27/06/2018

A Casa da Aranha

Três semanas atrás fui visitar minha melhor amiga, Kameko, no Japão. Recentemente eu tinha tido alguns problemas com um cara que namorei, fui traída, depois o caso virou de perseguição quando terminei as coisas, e queria um tempo para minha cabeça, não ter que pensar nessas coisas. E mais importante, estava animada pois nunca tinha ido para o Japão (nem para outro lugar), e não a via pessoalmente desde a nossa formatura, o que fazia cerca de cinco anos. Ela morou em Tóquio por alguns anos e depois voltou para cá, mas quando sua avó morreu, ela herdou a casa da mulher, a cerca de 20 km de Osaki. Era uma enorme casa que estava na família faziam várias gerações, e baseando-me nas fotos que me mandara, fiquei animada em passar as férias em um lugar tão maneiro.

Ela foi até o aeroporto me buscar, depois de me abraçar e de conversarmos animadamente por alguns minutos, fomos para o carro. Parecia ser a mesa de sempre - inteligente, engraçada, cheia de vida - mas eu a conhecia bem demais. Podia sentir que havia algo a preocupando enquanto dirigia pelos lindos campos, enquanto apontava para aquela coisa legal, ou para outro monumento histórico com uma fluidez que me fazia pensar que talvez estivesse inventando alguns fatos e nomes por onde passávamos. Ri internamente com a ideia dela inventando fatos turísticos, mas quando deu um tempo para mostrar as coisas, perguntei se estava tudo bem.

Ela olhou para mim com um sorriso nervoso. "Você sempre faz isso. Sim, está tudo bem, mas tenho debatido sobre quando falar sobre a... sobre a característica singular da minha casa."

Eu estava sorrindo de volta, mas senti minha expressão sumindo ao ouvir sem tom de voz. "E o que seria?"

“Bem, você sabe que minha casa é uma casa antiga, certo? Meus tataravós construíram a mais de cem anos atrás. Eu nunca tinha ido lá enquanto minha avó estava viva." Eu poderia ver que estava tentando criar coragem para botar para fora, e antes que eu pudesse responder, finalmente falou. “Bem, a casa é meio que assombrada? E meio que não ao mesmo tempo? ”Sua voz subiu no final como se ela estivesse pedindo minha confirmação.

Levantei uma sobrancelha. Eu estava esperando que me dissesse que o encanamento estava ruim ou que a fiação estava instável. Não isso. E tipo? O que isso quer....

“O que quero dizer é que não é um fantasma. É um yokai. O que acho que você não faça ideia do que seja. Tudo bem. É tipo um termo geral para uma grande variedade de criaturas e espíritos do folclore japonês. E aparentemente são reais, pelo menos alguns deles, porque eu tenho um."

Me senti desorientada. Achei que fosse uma brincadeira, mas Kameko odiava pegadinhas e eu podia  ver que estava falando sério. Considerei que talvez pudesse estar drogada ou com problemas mentais, mas conhecendo-a, sabia que isso era improvável. Então decidi apenas deixar rolar. 

"Tá. Estranho. E qual é o tipo que você tem? Posso ver?" 

Ela assentiu devagarinho. "Ah, sim. E vai soar bem pior do que realmente é. É só uma aranha gigante." 

Inesperadamente, uma risada explodiu na minha garganta. "Caralho. Achei que você estivesse falando sério." 

Kameko estava franzindo a testa e balançando a cabeça, seus olhos indo de mim para a estrada. Tô falando sério. E não é realmente um aranha, pelo menos não uma aranha normal. Mas sobre o tamanho... bem, sabe aquele filme Lassie? É mais ou menos do tamanho da Lassie. E mora lá desde que a casa foi construída, pelo menos é o que minha vó escreveu na carata que deixou para mim antes de morrer. Não incomoda ou machuca ninguém, e na maior parte do tempo fica escondida. As vezes sai para assistir TV, se estiver ligada. Por algum motivo, gosta de programas de concurso, não sei porquê. Mas a melhor parte é que deixa a casa imaculada."

Pisquei. "Você tem uma aranha fantasma do tamanho de um Border Collie como empregada."

Ela me lançou um olhar. "Não é um fantasma, nem espírito, ou sei lá. Mas sim, ela limpa. Nunca quando estamos por perto, e é por meio de magia, mas nunca tive que levantar um dedo desde que me mudei."

Me virei no meu banco para olhá-la diretamente. "Tá. Qual é o problema? Isso é uma piada por eu ser bagunceira? Não tô entendendo." 

