04/07/2018

Lionheart Chateau

Deixa eu tomar mais um gole antes de começar. Provavelmente será meu último gole.

Eu nunca vou sair desse lugar. Estou nesse quarto já fazem horas, digitando essa história, e preciso contá-la. Continuo tentando terminá-la, mas as vezes parece que minha mente se dissipa.

Estou postando aqui por uma única razão. Não tenho acesso ao telefone, redes sociais ou qualquer outro lugar para pedir ajuda. Não posso confiar em ninguém aqui. Vão me matar.

Vou começar do começo, vou começar da primeira vez que ouvi sobre O Lionheart Chateau.

Minha esposa me convenceu a voltar mais cedo do trabalho, queria contar uma novidade maravilhosa. Estava irradiante quando entrei pela porta da frente, e me entregou um panfleto. Explicou que, uns meses atrás, tinha entrado em um concurso e ganhou uma semana com tudo incluso em um hotel luxuoso que oferecia cama e café da manhã - exaltando que eram diferente qualquer outro hotel no mercado - não tinha site, nem placas, nem outdoors, ou comerciais. 

De graça e tudo incluso era tudo o que eu precisava ouvir. Mesmo que estivesse no nono mês de gravidez, minha esposa me convenceu que precisávamos dessa mini-férias. Assegurou que havia um ótimo hospitais próximos em caso de entrar em trabalho de parto.

Me sinto envergonhado de dizer que não sei a localização exata do Lionhead Chateau. Nossa casa fica na cidade de Nova York, e minha esposa mencionou que o castelo ficada ao norte do estado. Insisti em dirigir para que ela pudesse descansar. O tanto que o bebê chutava nesse último trimestre estava detonando-a.

Acordei-a quando estava estacionando na frente do enorme prédio colonial, enterrado bem dentro de uma floresta. 

Essa parte me lembro com clareza. A viagem, a longa estrada sinuosa que nos levou até lá. Mas o resto da jornada parece um sonho. Mas tenho que terminar de contar os detalhes que me lembro.

Quando estávamos saindo do carro, minha esposa sugeriu que deixássemos nossos celulares trancados no console central. Primeiro eu ri, mas então vi que estava falando muito sério. Sempre fui ruim em relação ao meu celular. Estou constantemente distraído nele, e tendo a tentar trabalhar através do celular nos finais de semana. Ela continuou dizendo que queria que esse final de semana fosse sobre nós dois, não sobre meu telefone. Não achei um motivo para argumentar isso, então deixei lá no carro.

Não falei para ela sobre o notebook dentro da minha mala. 

Fiquei impressionado desde o momento em que chegamos - o prédio em si era lindo, uma mansão gigante feita para a elite da sociedade.

Os funcionários vieram rapidamente até nosso carro para ajudar de pronto. O final de semana realmente foi sobre minha esposa e eu, e éramos os únicos clientes em todo o castelo. O pessoal servia todas nossas necessidades. Parecia que eu estava em um cruzeiro de luxo.

Tive pouco do que reclamar, e honestamente estava adorando. 

A primeira estranheza aconteceu no Sábado de noite. Minha esposa foi para cama mais cedo, e decidi ir para o bar. Todos os funcionários que eu encontrava falavam a mesma coisa:

"Somos extremamente abençoados por ter você e sua esposa em nossa presença."

O que achei estranho era o jeito que falavam. Eu já trabalhei com público no passado, mas essas pessoas pareciam em êxtase que estávamos ali. Todo elogio parecia genuíno, como se fizéssemos parte da realeza e que tinham esperado a vida inteira para nos conhecer. Todo lugar que eu ia, sentia olhos em mim. Estavam sempre sorrindo, sempre preparados à servir.

Depois de algumas taças de vinho tinto, me levantei e procurei um banheiro. Fiz meu caminho até um lance de escada perto do bar. Foi quando ouvi. Um baixo cantarolar vindo de uma das portas do porão. O som era melódico, seguido de sussurros leves.

Silenciosamente fui até umas das portas que estava entreaberta, e espiei lá dentro. Descobri então a fonte do cantarolar e dos sussurros - cerca de dez funcionários vestidos com mantos. Estavam de quatro no chão e pareciam rezar para algo no canto do quarto. Assim que me viram, uma mulher correu até a porta e fechou-a com uma batida forte. Não consegui ver para quem ou o que estavam rezando.

Voltei para o nosso quarto, preparado para contar para minha esposa o que tinha visto. Me lembro de me sentir muito tonto depois de passar pelas escadas, mesmo que tinha tomado apenas uns dois cálices de vinho. Entrei na cama e tentei deixar aquilo para lá. Acordei me sentindo extremamente grogue e confuso.

