30/07/2018

Acabamos de descobrir o vírus mais bizarro de todos


Tá, para encurtar a história - meu nome é Cam e sou um virologista. Se você nunca ouviu falar dessa profissão, sou só uma pessoa que estuda/pesquisa vírus e quaisquer agentes biológicos que se assemelhem a esses. É um trabalho decente. Paga bem e é sempre interessante. Nunca pensei em seguir nenhuma outra carreira. 

Bem, até ontem de noite. Descobrimos algo muito, muito ruim. 

Eu era parte de um time de cinco pessoas em um pequeno laboratório situado nas montanhas do leste europeu. Não irei dar muitos mais detalhes sobre sua localização. 

O projeto era encabeçado por um excepcional microbiologista em particular. Vamos chamá-lo de Hathaway. Bem, Hathaway ficou de férias por um tempo na America do Sul. Todo mundo que trabalhava com ele ou o conhecia bem achou isso incrivelmente estranho. Quero dizer, o cara nunca tirava uma folguinha. Entretanto, fez muito sentido quando voltou. 

O cara estava um lixo. Tinha olheiras enormes debaixo dos olhos e arranhões por todo seu rosto. Estava uma pilha de nervos e mal conseguia organizar seus pensamentos para dizer uma frase coerente sequer. Como descobrimos posteriormente, ele jamais esteve de fato em férias. Acho que podemos dizer que essa viagem foi mais para assuntos de negócios.

Aparentemente, tinha entrado em contato com um de seus colegas que trabalhava no Chile. Esse vinha informando Hathaway sobre alguns eventos peculiares que estavam acontecendo em uma vila perto do litoral. Algo relacionado a uma potencial doença desconhecida. Na época, informações adicionais não nos foi revelada. Tudo que Hathaway disse é que valia a pena dar uma conferida. O que nos preocupou eram os cortes em sua testa e antebraços. Quando questionado, simplesmente dizia que tinha caído algumas vezes enquanto fazia uma trilha. Sem saber no que mais acreditar, apenas aceitamos. Além do mais... a perspectiva de estudar um novo vírus era incrivelmente intrigante. Poderia ser algo realmente grande. 

Começamos a trabalhar imediatamente. Enquanto nós cinco - eu, Hathaway, Jake, Beth e Collin trabalhávamos no laboratório principal, Hathaway trouxe o que parecia ser um tanque de água (sem água, obviamente) fortificado contendo um único pássaro lá dentro. Acho que era um Condor-dos-andes, nativo do Chile. Vou ser honesto, comecei a ficar um pouco preocupado a partir desse momento. Nem se quer perguntamos como ele conseguíra passar com o animal pela segurança do aeroporto.

"Me diz que não é uma variante da gripe aviária," Jake inquiriu.

"Não." Hathaway respondeu. "Eu, hm.... Eu não faço ideia do que é, na verdade." Todos nós erguemos as sobrancelhas em conjunto. "Veja bem, não é transmitido pelo ar. Também pode-se tocar no pássaro quanto quiser, nada acontecerá com você. É transmitido de outra forma."

Foi aí que notei que o pássaro estava vendado. Não sei como não percebi antes. Nem porque ninguém tinha falado nada sobre. Acho que meu subconsciente não estava esperando uma visão tão fora do comum. 

"Não me diga que tem algo relacionado com isso," Falei, apontando para onde os olhos deviam estar. Todo o resto da equipo pareceu só perceber agora aquele estranho detalhe. Hathaway continuou quieto por um segundo, encarando o grupo antes de assentir com a cabeça. 

"Você tá brincando, né?" Jake quis saber. "Como isso funciona?"

"Espera um pouco, o que diabos afinal tem de errado com esse pássaro?" Acabei explodindo, mesmo que fosse uma pergunta justa a se fazer. Olhando de começo, nada parecia estranho. A única coisa era bizarra é que o animal não havia se movido muito desde que chegara. 