Ela suspirou. "Eu sei como isso soa. Mas eu não queria que você se assustasse quando a visse, e sabe que eu nunca te chamaria para passar as férias aqui se não tivesse cem por cento de certeza que é seguro. Foi estranho para mim no começo. Agora para mim é como... é como se eu tivesse um tipo de cachorro bizarro de família que nunca morre."

Abri minha boca para falar mais alguma coisa, mas não tinha palavras. Finalmente, resolvendo que deixaria essa estranheza só passar, falei que tudo bem, e me sentei quieta no meu lugar.

Quando chegamos na casa, fiquei impressionada com a beleza da casa. Era muito grande, especialmente pelos padrões de uma casa japonesa. Nós passamos por um portão externo e em um jardim meticulosamente bem cuidado. Gesticulei ao redor e sussurrei “foi a aranha?”, Kimeko me deu um olhar fulminante sussurrou de volta “jardineira”. Eu sorri e encolhi os ombros, e depois fomos para dentro.

O interior da casa envergonhava o exterior. Era impecável, mas eu não teria esperado menos de Kameko de qualquer maneira, e era extremamente limpo e organizado, mas sem parecer estéril ou pouco convidativo. Olhei ao redor, simultaneamente feliz e nervosa por estar lá, então finalmente perguntei onde a coisa estava.

Encolhendo os ombros, me levou mais para dentro da casa. "É difícil dizer. Se esconde na maior parte do tempo, e nunca vai se aproximar de você, mesmo que não corra se você se aproximar dela. Acho que, em teoria, deixaria você tocá-la, mas nunca tentei.” Ela deu uma risada curta. "Isso soa tão estranho, na verdade. Tipo falar sobre isso para outra pessoa." De repente ela parou e se virou, me dando um abraço rápido. "Estou muito feliz por você estar aqui."

Não foi até aquela noite, depois de jantarmos e nos instalarmos na sala para ver TV que eu vi o yokai. Eu peguei o movimento pelo canto do olho e comecei a me virar quando a forma que vi me congelou no lugar. Além de todo o resto, Kameko tinha subestimado o tamanho da coisa. Moveu-se silenciosamente para o quarto e subiu devagar por uma parede dos fundos até ficar encostada no teto alto. Eu ouvi a voz de Kameko perto do meu ouvido, me dizendo para respirar, que estava tudo bem. Que tudo bem, eu podia olhar para ela, estava tudo certo, não tinha problema. Com grande esforço, virei um pouco mais minha cabeça para vê-lo mais completamente, observando sua forma sombria no tremeluzir da luz da televisão. Me lembrou um pouco uma tarântula, mas com grandes conjuntos de olhos negros, três menores ao redor de um maior, em ambos os lados do seu rosto. Eu podia senti-lo olhando para mim por um momento, mas depois pareceu voltar a assistir TV.

Se fosse qualquer outra pessoa, eu teria fugido naquele dado momento. Como era ela, passei o dia seguinte tentando convencê-la de que não era seguro ficar ali, e ela passou outros dois me convencendo de que tudo estava bem. Em última análise, ela ganhou. Fiquei por mais cinco dias, me diverti muito e, no final, acenei para a aranha que se arrastava pela sala no dia em que fui embora para voltar para minha casa. Olhou para mim de novo, deu um leve aceno de cabeça e começou a fazer seus estranhos afazeres. 

Quando cheguei em casa, a viagem inteira parecia surreal. E também estava exausta. Larguei minha mala, limpei uma mancha na minha cama bagunçada e adormeci. Acordei cinco horas depois, e vendo as pilhas de roupas sujas, os pratos peludos de mofo na pia e a bagunça no geral que eu só podia culpar parcialmente na viagem, me vi desejando poder ter uma aranha fantasma empregada. Tentando me livrar deste pensamento e, depois de dar uma espiada deprimente dentro da minha geladeira, saí para comer uma pizza.

Quando voltei, tudo estava límpido. Fiquei ao mesmo tempo maravilhada e aterrorizada. A aranha tinha conseguido me seguir até aqui?

Foi então que eu vi minha mala. Havia sido colocada contra uma parede e esvaziada, mas quando me aproximei ainda pude ver uma pequena protuberância no bolso frontal da parte de cima. O bolso estava parcialmente aberto e usei a luz do celular para olhar lá dentro. Havia um ovo lá dentro. Um ovo preto parecendo de couro, do tamanho de um ovo grande de galinha, com a superfície brilhante, exceto por manchas intermitentes de coloração esverdeada. Mesmo à distância, pude ver que o ovo havia sido aberto por dentro e estava vazio.

