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Vox e Rei Beau: Tem Que Ser Agora (PARTE 12)

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Estou atrasada. Com sorte, talvez alguém esteja aqui para ler. 

Primeiramente, sinto muito pela última atualização. Percebi que está demorando mais e mais para escrever essas coisas, e estou tentando compilar as histórias para que tudo fiquei mais certinho. Então, por favor, tenham paciência comigo. Como sempre, só peço por ajuda. Não quero soar melodramática, mas acho que as coisas estão piorando mais rápido do que eu antecipava.

Acordei hoje de manhã e por um momento me esqueci onde estava. Estava morrendo de frio e achei ouvir alguém falando no quarto do lado e entrei em pânico. Percebi que era meu rádio-despertador no meu quarto e enquanto sonambula, fui até a cozinha e me deitei debaixo da mesa. Esse é um péssimo jeito de começar qualquer dia, especialmente porque eu não varro meu chão da cozinha faz muito tempo. Mas as coisas pioraram depois. 

Estou acostumada com as dores de cabeça. Começa de um jeito terrível nas manhãs, mas iam melhorando durante o dia. Meu único problema agora é que começo a sentir náuseas, como se estivesse com uma virose ou algo do tipo. Não consigo me focar a escrever por muito tempo. É como se as palavras não viessem. E quando vem, as memórias estão partidas ou nãos significam nada. Isso aqui é algo que escrevi hoje a tarde, por exemplo:

Acho que já falei antes, como a maioria das meninas pequenas, eu amava filmes da Disney. Peter Pan foi o motivo que fez com que eu não fugisse de Beau pra começo de conversa. Entretanto, todo mundo sabe que certas cenas assustaram suas mentes infantis e inocentes. Ursula sendo empalada no barco, Scar sendo despedaçados pelas hienas, Pato Donald enlouquecendo e quase comendo Mickey, a parada alucinógena no Dumbo, etc. Naquela época, até os filmes infantis eram cheios de coisas assustadoras.

Mas para mim, tem um filme em especial. Tem uma cena que até hoje não consigo assistir sem ficar toda arrepiada. Aquela cena da Ilha dos Prazeres em Pinóquio. Acho que vocês sabem do que eu tô falando. Os menininhos são transformados em burros e mandados em caixotes para as minas de sal? A primeira vez que vi aqui comecei a chorar incontrolavelmente e fiz minha mãe tirar o filme. 

E mesmo assim, eu tinha um amigo imaginário que roubava vozes e vestia peles de quem matava, mas burros eram demais para mim. Nem pergunte. Isso é a lógica infantil. Lógica infantil da Vox. 

Naquele dia, quando fui brincar com Beau, com meus olhos cheios de lágrimas, corri para contar sobre a cena, perguntando se era real. A princípio Beau achou idiota que eu fiquei tão obcecada com algo daquele tipo. Se alguém tentasse me transformar em burro, eu só tinha que lutar contra. Isso é o que ele faria. Mas esse conselho não ajudava, falei que ele teria que me ajudar com certeza se uma pessoa malvada quisesse me transformar em um animal de carga. Os burros do filme perdiam sua voz e só zurravam. Isso fez com que Beau prestasse mais atenção. 

"Então você não pode deixar que isso aconteça," me disse. "Você não pode deixar que alguém pegue o que é meu. Não vou te deixar."

...Mas é só isso. Não existe mais nada nessa memória, ou outra coisa que eu consiga lembrar desses momentos. Não consigo tirar as palavras do meu cérebro. Fiquei frustrada. Não sei o que aconteceu. Era como se o estresse de todos os últimos dias caindo em mim, e parecia que eu não conseguia mais controlar meu corpo. Fiquei em um estado cego de raiva. Quero dizer, gritando, socando o sofá, chutando coisas, jogando coisas na parede. Sou uma pessoa muito calma e nunca surtei dessa forma, mas não aguentava mais. Todos meus músculos estavam tensos de raiva enquanto chorava.

Não sei quanto tempo durou, mas minha loucura parou em algum momento e em minha volta não havia nada além de silêncio. Era aquele cobertor de quietude que conhecia muito bem. Minha cabeça parecia limpa, por um momento. Consegui respirar normalmente. Então ouvi algo vindo das minhas costas.

"Vox."