Hathaway suspirou. "Parece normal, não é?" Ele enfiou a mão em sua maleta e puxou um tanque menor. Estava cheio de besouros. "Vamos fazer uma demonstração." Andou até o tanque do pássaro e despejou todos os insetos lá dentro.

"Jesus Cristo..." Ouvi alguém murmurar de trás de mim. Assim que Hathaway terminou de colocá-los lá, se virou de novo para nós. Sua expressão era de seriedade total. No tom mais fúnebre que eu já ouvi esse homem falar, proferiu: 

"Eu vou tirar a venda desse pássaro. Não importa o que fizerem, não olhem para ele. Na verdade, saiam da sala. Eu avisarei quando for a hora de voltar."

Acho que todos hesitamos por alguns segundos quando disse aquilo. O que diabos estava acontecendo? Logo, nós só fizemos o que ele mandou. Ficamos parados no corredor em absoluto silêncio por uns três minutos. Na hora, não entendi porque estava demorando tanto para apenas tirar uma simples venda de um bicho. Mas então os sons começaram. 

Eu... eu nem consigo descrevê-lo. Não podiam ter vindo de um pássaro, isso é certo. Ou pelo menos, não era pra ser assim. Se é que se parecia com algo, era como um guincho, só que extremamente profundo e gutural. E também... meio confuso. Alguns segundos depois, ouvimos Hathaway gritando palavrões. Parecia que estava com dor. Ficamos lá congelados em nossos lugares, sem saber o que fazer. Eventualmente, fomos chamados de volta. Hesitante, entrei primeiro. 

Assim que pisei para dentro, vi Hathaway desinfetando suas mãos, que agora estava com um grande corte. Enquanto fazia o curativo, direcionei minha atenção para o pássaro. Parecia igual antes. A única diferença é que estava coberto de pedaços de besouro, assim como os vidros do tanque. 

Assim que todos nos acalmamos do choque inicial, Hathaway tentou explicar o que acabara de acontecer. 

"O que eu penso é: De alguma forma... o vírus é transferido pelo contato ocular com um espécime infenctad-"

"Mas que porra é essa?" Jake exclamou. "Não, vai se foder, não faz sentido nenhum!-" 

"Você acha que não tenho consciência disso?!" Hathaway o interrompeu também. "Só ouça, tá bom? Bem... não existem indicações imediatas de quando algo é infectado. Continuam agindo da mesma forma que antes. Pelo menos no começo. É difícil definir quando começam a mudar. Creio que cerca de três horas depois, no máximo. Mas assim que mudam... você notará. A melhor coisa a se fazer é vendá-los. Assim, você não se infectará, e o afetado para de demonstrar seus sintomas. Bem, creio que o melhor mesmo a se fazer é cegá-los, mas... Tinha que fazer a demonstração antes. Agora só temos que descobrir que merda é essa." 

Depois dessa breve e também insatisfatória explicação, fomos trabalhar. Mas só ficava cada vez mais entranho.

Depois de cegar e matar o pássaro, Hathaway instruiu que dissecássemos o cérebro. Não ficamos a vontade com isso. Depois de presenciar o que acabara de acontecer, estávamos mortos de medo de contrair seja lá o que diabos o pássaro tinha. Além do mais, não éramos cirurgiões treinados. 

Entretanto, Hathaway insistia que era apenas pelo contato visual que se transmitia. Por mais estranho que isso era, só seguimos com essa verdade. A razão para pedir a dissecação do cérebro era pela suposição de que o vírus devia estar afetando o anfitrião psicologicamente. E no final de contas, estava certo. 

Assim que o cérebro foi exposto, notamos algo que não podia ser explicado. Algo estava se mexendo lá. Todos nos voltamos para Hathaway, esperando uma explicação. 

"É um parasita?" Beth perguntou, parecendo estar em um funeral. 

Hathaway negou com a cabeça, parecendo incrivelmente confuso. "Não... não devia ser. O pássaro estava com vida por semanas depois da infecção. Não vejo nenhum sinal de deterioração física, nem de deficiência nutritiva, nada." 

