22/05/2018

"Papai, tem um homem atrás de você."

Neste momento, estou em um hotel em Nova York. E permita-me ser direto: Eu odeio isso aqui. Há uma sirene a cada cinco minutos, um cachorro latindo ao lado e um cara na calçada reclamando sobre os insetos.

É por isso que eu decidi conversar por Skype com minha família hoje à noite. Depois de digitar errado a senha do WiFi mais de cem vezes e arrumar a cama novamente depois de checar se não tinha nenhum inseto (sim, aquele cara entrou na minha cabeça), eu finalmente liguei pra eles.

Imediatamente eu me senti melhor. Ouvi todos os sons de casa: nosso terrier latindo, Samantha gritando de alegria e o bebê Theo balbuciando alguma coisa. O barulho deles abafou os sons malucos e irritantes da cidade, e eu sorri.

"Ei, deixa eu chamar a Samantha", minha esposa, Gina, disse. "Ela sente muito a sua falta."

Ela saiu da tela e a cabeça de Samantha surgiu sobre a mesa. "Papai! Papai!"

"Oi, querida" Wu diz uma cara triste. "Pobre papei tem que ficar sozinho em um hotel hoje à noite para o trabalho."

"Papai bobo, você não está sozinho", disse Samantha, me dando um de seus grande sorrisos. "Há um homem parado atrás de você!"

Eu congelei. "O que você disse?"

"Tem um homem atrás de você!"

Eu me virei. Mas o quarto estava vazio - tudo o que vi foi uma lâmpada brilhante, a poltrona vazia e o edredom amassado.

"Ele está escondido agora", ela riu.

"Samantha, do que você está falando?"

Mas ela apenas riu e sorriu. "Você está sendo bobo, papai!"

"Coloque sua mãe  de volta."

Gina correu de volta para a tela, com a camisa toda manchada. "Danny, eu estou tentando dar comida para o Theo", disse ela. "O que é tão importante que-"

"Samantha disse que viu alguém atrás de mim."

"Oh, Deus." Samantha balançou a cabeça, enquanto colocava Theo em seu colo. "Desculpe, eu esqueci de te contar. Ela vem falando sobre um amigo imaginário recentemente. Eu já perguntei à Dra. Marks sobre isso; ela diz que é totalmente normal, só uma fase..."

Meu coração começou a desacelerar. "Ela me assustou por um momento!" Eu disse, começando a rir.

"Ah, eu sei. Ela me assusta o tempo todo com isso. Fala sozinha na sala de jogos, conta a Theo sobre ele... é uma loucura." Ela suspirou. "Você já pensou que crianças seriam assim, tão... estranhas?"

"Não, não mesmo."

"Tudo bem, eu tenho que voltar. Falo com você amanhã?"

"Claro."

Fechei o laptop com um clique. Pela janela, carros buzinavam, faixas de vermelho e branco contra o azul do crepúsculo. Olhei em volta pelo quarto vazio, do tapete bege às cortinas puxadas; finalmente pareceu convidativo, agora que eu estava mais tranquilo.

Me levantei e caminhei em direção à cama. O edredom estava amassado, amontoado no canto da cama, e os lençóis estavam enrugados e bagunçados. Que bagunça, pensei, pegando o edredom.

Eu congelei.

Espere.

Depois de checar se havia algum inseto...

Eu arrumei a cama novamente.

Dei um passo para trás.

E foi aí que eu notei - saindo da borda do edredom -

A ponta brilhante de um sapato preto.



Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigada! Se gostou, comente, só assim saberemos se você está gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião!


8 comentários:

  1. uma vez um amigo meu fez a mesma coisa, falou que havia um cara roubando minha casa, fui pra casa e dei um jeito, o cara nunca mais foi encontrado, ninguem sabe o paradeiro dele, só eu, :D

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