04/06/2018

Conheci uma menina na festa de formatura...

Meus pais me forçaram ir para a festa de formatura. 

"Henry, você é o único menino novato na escola," Meu pai disse, e minha mãe assentiu com veemência atrás dele. "É importante aparecer em eventos e fazer amigos." Então me vesti no termo mal medido, prendi a flor de aparência morta no bolso, e fui para o baile sozinho.

Bam. Bam. Bam.

O grave batia dolorosamente em meus ouvidos. Caixas de som de baixa qualidade estavam penduras no teto, e a pista de dança estava cravejada de casais sussurrantes.

Passei por eles, me sentei em uma das mesas, sozinho. Mas não demorou muito até eu ouvir uma vozinha. 

"Com licença?" 

Olhei para cima.

Era uma menina bonita - mas eu nunca tinha a visto antes. Olhos castanhos profundos, longos cabelos negros, e um vestido longo roxo que encostava no chão. Deve ser namorada de alguém de outra escola, pensei.

Mas me perguntou - 

"Você quer dançar?"

"Sério?" Deixei escapar, antes de me controlar. 

Ela deu uma risadinha. "Sim, é sério."

Fomos até o meio da pista de dança, perto da líder de torcida Molly e do jogador de futebol americano Casey. 

"Você tem que colocar as mãos envolta da minha cintura."

"Eu.. eu sei disso."

Eu ri, nervosamente, e o fiz. 

"A propósito, meu nome é Mary. Mary Keller."

"Henry."

Vi uma movimentação, e olhei para cima. 

O espelho na parede brilhava iluminadamente, refletindo os holofotes da pista. Em baixo, vi os casais dançando e girando, sussurrando e rindo. E me vi no meio, mas - 

Meus braços estavam envoltos no ar.

"Henry?"

Olhei de volta para ela. "Ah, desculpa, eu só-"

Olhei de novo o espelho. 

Lá estávamos, abraçados um no outro, dançando no ritmo da música. "Esquece," Murmurei, olhando par o outro lado.

"Eu estava perguntando se você gosta dessa música."

Eu ri. "Ah, não, nem um pouco." 

"Eu também não," ela riu. "É péssima."

Continuamos dançando por mais três músicas - mesmo que eram terríveis. Finalmente, fizemos uma pausa para beber. 

"Estou feliz por estar aqui," falou, apertando minha mão. "Não consegui vir ano passado."

"Por que não?"

Mas ela só balançou a cabeça negativamente, sem responder.

Então deixei, e olhei para a pista. Molly e Casey estavam se beijando, assim como vários outros casais. Diversos grupinhos de garotas sussurravam e riam entre si. Mas ninguém parecia prestar atenção no fato que eu - Henry Slater, o novato envergonhado - estava com a menina mais linda da festa.

"Não entendo."

"O que?"

"Você é a garota mais bonita aqui. E ninguém nem sequer está nos olhando."

Ela apenas riu, seus cachos balançando. "Não sou muito popular." 

"Ah, nem eu." 

Depois de beber, voltamos para a pista. Conversamos, rimos, giramos - Até que as luzes enfraqueceram e a multidão foi diminuindo. "Quer sair daqui?" Perguntei. 

Ela assentiu. 

Me seguiu até a rua. Uma chuva fininha caía, transformando a grama em uma lama nojenta. "O carro está destrancado!" Gritei, e corremos até lá. 

Entramos. Gotas de chuva escorriam pelos meus cabelos, pelos olhos, até o estofamento do carro. "Não sabia que estava previsto chuva hoje," falei. "Desculpa, eu teria trazido um guarda-chuva e-"

Me virei para ela. 

Estava completamente seca. 

Seu cabelo não estava pingando como o meu, não havia gotas de chuva em seus ombros, nada de lama em seus saltos. "Como você fez isso?" E eu sentado aqui, completamente molhado, que nem um idiota...

E ela continua perfeita. 

Mary sorriu. "Sou sortuda, sei lá." 

E então se inclinou na minha direção.

Nos beijamos, e o tempo pareceu parar. Provavelmente durou apenas alguns minutos, mas pareceu uma eternidade. Finalmente, ela se afastou e sussurrou:

"Obrigada." 

Liguei o carro, e me direcionei para a estrada atrás da escola. Ela não falou muito no carro, e quanto mais dirigíamos, menos ela sorria. "Tá tudo bem?" Perguntei, algumas vezes, mas ela só assentia e sorria forçadamente.

"Wow - o que aconteceu?"

Luzes azuis e vermelhas brilhavam entre as árvores. Fizemos uma curva e eu ofeguei. 

Um sedan - tinha atravessado a estrada e batido em uma árvore, vindo da outra direção. O capô do carro estava esmagado contra o tronco, e a polícia rodeava o lado do motorista. Cacos de vidro brilhavam com as luzes das lanternas.

"Meu Deus," falei. "Mary, você está vendo-"

Virei para ela. 

Mas o banco do passageiro estava vazio. 

"Mary?!" Pisei no freio, estacionei, procurei por todos os cantos. Olhei no banco de trás, o espaço entre os bancos, até no porta-malas. 

Mas ela não estava lá, obviamente. 

Talvez ela caiu, de algum jeito, não sei...

Mas então olhei para frente. 

Eu estava em uma estrada escura, vazia. Sem lanternas, sem luzes de viaturas, nenhum acidente. 

Apenas uma pequena placa, na frente da árvore. 


DIRIJA COM CUIDADO

EM MEMÓRIA DE MARY KELLER



13 comentários:

  1. Lá pra metade, imaginei que ela estava morta e era um fantasma, pensei que ela havia acabado de morrer, mas parece que morreu no ano passado, me surpreendeu no final pois esperava encontrar um acidente e não um memorial. Gostei, parabéns Divina.

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    1. Sim,exatamente. Esse plot no final,de ser um memorial não um acidente, foi maravilhoso

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    2. Pra mim o final sem esse memorial seria melhor

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  2. Muito boa. Apesar de ninguém ter notado eles acho que na vida real alguém iria perceber um cara abraçado no vento dançando 3 musicas kkkk

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    1. Eu iria pensar que ele estava bêbado 🤔

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    2. Perceberam, por isso ele menciona que olharam para ele e riram. O(a) autor(a) destaca isso mais de uma vez .-.

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  3. Ele estava com minha namorada a inês sistente

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  4. "Com licença?"

    Olhei para cima.

    "vc estaria interessado nos produtos mary keller?"


    (desculpa) goxtei, o fim me deu uma coisinha

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  5. Me lembrou a creepy do caminhoneiro. Lol

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