Nesse ponto, já estávamos completamente estupefatos. Que caralhos de vírus era grande o suficiente para ser visível? Ficamos o encarando, sem saber o que fazer. Então, do nada, o cérebro começou a se expandir. Hathaway arregalou os olhos. 

"Ele deve ter percebido que o hospedeiro morreu. Está tentando sair." 

Pensando rápido, peguei rapidamente um béquer que estava perto. Consegui prendê-lo bem quando estava saindo para fora. Na verdade eu já nem sabia mais o que esperar, mas isso não me impediu de ficar surpreso com a aparência da coisa. 

Parecia... totalmente alienígena. Tinha a aparência semelhante de um Fago, exceto pelo fato que haviam pequenas ventosas pelo seu corpo. A cabeça também parecia ser parcialmente mecânica, com tubos saindo dessa e conectando-se nas pernas. Era mais ou menos do tamanho de uma aranha viúva-negra.

Ouvi um coro de gritos pela sala, enquanto Hathaway berrava para que eu não o deixasse escapar. Quando o grupo se acalmou, conseguimos transferi-lo para outro tanque, dessa vez um menor e ainda mais fortificado. Passamos as doze horas seguintes observando e analisando-o. A conclusão que chegamos? Não fazia porra de sentido nenhum. Não conseguimos classificá-lo, nem entender suas diversas partes. Porra, aquela merda era enorme demais para ser qualquer tipo de agente patogênico. Nós teríamos o classificado como uma espécie de criatura selvagem não-conhecida, mas o que nos perturbava era o fato que afetava os comportamentos do organismos do hospedeiros.

Eventualmente, decidimos só deixá-lo preso e seguro e ir embora, planejando continuar nossas pesquisas no dia seguinte, mesmo que era meio óbvio que não chegaríamos a grandes resultados. Muitos de nós consideramos apenas entregar isso nas mãos do governo. Porque era óbvio que não sabíamos o que fazer com aquilo. 

Entretanto... Hathaway não gostou da ideia. 

"Nós vamos descobrir o que é," Declarou, soando levemente inseguro. "Isso é algo grande, certo? Não vou deixar isso escapar entre meus dedos, pelo menos não por enquanto." 

Absurdamente cansados e não querendo entrar em uma discussão, todos nos direcionamos para nossos dormitórios provisórios individuais para descasar um pouco. E que erro desgraçado foi fazer isso. Tínhamos que ter queimado aquela coisa no momento em que a descobrimos. 

Me lembro de estar deitado naquela noite quando um pensamento inquietante cruzou meus pensamentos. Se esse vírus era transmitido quando fazíamos contato ocular com um hospedeiro infectado, olhar direito para o vírus nos infectaria também? Como isso funcionaria? Ele se replicava pelos nossos pensamentos? Ou tinha que controlar nervos ópticos para se espalhar? Como isso podia fazer sentido? Mas ainda assim... nada fazia sentido. No entanto, lembrei de Hathaway alegando que os sintomas apareceriam três horas após a infecção inicial. Já havia passado muito mais tempo que isso. Me tranquilizando um pouco, desmaiei de sono. 

Acordei quatro horas depois. Grogue, esfreguei meus olhos, me perguntando o que havia me despertado. Geralmente durmo pesadamente. Quando acordei definitivamente, eu ouvi:

Alguém estava murmurando no corredor. Parecia ser Jake. Me levantei e abri a porta, planejando reconfortá-lo. Pisei para fora do quarto e vi sua silhueta, envolto pela escuridão cerca de vinte metros de distância. Estava de costas para mim, então estava pronto para chamar seu nome. Foi aí que senti alguém tapando minha boca, me puxando para o corretor adjacente. Ainda abalado, percebi que era Hathaway. Quase gritei com ele assim que me soltou, mas gesticulou com um dedo sobre os lábios para que eu ficasse quieto. Além do mais, vi o desespero em seus olhos. Fiquei quieto e ele gesticulou para que voltássemos para o laboratório.

