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"É aí que seu corpo estará dentro de uma hora."

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Fui criada em uma casa Cristã fervorosa e rígida, porém com muito amor. Meus pais não faziam regras absurdas e tinham boas intenções, mas obviamente quebrei algumas dessas como a maioria dos adolescentes.

Johnny era um bom partido. Era absurdamente lindo, tinha participado do time de futebol, e tinha recebera uma bolsa integral. Engraçado, talentoso, e bem apessoado, havia pouco para NÃO gostar nele. Nossa ligação começou por causa da castidade e o amor por pregar peças.

A melhor parte: ele tinha seu próprio apartamento na universidade, o que ficava cerca de quatro horas da casa dos meus pais. Eu conseguia ir para lá sob o falso pretexto de ir visitar ou passar a noite com alguma das minhas amigas que frequentavam a mesma universidade. Meus pais nem se quer precisavam saber que eu estava namorando. 

Eu acabara de fazer dezoito anos e adorava minha nova febre rebelde e a tão nova sensação de liberdade. Mas ainda vivia feliz com as regras e orientações dos meus pais na maior parte do tempo. Sempre me encorajaram em pensar livremente e fora da caixa até que encontrasse minhas próprias morais e valores, e acabei me tornando parecida com eles... porque, sim, eles são demais. Minha mãe, sábia, me encorajava a não dormir com qualquer pessoa, e era algo em que eu me segurava firmemente. Então, mesmo quando eu ia passar a noite no apartamento do meu namorado, não tinha intenções de fazer sexo. Ele aceitava isso muito bem e parecia respeitar minha decisão.

Em uma semana, precisamente no meio do verão, tive três dias de folga no trabalho. Uma viagem para me encontrar com Jhonny já estava agendada e comecei a rota para lá cedo na manhã. Ele estava animando em me ver e tivemos um ótimo dia. Guerrinha de armas de brinquedo, lendo Stephen King, dando uns amassos. Saímos para jantar e voltamos para ter uma noite de travessuras... pelo menos era o que eu achava.

Quando entramos em seu apartamento, Jhonny me mostrou uma caixa de camisinhas. Não era a primeira tentativa dele, então não fiquei chocada, mas disse prontamente que não ia acontecer.

Os eventos que se seguiram depois desse evento que, normalmente pareceria tão normal, me assombram até hoje.

O sorriso de Jhonny desapareceu e seus olhos ficaram frios. Assombrosamente frios. Eu estava sentada em sua sala de jantar com as costas para a parede, ele de pé no outro lado da (pequena) mesa. 

"Você me enjoa. Estou cansado de você. Você brinca com meus sentimentos. Tudo que você faz é brincar comigo." 

Nós dois sempre gostamos de pregar peças e éramos sarcásticos em todos os sentidos da palavra. Enquanto sua fisionomia me deixava toda arrepiada, não de um jeito bom, eu sabia que era uma piada. Afinal de contas, eu o conhecia a muitos anos. 

"Tenho pensado nisso a muito tempo e você está morta. Eu não vou continuar com isso. Você me enoja. Eu te odeio e você está morta."

Estava absurdamente calmo e sua voz implicava um leve tom de ódio que eu nunca tinha presenciado antes. Notei seus punhos cerrados, as veias saltando nos braços. Pela primeira vez em nosso relacionamento de anos, não me senti segura junto dele. Nossos olhares eram fixos um no outro, ninguém piscava. 

Seu apartamento de segundo andar era dentro do Campus da Universidade. Eu não havia visto mais ninguém no prédio, nenhum carro no estacionamento. Mesmo se eu conseguisse passar por ele (o que eu não ia conseguir), minhas duas opções eram destrancar a portada varanda e pular OU correr uns dois metros até a porta que dava para o corredor e que abria para dentro, e então descer um lance de escadas. Cada um desses cenários me levava para um estacionamento vazio. Eu teria que correr até o meu carro, ou para o bosque ali perto. Mesmo sendo atlética, eu não tinha chaces físicas contra ele. 

Me foquei nele. Metade de mim sabia que ele estava brincando. Tinha que estar. Começaria  a rir a qualquer momento e nós voltaríamos ao nosso maravilhoso dia. Mas ele continuou a falar.

Não posso repetir o que ele falou. Não me sinto a vontade de escrever as palavras que saíram de sua boca aqui, na internet. Mas me detalhou o estupro que tinha planejado para mim. Se eu sobrevivesse, eu seria estrangulada no bosque e então descartada em um local isolado que já tínhamos explorados juntos. Gesticulou em direção de uma mochila de viagem que estava no balcão da cozinha, "É aí que seu corpo estará dentro de uma hora."

