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Meus pais não acreditaram que minha irmã estava grávida

31 comentários
Para ser justa, eu também não sabia o que pensar. Ellen era uma menina quieta, último ano do ensino médio, tirava notas 8, não tinha muitos encontros, nunca nem mencionou o nome de algum garoto. Tinha amigos, claro, mas não muitos desses eram do sexo masculino. 

Me falou enquanto eu estava lendo na sala, em suas mãos um teste positivo de gravidez. Ela estava chorando. Fiquei surpresa. Não perguntei sobre o pai, nem passou pela minha cabeça na época. Apenas abracei-a depois que o choque passou e falei que tudo ficaria bem. Fui com ela contar para nossos pais. 

Minha mãe imediatamente se debulhou em lágrimas, soluçando e balançando a cabeça negativamente. Meu pai ficou muito quieto, a face ficando alguns tons mais pálida. Então falou. 

"Por que está mentindo assim para nós?"

Ellen começou a chorar de novo e balançou a cabeça. "Não estou... não estou mentindo! Eu-" 

"Cala a boca!" Meu pai deu um tapa no teste de gravidez na mão e colocou o dedo na cara dela, sua voz se erguendo para um berro. "Eu te ensinei melhor do que mentir para nós! O que é isso? Está tentando esconder suas notas de nós?" 

Eu mal sabia como reagir àquilo. Ellen apenas soluçava e correu de novo para o quarto, batendo a porta. Meu pai voltou sua raiva para mim. "Foi você que a fez fazer isso? Você acha que tem alguma graça?!"

Eu fui a próxima a correr de lá, nunca tinha visto meu pai com tanta raiva e não queria lidar com seu surto de ódio. Achei que, quando se acalmassem, eles veriam a verdade e ajudariam Ellen a lidar com o que estava acontecendo. 

Mas isso não aconteceu. 

Ellen tentou trazer o assunto de volta na manhã seguinte quando minha mãe estava sozinha, mas ela só continuou com os lábios firmemente fechados se recusando a responder. Ellen implorou para que ela voltasse a si mas a única coisa que falou foi que pegássemos algumas coisas no mercado quando voltássemos da aula, então saiu da mesa. Ellen enfiou o rosto nas mãos, não chorava mais, estava apenas confusa. 

Dei tapinhas em suas costas para confortá-la, dizendo que daríamos um jeito de sair dessa. 

Naquela tarde, procurei por clínicas de aborto perto de nós. Tracei um plano. Tecnicamente, só eu tinha carteira de motorista, mas Ellen podia voltar sozinha dirigindo do procedimento então pensei, foda-se, talvez conseguiríamos nos livrar desse problema. Dividi o plano com minha irmã e, mesmo parecendo hesitante, convenci-a que esse era o único jeito de tudo acabar bem.

Quando estávamos tentando sair para 'tomar sorvete' na tarde seguinte, meu pai nos impediu. 

Eu havia esquecido de apagar o histórico de internet.

Ele gritou conosco, dizendo que ambas estávamos indo longe demais com essa mentirinha e que ficaríamos de castigo até que Ellen confessasse sua mentira. Seu rosto estava completamente vermelho vivo, veias tão aparentes em sua testa que achei que iam estourar. Meu pai sempre teve pavio curto, mas nunca tinha o visto daquele jeito. 

No momento em que Ellen abriu a boca para dizer algo, meu pai socou-a no maxilar. Realmente deu um soco na cara dela. E ele não é um cara pequeno, então bate forte. Ellen caiu no chão, eu a vi cuspir um dente ensanguentado no chaço antes de começar a chorar. Eu a arrastei pelo braço enquanto nosso pai gritava como não sairíamos mais daquela casa para nada além da escola até que falássemos a verdade.

Ajudei Ellen a lavar a boca, limpando o sangue e conseguindo trazer escondida para o quarto um pacote de ervilhas congeladas para colocar em seu rosto. Balançou a cabeça e me olhou. 

"Eu... Eu estou grávida. Você acredita em mim, né?" 

Não importava se eu acreditava ou não, porque ela estava. 

Nas semanas seguintes, Ellen ficou acabada com os enjoos matinais. 'Matinais' é modo de falar, porque haviam dias que ela ficava da manhã até a noite debruçada no vaso, sem conseguir manter nada no estômago. Se minha mãe via aquilo, falava que Ellen apenas estava com uma Virose, se meu pai via aquilo, mandava ela parar com as 'pegadinhas' e se vestir logo para o colégio. 

Era um inferno. Inferno de verdade. E eu só podia ficar ao seu lado e assistir. 

Ellen não foi mandada ao médico para fazer pré-natal, fiz meu melhor nos computadores da escola para pesquisar o que fazer por conta, mas a ajuda de uma garota de quinze anos não exatamente muito ajuda. Além do mais, não era uma médica profissional, e era isso que ela precisava. 

Enquanto sua barriga ia crescendo, Ellen virou a piada da escola. Foi espalhado boatos de que ela havia transado com um dos professores para passar de ano, ou que ela não fazia ideia quem era o pai porque trepava com qualquer um que aceitasse ficar com ela. Ela nem respondia sobre esses boatos. Simplesmente seguia em frente com o que tinha. 

