Postagens Semanais

Segunda-Feira
Francis Divina

Terça-Feira
Gabriel Azevedo

Quarta-Feira
Francis Divina

Quinta-Feira
Gabriel Azevedo

Sexta-Feira
Talisson Bruce

Sábado
==========

Domingo
==========

Eu sou um assassino de aluguel, mas não posso matar meu próximo alvo

10 comentários
Michael Kinsky não era meu tipo regular de cliente.

Ele não era um amante rejeitado, procurando por vingança. Ou um assassino, querendo eliminar as testemunhas de seus crimes. Ou um marido, de olho na apólice de seguro de sua esposa.

Ele era apenas um cara comum, cuidando de sua irmã.

"Eu normalmente não recorreria a... medidas tão drásticas. Mas Harold se tornou tão horrível. Trata ela como lixo. Não dá a mínima para ela, só se importa com aquela banda estúpida que ele canta com seus colegas de trabalho." Ele assoou o nariz. "Você entende isso, certo, Switchblade?"

Eu estremeci. "Uh, este é apenas meu codinome, Michael. Você não deveria... tipo... me chamar assim em uma conversa normal."

"Então como eu deveria chamá-lo?"

Eu pisquei. Claramente, ele nunca tinha feito nada assim antes. "Uh, você está com o dinheiro?"

Seus olhos percorreram a lanchonete. Então ele puxou um bolo de notas de cem dólares de seu bolso.

"Você não pode simplesmente - eles vão ver!" Eu rapidamente joguei um dos guardanapos para ele. "Embrulhe nisso. E faça isso discretamente."

Ele não foi discreto, mas felizmente a lanchonete estava quase vazio a essa hora. "Aqui tem o dobro da sua taxa habitual", ele sussurou, bem alto. "Eu queria te dar uma grande gorjeta, para que você faça um bom trabalho."

Uma gorjeta? Você não está pedindo uma casquinha de sorvete, Michael. Você está pedindo uma morte. Mas peguei o dinheiro, sorri e enterrei no fundo do meu bolso.

"E eu não quero matá-lo."

O quê?

"Michael, você sabe que eu sou um assassino de aluguel, certo?"

"Sim. Mas Nancy precisa da renda dele. Ela é dona de casa há vinte anos. Nenhuma experiência de trabalho, nenhuma educação além do ensino médio. Não há como ela se sustentar sozinha."

"Você poderia ajudá-la, com o dinheiro que acabou de me dar."

Ele balançou a cabeça. "Eu tentei. Ela não deixa. Se preocupa demais."

Suspirei. "Bem, ok. Suponhamos que eu aceite este trabalho. O que você quer que eu faça com ele, se não o matar?"

"Eu não sei! Assuste-o. Ameaçe-o. Apenas o faça parar de ser tão terrível com ela."

"Mas é um negócio arriscado. Quero dizer, ela vai saber como eu sou e..."

"Você irá em um domingo de manhã. Ele estará dormindo em casa, sozinho, nem o verá entrar." Michael olhou para a mesa e depois acrescentou: "É a única hora que ele está sozinho em casa. A única hora... que ele a deixa sair."

Minha beligerância evaporou e senti uma pontada de simpatia. "É tão ruim assim?"

Ele assentiu.

"Ok. Estou dentro."

_________________________________________________________________________________

A casa era bem pequena, entre um sobrado e um mercadinho em ruínas. Seria um desafio fazer isso sem nenhuma testemunha.

Ótimo. Eu gosto de desafios.

Eu atravessei o quintal, usando criativamente os vários arbustos e cercas para me esconter dos espectadores. Então entrei pela janela aberta, como Michael havia dito.

A faca pesava em minhas mãos.

Virei à esquerda na cozinha e entrei na sala de estar. No centro haviam um microfone, um suporte de música e algumas partituras - presumo que de Harold e sua banda. Os suprimentos de bordado de Nancy foram empurrados para o canto, ocupando o menor espaço possível.

Eu entrei no quarto ao lado.

E ali, na poltrona, estava Harold.

Dormindo profundamente.

Eu peguei o clorofórmio do meu bolso. Suavemente, eu coloco o pano contra seu nariz.

E então eu comecei a trabalhar.

_________________________________________________________________________________

Eu visitei Nancy algumas semanas depois.

Eu gosto de fazer isso às vezes. Fingir ser o vizinho amigável, ver como suas vidas mudaram após meu trabalho. Sim, eu sei que aumenta minhas chances de ser pego. Mas, como eu disse, eu gosto de desafios.

Quando ela abriu a porta, seus olhos brilhavam e ela tinha um sorriso no rosto.

"Oi! Eu sou Smith Baker", eu disse. "Acabei de me mudar pra cá - atrás do mercadinho."

"Oh, que legal! Por favor, entre."

Ela me levou para a sala e eu sorri. O suporte de música e outros equipamentos foram jogados no canto; Os bordados de Nancy estavam esparramados no sofá, ocupando o máximo de espaço possível.

"Smith, este é meu marido, Harold."

Ele apenas olhou para mim. Silencioso e pálido.

E então começou a tremer descontroladamente, segurando a marca vermelha em sua garganta.

"Oh, desculpe, eu deveria explicar." Ela se sentou, com um pequeno sorriso. "Ele não está tentando ser rude. É só que... bem, ele teve um acidente, algumas semanas atrás. E agora ele não pode falar, estou com medo."

Ela deu um tapinha no braço dele, confortavelmente, enquanto ele se agarrava a ela. "Ou cantar, infelizmente."

Hmm.

Um "acidente".

Aquilo, misteriosamente, cortou suas cordas vocais.

E deixou o resto intocado.

Eu podia ver as mãos de Harold tremendo, assim como sua boca. Eu me pergunto se ele estava pensando na primeira coisa que eu disse a ele, quando o clorofórmio se dissipou.

Se você não tratar Nancy direito, eu vou cortar sua garganta novamente.

E da próxima vez, você perderá mais do que apenas sua voz.

Eu sorri para Harold. "Você gostaria de um biscoito?" Perguntei, segurando a bandeja. "Eu mesmo os cozinhei."



Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigada! Se gostou, comente, só assim saberemos se você está gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião!

10 comentários :