16/05/2018

Meu pai vendeu um demônio para um pedófilo acidentalmente

ATENÇÃO: ESSE CONTO ESTÁ CLASSIFICADO COMO +18. PODE CONTER CONTEÚDO ADULTO E/OU CHOCANTE. NÃO É RECOMENDADO PARA MENORES DE IDADE E PESSOAS SENSÍVEIS. PODE TER ACIONADORES DE GATILHOS E/OU TRAUMAS.  LEIA COM RESPONSABILIDADE. 

Meu pai era um merda. Vinte anos atrás, ele se entregou para a polícia federal e se declarou culpado por tráfico humano, exploração sexual, e assassinato. Era para ficar preso pelo resto da vida, mas algumas semanas atrás ele foi liberado para uma casa de repouso por licença compassiva. Ele tem câncer no pâncreas. Dos ruins. Quase ninguém sobrevive mais de dois anos depois do diagnóstico e, de qualquer forma, dói tanto que tudo que você deseja é morrer. 

Não sei bem porque, mas decidi visitá-lo. A ideia fazia minha pele arrepiar, mas na realidade não foi tão ruim. Na verdade, fiquei surpreso que me contou essa história. Não sei se acredito nele, mas não consigo parar de pensar nisso. 

Começou com um pedido de transporte. 

Meu pai era tipo um traficante de drogas, mas ao invés de narcóticos, traficava gente. Fazia o trabalho pesado, transportava grandes cargas humanas para cafetões que compravam em massa, além de entregas ocasionais para clientes privados.

Sua última entrega foi para um desses clientes especiais. O cara queria que ele entregasse uma "menininha muito especial" para "seu novo papai". Isso o fez rir um pouco, esses filhos da puta ricos e seus eufemismos. 

Meu pai recebeu instruções para se encontrar em um ponto específico nos arredores de Lancaster às 22h. Ele e seu parceiro, Christophe, chegaram cedo. A lua não havia nascido naquela noite, mas é isso que você quer no deserto. As estrelas estavam espetaculares: constelações de espirais brilhantes em um céu tão limpo que você conseguia discernir a cor de cada brilho a olho nu. Estrelas não são brancas, sabe; são vermelhas e amarelas, laranjas e verdes, roxas e rosas. A combinação da atmosfera fina do deserto, céu limpo e altitude elevada faz você mergulhar na paisagem. 

Foi sob esse cobertor alucinante de constelações que meu pai tomou posse de um menino chorando com as mãos amarradas e uma menininha sorridente acorrentada. 

O contato estava incrivelmente preocupado com a menina. "Não a perca de vista," avisou. "Não importa o que ela faça, mantenha bem presa. Deixe-a fazer o que quiser com o garoto, seja o que for. E tô falando sério, não importa o for." 

"Não se preocupe." Meu pai lutou contra a vontade de revirar os olhos; já tinha feito isso milhares de vezes, afinal de contas. 

"Só tenha cuidado, é uma viagem longa." O homem olhou para meu pai de um jeito que o deixou nervoso; havia um pouco de pena e um pouco de alívio em seu rosto. 

Depois de colocar as crianças na van de meu pai, o cara vazou. Uma sensação ruim tomou conta de meu pai enquanto assistia as lanternas traseiras vermelhas do carro do contato desaparecendo em meio ao deserto. 

A menina continuava sorrindo e o menino chorando. Finalmente, meu pai tentou acalmá-lo. Conversas não são exatamente encorajantes sob essas circunstâncias, mas os berros da criança estavam deixando Christophe no limite. Chris tinha problemas em controlar sua raiva e esses trabalhos o deixavam nervoso, então meu pai continuava tentando acalmar todos os ânimos.

"Qual seu nome?" perguntou.

"Alex," respondeu em meio as lágrimas. 

"Qual o problema? Você tem comida e água e um cobertor, porque não para de chorar um pouco, amigão?" 

"Porque..." Alex gemeu, "ela me da medo." 