Percebi que estávamos fodidos assim que vi o que aconteceu. O tanque de vidro reforçado onde estávamos prendendo o vírus estava vazio. O que quer que essa coisa fosse... estava solta.

"Não olhe nos olhos dele." Hathaway me disse, falando sobre Jake. "Nós não fomos cuidadosos o suficiente... deve estar infectado."


"Ele abriu a merda do tanque?" Perguntei.

Sacudiu a cabeça. "De jeito nenhum. Você precisa de uma senha para isso. Não está nem escrito em nenhum lugar, só eu sei a senha." 

Olhei de volta para o tanque, confuso. Não havia rachaduras nem nada. Não havia uma possível saída. 


"Então como-" Eu comecei a perguntar, mas ele me cortou:


"Olha, não sei. Talvez haja muito mais sobre isso que não podemos entender." Ele suspirou, jogando as mãos atrás da cabeça.

Minha mente começou a fervilhar. Se esse vírus... ou o que quer que fosse, podia ter escapado a qualquer momento, então por que não fez nada antes? Essa coisa devia ser mais inteligente do que esperávamos. Acho que de alguma forma sabia que tinha uma chance melhor de escapar quando ninguém estivesse monitorando a sala. Mas como fugiu?

Meus pensamentos foram interrompidos quando ouvimos uma batida vindo do lado de fora da porta do laboratório.

"Olá?" Uma voz gritou. Era Collin. Me levantei para abrir a porta, mas Hathaway me puxou de volta para baixo.

"Qual seu problema?" Gritei. "Deixe-o entrar antes que veja Jake!"

"E se ele já tiver o visto?" Hathaway respondeu. E então pensei sobre isso. Demora cerca de três horas para os sintomas se manifestarem. Então, mesmo que  tivesse sido infectado, não tinha como sabermos.

“Uh… O que vocês dois estão fazendo aí? Eu posso ouvi-los. Me deixem entrar, Jake está muito estranho, porra. Eu tô apavorado."


"Estranho como?" Hathaway perguntou.

“Bem, ele me acordou quando passou pela minha porta. Na verdade, acho que estava do lado de fora. Sim, e estava murmurando alguma coisa. Abri a porta e perguntei o que diabos ele queria. Estava escuro, mas eu percebi que ele estava apenas olhando para mim. E então ele começou a balbuciar... coisas sem sentido nenhum. Estava juntando palavras mas nada que dizia fazia algum sentido. 

“Depois de um tempo sem responder a uma palavra do que eu perguntei, desisti e passei por ele. Isso foi a 5 minutos atrás. Olha, vocês vão sair daí ou o que? O que vamos fazer?"

Hathaway e eu trocamos olhares preocupados. Se Jake realmente estivesse infectado... então Collin também estava agora. Continuamos imóveis. 


"Pelo amor de Deus, o que vocês estão fazendo?" Collin continuou, parecendo mais agitado. "Poque vocês não me deixam entrar?"

Ninguém mais falou nada. Alguns segundos depois de um silêncio constrangedor, ouvimos um sussurro:

"Merda.. não me diga que Jake está infectado."

Acho que nosso silêncio era resposta suficiente. 

"Não... sem chance! E agora? Hathaway! Que porra que eu faço agora?"

Hathaway suspirou e balançou a cabeça. "Eu... eu não sei. Sinto muito." 

Ouvimos ele gritando alguns palavrões antes de sair da porta, furioso. Ficamos sentados lá por alguns minutos, sem saber o que fazer.

"Tem alguma saída de emergência daqui?" Perguntei. 

"Não, mas isso não faria diferença. Não podemos deixar que esses dois saiam daqui. Eu ainda não presenciei os efeitos do vírus no sistema humano, mas garanto que não vai ser bonito. E nem se quer me pergunte sobre uma cura. Não tenho, não sei."

