22/06/2018

Eu trabalho em um hotel. Na última noite, todos do 4º andar desapareceram. [Parte 2]

"Nós a levaremos ao endereço assim que os reforços chegarem."

"Mas ela está em perigo! Ela-"

"Senhora, nossa prioridade é encontrar os hóspedes que desapareceram", disse o policial, voltando para o quarto 402.

Ah. Eles não acreditam em mim. Eu olhei para o guardanapo, amassado e suado em minha mão. Até onde eles sabem, eu escrevi este bilhete e nunca houve uma mulher loira.

Eu suspirei, dei meia-volta e caminhei rapidamente pelo corredor.

As conversas e os sons dos rádios desvaneceram-se a um zumbido baixo. Eu olhei para as portas, fechadas; até onde eu sabia, não haviam fechaduras quebradas, nem manchas de sangue, nem evidências de desaparecimentos. O rosto do homem de jaqueta de couro passou pela minha mente; seu olhar intenso, seu sorriso enquanto segurava a garota contra ele, sem consideração pelo terror dela...

Eu parei.

A porta do quarto 429 estava entreaberta.

Olhei para baixo. Uma revista enrolada estava enfiada no meio da porta, mantendo-a aberta. Além disso, o quarto estava escuro como breu.

Volte para baixo. As palavras martelavam em minha cabeça, tão firmes quanto as batidas do meu coração. Mas eu senti a irresistível curiosidade, o chamado do desconhecido.

Eu lentamente dei um passo à frente. O silêncio encheu meus ouvidos, seguido dos meus próprios passos abafados contra o carpete e o tique-taque do relógio no final do corredor.

Com uma respiração profunda, eu empurrei a porta aberta.

A luz do luar iluminava levemente o quarto escuro; aparentemente vazio. Cheguei ao interruptor e o liguei.

Meu coração se apertou.

Brinquedos estavam espalhados pelo chão - um pequeno carro azul de polpicia, um elefante de pelúcia, um chapéu de bombeiro de brinquedo.

Uma família estava aqui, com uma criança.

E agora eles se foram.

Eu entrei no quarto. No banheiro, toalhas torcidas estavam no chão. Havia escovas de dentes espalhadas pelo balcão, algumas ainda com pedaços secos de pasta. As camas estavam bagunçadas.

Dei um passo a frente.

Crrrunch

"Ai!" Eu segurei no meu pé; latejava fortemente. Havia algo pequeno no meio do tapete avermelhado.

Eu me inclinei e peguei.

Era um ursinho de pelúcia em miniatura. Não muito maior que uma moeda e muito mais pesado do que eu esperaria por ser uma coisa tão pequena.

Que brinquedo estranho.

E então eu ouvi uma voz, chamando alto no corredor:

"Anna? Estamos prontos pra ir."

O coloquei em meu bolso e fui em direção ao corredor.

---

As direções nos levaram por uma estrada de cascalho. A oficial Jingwen suspirava pesadamente, enquanto nuvens de poeira cinza se erguiam atrás de nós. "Tinha que ser uma estrada de cascalho", ela murmurou. "Não aguento aquele som esmagador. É como se alguém estivesse comendo pedras."

Mas eu não estava ouvindo. A garota loira pode estar morta agora - ou desaparecida, como o resto. Eu olhei pela janela, observando os raios alaranjados da aurora espiarem através das árvores.

A casa surgiu à vista. Era um pouco mais que um barraco, ficava entre um gramado alto e galhos caídos. As janelas eram pretas, e a princípio achei que estivesse escuro por dentro; mas então percebi que algum tipo de papel preto havia sido colado no vidro.

"Fique no carro."

"O que?!"

"Pode ser uma situação perigosa", disse ela, sua mão segurando o coldre. "Não gostaria de ser responsável por matar uma criança na primeira semana de trabalho."

Eu retruquei: "Eu não sou uma criança. Tenho dezoito anos."

