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Minha namorada, uma alienígena.

26 comentários
"David, eu sou uma alienígena."

Esfreguei a nuca enquanto olhava através da mesa para a minha namorada, que me levou ao meu restaurante favorito para confessar algo importante para mim.

"Não estou entendendo", falei. "Tipo, você é do Canadá ou algo assim?"

"Não, eu quero dizer que sou realmente de fora do planeta", falou. "Não sou nem desta galáxia."


O tilintar dos pratos e a tagarelice dos casais felizes à nossa volta pareciam ecos distantes enquanto as engrenagens da minha mente paravam lentamente. 

Trinta minutos atrás, eu tinha ficado mais nervoso do que já estivera em toda a minha vida, uma pequena caixa de veludo azul apertada na minha mão enquanto me preparava para fazer a pergunta mais importante da minha vida. E, no entanto, em vez de um sim cheio de emoção, e um abraço manchado de lágrimas, recebi de resposta um "Oh" e cinco minutos de um silêncio constrangedor.

Senti como se todas aquelas comédias românticas haviam mentido para mim. 

Agora, eu estava sentado de frente ao amor da minha vida e ela estava me dizendo que não poderíamos nos casar porque ela não era nem sequer humana. Bem, n]ao é a primeira vez que ouço alguma desculpa - já fui rejeitado por garotas porque tinham que lavar seus cabelos ou passear com seus cachorros. Até já fui rejeitado por uma garota que disse que sua avó havia morrido como desculpa. Eu até tinha me simpatizado de sua dor, até ver suas histórias no Instagram em uma balada. 

Ainda assim, essa era nova.

"Você está triste", Sarah falou. "O que você está pensando?"

“Eu, hm. Eu realmente não sei o que pensar sobre isso”, falei. "Seu corpo certamente parece bastante humano para mim."

"Sim, sobre isso ..." Sarah disse. “Eu preciso te mostrar uma coisa. Não enlouqueça, ok?"

"OK."

Sarah levantou o braço esquerdo e começou a usar a ponta do dedo para traçar um padrão intricado nas costas da mão. Houve um clique e uma luz azul começou a brilhar sob sua pele. De repente, a luz se dissipou como eletricidade, e então Sarah foi embora. Sentada em seu lugar estava uma pequena criatura azul que parecia um pouco como um smurf com duas antenas parecidas com orelhas de coelho saindo do topo de sua cabeça.

Ouvi o som de vidro se quebrando e percebi que havia largado meu copo de vinho e ele se espatifara no chão. A garçonete correu para limpá-lo, aparentemente alheia ao fato de que agora havia uma alienígena de um metro de altura sentado à minha frente, em vez de uma mulher humana.

Olhei ao redor pelo restaurante esperando alguém notar, mas ninguém notou.

"Estou tendo um AVC?", Perguntei. 

Sarah sacudiu a cabeça.

"É meu modulador de percepção", disse. "Está sintonizado na sua frequência cerebral. Só você pode ver minha verdadeira forma agora."

"Ah, claro," eu disse, me sentindo fraco. "Um modulador de percepção."

Procurei copo de vinho e lembrei que tinha quebrado poucos antes.

"Você não surtando, está?", Sarah perguntou.

Pensei sobre aquela pergunta por um momento. Provavelmente deveria estar enlouquecendo, mas parecia mais que meu cérebro tivesse parado todas as suas funções. 

"Não", falei, procurando novamente pelo copo de vinho inexistente. 

"Bom", ela respondeu. "Porque eu tenho uma confissão a fazer."

"Você quer dizer que a sua confissão não é que você é uma alienígena?", perguntei.

"Acho que é pior que isso", falou.

Ela cutucou seu copo de vinho tinto em cima da mesa para mim e eu bebi tudo em um gole. 

"Tudo bem", falei. "Estou pronto."

Sarah mordeu o lábio e se balançou nervosamente em sua cadeira.

"Bem ..." ela começou, "eu meio que ... como pessoas."

"Você come pessoas?" Perguntei, pegando a garrafa desta vez.

"Sim", ela disse. “Mas não pessoas inteiras. Apenas o cérebro." 

Peguei a garrafa para me servir outro cálice, mas pensei melhor e bebi a garrafa inteira em vez disso. Eu tossi quando o último resquício do gosto amargo bateu na minha garganta e então limpei a mancha arroxeada dos lábios.