Corri para a rua e liguei para Kameko. Ela atendeu sonolenta, mas acordou rápido quando contei o que encontrara. Ela disse que seu yokai ainda estava lá, mas acha que talvez tinha tido um bebê? Ela disse que tentaria descobrir o que podia ser, mas para eu ter muito cuidado, já que nem todos os yokai são iguais, e alguns são muito perigosos.

Debati se era melhor eu ir para um hotel, mas acabei voltando, prometendo a mim mesma que iria correr ao primeiro sinal de problema. Quando entrei, eu o vi. Estava na metade da parede do corredor da frente, olhando para mim com oito pequenos olhos de uma coloração azul escuro, como safiras. Era do tamanho de um gatinho filhote, e suas pernas e corpo estavam cobertos com o que parecia ser pelagem branca. A cabeça era a parte mais estranha, pois, além de seus olhos, parecia mais a cabeça de um furão do que de uma aranha. Eu o vi abrir a boca em um bocejo cheio de dentes antes de acenar minimamente para mim.

Foi quase fofo. O que provavelmente significava que aquilo iria me matar e preencher todos os buracos do meu corpo com pequenos ovos. Me arrependi imediatamente desse pensamento e engoli a seco. 

"Estamos bem, eu e você?" Me senti idiota falando com um monstro na minha parede, mas só deixei rolar. A coisinha assentiu com a cabeça. 

"Vamos viver juntos aqui e nos dar bem, sem machucar um ao outro?" 

Assentiu mais uma vez. 

"Tá bom, legal, acho. Vamos tentar. Bem vindo ao lar." A criatura deixou escapar um gorgolejo de felicidade e assentiu antes de ir andando pelo corredor.

Desde então, tudo correu muito bem. Ainda é bizarro, claro, mas me adaptei rapidamente e não tive preocupações reais até esta manhã, quando encontrei o corpo no armário do quarto de hóspedes.

Subi para pegar uma capa de chuva no armário, mas tive dificuldade em abrir a porta. Quando consegui, vi o corpo de um homem, embrulhado em uma teia de seda, sentado no chão do armário. Gritei, mas antes de entrar em pânico, percebi que o homem estava usando uma máscara de esqui preta. Eu o estudei mais perto pelo que eu podia ver através das teias. Ele tinha roupas escuras e uma faca comprida estava cerrada no punho direito.

Eu reconheci essa faca. Chet, meu ex, costumava carregá-la no carro quando saíamos. Senti meu estômago apertar. Consegui soltar a faca com algum esforço e usei-a para liberar um pouco de teia, só o suficiente para remover a máscara. O rosto de Chet estava esburacado e esfolado, e pude ver que tinha sido degolado.

É difícil para mim dizer quanto tempo ele já esteva lá, mas vi o suficiente para saber o que aconteceu. Peguei minha capa de chuva e saí. Quando voltei para casa naquela noite, todos os vestígios dele haviam desaparecido. Pela décima vez considerei chamar a polícia, mas o que eu iria dizer? No final das contas, me sentei no sofá e liguei a televisão. Levou apenas um minuto para encontrar um bom programa de concurso para assistir.

FONTE

Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigada! Se gostou, comente, só assim saberemos se você está gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião!


24 comentários:

  1. Além de empregada é seguranca, quero quero quero

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  2. Naraku se redimiu e virou segurança particular, chegando ao ponto de exportar suas crias pra amigas de confiança.
    Um vilão exemplar.

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    1. CHORANDO AQUI QUE NAO FUI A UNICA PESSOA A PENSAR NO NARAKU KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK

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    2. KAJSDHASKDJ pudera, tenho que honrar meu avatar da Kagura.

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  3. Essa aranha vigilante e faxineira faz comida também?

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  4. Quero um youkai na minha casa também kkkk

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  5. Tem uns errinhos de escrita no início.
    Mas, e um bom conto, bem engraçadinho.

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    1. Vcs podiam só deleta o canal do felipe Neto já iria ajudar o mundo

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  7. Gostei, não é muito assustadora mas a história é divertida.

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  8. Divina, poderia, por favor, apagar o SPAM que Hellina Jully comentou? =/

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    1. Concordo. Tá quase do tamanho da creepy

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  9. Adorei a história, muito divertida, só tem alguns erros de escrita no início.

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  10. Alem de empregada é segurança, sera q faz um cafezinho gostoso tbm ? Amei. Quero um.

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