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Eu atendi à uma ligação de cobrança

27 comentários
"Alô? Eu falo com o Sr. Handerson?"


Não havia nenhum motivo real para eu atender. O aplicativo de spam no meu celular identificou o número misterioso imediatamente. Mas foda-se. Não havia mais ninguém em minha vida para eu conversar. Até mesmo um atendente de cobranças parecia bom no momento.


Minha esposa foi assassinada em 2015. Não há uma maneira fácil de dizer isso além de que ela se foi muito cedo. Foi um assalto que deu errado. Uma noite chuvosa, algum marginal doentio se esgueirou pela nossa casa e atirou nela.

O suspeito foi preso, dois dias depois, e condenado à prisão perpétua. Ele ainda permanece lá.

Eu trabalho com web design desde então. O trabalho é remoto, e o ambiente atende ao meu estilo eremita aqui na floresta do norte de Nova Jersey. A falta de testes de drogas é realmente apenas um benefício adicional. Eu estava perfeitamente livre para foder com o resto da minha vida.


Eu não tenho mais amigos. Às vezes... acho que é fácil procurar por companheirismo em lugares errados.

"O pai ou o filho?" Respondi à mulher com um suspiro antes de me acomodar na poltrona do meu escritório com uma garrafa de vinho. Estava chovendo naquela noite. O vento açoitava o velho pinheiro no quintal tão forte que eu achei que fosse cair.



"Uhh... O pai", disse a voz bonita e calma na outra linha. Ela parecia familiar, mas eu culpava o efeito causado pela garrafa de vinho que já estava meio vazia.


"Desculpe, senhora, mas... meu pai morreu há seis anos." Eu disse, um pouco irritado com a falta de registro da parte deles.

Ela fez uma pausa.

"Oh meu Deus... essa não era a informação que tínhamos. Sinto muito, senhor. Nós não estávamos cientes. Por favor, perdoe a intrusão e a suposição. Você se importaria de aguardar uns instantes enquanto eu checo meus registros?"

Pude ouvir gavetas abrindo e fechando no fundo com uma estática. Meu palpite é que a mulher segurava o telefone no ombro. Eu ri um pouco com a falta de qualidade de áudio.

"Não, não, está tudo bem, não há problema nenhum. Não se preocupe. Por que você não começa me dizendo o seu nome?" Eu perguntei, xingando a mim mesmo pelo flerte desnecessário no final.

Ela riu. Algo sobre essa risada era muito familiar. "Meu nome é Emily, e eu trabalho com a sua companhia de cartão de crédito", disse ela em um tom ensaiado. "Infelizmente, não podemos divulgar qual empresa pelo telefone se você não estiver na conta... o que... você acabou de admitir, é claro..."

"Ok."

"Então o senhor é filho do senhor Henderson, certo?" ela murmurou enquanto folheava audivelmente os papéis.

"Sim senhora, isso mesmo. Mas ele se foi já faz anos... eu não poderia estra preso à dívida do velho, certo?" Eu perguntei esperançosamente.

"Bem, vamos verificar." pude ouvir um som de papéis e livros sendo abertos ao fundo. "Eu sinto muito, senhor", ela respondeu com um tom de pesar. "As regras estão em uma dessas pastas enormes, e são muito difíceis de encontrar. Por favor, aguarde um momento."


"Tudo bem... não sabia que ainda guardavam registros desta maneira... eu recebo uma confirmação desta cobrança por e-mail também?" Perguntei.

"Perdão?"

"E-mail... tipo... correio eletrônico. Uma confirmação da compra?" Eu perguntei novamente, permitindo minha confusão se transformar em frustração. Qual era o problema dessa moça?

"Nós não fazemos isso aqui... ainda estamos há alguns anos de distância desses recursos sofisticados", ela continuou. "Mas, como você sabe, atrasos nos pagamentos são um problema muito sério. Eles podem até afetar a pontuação de crédito de um indivíduo quando uma grande quantia não tiver sido paga."

"Ok, ok, claro", eu disse, genuinamente começando a ficar preocupado e um pouco confuso. "O que eu posso fazer?"

"Existe uma Sra. Henderson na casa?" ela perguntou baixinho.

"A Sra. Henderson morreu em '06"

"Que ano você disse? Oh meu Deus. Isso é tão horrível. Eu realmente estou me superando hoje."

Eu engasguei. Era isso. Essa frase. Eu não sei se foi assim que ela disse, ou o fato de que não muitas pessoas usam esse termo. Mas assim que ela disse... algo acordou na minha memória.

Minha esposa trabalhava para uma empresa de cartão de crédito antes de nos conhecermos. Seu nome também era Emily. A voz soava como a dela... mas era mais jovem. Mais esperançosa do que me lembrava.

"Qual o seu sobrenome?" Perguntei.

A linha ficou muda.

"Olha, eu sei que é uma pergunta estranha. Mas por favor, eu acho que nos conhecemos."

"Não posso dar essa informação..." disse ela.