"Então, só para recapitular ..." falei "...você é uma alienígena que só consegue sobreviver comendo cérebros humanos."

"Quê?", Perguntou. “Não, eu consigo sobreviver com comida humana. Os cérebros são mais como uma... iguaria.”

"Ah."

Houve um momento de silêncio constrangedor em que Sarah mordeu o lábio e olhou para o chão.

"Mas não é como se eu fosse uma pessoa ruim", ela disse. “Eu só como pessoas ruins. Você se lembra de seu vizinho, o Sr. Wallows, que tentou envenenar seu cachorro?"

"Sim", falei."Ele não se aposentou e foi para o Havaí?"

Sarah sacudiu a cabeça.

"Não, eu comi o cérebro dele."

"Uau", falei, coçando a nuca. "Isso é realmente bastante para absorver de uma só vez."

"Você ainda não enlouqueceu, né?"

A julgar pelo meu ritmo cardíaco e o zumbido intenso em meus ouvidos, eu estava, de fato, entrando em estado de pânico. Mas Sarah parecia tão nervosa quanto, então tudo que pude fazer foi fazer que não com a cabeça. 

Sarah deu um suspiro de alívio e disse: "Bem, isso é bom, porque eu tenho outra confissão para fazer".

"Você realmente tem muitas dessas, não é?"

"É a última", disse Sarah. "Prometo."

"Tudo bem", eu disse, "estou pronto".

“Na verdade,” Sarah disse, “talvez você devesse tomar mais uns goles de vinho para ouvir essa.”

Ela enfiou a mão em sua bolsa e tirou meu vinho favorito, abriu-o e deslizou através da mesa em minha direção. Levei a garrafa até minha boca e dez segundos depois eu já tinha a terminado.

"Tudo bem", falei, bem tonto. "Pode mandar."

“Bem,” falou, pela primeira vez sem conseguir me olhar nos olhos. "Você se lembra como eu insisti que viéssemos aqui em nosso primeiro encontro?"

"Sim ..." Respondi, um pavor repentino começando a borbulhar no meu estômago.

"Então," Sarah falou. "É porque eu conheço o dono, ele é do meu planeta."

"Ah, não", eu disse. "Não diga."

"E sinto dizer que a maioria dos pratos tem cérebros humanos."

Olhei para meu prato de sushi, lembrando como eu tinha falado por todos os cantos que era o melhor que eu já havia comido.

"Até o sushi?"

"Sinto dizer que sim," respondeu.

De repente, comecei a me sentir muito enjoado. Eu não sabia o quanto disso era por causa do vinho, e quanto disso era pelo fato de eu ter acabado de consumir cérebros humanos. Acho que isso não importava. No entanto, quando olhei para Sarah, esqueci disso.

Seus dedos se contorciam no colo enquanto olhava para o chão, do jeito que sempre fazia quando estava nervosa. Olhou para mim com inocência nos olhos.

"Você está com raiva de mim?" Perguntou.

Talvez o fato de que, mesmo em sua forma alienígena, ela ainda se parecia muito com a mulher que eu amava. Talvez tenha sido o fato de que o Sr. Wallows era um velho filho da puta e racista. Talvez fosse o fato de eu ter bebido duas garrafas inteiras de vinho, mas silenciosamente balancei a cabeça negativamente.

"Então você ainda quer se casar comigo?", Perguntou, sua voz trêmula com uma pitada de esperança.

Silenciosamente assenti, e o rosto de Sarah se iluminou com um sorriso do tamanho do mundo. Ela passou o dedo de novo por cima da mão e retomou a sua forma humana, ainda sorrindo do jeito mais lindo que eu já vira. 

"Eu vou ficar só desse jeito aqui", falou. "Já que foi por quem você se apaixonou."

"Sim", falei. "Provavelmente é a melhor escolha por enquanto."

Então, quando o vinho começou a bater, um pensamento me veio.

"Então, esse... modulador de percepção..."

"Sim", respondeu, inclinando a cabeça para o lado.

“Pode alterar sua aparência de outras formas? Tipo... hipoteticamente, você poderia fazer com que certas partes ficassem... maiores?"