Acho que as vezes a própria Ellen duvidava de sua gravidez, eu a pegava se encarando no espelho, passando a mão no caroço da barriga com a expressão mais duvidosa que existia, como se não tivesse ideia do que aquilo era. 

E não, a barriga também não convenceu nossos pais. Minha mãe começou a regular mais ainda a comida de Ellen, dizendo que ela precisava 'vigiar seu peso' mesmo que minha irmã nunca tivesse tido mais do que quarenta quilos na vida. Era incrivelmente fodido ter que levar comida escondida toda noite para que não morresse de fome. As vezes era o resto de lasanha da janta, mas muitas vezes era apenas um punhados de uvas passas ou um pacotinho de salgadinho. Não importava, Ellen sempre agradecia.

Mesmo com a situação ferrada, ajudou com que o relacionamento entre eu e minha irmã crescesse. Tínhamos uma diferença de idade que fazia com que nosso laço não fechasse, mas eu era a única que estava ali para ela. Enquanto sua gravidez ficava cada vez mais óbvia, suas poucas amigas 'sumiram' ou simplesmente pararam de falar com ela. 

Meses se passaram. Ellen passou de ano com notas médias e estava positivamente enorme, mesmo com a beca de formatura. Sorriu durante as fotos e acho que provavelmente essa foi a última vez que vi seu sorriso sincero.

Agora que a escola acabara, não havia mais sair de casa. éramos prisioneiras de nosso próprio lar. Eu só podia entrar no computador com a supervisão de meu pai ou mãe, então sem mais pesquisas sobre gravidez, eu precisava me basear das anotações que tinha feito durante o ano. Eu vivia trocando os papéis de lugar, para que meus pais não encontrassem durante suas revistas secretas. 

Quando Ellen entrou em trabalho de parto, achei que meu pai fosse matá-la. 

Ellen estava no sofá gemendo de dor, implorando para meu pai chamar a emergência, precisava ir para o hospital. Ele só continuou lá parado, braços cruzados, olhando-a de cima para baixo. "Já chega! Você! Não! Está! Grávida!" Gritou. Ele não ia ajudar. Não deixaria ninguém ajudar.

O que aconteceu a seguir foi algo que já devia ter acontecido a muito tempo.

Eu ataquei meu pai. Ver minha irmã com dor e meu pai fazendo nada foi o que me levou ao meu limite. Agarrei uma tesoura que estava na mesa do computador e soltei um grito banshee. Eu não o matei, bem que quis, mas não o fiz. Eu o furei no braço e quando caiu de costas no chão da sala, ajudei Ellen a ir para o quarto. 

Não tínhamos trancas na porta, mas usei uma cadeira para bloqueá-la e rezei para que fosse suficiente. Ellen deitou em sua cama, agarrada nas cobertas, gritando e tremendo enquanto cada contração tomava conta de seu pequeno ser. 

Aquele momento todo é apenas um borrão, mesmo. Minha irmã quase quebrou minhas mãos de tanta força que fazia, eu peguei o seu antigo cobertor de bebê, e falei que ela conseguiria. Seus gritos balançavam as janelas, pelo menos eu achava que eram seus gritos... mas percebi que a casa toda estava tremendo.

Lembro de pensar que ironia era um terremoto bem naquele momento quando percebi que era a hora de pegar o bebê. 

Minha sobrinha era tão pequeninha, tão paradinha, sua pele de uma coloração azulada e achei que estava morta... até que abriu a boca e chorou. 

Minha irmã me olhou, seu rosto tão branco quanto uma folha de papel, coberto de suor. Dei meu melhor ao limpar a bebê e enrolá-la no cobertor, entregando para minha irmã. Sorri. 

Ouvi passos atrás de mim e senti os pelos da minha nuca se levantando. Será que meu pai tinha entrado durante aquele momento de insanidade? Me virei. 

Mal posso descrever o que estava atrás de mim, só que era alto, sua cabeça encostando no teto. O quarto parecia escurecer diante de sua presença, suas características escondidas atrás de um manto negro que varria o chão.

Quase saí de meu próprio corpo quando falou, sua voz baixa e sinistra. "A criança é saudável?" Perguntou. 

Engoli a seca. "E-eu... eu a-acho que si-sim."

Minha irmã olhou para cima e alívio tomou conta de sua expressão. "Você está aqui... Achei que não viria..." Disse, um sorriso verdadeiro formando-se em seu rosto. 

"Jamais esqueceria de você." A criatura foi até a cama e, cautelosamente, pegou minha irmã nos braços. Consegui ter um vislumbre do que estava debaixo do manto. 

Estranhamente, achei que ele era um tanto belo, com a pele azul escura e olhos totalmente negros. Ele acenou com a cabeça para mim. 

"Ela carregará uma forma de seu nome, criança. E também sua bondade."

Puxou uma pequena bolsa de seu bolso, colocando em minha mão. Desfiz o laço e pedacinhos de ouro brilhante caíram na minha palma. 