"Ok. Você estudou no Jefferson Memorial?"

"Sim..." ela respondeu, surpresa. "Como você sabia disso?"

Era impossível. Emily estava morta. A voz no telefone mal soava como a dela. Era mais jovem, mais feliz, mais otimista. Esse tipo de sonho era na verdade o tipo de coisa que me manteve milhares de noites sem dormir no passado. E, no entanto, eu estava acordado. Poderia ser uma coincidência?

"O nome da sua mãe é Eva?"

Houve um silêncio do outro lado da linha. Então sua resposta confirmou minhas suspeitas.

"Quem é?"

Eu respirei fundo. ou eu entendi o que estava acontecendo, ou eu enlouqueci. Mas eu poderia ao menos aproveitar o passeio. "Esta próxima pergunta vai soar estranha. Qual a data de hoje?"

"Desculpe-me, senhor... o que...? Um momento." Ela parou e mexeu em alguns papéis.

"A data de hoje é 9 de julho de 1999."

Era impossível. Poderia ser a tempestade? O aniversário da morte dela?

"Emily, me escute."

"Ok, senhor, esta conversa está ficando um pouco estranha... vamos manter com o plano de pagamento..."

"Ouça-me com atenção... Um dia... um dia você vai conhecer um homem. Você vai amá-lo, Emily. E ele vai te amar mais do que você jamais saberá." Eu tinha que dar a ela algo para lembrar. "Em seu primeiro feriado juntos, ele lhe dará um presente para todos os doze dias de Natal."


"Parece lindo", ela respondeu com uma risada e um suspiro. "Você é um desses médiuns?"

"Eu estou falando sério. Você vai se casar com esse homem, Emily. Ele vai comprar o anel que você sempre quis. A cerimônia será em um lindo lugar em sua cidade natal. Sua família inteira estará lá, incluindo tia Zelda e sua avó, do Tennessee..."

"Eu gostei desse biscoito da sorte", disse ela, com uma ponta de sarcasmo.

"Mas dois anos depois, em 9 de julho de 2015, você será assassinada na casa onde moram."

Ela mexeu o telefone nervosamente.

"Então o que eu faço?"

Primeiro, tentei dizer a ela para evitar a casa naquele dia. Para nunca namorar comigo, ficar longe para sempre e encontrar uma vida melhor em outro lugar. Mas no meio do meu discurso a linha se desconectou ao som de um grito de gelar o sangue. Liguei de volta, mas o número não funcionava. Ela nunca respondeu de novo.

Adormeci ouvindo os trovões no céu. O grito daquela noite se repetia de vez em quando, enquanto flashes de seu corpo no chão ocasionalmente invadia minha mente. Eu nunca questionei a ligação. Eu nunca perguntei o porquê. Talvez fosse Deus; talvez fosse apenas o tempo. Mas ontem de manhã, quando acordei...


Emily estava ao meu lado.




Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigada! Se gostou, comente, só assim saberemos se você está gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião!

27 comentários :

  1. Pra quem não entendeu a ligação fez ele voltar no tempo e falar com ela, assim a fazendo viver no dia em que ela morria e criar uma outra linha temporal em que ela está viva com ele

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  2. Nossa, é tão bem escrita, eu gostei muito e não tem um final trágico (eu acho) como o esperado e ainda deixa um ar de mistério.. tipo, de o que aconteceu? Algo divino ou sobrenatural?

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  3. Bem pervisível, mas muito bem escrito e com bastante detalhes, muito bom!

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  4. Primeira vez que vejo uma viagem no tempo através de uma tempestade, ou pelo menos não lembro de nenhuma agora. Muito boa essa creepy

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  5. Sensacional. Bem escrita, boa narrativa e, embora fosse previsível, foi excelente.

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  6. Gostei muito. Cheguei a arrepia. Parabéns pela creppy. 👏👏

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  7. Creepy maravilhosa,arrepiou até os pelo do cu 10/10

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  8. Eu nem sou de comentar apesar de ler as creepys a um bom tempo mais foi de longe a melhor que eu já li! aliais são 4:25 da manhã

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  9. Foda d+ eu acho uma lorra dar nota masss
    10/10 S2

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  10. Muito Boa Creepy. Espero Mais Crepys Como Essa. Parabéns Mesmo!!!

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  11. Oooowwwnt!!! Primeira creepy em que tudo dá certo que eu já li, amei *-* só esse grito ficou no mistério

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  12. Só me tirem uma dúvida: na frase "ela morreu em '06'" era 1906? Pq se for, tem um furo aí...

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    1. E se for 2006 tbm. Na hora em que ele fala que ela morreu em 06, supondo-se q é 2006, ela não se surpreende com a data. E mais um pouco adiante ela revela que está no ano de 1999. E eu entendi o "furo". Vocé quis dizer q se ela morreu em 1906, ela obviamente deveria ter o seu filho no mesmo ano, ou, anteriormente a data. Sendo assim, em 2015, o marido de Emily, personagem pricipal, teria mais de 100 anos.

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