"Então...?" Perguntei, mas temendo qualquer resposta. 

"No melhor dos casos, nós conseguimos pegá-los e tapar os olhos dos dois antes que os sinais de agressão apareçam." 

Ele suspirou, olhando para o chão antes de continuar. 

"E depois vamos entregá-los para outras pessoas... alguém que saiba lidar com isso. Está meio óbvio que nós não sabemos o que fazer."

Eu sei  a quem ele estava se referindo. Acho que simplesmente não queria admitir isso. Hathaway pegou dois rolos de fita adesiva, e mais, algo que pareciam ser duas armas tranquilizantes. Não me incomodei perguntando por que já as tinha. Lentamente e em silêncio, abrimos a porta e saímos pelo o corredor. As luzes estavam bem fracas, a gente até conseguia enxergar, mas não muito bem.

Estava apavorado naquele momento. Fiquei pensando sobre o maldito pássaro. Não tinha visto o que realmente fizera, mas tinha ouvido. Não queria testemunhar como aquilo seria traduzido em um humano. 

Nós andamos por vários corredores por cerca de cinco minutos antes de ouvirmos uma voz suave no corredor à nossa esquerda. Era Jake. E fala algo mais ou menos assim:


“No tempo… Aonde no tempo? Eu... isso não faz sentido? Eu sei que não faz. Então o que eu faço? Não posso ficar assim..."

Obviamente, não fazia sentido. Mas a parte mais estranha era o seu tom de voz. Não era desprovido de emoção. Na verdade, era o oposto. Parecia estar totalmente confuso e morrendo de medo. Tentando não fazer barulho, Hathaway se esgueirou pelo corredor, olhando para o chão, obviamente evitando o contato visual. Entretanto, quando estava virando o corredor, gritou e pulou para trás. 

Eu ia perguntar o que tinha acontecido, mas ele não se virou para mim. Um segundo depois, descobri o motivo. 

"Eu o vi... eu olhei em seu rosto. Quando estava virando, Jake estava deitado no chão, olhando diretamente para eu rosto. Merda..."

Cambaleei para trás, apavorado. 

"Não se preocupe." Falou. "Eu vou lidar com Jake... e depois lidarei comigo mesmo. Procure Collin. E tenha mais cuidado do que eu." 

Sem precisar ser convencido,  me virei e corri para o outro lado. Quando virei, ouvi os sons de uma luta e então Hathaway gritando de dor. Ouvi também... risadas, por algum motivo. Risadas bizarras e histéricas. Não parecia ser a voz de Jake. 


Corri pelos corredores, me certificando olhar apenas para as paredes, para que eu pudesse apenas enxergar pela visão periférica. Quase sai do corpo quando ouvi alguém me chamando pelas minhas costas. Era Beth desta vez. Por causa do pânico, nem me lembrava dela. Mas não ia arriscar. Levantei a pistola tranquilizadora em sua direção, sem olhar. 

"O que está acontecendo?" Perguntou, parecendo aterrorizada. 

Respondi curto e grossamente. "Você viu alguém desde que saímos do laboratório?"

Ela gemeu, " Não... por quê? Meu deus... não diga que..." 

"Sim. Escapou." Falei, ainda apontando a arma para ela. 

"Caralho...bem, eu não fiz contato ocular com Collin, tá bom?"

Bem, suponho que qualquer um teria ficado mais tranquilo nesse momento. Obviamente, ela não parecia infectada, não é? Mas havia algo de errado com o que acabara de falar. Porque mencionou Collin especificamente? Porque não falou que não tinha feito contato visual com qualquer um? Além do mais, havia algo estranho em seu tom de voz. Parecia uma atriz ruim tentando ler um texto de teatro.

Eu não sabia como reagir, então continuei parado. Eventualmente, Beth disse:

"Isso é um tranquilizante? Porque isso não vai servir para nada."