Ela encolheu os ombros. "Você não é adulta até que possa beber 10 shots seguidos. Legalmente." Ela sorriu. "Sem apagar."

Eu apenas olhei para ela.

"Ok, olha. Irei verificar se a casa está segura, e assim que eu der o sinal, você entra, tudo bem?"

Ela desapareceu pelo caminho de pedra e entrou na casa.

Eu esperei. Cinco minutos se passaram; então ela saiu pela porta e me deu um sinal de positivo.

Eu saí do carro e corri pela grama. Abri a porta; ela rangeu em um alto creeeaak.

A casa estava uma bagunça. Não, isso foi um eufemismo. A casa estava em ruínas. Garrafas vazias de cerveja, caixas de pizza encharcadas e lenços amassados estavam espalhados pelo chão.

E então havia os bonecos.

Centenas deles, cobrindo toda a superfície. Como os guerreiros em miniatura que os caras usam em jogos de estratégia - porém em vez de ogros e super-humanos, eles pareciam pessoas comuns. Eu estendi a mão para pegar um.

"Não toque em nada", disse Jingwen, começando a subir as escadas.

O boneco à minha frente era um homem - não mais que 5 centímetros de altura, olhos escuros do tamanho de um alpiste. à sua esquerda estava uma mulher morena; à sua direita, uma loira. Ambas usavam uma lingerie preta, o que tornava quase mais indecentes do que se estivessem nuas.

Dei de ombros e caminhei mais para dentro da casa. Na cozinha, o amontoado de bonecos ficou mais esparso. Alguns ficaram em uma poça rasa, perto da pia; vários estavam espalhados pelo chão. Uma família inteira estava na mesa da cozinha - o pai correndo atrás de um filho bebê, a mãe olhando para um smartphone do tamanho de um arroz. Um cachorro salsicha estava no centro, não maior que um botão.

E então eu ouvi um grito vindo do andar de cima.

Eu corri para cima. Jingwen estava de pé nas sombras cinzentas do quarto, olhando para algo além do meu campo de visão. Eu entrei, ofegante como um cão selvagem, e segui seu olhar.

De dentro das sombras do armário, a garota loira estava nos encarando. Seus olhos eram selvagens, o cabelo emaranhado e frisado, e ela estava chorando.

"Esta é a sua garota?" disse Jingwen, caminhando em direção ao armário.

Eu olhei para ela. Uma das mãos estava amarrada com uma corda grossa à porta do armário; a outra estava apertada em torno de um dos bonecos. Quando seus olhos encontraram os meus, ela desabou soluçando novamente. "Eu sinto muito", disse ela, em lágrimas.

"Não, não, está tudo bem", eu disse. "Você tem uma faca, oficial? Nós precisamos tirá-la daqui-"

"Eu sinto muito", ela continuou lamentando.

"Por que - por que você sente muito?"

"Ele dosse - ele disse que a traria de voilta", ela disse. "Desde que eu a trouxesse aqui. Me desculpe, eu não-"

A oficial Jingwen e eu nos entreolhamos. "Do que você está falando?!" ela disse, desafiadora e ao mesmo tempo com medo.

A garota balançou a cabeça, lágrimas caindo no chão.

E foi quando ouvimos-

O som de uma porta, rangendo pelo corredor.



Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigada! Se gostou, comente, só assim saberemos se você está gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião!




5 comentários:

  1. Mais mistérios na próxima parte

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  2. Tá com erros de escrita mas está ficando interessante,esperando pela próxima parte

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  3. A creep perde muito por causa dos erros. 6/10

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  4. Eu gostei dos erros de escrita. Não interferiram em nada na minha compreensão do texto. Me deu a impressão de mistério em numa estória, já misteriosa.

    Quanto a estória. Esta mantendo a tensão muito bem. Mesmo que alguns detalhes estão sendo conhecidos.

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