Meu pai olhou para a menina pelo espelho retrovisor. Ela sorriu abertamente em retorno, mostrando os diversos dentes de leite. "Como assim? Ela parece bem normal para mim. Qual seu nome, querida?" 

Ela continuou a sorrir. 

"Ela não fala enquanto as pessoas estão acordadas." Alex limpou o rosto molhado. "Só quando dormem." 

"Como você sabe disso?" Meu pai perguntou. 

"Ela me falou nos meus sonhos." E, com um soluço tristonho, voltou a chorar. As mãos de Chris se apertaram perigosamente no volante. 

Era uma viagem longa. O destino era bem no meio do nada do Arizona. Acredite ou não, existem muitas pessoas ricas por lá, diversas fazendas escondidas brotando naquela paisagem selvagem como furúnculos. 

Por volta das duas da manhã, o menino começou a resmungar. "Preciso fazer xixi." 

"Faz pouca horas que estamos na estrada, criança," Chris soltou. 

Julgando por sua expressão, provavelmente aquilo tinha sido a coisa mais trágica que Alex já ouvira na vida. 

"Faz mais que algumas horas," meu pai falou. "Encoste. A última coisa que precisamos é mijo escorrendo nos bancos de trás." 

Chris obedeceu, como sempre. Meu pai foi com Alex até atrás da Van e esperou enquanto ele terminava o que tinha que fazer. A menina pressionou o rosto contra o vidro da janela, sorriso largo mostrando os dentes em seu rosto. Parecia ser uma menina perfeitamente normal, mas a situação em geral estava começando a apavorá-lo. Quanto mais rápido terminasse o trabalho, melhor. 

Colocou Alex para dentro da Van novamente, então tirou a menina. Achou que era por isso que ela estava olhando pela janela; claramente precisava mijar também. Mas não sabia como ela faria com aquelas correntes. Era até ridículo: presas em seus pulsos e tornozelos, e algo que parecia ser um cinto de castidade em volta de sua cintura. Tinha uma chave, mas era para o cliente usar, não ele. 

Andou com ela até o deserto, então virou as costas mantendo um aperto firme nas correntes. Como esperado, começou a ouviu um barulho de tecido. Perfeitamente normal.

Mas o som continuou. 

Confuso, meu pai se virou. 

A menina estava de quatro. Uma cauda enrome e segmentada arqueava pelo seu corpo, e seu rosto estava do avesso. 

Uma boca maciça e pulsante dominou a inversão de sua cabeça. Buracos e fendas de carne brilhavam com  luz do céu estrelado. Dúzias e dúzias de dentes perolados irrompiam da matéria. Ela encarou o céu como uma flor que abre suas pétalas na luz da noite. A iluminação dos corpos estrelares se reuniam em um holofote suave e nebuloso em torno dela, parecendo derramar-se em sua enorme boca.

Meu pai não sabe quanto tempo ficou lá parado. Quando voltou a si, os primeiros traços do amanhecer manchavam o horizonte e Chris estava ajoelhado ao seu lado na areia, olhos esbugalhados e queixo caído. O menininho, seja quem um dia tivera sido, já não estava ali fazia muito tempo. 

A menina finalmente derreteu-se para sua forma humana, sorrindo vitoriosamente enquanto o sol nascia. Chris saiu do encanto abruptamente e começou a entrar em pânico. 

"Não podemos levar essa coisa."

"Nós vamos fazer o que fomos mandados, ou vamos ser mortos."

"Obviamente já vamos ser mortos, sendo que deixamos aquele garotinho escapar. Sabe o que vai acontecer? Ele irá nos identificar."

"O deserto tomará conta dele," meu pai disse. 

"E o cliente?"

Então lembrou o que o contato havia dito sobre deixar a menina fazer o que quisesse com Alex. 

"Acho que ninguém o queria, Chris. Acho que era... comida."

Chris arfou, então riu, depois gritou: "Bem, se a putinha não comeu seu lanchinho, deve estar com fome. O que isso quer dizer?

"Quer dizer que precisamos terminar nossa entrega." Meu pai respondeu. 