Sarah jogou a cabeça para trás e riu.

"Ah, ele pode fazer todo tipo de coisa", falou. “Vamos para casa. Eu quero te mostrar uma coisa."

Eu me atrapalhei com a minha carteira e deixei cair todo o dinheiro na mesa antes de me levantar e sair correndo pela porta com Sarah.

Não vou compartilhar inteiramente o que aconteceu depois. Só direi que mesmo que minha noiva seja uma alienígena que come o cérebro humano, ela ainda é a mulher por qual eu me apaixonei e a melhor coisa que já aconteceu na minha vida.

E aquele modulador de percepção... Cara, realmente consegue fazer qualquer coisa.



26 comentários :

  1. Acho que ele sofre de esquizofrênia...só pode!

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  2. Só eu que achei uma história romântica muito fofa? :3

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  3. HAHAHAHAHA, genial. Bem escrita e a história é bem engraçadinha.
    Eu felizmente já tenho minha namorada alienígena, Tali'Zorah nar Rayya vas Neema, dona de três dedos em cada mão e uma pele no mais belo tom de roxo, então não posso ser preconceituosa. Felicidades ao casal.

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  4. Ok ok, isso aqui não é uma crítica à estória, mas sim que eu me sinto desapontado quando venho para um site que deveria ser de creepypastas e encontro esse tipo de estória, claro que ela foi bem legal e tal, mas não é uma creepypasta, é mais uma comédia romântica, minha sugestão é que separem em categorias esse tipo de fic e o que é creepypasta de verdade, tipo colocando antes do título entre parênteses, ou sei lá, como quiserem, mas é muito broxante entrar num site supostamente de creepys e se deparar com isso

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    1. ai mano cuidado com os cara talvez eles achem q tu ta escrevendo errado pq colocou "estória" mas na vdd existe 2 significados ._.

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    2. Tô ligado, mas espero mesmo que não tenha nenhum analfabeto funcional por aqui...

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    3. Olha, eu me senti igual quando li a primeira trollpasta da minha vida, que se chama um sonho hiperrealista, e no fim tem a imagem de um cara vestido de buzzlightyer. Mais se você analisar BEM história, vai ficar é chocado por não sentir medo...

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    4. E aí, T, beleza? Bem, não sei se você acompanha com frequência os posts aqui do blog e por consequência as traduções que eu costumo fazer, não vejo você nos comentários sempre. D qualquer forma, eu sempre trago uma variedade bem grande de contos, todos eles sempre envolvendo terror, ficção científica, teoria das conspirações e casos bizarros. Nem sempre o que trazemos aqui é creepypasta porque, infelizmente, a produção literária desse tipo de leitura é um tanto escasso hoje em dia, não é algo que é atualmente tão popular quanto era em 2010, por exemplo. De qualquer forma, somos um site de terror, trazendo conteúdo exclusivo de contos que não se encontram em português normalmente pela web. A maioria do meu conteúdo, muito mais da metade pelo menos, é de conteúdo de terror, então não sinto que seja algo ruim trazer algo diferente de vez em quando. Espero que entenda meu ponto de vista. Mas obrigada pelo seu comentário, sempre é bom ver a opinião de vocês e vou me esforçar para encontrar mais contos pesadinhos pra cá, que sei que está fazendo falta.

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  5. Achei um fã do guia do mochileiro das galáxias!!
    Resumindo: o cara se apaixona por um zumbi intergalático que pode fazer um lanchinho na cabeça dele a qualquer hora, e ainda vai se casar com isso...

    ... tem louco pra tudo!
    Huehuehuehie

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  6. Na hora q ela fala q conhece o dono do restaurante eu achei q ela era apaixonada por ele e ia despensar o namorado humano kkk
    Mtu boa 10/10

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  7. Primeira vez aqui. Espero encontrar algo realmente bom.

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  8. Aahahhh eu quero conhecer uma dessas ♡

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  9. adoro finais felizes
    ela devia ter comido o cérebro dele

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  10. Se não for pra namorar assim nem quero kkkkkk

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  11. Famoso caso não sei se rio ou choro

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  12. Achei muito engraçado kkkkkkkk, o pior foi q eu tava esperando algum plot twist mas foi muita legal msm.
    As vezes é bom ter um conteúdo diferente.

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