Antes que eu pudesse reagir, ela se jogou em minha direção. Fechei meus olhos quando senti as unhas dela cravarem na minha pele. E depois no meu rosto. Ela estava tentando abrir minhas pálpebras a força. Felizmente, eu tinha cerca de 30 quilos a mais que ela, então eu consegui jogá-la para longe de mim. O tempo todo em que estava me atacando, ficava dando uma risada extremamente profunda e gutural, ao contrário dos gritos histérico de Jake.

Beth se levantou em um instante e se lançou na minha direção novamente. Desta vez, consegui prendê-la em um mata-leão. No entanto... ela não desmaiava nunca. Devo ter ficado segurado lá por cerca de três minutos, mas Beth me arranhava cada vez mais até se tornar insuportável, então a empurrei e comecei a correr.

Quando saí de lá, pude ouvi-la vindo atrás de mim, ainda deixando escapar aquela risada perturbadora. A parte mais estranha era que eu também podia ouvir as palmas de suas mãos batendo no chão. Ela estava correndo em quatro patas? Eu não queria descobrir. Entrei agachado em um laboratório adjacente e tranquei a porta. Conseguia ouvi-la arranhando pelo lado de fora, mas naquele momento apenas me deitei no chão para recuperar o folego. Deus, ela ainda estava rindo. O que diabos estava acontecendo? Espera um pouco... pensei. A risada era muito alta. Parecia que estava vindo de dentro do laboratório. Hesitante, olhei para a porta. E quase tive um ataque cardíaco.

Ela estava... quase atravessando a porta, mesmo que essa ainda estivesse fechada. Eu podia ver seus braços e rosto aparecendo através do metal. Bem, saí imediatamente de lá. Minha sorte ter entrado em um laboratório com duas portas, então sai pelo outro corredor. 

Eu só queria sair de lá. Comecei a correr freneticamente, tentando procurar uma saída, uma janela ou... qualquer coisa. Nesse momento, fiquei bastante desorientado. Já não conseguia identificar aonde eu estava, porém continuava sendo cauteloso sobre onde olhava. 


Meu coração quase saltou do meu peito quando vi uma placa iluminada de saída. Corri em direção e cheguei até a porta por onde havia entrado no prédio. Entretanto... Hathaway estava bloqueando o caminho. Estava corcunda, cobrindo os olhos com as mãos... e pingava sangue. 

"Sabe, eu... eu me sinto estranho agora. Como se não fosse eu mesmo, sabe?" ouvi falar. 

Tentei pensar. Já fazia três horas que havíamos nos encontrado com Jake. Tinha certeza que não havia passado tanto tempo assim. Acho que eventualmente me ouviu, pois se virou na minha direção. 

"Cam... é você?" Falou, de um jeito suave mas ainda assim ameaçador. "Não sei o que aconteceu. Tentei matar Jake, mas ele não morria... acho que está acontecendo. Estou me sentindo muito estranho.O que está acontecendo comigo? Você pode me dizer o que está acontecendo, Cam?"

Quando terminou a frase, um rugido emanou muito alto de algum corredor atrás de mim. Seguiu-se então algo que parecia alguém engatinhando rápido demais na minha direção. 

"Não se preocupe comigo, Cam... Eu sempre consigo." Hathaway continuou a falar. "Eu sempre consigo... Eu... eu não vou conseguir." Então, caiu de joelhos, chorando histericamente. Vi minha chance e corri para a porta. Assim que saí, procurei um tronco de madeira resistente e tranquei a porta por fora. Sei que não vai segurar por muito tempo, mas... é o melhor que eu consegui fazer.

Entrei no carro e desci a estrada de terra da montanha, de volta à rodovia. Cheguei em casa há cerca de trinta minutos e não tenho ideia do que fazer. Eu devia chamar a polícia? Eles vão achar que minha história é real? Ou quem sabe o FBI? Certamente essa é a melhor opção. Provavelmente é o que eu vou fazer.