Eu sabia que ele estava lá. Na luz noturna, eu podia ver sua sombra pelo canto do meu olho. Se esticava por toda a parede, mas recuava se eu olhava diretamente. Então fiquei parada. Ele devia estar no canto à minha direita. Eu podia ver a ponta de seus dentes. Na última vez que o descrevi, falei que parecia um crocodilo, mas percebi que essa não era a palavra que queria usar. Alguns anos atrás, quando fui no zoológico local, tinham uma exposição de floresta tropical. Lá tinha fotos de um animal chamado Gavial. Os dentes dele era iguais. Lembrei de tudo que vocês me aconselharam. Eu precisava tentar falar com ele, mesmo que isso me apavorasse. O quão pior poderia ficar, né?

Então ignorei aquela parte de mim que dizia que isso era loucura, que estaria apenas falando com um fragmento da minha imaginação doentia. Quantas vezes você tem oportunidade de falar com seu subconsciente, certo? 

Perguntei, "O que você quer? Por que você está aqui?"

Ouvi-o rosnando, baixo e profundo. O som fez com que os pelos da minha nuca se arrepiassem. Já passei muito tempo da minha vida na natureza, fazendo trilhas e coisas do tipo. Ouvi cachorros rosnando, coiotes, todos tipos de animais ferozes. Acho que já ouvi até um leão-da-montanha, uma vez (eu estava de quadriciclo e vazei rapidamente de lá, então sabe-se lá o que era mesmo), mas nenhuma dessas criaturas fazia um som parecido com aquele. 

"Não há mais tempo," ele falou. "Tem que ser agora."

"O que você quer dizer?" Perguntei. Meu coração estava batendo muito forte, meus dedos enterrados no sofá. 

"Nada vai pegar o que é meu por direito. Sua voz sempre pertenceu à mim." 

Eu queria perguntar mais, mas não conseguia achar as palavras e o silêncio já estava indo embora. Logo depois, fui deixada sozinha. 

Mas aqui está a parte assustadora. Depois que isso aconteceu, peguei o telefone para ligar para minha mãe. Precisava ouvir sua voz e saber que tudo ficaria bem. Mesmo que estivesse enlouquecendo. Fui até meu carro e liguei e quando atendeu e fui tentar falar, algo estava errado. 

Ela disse, "Alô?"

Eu só podia sussurrar, "Alô?"

"Oi Vox, tudo bem?"

Falei, "Tudo, e aí?" 

Ela riu e perguntou qual era o problema, mas não consegui responder. Apavorada desliguei porque não sabia o que fazer. Isso durou só mais alguns minutos antes de voltar ao normal, mas ainda me aterroriza. Parece que realmente estou perdendo minha voz. Não só o som. Estou perdendo a habilidade de falar junto.

Estou chorando enquanto escrevo isso. Sou muito sensível. Estou com muito medo de que tenha algo de errado com meu cérebro, e se não tiver, então o que está roubando minha voz? Sei que Beau é a chave. Sei que tenho que contar essas histórias. Beau está tentando me dizer algo, talvez ele está vindo me pegar e preciso começar a rezar pela minha vida, ou outra coisa vai acontecer. 

De qualquer forma, Não sei mais quanto tempo eu tenho. Estou com medo de falar com minha terapeuta antes de quarta-feira porque não quero ficar dopada e não saber o que acontece ao meu redor. Se eu for para um pronto-socorro e dizer que estou ouvindo vozes e vendo coisas e que algo quer roubar minha voz, vão me internar. Vou fazer a tomografia craniana, mas isso significa que vou ter que esperar até quarta. 

Então me digam. Como confronto Beau? Como posso cavar memórias na minha própria mente? 

Só para vocês saberem, estou totalmente disposta a encarar Beau ou seja lá quem for. Ninguém vai roubar minha voz enquanto eu puder fazer algo. Não tenho muito conhecimento sobre esse tipo de coisa, então aqui estão os métodos que pensei:

  • Mais maconha, sendo que isso deu muito certo da última vez (huurduuur).
  • Hipnose.
  • Tábua Ouija.
  • Aquele método lá onde você coloca bolinhas de ping pong cortadas no meio em cima dos olhos e ouvi ruído branco.
E é por isso que claramente eu preciso de ajuda. 

Posso cantar, só isso. O único problema é, não consigo fazê-lo aparecer quando peço. Estou preocupada que cantar não será suficiente para ludibriá-lo até mim. Também não tenho nada para fazer a gravação, que é algo que realmente quero fazer. Mas tudo bem. Tento relaxar e aliviar minha mente quando canto. O que faço quando ele aparecer? 

Vou tentar fazer o seguinte: Hoje a noite vou tentar me acalmar e meditar. Talvez isso envolva um pouco de maconha, sendo que isso me ajudou na última vez com as minhas nauseas. 

Assim que Beau aparecer, vou tentar cantar para ele e obter respostas. Voltarei com os resultados e histórias em breve. 

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