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Sou motorista de um ônibus escolar, são 2:31 a.m, as crianças estão chorando

Há sete anos desde que Clifford faleceu, tem sido este emprego que manteve sã.

É a rotina, acordar às 5h15 todos os dias, chegar em cada parada na hora exata, levar as crianças para a escola e de volta pra casa pela estrada.

Sou boa no meu trabalho, nunca perdi uma criança, nunca sofri um acidente. Eu poderia dizer que nunca perdi uma parada, até a última segunda-feira.

Eu estava pensando em como teria sido nosso aniversário na próxima semana. Quero dizer, Clifford e eu nunca poderíamos ter nos casado, não naquela época, não com a esposa dele ainda por lá, mas na semana que vem fariam dez anos desde que nos conhecemos.

"Uh, senhora... senhora... motorista?"

Era um dos três garotos no fundo. As crianças da Rua Willow, a penúltima parada. Eu tinha certeza de que tinha parado ali e os deixado na parada certa. Meus pensamentos voltaram para Clifford, droga, engoli meu orgulho e voltei duas paradas para deixar as crianças, eu precisava focar no meu trabalho. Sem mais deslizes.

Eu não costumo cometer erros assim.

Então terça-feira aconteceu de novo. Deixei as crianças de Adams Lane e depois percebi que as crianças de Bloomington ainda estavam no ônibus. Dei a volta novamente. Respirei fundo. Este trabalho é sua sanidade, fazem sete anos, tenho que seguir em frente. Apenas pense nas crianças. Olho para o espelho.

São as crianças de Adams Lane. Eles ainda estão no ônibus. Eu parei em Adams antes de voltar a Bloomington, tinha certeza disso. Eu não deixei as crianças saírem?

Aquilo foi na terça. Eu queria que estivesse daquele jeito. Hoje é muito pior.

Eu continuo parando em várias paradas, e todas as vezes eu me lembro de deixar as crianças saírem. Eu começo a dirigir, chego na próxima parada, lembro de deixar mais alguns. Olho para trás e eles ainda estão no ônibus. Cada um deles. A maioria está chorando agora, um ou dois conseguiram dormir, o resto começou a gritar.

Quando eu paro agora, quando eu começo a dirigir, tenho uma memória clara deles correndo, correndo pela porta do ônibus aberto, felizes em fugir. Quando eu dirijo indo embora, eles estão de volta no ônibus, chorando, gritando como se nunca tivessem saído.

Já fazem mais de dez horas agora. Está tão escuro lá fora. Eu não vejo um carro na estrada há horas. Meu supervisor ligou por volta das 8h00 p.m. Ele não parecia se importar com as crianças, ele estava apenas perguntando por que eu não tinha trazido o ônibus de volta. Eu tinha certeza de que os pais deles ligariam para a polícia agora.

"Pat? O que está acontecendo? Onde está o maldito ônibus?! Você deveria ter voltado há uma hora. Estou cansado de te esperar."

Ele ameaçou ligar para a polícia se eu não aparecesse. Eu tentei ligar para ele novamente, mas ele não atendeu. Eu quero que alguém ligue para a polícia, eu quero que tudo isso acabe agora.

Eu continuo sonhando acordada com Clifford. Sobre o acidente. Sobre seu Mustang vermelho, a mistura de carne e metal. Como tudo estava em toda parte, como ele estava em toda parte. Eles nunca encontraram parte da caixa torácica de sua esposa.

Paro na Rua Neely, sigo as crianças, saio do ônibus para segui-las, e pisco. Estou de volta em meu lugar, eles estão de volta em seus assentos. Abro as porta novamente, os deixo sair, os sigo, chego até a ver um garoto chegar à porta da frente, com lágrimas escorrendo pelo rosto. Eu pisco novamente.

Desta vez eu caminho devagar, pisco um olho de cada vez. Sigo o garoto até em casa novamente, posso ver sua porta abrir, ele entra, a porta fecha. Todas as luzes estão apagadas. Não consigo ouvir nenhuma voz dentro da casa. Pisco os dois olhos de uma vez. Pego o machado de emergência da parte de trás do ônibus e sigo o garoto para casa novamente.

É difícil quebrar uma porta sem piscar, são necessárias duas ou três tentativas.

O garoto está no chão, porém não há apenas um, há vérios iguais. Posso ver duas mulheres, imagino que sejam as mães, na cozinha, estão cuidando da casa. É como se fosse apenas uma tarde para eles, cuidado de seus negócios em uma casa escura. Eu pisco novamente.

Eu não quanto tempo faz. Meu relógio parou de funcionar. Nada muda. As crianças choram, nenhuma delas está mais dormindo, alguns se sujaram. Eles continuam perguntando por que estou fazendo isso com eles.

Eu não estou.

Eu vejo um carro passando pela estrada, é como se um demônio estivesse sussurrando coisas na minha cabeça: desvie, tudo estará acabado, apenas desvie. 

Eu posso ver os detalhes enquanto estamos prestes a colidir. É um Mustang vermelho. Quando o metal do ônibus encontra o metal do carro, posso ver seu motorista. Ele está rígido, com os olhos fixos à frente como uma estátua. Sua esposa está no banco do passageiro, o peito dela tem um buraco aberto. Eu atingo a traseira do carro. Ele continua dirigindo, eu continuo dirigindo.

Eu o vi mais duas vezes agora, ele está circulando na mesma estrada, esperando por mim.

Estou escrevendo isso porque eu quero que você saiba por que estou fazendo isso. Alguém tem que fazer. Eu não consigo pensar em uma outra saída. Ninguém atende o telefone. Sempre que tento ligar no 190, ouço apenas estática.

Eu não posso mais aguentar, as luzes dentro do ônibus, o cheiro das crianças sujas, os gritos e pedidos de misericórdia.

Eu irei encontrar aquele carro novamente, e desta vez não vou errar.



Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigada! Se gostou, comente, só assim saberemos se você está gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião!