele nunca foi um contador. Se candidatou para uma vaga de contador em uma empresa aqui da cidade, mas foi rejeitado. Na verdade, nunca tinha trabalhado como papai noel ou coelhinho da páscoa no shopping - então Carr errou essa parte - mas encontraram perucas e tinta para rosto em sua casa. O cara gostava de ser palhaço. Também encontraram outras coisas estranhas. Outros poemas, assim como os escritos para nós, mas para outras pessoas Alguns escritos em papéis, outros em partes brancas de revistas, alguns em paredes. Carr está procurando por nomes ou algo do tipo que possa identificar essas pessoas, mas duvido que chegue em algum lugar com isso.   

Também conversamos sobre a casa 3 da Orange Circle. No final das contas tinha um corpo enterrado lá, em uma cova rasa de uns 30 centímetros. 

O único problema é que não era Suzanne Kerrington. 

Carr riu depois que contou isso e viu a expressão em meu rosto, mas eu sabia que não era alegria por trás de seu sorriso. Era desnorteamento. Em uma cidade como a nossa, raramente você encontra monstros como esse. Por algum motivo, eles gravitam em áreas mais populosas, acho que para se misturarem com a multidão.

Perguntei como sabiam que não era ela. Acontece que Susie tinha fraturado o braço esquerdo em um acidente bem feio enquanto líder de torcida no ensino médio. Seu pai - Carr disse que ligou para ele, mesmo odiando o fato, pedindo quaisquer características que pudesse usar para identificá-la - e ele falou que a garota havia quebrado a ulna. Quando alguém quebra um osso de um jeito muito feio, fica uma espécie de cicatriz quando cura. Quem estava enterrada no porão nunca tinha quebrado o braço. 

Perguntei se ele achava que Jay que matara aquela mulher (era uma mulher, disse Carr, dá para distinguir o sexo pelo formato da pélvis) e se ele achava que descobriria o que aconteceu com a pobre Susie. Carr disse que estavam tentando identificar os ossos, mas provavelmente nunca saberemos a verdade, agora que Jay morreu. E talvez seja o melhor.

Nunca saberemos quantas pessoas Jay Fisher atterrorizou. Ou quantas matou. Isso será investigado, e todos ficaremos nos perguntando, como deixamos esse monstro escapar por tanto tempo? Vivendo debaixo dos nossos narizes. E talvez ainda haja algumas respostas, mas acho que a maioria delas está enterrada junto de Jay.

Obrigado do fundo do meu coração por terem me acompanhado até o fim. Carrie, Kyle e eu teremos cicatrizes por causa disso. Não nos ossos, como Susie, mas mais profundo. E depois que Carrie acordar e voltar para seu eu normal, acho que poderemos seguir nossa vida, apesar de tudo.

FONTE

18 comentários :

  1. muito boa, eu mudaria algumas coisas, como o jeito que Jay morreu, mas mesmo assim, ficou ótima !

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  2. Carrie é a Susie, isso fica bem explícito em alguns diálogos, para ela ter feito sexo com Jay dentro de um carro, não foi efeito de drogas e sim alguma divida do passado.

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    1. Isso até que faz algum sentido, pelo fato de as duas se parecerem bastante... mas não tanto

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    2. Não, não eram a mesma pessoa. Dean afirmou que Carrie mencionou que chegou na cidade tempos depois do desaparecimento de Susie, além de que ele também mencionou varias vezes que a cidade é pequena e pacata... Não teria chance de ninguém a reconhecer, já que estamos falando de um desaparecimento famoso para cidade.
      Um dos principais plots, e que torna o final mais interessante é justamente este. Susie foi introduzida na história como um mistério, e no final não foi nada, apenas criou expectativa nos leitores...

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  3. Sabia que era ele... Ainda bem que morreu

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  4. Creepy sensacional, só esperava que o final fosse trágico, mas isso é subjetivo. :)

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  5. Muito legal essa creepy, mas também esperava que o final fosse mais trágico...

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  6. tive bastante entretimento com essa creepy, porém esse final foi meio "sem sal"
    mas parabéns <3

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  7. Isso pareceu muito com último capítulo de novela, tipo o diálogo: não faça isso! E a cena q deixa a dúvida de quem levou a facada

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  8. Muito bom! Acho que o final "sem sal", foi justamente o melhor. Porque quando se le uma creepy, a gente só imagina como vai ser o desfecho e tem a certeza de que todo mundo vai se f**** no final. E esse "final feliz" que não é muito típico das creepys fez com que a história envolvente e super bem feita tivesse um ótimo termino! Essa que trouxeram foi realmente ótima, parabéns!

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  9. achei muito boa adorei o final essa "creepy" vai ficar na minha mente para sempre

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  10. Creepy 10/10 mas eu ainda mudaria umas coisinhas aqui e ali

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  11. Que bom que teve final feliz hahaha mas ainda desconfio da Carrie!!!

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  12. sensacional, finalmente um final que não desaponta :D

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  13. As outras partes estão corrompidas

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