20/04/2018

Vox e Rei Beau: Beau e a Ladra de Crianças (PARTE 16)

Em suas viagens, Beau frequentemente vagava por lugares escuros e solitário que ficam pelas bordas do reino. Nem todos os seres de seu mundo serviam aos muitos reis e rainhas como os caçadores de Beau, e Beau se interessava nesses que ficavam por debaixo dos panos. Em uma dessas jornadas, encontrou-se atraído à uma pequena casinha muito próxima ao reino dos homens. Normalmente teria passado direto por aquele lugar tão entediante, mas o Rei do Lugar Quieto tinha uma audição muito sensível, e o que ouviu fez-o parar. Havia um choro vindo lá de baixo. 

A casa era muito parecida com uma casa humana, apenas um pouco maior. Parecia confortável e convidativa, e no meio do constante crepúsculo incolor, havia uma ilha de luz. Aproximou-se da porta com confiança (pelo que sabem até agora ele nunca tinha medo) e uma mulher o atendeu. Ela parecia um misto de uma humana com algo que não conseguia nomear, mas seu ligeiro e agradável sorriso era gentil. 

"Bem vindo, viajante," lhe recebeu. "Você veio para descansar um pouco?" 

"Eu sou o Rei do Lugar Quieto," falou.

"Um Rei!" murmurou com sua doce voz. "Por favor, entre. Seria uma honra tê-lo como convidado, grande Rei." 

Beau não era nada se não vaidoso e gostou de ter seu ego afagado. Entrou na casa e admirou os arredores. Assim como o lado de fora, dentro da casa era como um lar humano. Haviam tapetes, cadeiras, mesas e lâmpadas. 

"Você ficará para comer?" A mulher perguntou enquanto guiava-o mais para dentro. 

"Posso ficar," Beau respondeu. "Você recebe muitos convidados? É uma casa e tanto para apenas uma pessoa." 

"Não estou sozinha," assegurou-o. "Minhas crianças vivem comigo." 

A adorável mulher pediu licença para preparar a comida e pediu para que ele se sentisse em casa. Beau esperou até ter certeza de que não estava sendo observado antes de subir as escadas para investigar o resto da casa. O andar de cima tinha um longo corredor com portas. Outra pessoa poderia até ficar curiosa pela quantidade de trancas e sobre o que elas escondiam, mas Beau não tinha necessidade de fazer tal exploração. O choro baixo era óbvio em seus ouvidos. Ignorando as trancas e as portas, silenciosamente entrou. 

Lá dentro estava uma tentativa de um quarto de criança humana, com luzes noturnas em forma de estrela e brinquedos espalhados por todo lado. Livrinhos de contos infantis, cavalinhos de balanço e ursinhos de pelúcia estavam parados e tristonhos. Haviam jaulas em formatos de berços encostados contra as paredes coloridas. O choro vinha da jaula mais próxima dele, e se direcionou vagarosamente até lá. Havia um caroço soluçando debaixo de um cobertor mofado. Beau se inclinou e aproximou seu rosto das grades. 

"Por que você está chorando?" Perguntou. 

O caroço se remexeu debaixo das cobertas e revelou dois olhos humanos e alguns tufos de cabelo.

"Sinto saudades de minha mãe," o menininho soluçou. 

"Sua mãe não está lá em baixo?" Beau perguntou. 

"Ela não é minha mãe," o menino respondeu. "Mas ela quer ser. Quer me transformar em uma de suas crianças. Olhe!" 

O menino apontou para a jaula do lado. Beau se virou para olhar. A jaula também tinha um caroço, mas esse não chorava como o menininho. Beau enfiou a mão entre as grades e puxou a coberta de cima da forma. Primeiro, um tufo de cabelo apareceu seguido por olhos marejados parecidos com os do outro. Mas depois disso, a mandíbula da criança estava destroçada, deixando sua língua cair para fora livremente. Dentes surgiam do buraco onde um dia sua boca estivera. Puxando ainda mais o pano sujo, a forma de uma criança malformada e minguada apareceu. Havia pele, costelas e cotovelos misturados com ossos disformes e cistos de pus. A criança se remexeu e debateu seus membros retorcidos, mas além disso não fez nada além de seguir Beau com seus olhos distantes. 

Beau estava ciente que mais olhos estavam observando-o da escuridão. Nem todas jaulas estavam cheias, mas não precisava olhar adiante para saber que todos os outros estavam em estados parecidos. 

"Ela faz isso com todos que encontra?" Perguntou. 

"Não," sussurrou a vozinha na escuridão. "Os outros ela come." 

"Como ela te encontrou?" Questionou. "Você foi tolo o suficiente para vagar por aqui?" 

"Não!" Gemeu a criança humana. "Os filhos dela roubam crianças! Um bateu na minha janela em uma noite. Chamei meus pais mas eles não acreditaram em mim e não me ajudaram. Me roubou de minha cama e me trouxe para cá. Eu só quero ir pra casa!"