Já era demais para mim. Seu plano era muito bem planejado para ser uma piada. Sou pequena mas sou teimosa, e lutaria até o final pela minha vida, se precisasse. Também consigo não expressar meus sentimentos fisicamente quando preciso. Era minha vez de encará-lo com toda ferocidade que conseguia, me levantei e falei a primeira coisa que me veio na mente. Ainda me orgulho da calma inabalável que demonstrei - por dentro eu estava implorando para Deus não me deixar morrer. 

"Você é tãããão engraçado. Eu quase acreditei por um segundo. Mas não teria funcionado de qualquer forma porque o que eu ia te falar é que meu pai mandou que eu voltasse hoje para casa - ele precisa de mim amanhã cedo para arrumar o jardim para o aniversário da mamãe, porque Kyle (meu irmão) machucou as costas e falei que eu ia ligar para ele quando estivesse pegando a estrada daqui meia hora." 

Era uma mentira e não uma particularmente boa, mas falei convincentemente. Balancei meu celular em seu rosto e falei que ele poderia ligar e explicar para o meu pai o motivo de eu não voltar para casa, se quisesse que eu ficasse.  

A boca de Jhonny estava entreaberta enquanto olhava para mim. 

"Eu só estava brincando," sussurrou, os punhos ainda cerrados. 

"Até mais!" Falei alegremente, passando por ele. 

Arrisquei e deu certo. Peguei minha bolsa e fui embora pelo corredor. Eu podia sentir seus olhos queimando em minha direção, aquela energia elétrica por todo o cômodo enquanto eu gritava internamente para andar calmamente. Destrancando a porta, andei lutando contra todos meus instintos que me mandavam correr. Eu estava longe demais do meu carro e se eu corresse, ele ia me alcançar. Além do mais, não queria dar-lhe a satisfação de me ver com medo. 

Andei todo o estacionamento (antigamente eu tinha o hábito de estacionar meu carro o ais longe possível) até perto do bosque onde ele havia falado que me assassinaria. Eu sabia que estava me observando o tempo todo... eu podia sentir seus olhos analisando cada movimento meu. Enquanto dirigia para longe, passando seu apartamento, vi sua sombra na varanda. Acenei, ele só olhou.

Dirigi alguns quilômetros até o Walmart mais próximo. Não eram nem oito da noite e o sol estava começando a se por. Milhares de pessoas passavam por mim naquele enorme estacionamento, sem nem desconfiar pelo o que eu havia acabado de passar. 

Surtei ali no volante, chorando até não poder mais. Depois dirigi quatro horas para casa. 

Estupidamente, eu não sabia como processar o que havia acontecido e simplesmente deixei isso esquecido no fundo da minha mente. Passei os anos seguintes evitando Jhonny. As poucas vezes que pensei sobre, me sentia culpada por ter sido tão ingênua. Finalmente contei para minha mãe o acontecido depois de quatro anos. 

Então, é, tenho um ex-namorado que é um potencial assassino que graças a Deus hoje mora a 15 mil quilômetros de mim... por favor, não vamos nos encontrar de novo. 


FONTE

N.T: Esse conto faz parte uma nova coletânea que estarei trazendo esporadicamente para vocês, os "não vamos nos encontrar", que coisa que aconteceram de verdade com pessoas reais, encontros bizarros e assustadores onde poderemos ver um pouco da podridão e da loucura que habita a mente humana, e o relato daqueles que escaparam da morte por pouco. 

12 comentários :

  1. Alguns errinhos por aí, mas gostei

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  2. Adorei, mas me senti mal sabendo que é um relato real. Ela escapou por pouco, foi esperta.

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  3. Cara, amei a expressão do cara enquanto dizia tudo

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  4. Foda é que eu tenho uma história real, algo que ocorreu na minha vida. Eu até tava tentando escrever sobre isso, mas sempre que chego em determinada parte, eu travo. Fico com um medo e a sensação de algo ruim, sei lá. Por causa disso, não consigo escreve-la toda. Triste é que ao mesmo tempo, queria compartilha-la.

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  5. Fuquei um pouco triste e em choque por saber que isso aconteceu de verdade, mas tirando isso eu adorei isso, deu para sentir até a tensão

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  6. Caramba esse conto foi o mais assustador de todos
    Tudo por que acontece
    O ser humano é o pior monstro de todos

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  7. Eu leio muita coisa aqui bem bizarra e fico de boa, mas essa história me deixou quase em choque por saber que ela realmente passou por isso e que coisas assim são tão reais nesse mundo cruel. Agora mesmo em vários lugares diferentes coisas iguais e bem piores estão acontecendo.

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  8. Fazia tempo que algo não me deixava realmente agoniada
    Caraca amei demais

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