Tudo da noite anterior parecia somente um pesadelo. Olhei para o relógio e desacreditei quando vi que eram três da tarde. Não faço ideia como consegui dormir tanto tempo. E o que mais me preocupava, minha esposa não estava no quarto. Mesmo nunca ficando feliz quando durmo demais, ela sempre me acorda. Me vesti e desci em sua busca. Não encontrei ela, e pior, não encontrei mais ninguém. 

Eu estava completamente sozinho. De repente, os corredores do Chateau não pareciam tão convidativos.

Decidi ir para o pátio continuar minha busca, também para pegar meu celular no carro. Foi aí que descobri que todas as portas estavam trancadas e acorrentadas. Todas as janelas da mansão eram ou pequenas demais para se passar, ou altas demais para serem alcançadas. Era como se tudo e todos tivessem simplesmente desaparecido. Estava a ponto de surtar quando percebi que ainda tinha o porão para procurar.

Enquanto eu descia o lance de escada, a adrenalina corria em mim. Ouvi o som que eu mais temia. O som eram os gritos de minha esposa. Corri para a mesma porta da noite anterior, onde o culto acontecia na noite anterior, e seus gritos de dor ficavam mais altos. Soquei a porta trancada o mais forte que pude. Para minha surpresa, foi aberta pelo lado de dentro. Três homens enormes, nos mesmos mantos brancos, parados na minha frente. Antes que eu pudesse reagir, já não tinha o que fazer. Fui segurado por dois deles, enquanto o terceiro tirava uma enorme seringa do bolso. Uma dor aguda irradiou pelo meu ombro, e rapidamente perdi a consciência. 

Acordei novamente em meu quarto, o que achei ser horas depois. Corri até a porta. Com suspeitava, não abriu. Minha mala estava aberta, e todos meus pertences espalhados pelo quarto. Alguém tinha vasculhado tudo, provavelmente para procurar celulares e armas. A única coisa que eu sabia que não encontrariam era meu notebook. Eu tinha o escondido  da minha esposa debaixo da grande prateleira no canto do aposento. E por sorte, ainda estava lá.

Enquanto eu tentava logar no meu e-mail para procurar ajuda, a TV do quarto se ligou. Olhei para tela em total pavor. Era minha esposa. Ela estava sentada no porão, cercada de funcionários. Havia uma enorme estátua dourada atrás dela - era o corpo de um home com a cabela de um leão, segurando uma faca de açougueiro. Ela vestia o mesmo mando branco dos outros... e segurando um bebê recém-nascido. 

Nosso bebê. 

Ela, e os outros, sorriram atentamente para a câmera enquanto falava.

"Você jamais entenderia, então nunca fiz questão de explicar. Nosso bebê foi escolhido. Somos muito abençoados de tê-lo em nossa presença. Mas... temo que o seu trabalho já foi feito, e sua jornada termina aqui. Aqui fora, no pátio, estamos preparando sua gloriosa partida desse mundo. Adeus, querido marido. Nós te amamos." 

A tela ficou preta. Enterrei o rosto nas mãos e tentei compreender o que acabara de ver e ouvir. Lembrei o que tinha me falado, então corri até a janela e olhei para o pátio. E vi todos eles. Dezenas deles, todos de mantos brancos - construindo o que só posso descrever como uma pira funerária. 

Tenho certeza que é para mim.

Estou mandando isso para o mundo. Espero que alguém leia. Eu imploro para você... que se é tarde demais para mim, que pelo menos seja um aviso. NÃO VÁ PARA O LIONHEART CHATEAU. 


FONTE



Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigada! Se gostou, comente, só assim saberemos se você está gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião!


8 comentários:

  1. Será que eu posso mandar uma creepypasta inacabada para vocês terminarem??

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  2. CARACA!!!
    Muito boa, notei pouquíssimos erros, e a história te prende até o final!
    Não foi cansativa de ler, apesar da narrativa (que é do tipo que eu menos gosto), parabéns ao autor e á tradutora.
    8/10 ♡

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  3. Ficou legal quando eu for para esse hotel vou levar meu tanque uma ak 45 pente alongado.vou fazer uma baguncinha

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  4. Tem alguns filmes com enredo similar, mas embora clichê, tá melhor que a média.

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  5. muito ruim HISTORIA MAL DESENVOLVIDA

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  6. "Vou começar do começo" kkkk brincadeira ótima história :D

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