Aceleraram pelas auto-estradas do deserto, correndo para compensar pelas horas perdidas na noite anterior. No começo da tarde, chegaram em seu destino: uma mansão moderna cercada por um pátio cuidadosamente projetado para parecer com estruturações do sul do país antes da guerra civil, inadequadamente encostada nos pés das ingrimes montanhas desertas e altos penhascos estriados. 

Exceto pela casa espalhafatosa, tudo era de uma desolação belíssima, acho meu pai. O fim e o começo do mundo se encontrando naquele pedacinho de terra deslumbrante. 

Enquanto estacionavam, a garota produziu uma risada estranha: rítmica e incrivelmente grave para seu corpo produzir. Pelas frestas de seus lábios entre abertos, meu pai viu flashes de luzes estrelares. 

Um homem de terno branco saiu as pressas da mansão para recebê-los, vestindo um sorriso de predador. Seus olhos eram frios e raivosos, mas claro: esperava-os desde o amanhecer, e já passava do meio dia. 

Ansiosamente, meu pai o cumprimentou, deixando Chris sozinho com a menina. 

O home puxou meu pai para perto e sibilou: "Por que demoraram tanto?"

"Ela precisou de um tempo," meu pai respondeu. "Não podíamos dizer que não, não é?"

"E o menino?"

Pavor escorreu pelas costas e meu pai. "O que tem ele?"

O homem de branco mostrou os dentes, muito mais parecendo estar prestes a rosnar do que sorrir. "Ela comeu?" chiou. 

A mentira veio fácil: "Sim."

O comprador empurrou meu pai para o lado e andou raivosamente em direção ao veículo. Meu pai começou a segui-lo, mas parou quando viu que as portas estavam abertas. 

O homem enfiou a cabeça para dentro da van. 

"Onde está minha menininha especial? Papai está -" 

Parrou de falar e gritou.

Meu pai correu, ignorando as náuseas em seu estômago. Só conseguia pensar nas luzes da cabeça invertida da garota, estrelares e pulsantes, totalmente hipnóticas. As quem começaram arder em vida assim que saiu do carro. 

Tirou o cliente do caminho. A menina sumira. Chris caído em seu banco. Uma pilha de correntes e um estranho cinto de castidade pendendo de suas mãos, e sangue escorrendo do corte horizontal em sua garganta. Seu rosto estava absurdamente inchada. Veias escuras contrastavam com a palidez leitosa e descolorada. 

Chris arfou, então vomitou um líquido claro e cintilante que cobriu as mãos de meu pai. Assistiu, atordoado, enquanto aquilo prendia-se em suas mãos como luva, começando a dissolver sua pele sem dor alguma. 

O homem começou a gritar de novo. Meu pai saiu do caminho enquanto um segurança armado corria para o jardim e cercava uma arbusto florido.

Por um fascinante momento, uma enorme cauda farpada arqueou-se e dançou sobre o frenético nó de corpos. Então mergulhou. Um baque de carne acompanhado de um grito enquanto o sangue se esparramava pelo gramado exuberante. Tiros foram disparados, seguido por mais um baque e então uma sucessão de outros até que finalmente, tudo ficou silencioso.

A menina se erguei da pilha de corpos, cabeça inversa cintilando em luzes estrelares e sangue. Pequenos dentes pulsavam junto com as luzes hipnóticas. 

Quando o viu, seu rosto rastejou para fora da boca e voltou para sua cabeça. Ela sorriu largamente, abstraindo a chacina em sua volta. 

Ficaram observando um ao outro. Um ar quente e parado o sufocava. Começou a ouvir um apito em seu ouvido. 

A garota voltou ao seu banquete, entusiasticamente arrancando pedaços da carne fresca de suas presas. 

O feitiço se quebrou. Meu pai correu para a mansão e tentou ligar para a polícia. Seu celular não tinha sinal, então correu procurando uma linha telefônica. Quando encontrou uma, a atendente avisou que demoraria cerca de 40 minutos, pois a casa fic\va em uma rea extremamente isolada.