Esse vírus não pode se espalhar mais do que já se espalhou.


Deus, quando eu vi o rosto de Beth atravessando o buraco na porta de metal que tinha feito com as próprias unhas... Não é algo que vou me esquecer tão fácil. E seus olhos... pareciam algo saído diretamente do inferno. Suas pupilas tinham sido substituídas pelo que parecia ser um tipo de vórtice roxo escuro, totalmente bizarro.

Espera aí.

Eu... eu fiz contato visual com ela? 

Merda.

FONTE

Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigada! Se gostou, comente, só assim saberemos se você está gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião!


19 comentários:

  1. Mano que foda, me parece a resposta pra um livro que li uma vez, caixa de passaros

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  2. Morrendo com esses comentários 😸kkkkkk
    Interessante, era um alien ou demonio? Achei legal principalmente o final, adoro qdo a historia é misteriosa.. 9/10 😘

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  3. Achei bem ruim, os xingamentos forçados e história muito viajada, detestei, só terminei de ler porque já tinha começado.
    Mas me decepcionei desde o começo até o fim.

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  4. Muito foda,AMEI A CREEPYPASTA.
    E eu escrevo creepyastas(mas não posto) d todos os tipos e gêneros.Mas tô achando minhas creepyastas meio monotonas,alem disso tbm tô ficando sem idéias.
    Então se alguém tiver alguma ideia por favor me conte.
    Não pretendo postar,mas se algum dia eu postar dou o crédito a quem me deu a ideia sobre a suposta creepypasta.
    PS:eu escrevo creepyastas só por diversão então provavelmente quem me ajudar não verá a creepypasta.

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    1. Eu tava com várias ideias de fazer HQs de terror,mas percebi que esse era o pior formato de todos pra manifestar a essência do medo,do terror,e então eu decidi mudar pra algo parecido:diários fictícios,onde eu estou misturando desenho(simulando fotos,ilustrações e etc) e texto na mesma coisa
      Queria ajudar te dando uns temas bem diferentes que eu tive com essas histórias:

      Espelhos(no meu caso eu fiz uma história onde o outro lado do espelho é na verdade uma versão corrompida da nossa,uma outra dimensão

      Fundo do oceano(é algo mais gore e realista,contando sobre pessoas que estão sobrevivendo dentro de salas conectadas de um navio que afundou

      Viajante do tempo...putz,isso daqui é genial
      Voce simplesmente conta sobre um soldado,um policial ou algo do tipo,e depois essa pessoa começa a viver uma vida normal,a cada capítulo de sua história você acrescenta personagens desconhecidos
      Só que depois você revela que essa história na verdade está sendo contada de trás pra frente,relatando sobre uma pessoa normal que viu seus entes queridos morrerem,e que se tornou um assasino depois de tanto sofrimento

      O cirurgião
      É uma ideia que eu tive pra HQs de super heróis na verdade,mas da pra adaptar aí
      Em uma sociedade com a medicina bem evoluída,ja é possível até mesmo manipular a memória das pessoas em sessões médicas
      O protagonista é um cirurgião psicopata e atormentado,a história segue normalmente tirando o fato de não haver alguns capítulos na história,como por exemplo o capítulo 1,26,31 e etc
      Cabe ao leitor entender que o próprio protagonista removeu as suas próprias memórias desses capítulos,e imaginas as coisas bizarras que aconteceu pra ele fazer aquilo

      Ivam Pires

      A história segue como um caso de detetive normal,mas deixando pistas em cada capítulo,revelando que o detetive protagonista é na verdade um vampiro,e o real assasino por trás das pessoas que vão morrendo ao longo da história
      No final ele simplesmente quebra a quarta parede,e revela que escondeu isso tudo do próprio leitor,apenas para ganhar a sua simpatia

      Enfim,essas são algumas bases pra roteiros que você pode ter,e até se inspirar pra fazer outras ideias
      Valorizo muito quem tem essa vontade de criar histórias,então boa sorte ai

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