O homem estranho andou até o closet, abrindo-o, e pude ouvir minha sobrinha guinchando e minha irmã falando o quão feliz estava de vê-lo. 

A porta se fechou atrás dele. Me levantei e abri a porta. 

Não havia nada lá, exceto alguns vestidos de minha irmã e sapatos. Sentei no chão, abraçando minhas pernas, permitindo-me chorar enquanto meu pai finalmente arrombava a porta.

Eu nunca mais vi minha irmã, mas algumas vezes, bem tarde da noite, consigo ver uma criança pequena me espiando de dentro do closet... tem os olhos de Ellen. 

31 comentários :

  1. Alguém sabe quem/ o que é a tal criatura?

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  2. Que creepy demais!
    Admito que logo no comecinho minha mente vagou pra bem, BEM longe e eu tava apostando que terminaria com algo tipo "e aí minha mãe disse que minha irma nasceu homem mas teve o gênero trocado porque deu mercado na circuncisão" ou algo assim. Eu tava esperando que fosse impossível ela engravidar ou coisa do tipo.
    Mas o fim foi muito mais surpreendente que isso!
    A criatura é uma fada? Essa história acabou me lembrando da trilogia dos 13 Tesouros. Uma moça tem uma filha com um homem-fada lá, só que ele é mais babaca e se mandou sozinho, mesmo. A descrição da criatura faz pensar num nobre elegante, um pouco, e a pergunta sobre a criança ser saudável lembra os changelings, afinal, que fada quer um filho bugado?
    Aliás, gosto do jeito meio tenro como a creepy acaba. Depois da agonia de ver os pais delas negando a gravidez evidente da menina, ela encontra conforto e felicidade no Pai do Ano™
    Wholesome, arrisco.

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    1. Tmb pensei na possibilidade de troca de sexos.

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    2. Caramba, fui ver agora. Esse comentário foi escrito de um jeito muito autista porque fiz pelo celular. O corretor sempre pira quando comento no CpBr.
      "E aí minha mãe disse que minha irmã nasceu homem, mas teve o gênero trocado porque deu merda na circuncisão".

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    3. Eu tambem viajei um pouquinho na circuncisão kkkk

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  3. Sabe o que é isso? Ataque de íncubo...

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  4. Independente de ser o filho de uma criatura ou não, esse pai me deu um puta ódio!
    Eu torci pra que a menina tivesse matado essa praga >:[

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    1. Eu tbm. Ela tava com dor e o pai nem aí, como se quisesse ver a filha sofrer. Att, puta odio. No lugar dela eu teria gazeado aula pra ir no médico

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  5. Deu um bug aqui ou só tem 4 colaboradores oficiais no site? What!?!

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    1. Este comentário foi removido pelo autor.

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    2. Isso mesmo. Só ficamos três tradutores (Eu, Gabriel e Bruce) e o Alex que cuida do layout do site. O resto dos colaboradores foram liberados por não conseguirem postar com frequência devido divergências pessoais.

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    3. Poxa vida velho, sinto muito por terem que deixar o site, mas sou grato pelo ótimo trabalho que eles e vcs tiveram ao longo desse tempo, mesmo que nem sempre as expectativas fossem alcançadas senti-me presenteado por saber que depositavam grande tempo para nos dar conteúdo, sendo por hobbie ou por amor mesmo. Por exemplo, milady Divina que em momentos do expediente criava e traduzia creepys (ATÉ MESMO DOENTE E SEM PC, vejam bem); o Andrey em meio ao estresse da facul sempre CRIANDO ele mesmo as próprias estórias para nós e sempre buscando melhorar, apesar dos comentários haters completamente desanimadores; e muitos outros. Muito obrigado à todos os colaboradores ♡ Love us

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  6. ~Le Divina posta creepy
    Divina:a
    Creepers: lindíssima falou tudo, to chorando, ainda bem que não tenho pai..

    Q

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    1. Ericky, eu ri tanto desse comentário, sério HAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAH

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    2. Fico feliz por fazer meu raio de sol brilhar mais forte ♡

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  7. Acho que deixamos alguma coisa passar... Porque os pais dela não acreditavam na gravidez? Porque a criança voltava(e só)? Se ela via, quer dizer que ela continuava em casa. Não acredite nos seus olhos quando o género é mindfuck.
    Talvez a irmã gravida não exista e tudo tenha sido invenção da menta da narradora.
    Me veio algo como, o labirinto do Fauno :D

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  8. Não me arrependo de ter pulado quase 2/3 da história direto pro fim.

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  9. Pq os pais foram tao escrotos???????????

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  10. Mano, eu já tava preparada pra berrar um "filhodaputa" pra esse merda desse "pai" dela, porque eu tava pensando assim: ou foi um bicho que engravidou a menina, ou foi esse caralho desse pai que fez isso, ele tá negando muito. Chega meu sangue tava fervilhando, mas ainda bem (???) que não foi o caso :v Prefiro o Bicho-Papão legal ser pai da criança do que aquela coisa que deveria ser o pai da menina
    Divina divinando <3

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