Quando a polícia finalmente chegou, a menina havia sumido. A pilha de corpos desmembrados continuava lá. Meu pai levou a culpa. Declarou-se culpado por tudo, até os assassinatos, porque isso significava que ficaria na prisão por muito tempo. Porque, se nada pode sair da prisão, nada pode entrar também. 

Quando meu pai terminou de contar a história, estava soluçando. As enfermeiras me retiraram do quarto raivosamente, me dizendo para voltar amanhã. 

Eu não pude voltar, nem se quisesse, pois ele morreu naquela noite. Não é uma grande perca para o mundo ou para mim, mas seria legal ter discutido algumas outras coisas. Você sabe, coisas tipo "alguém sabe ou se importa com o que aconteceu com Alex?" e "Por que um cara rico e pedófilo ia querer comprar uma criança para ser sua escrava sexual se sabe que ela matava pessoas?" Sei lá. 

Entretanto, espero que essa história seja verdade. Bem, meu pai não tinha mãos. Perdeu-as em uma amputação dupla na noite em que foi preso porque sua pele havia se derretido de alguma forma, os médicos nunca descobriram como, e haviam deixado nada além de seus ossos cheios de danos. 


19 comentários:

  1. O negocio e brabo
    Escravas sexuais humanas esta ultrapassado , negocio agora e traficar demonios

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Desse modelo. Traficaremos demonios para pedofilos e, quando menos esperarmos pedofilos não existirão mais.

      Excluir
  2. Nossa Divina, essa foi muito boa, parabéns.

    ResponderExcluir
  3. parabens divina , divinando como sempre

    ResponderExcluir
  4. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  5. Uma porcaria de história 2/10.

    ResponderExcluir
  6. Não tão boa quanto eu esperava.

    ResponderExcluir
  7. Pensei que o demônio fosse matar seu cimprador

    ResponderExcluir
  8. Hmm... não gostei tanto quanto outras vindas de você (seja pela escrita ou pela tradução).

    ResponderExcluir
  9. Ficou difícil dessa vez para que eu pudesse entender. Alguém explica??

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. A história fala sobre um homem que trabalhava traficando crianças para serem escravas sexuais. Alguém encomendava, ele entregava. Dessa vez ele foi fazer uma entrega com o parceiro dele, só que na realidade a menina se transformava em monstro, e só o menino que tava com ela sabia disso.
      Encomendaram os dois juntos provavelmente pra menina comer o menino durante a viagem e não chegar com fome ao destino, só que por descuido eles deixam o menino fugir na primeira vez que ela se transforma.
      Quando eles chegam ao destino, o comprador pergunta se ela comeu o garoto, o cara fala que já, só que era mentira. Então o homem vai até o carro "brincar" com a menina, só que ela devora ele, e começa a atacar geral.
      Os homens da mansão começam a atirar nela, só que ela mata todos. O homem chama a polícia, mas eles chegam só 40 minutos depois, quando a menina-monstro já tinha ido embora.
      Sendo impossível contar o que realmente aconteceu, e como uma forma de proteger a si mesmo, o cara fala que ele mesmo foi responsável por todas as mortes que aconteceram no local, e também confessa estar envolvido com tráfico de pessoas e etc.. e por isso vai direto pra cadeia.
      Segundo ele, ele estaria mais seguro na cadeia.

      A história toda é contada sob a perspectiva do filho do cara, que diz que isso aconteceu 20 anos atrás e que ele agora tá em liberdade porque tá com câncer e vai morrer em dois anos

      Excluir
  10. Um pouco abaixo da média das que costuma trazer, Divina. Mas boa.

    ResponderExcluir
  11. Como uma história de fantasia eu achei fascinante... Mas não funcionou como história de terror pra mim

    ResponderExcluir
  12. "se nada pode sair da prisão, nada pode entrar também" kjwkwjkwjw para com isso, se essa menina tivesse procurando ele não ia ser uma parede e uma dúzia de guardas que ia manter ele seguro KJWKJWK

    ResponderExcluir
  13. "era tipo um traficante de drogas, mas ao invés de narcóticos, traficava gente" sim eh traficante de pessoas q chama

    ResponderExcluir