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Arrombei o quarto trancado do meu filho

21 comentários
Me considero um homem muito religioso. Tentei criar uma família com esta mesma ideologia, mas nenhum de meus filhos se engajaram nesse estilo de vida. Meu filho Jake preocuparia qualquer homem que tinha Deus no coração. 

Meu filho Jake mantinha seu quarto trancado. Quando estava lá dentro, estava trancado. Quando saía, trancava com sua chave. Não tínhamos uma extra, então apenas deixamos assim. 

Depois da morte de seu irmão mais velho, Tyler, Jake se isolou muito. Raramente falava comigo ou com sua mãe. Muitas vezes passava direto por nós, como se não percebesse nossa presença e sem responder nossas perguntas. 

Quando Tyler morreu, foi difícil para todos nós. Eu e minha esposa tínhamos um ao outro, Jake não tinha ninguém. Eu podia ouvi-lo soluçando pelo outro lado da porta, mas não queria ajuda de ninguém. Só queria ficar sozinho. 

De certa forma, entendo. Entendo como é tentador se isolar e se trancar dos arredores. É muito mais fácil ter que se preocupar somente consigo mesmo. Depois de perder um irmão, seu melhor amigo, posso entender o motivo para Jake não querer se aproximar novamente, caso nó também partíssemos em algum momento. 

Jake não foi ao funeral. No primeiro momento, fiquei puto. Para mim, ele não estava dando o devido respeito que seu irmão merecia. Tyler havia lutado pelo nosso país e seu irmão comparecer em seu funeral era o mínimo a ser feito. Mas o pastor acabou me acalmando. 

"Cada pessoa enfrenta o luto da sua própria forma," falou. 

Mas recentemente comecei a ficar muito preocupado com Jake. Posso ouvi-lo chorando novamente. Sai de seu quarto com o rosto inchado quando vai para a escola, sem dizer uma palavra. Tentei conversar com ele no outro dia, e percebi algo aterrorizante.

"Jake, não quer tomar café da manhã antes e sair?"

"Não," respondeu, enquanto trancava a sua porta. 

"Jake, estou com saudade do meu filho. Por favor, fale comigo." 

Jake parou. Ficou parado por um minuto, contemplando se deveria responder ou apenas sair pela porta. 

"Para que? Para você me arrastar para a igreja? Por favor, ore por mim." Seu rosto parecia atirar em meus olhos. 

Quando se virou para mim, suas palavras não importavam. Eu havia notado outra coisa. 

"Jake!" Gritei, segurando seu braço. 

Arremanguei sua jaqueta, revelando muitos cortes. 

"Jake...", minha voz falhou.

Jake puxou o braço de mim e saiu pela porta de casa. Caí no chão enquanto chorava incontrolavelmente. Não queria perder mais um filho. 

"Querido, querido, o que aconteceu?" Minha esposa desceu as escadas correndo para me ajudar. 

Expliquei o que tinha visto. Nosso filho estava se mutilando. Minha esposa explodiu em lágrimas, e ambos concordamos que precisávamos entrar no quarto de Jake. Tínhamos que encontrar seja lá o que fosse para salvar sua vida. 
***

Um medo agudo fervilhou em meu estômago. Minha esposa e eu estávamos de pé em frente a maldita porta pelo que já pareciam ser horas. 

"Não podemos fazer isso," ela falou, apertando meu braço. 

"Nós temos que fazer. Se conseguirmos encontrar apenas uma coisa que ajude a salvar a vida dele... Não posso passar por isso de novo."

Minha esposa assentiu, concordando. Não podíamos perder mais um filho. 

Mexi na maçaneta e confirmei que a porta estava trancada.

"Então, como vamos entrar? Vamos simplesmente arrombar a porta?"

"Talvez essa seja nossa única alternativa. Espera aí." 

Fui até a cozinha e peguei uma faca. Coloquei a faca de manteiga dentro da fechadura e virei. Para minha surpresa, funcionou. A porta estava destrancada. 

"Meu deus! Foi tão fácil assim?" Me virei para minha esposa. 

"Vamos, rápido." Ela respondeu.

Abri a porta e a primeira coisa que notei foi o cheiro. Era perverso. Esse quarto estava trancado faziam anos e o odor ali poderia dizer isso para qualquer um antes de que eu abrisse a boca.

Na paredes haviam diversos posters. Muitas bandas, filmes; coisas que eu nem sabia que ele gostava. Minha esposa começou a revirar as gavetas. 

"Merda...", minha esposa disse. 

"O que foi?" 

Minha mulher tampou a boca com as mãos e seus olhos começaram a marejar. Com uma mão, me entregou um pedaço de papel. Era um bilhete. 

Não quero mais viver.

Me agachei e enfiei a cabeça entre os joelhos. 

"Merda... Caralho!" 

Não posso perder mais um filho. Rezei baixinho, pedindo por um caminho à seguir. Eu não podia perder Jake. 

"Vamos continuar procurando, querida," Acariciei as costas dela. 

Cada um de nós ficou com um lado do quarto e procuramos intensamente. Ali era uma bagunça total, vasculhar tudo tomaria horas de nosso tempo. Não encontramos quase nada mais que fosse relevante. 

"Vamos procurar em baixo da cama," minha esposa sugeriu. 

Andamos até sua cama, e cada um levantou um lado do colchão. Minha esposa arfou. 

"O que é isso?!"