Explicar a reação de Beau sobre isso é difícil. Mais tarde, insistiu que não sentiu empatia pelas pobres criaturas forçadas a viraram monstros que estavam presas nos berços. Não. O que causou Beau a sair do quarto e marchar de volta para o andar debaixo foi muito mais um tipo de instinto. 

Beau havia se deparado com mais um predador que estava tentando roubar algumas de suas presas. Reconheceu que ela era talentosa e claramente trabalhava nisso fazia bastante tempo. É claro que que haviam vários outros que roubavam crianças do reino dos humanos durante à noite. Entretanto, esses outros, nunca tinham cruzado caminhos com Rei Beau.

Beau não tinha vergonha de proteger seu território. 

"Creio que você conheceu minhas crianças," a mulher falou quando ele se aproximou da cozinha.  Notou muito bem a criança assada dentro de uma panela no fogão.

"Essas crianças não pertencem à você. Você pegou vozes que poderiam ter sido minhas. Não vou permitir isso."

A mulher se virou para ele com olhos sensíveis. Realmente era uma bela criatura, e isso poderia ter impressionado alguém que se importasse com isso. Não era o caso de Beau. 

"Você não entende?" ela perguntou. "É muito solitário aqui. Eu só queria ter filhos e ser amada. Por favor, tenha piedade na minha pobre algo, sim, grande Rei? O que será das minhas adoradas crianças? Crescerão sem uma mãe?" 

"Isso não é problema meu," Beau respondeu calmamente.

Ela suspirou. "Você é uma criatura sem coração. Uma mãe precisa proteger sua prole."

Com isso, seus lindos lábios se abriram e do meio uma língua pontuda saiu na direção do rosto dele. Beau desviou o ataque e pegou a língua, puxando-a com força no intuito de arrancá-la. Um membro que ela ainda não revelara apareceu para afastá-lo. Lutaram viciosamente, e os choros tanto da criança humana quando das crias do monstro flutuaram do andar de cima até seus ouvidos.

"Está ouvindo?" A mulher-monstro chiou de um canto do teto. "Minhas crianças estão me chamando. Talvez eu te encha com meus ovos e faça vários irmãos e irmãs para eles."

"Quando eu acabar com você, vou matá-los também," Beau prometeu. Morrendo de raiva, a mulher-monstro voou nele, mas Beau tinha um plano. Como vários outros comedores-de-criança, a mulher-monstro tinha um forno muito grande, e como muitos comedores-de-crianças, o forno seria sua tumba. 

Beau desviou seu ataque e antes que ela pudesse recuperar seu curso, ele a enfiou entre as chamas do forno. O monstro gritou e gemeu, mas a porta era pesada e ele a fechara rapidamente. Beau sorriu para ela da janelinha de vidro. 

"Não fique triste. Vou trazer suas crianças para você. Assim você nunca mais ficará sozinha."

Um por um, Beau pegou a prole do monstro de suas jaulas e jogou-os no forno com sua mãe. A mulher-monstro tentou lutar e sair de lá quando a porta foi aberta, mas seus membros estavam queimados e derretidos demais para fazer algo. O forno ficou bem cheio, mas as chamas queimavam forte e as criaturas eram fortes. Quando Beau terminou, fez questão de que os monstros ficassem queimando por um longo, longo, longo tempo.

Tudo que sobrou foi a criança. O menino não tinha ainda sido afetado pela mulher. Tinha sido trancado na jaula por poucos dias. Beau destrancou a jaula e o soltou. 

"Você vai me salvar agora?" O menino perguntou, com esperanças mas ainda temendo o Rei. 

"Posso te levar de volta para casa, mas isso requer um pagamento," Beau respondeu.

O menininho estava desesperado e concordou. Quando seus pais encontraram-no em seu quarto são e salvo, choraram de felicidade com o retorno de seu filho. Mas quando perguntaram o que havia acontecido, nenhum som saiu da boca da criança. O menino havia retornado para o mundo que pertencia, e Beau tinha uma nova voz em sua coleção.  

CONTINUA...


11 comentários:

  1. Sério.. Que personagem foda você tem aí. Parabéns. Continue o bom trabalho em cima dele

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  2. Eu tenho uma creepypasta/série... queria enviar pra vocês postarem. Já está toda revisadinha, eu mesmo revisei kjkk
    Mas é que vi que vocês não estão postando creepypastas dos fãs, e ainda que estivessem, nunca vi postarem uma que fosse série. Aí não sei se pode e tal... ;-;
    Podem me ajudar? k
    Agradeço.

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  3. Rei Beau e suas aventuras maléficas...

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  4. Mano, como o Beau é um cuza1 kkkkkkkk
    Continuem por favor :D

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  5. De volta ao Creepypasta Brasil depois de 6 anos '-'
    Hi, pessoas novas

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    1. Senti falta de você pelos comentários, querido.

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  6. Bixo eu queria q a Voz tivesse dado mais destaque às historias do beau antes de falar da "atualidade" dela, antes de descrever a vida adulta, de falar sobre o tumor no cerebro e as coisa toda. Beau s2

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  7. O Beau é um personagem muito bom, cara. É maravilhoso ler cada parte e encontrar cada criatura mais criativa que a outra!

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