Ela estava segurando uma lâmina de barbear. Acreditei que era o que usava para se cortar. As palavras "foda-se a vida" estavam escritas de caneta nela. 

Minha cabeça estava leve. Meu filho queria morrer. E a culpa era nossa. Tínhamos falhado. 

"O que vocês estão fazendo?!" Meu filho entrou no quarto. 

"Jake!" Exclamei, em choque. "Você devia estar na escola!" 

"Era só meio período hoje... Porque você está com isso?"

"Querido," minha esposa se levantou, saindo da posição fechada em que antes chorava. "Querido, sabemos que você quer se matar."

"Mas que porra é essa?" Jake falou, recuando. "Saiam... saiam agora." 

Me levantei e andei até Jake. "Filho, nós te amamos."

"Mas... que porra é essa?" Jake estava paralisado, lágrimas escorrendo pelas bochechas. Minha esposa o abraçou, mas não foi retribuída.

"Nós te amamos muito, querido. Não queremos perder mais um filho."

"Por... por que você ainda tem a lâmina?" Jake perguntou. 

Eu o segurei. Minha esposa fez o trabalho. Cortes profundos e verticais nos dois pulsos. Ele chorava, implorando para que parássemos, mas não podíamos. Ele não podia se matar.

***

Os vizinhos eram tão bons para nós. Assim como a polícia. Dois filhos perdidos por causa do suicídio? Todos tinham muita pena de nós. Nós não merecíamos aquilo. Sabíamos que nós encontraríamos nosso lugar no inferno quanto o momento chegasse. E estávamos felizes com isso. 

Quando Tyler voltou do Iraque, estava acabado. Tinha perdido a perna direita. A namorada tinha o abandonado. Seu melhor amigo havia morrido. Demos nosso melhor para ajudá-lo, mas não foi o suficiente. Tyler deixou claro que não tinha mais intensões de ficar vivo. 

Todos os sinais estavam lá. Tyler iria se matar. E muito em breve. Eu não podia deixar isso acontecer. Não podia perder meu filho para o suicídio. Conseguimos fazer que fosse rápido e sem dor. Alguns comprimidos em seu café. Esse é o nosso pecado, não dele. 

Achei que esse era o fim, mas infelizmente não era. Jake também queria morrer. Estava farto do mundo e queria se matar. E não podíamos deixar que isso acontecesse. Suicídio é um pecado. 

Eu jamais deixaria meus filhos irem para o inferno. 



FONTE

Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigada! Se gostou, comente, só assim saberemos se você está gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião!

21 comentários :

  1. pera quê? não entendi alguem explica pra mim rs

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    1. Acho que os pais mataram os dois filhos, e achobquebo mais novo estava daquele jeito porque sabia o que tinha acontecido com o irmão. Mas não tenho certeza se entendi direito.

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    2. na religiao suicidio e um pecado que te da passagem direta pro inferno dae os pais mataram eles para eles nao irem para la

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  2. Pera, eles mataram os dois? Fiquei confuso, mas é boa.

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. Os dois filhos do casal estavam com depressão (um por perder a perna, a namorada e o melhor amigo após a guerra, e o outro filho por perder o irmão, que no caso também era o seu melhor amigo) e pretendiam suicídio.
    Como suicídio é um pecado aos olhos da religião dos pais, eles mataram os dois filhos, "se sacrificando e cometendo o pecado" no lugar deles.

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  5. Os dois filhos queriam se matar. Para não o fazerem (já que o suicidio leva ao inferno), os pais mataram os dois, para que tivessem morrido sem se suicidar, indo, assim, para o ceu.
    (Doentio, eu sei)

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  6. Muito boa! Tava esperando algo mais previsível, tipo o cadáver do irmão no quarto dele ou algo assim, mas fui completamente surpreendida. A ideia é ótima e foi muito bem desenvolvida.

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  7. Pra quem não entendeu: Tyler, o irmão que morreu primeiro estava passando por algumas dificuldades, na vida sentimental, no trabalho, e queria se matar (ou pelo menos é isso que os pais achavam) e como cometer suicídio na bíblia é uma passagem direta pro inferno, os pais mataram os dois filhos quando eles apresentavam sinais de que queriam cometer suicídio, assim, eles livrariam os filhos de cometer tal pecado, dando um fim na vida deles para que não se matassem, comprando o pecado para si, e de certa forma salvando os filhos e afundando no lugar deles. Creepy muito bem elaborada, gostei.

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  8. Este comentário foi removido pelo autor.

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  9. Fica mais tenso se você pensar que um depressivo com tendências suicídas não quer mesmo se matar, mas sim ser salvo (porém muitas vezes a dor é tão grande que parece que não há saída, a não ser a morte, e é por isso que muitos acabam, de fato, cometendovo ato em algum momento mais "irracional"), é por isso que o garoto mostrou medo e implorou pra pararem… Isso realmente mexeu comigo, creepy bem pesada mesmo :'D

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  10. Malditos pais. Fiquei com dó dos meninos...

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  11. Que final foda. Bem inesperado e macabro... 10000/10

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  12. Os pais tomaram os pecados dos filhos para si, se sacrificando para os filhos não se matarem e irem para o inferno. Adorei.

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  13. Acho que deveria ter um aviso de gatilho antes do texto

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  14. sinceramente, foi a melhor creepy q eu já li, tive de ler duas vezes a passagem dos pais matando o filho e fiquei "ooooi, comequié?" ficou sensacional

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