23/07/2018

Não estou doente

ATENÇÃO: ESSE CONTO ESTÁ CLASSIFICADO COMO +18. PODE CONTER CONTEÚDO ADULTO E/OU CHOCANTE/SENSÍVEL. CONTÉM CONTEÚDO DE TRANSTORNOS ALIMENTARESNÃO É RECOMENDADO PARA MENORES DE IDADE E PESSOAS SENSÍVEIS. PODE TER ACIONADORES DE GATILHOS E/OU TRAUMAS.  LEIA COM RESPONSABILIDADE. 

Todo mundo acha que eu estou doente... mentalmente, quero dizer. Não estou dizendo algo tipo esquizofrenia severa ou psicose, mas tipo, literalmente, todo mundo em minha volta acha que eu tenho um distúrbio alimentar sério. Primeiro fui diagnosticado com distúrbio de vômito, e mais tarde com anorexia bulímica do tipo compulsivo (o que não faz sentido, sendo que eu nem sequer tenho uma compulsão alimentar, mas que seja). Eu raramente como, mas quando como, quase sempre eu me faço vomitar. Eu juro pela minha vida que não tem nada a ver com perder peso ou algo do tipo. Não odeio meu corpo como todo mundo acha. De qualquer forma, faz duas semanas que recebi alta da internação. Tinha sido internado por índices baixíssimos de potássio e desbalanceamento sério de eletrólitos. Quando cheguei no hospital, estava com um IMC de 14.7, o que é classificado como desnutrição severa. Depois de quatro meses de terapia em grupo, refeições planejadas, bebidas suplementares, sondas nasogástricas, intravenosas e muitos antidepressivos, finalmente recebi alta com um IMC de 20.3. Todo mundo achava que eu estava muito melhor quando saí do hospital, o que faria sentido se para começo de conversa eu realmente estivesse doente, mas alguns dias depois de voltar para casa, tive uma "recaída", como minha psiquiatra gosta de chamar. 

"Danny," minha psiquiatra falou, "Eu sei que ser um garoto com anorexia é difícil, especialmente quando existe uma estigma enorme sobre distúrbios alimentares em homens, mas antes de avançarmos em seu tratamento, é importante que você aceite o fato de que está doente." 

Doente - estremeci ao ouvir aquela palavra, mas continuei calado. 

"Poxa, Danny. Você nem sequer vai falar comigo agora?" Ela implorou.

"Não há muito que eu possa dizer, Dra. Lane." Suspirei. "Já falei antes, e vou falar de novo. Eu não tenho um distúrbio alimentar."

O resto da consulta foi basicamente ela tentando me convencer que eu era de fato anoréxico, e que estava em negação. 

Eu não tenho muito contato com a maior parte da minha família. Moro com minha irmã mais velha, Diana. E, honestamente, a única pessoa que parece se importar comigo é minha irmã. Todos os dias ela prepara minhas refeições e insiste em assistir eu comendo. Mas ela não fica o tempo todo comigo. Diana é responsável por um respeitado laboratório de pesquisa em química; em outras palavras, é uma mulher ocupada. Nos dias de semana, quando não está por aqui, eu jogo as comidas que prepara no vaso e aperto a descarga, ou jogo pela janela. 

Eu realmente detesto quando Diana está de folga. Isso significa que pode ficar e me assistir comer... ou seja, me forçar a comer. Ontem foi um desses dias. Entrou em meu quarto com um sanduíche ainda vestida com seu jaleco. Andou até mim e beijou minha testa. 

"Danny, querido," murmurou, "você não vê que está se matando? Por favor, meu amor, coma, por mim."

Sacudi a cabeça. 

"Daniel," falou, com um tom bem mais autoritário, "Eu não vou sair desse quarto até que você coma toda a comida que eu fiz para você." 

Diana não estava mentindo. Ficamos sentados lá por quarenta e cinco minutos e ela ainda não tinha ido embora. 

Meu estômago roncou alto. 

Ela suspirou. "Viu, Daniel? Você está faminto. Por favor, coma." 

Depois de implorar mais um pouco, finalmente cedi. Com mordidas pequenas, comi o sanduíche que fizera. Palavras tipo nojento, errado e ruim passavam em minha cabeça enquanto eu comia. 

Depois de terminar o sanduíche, me senti enjoado e nojento. Eu precisava tirar aquela comida do meu sistema imediatamente. 

"Sinto muito," falei enquanto corria até o banheiro. Depois de fechar e trancar a porta, me ajoelhei na frente do vaso de porcelana como se fosse uma divindade, e esvaziei o conteúdo do meu estômago. Esse era o meu ritual. 

Ouvi batidas na porta do banheiro. 

"Daniel!" Diana gritava, "é melhor que você não esteja fazendo o que acho que está fazendo. Pare agora e saia daí!" 

Limpei a boca e fiz o que pedia. Afinal, eu já tinha vomitado tudo. 

Minha pobre irmã estava com os olhos cheios de lágrimas. "Daniel, por que você faz isso? Por que você está se machucando assim?" 

Eu tinha meus motivos. Eu não ia falar para ela quais eram, mas eu tinha meus motivos. 

Quando eu era mais novo, minha tia me contou que costumava ser fumante. Seu ex-marido odiava que ela fumava e batia nela quando descobria que ela havia fumado naquele dia. Minha tia, querendo ser esperta, fumava quando ele não estava em casa. Mas quando chegava, ele simplesmente sabia que ela havia fumado, e a espancava por isso. Mas como ele sabia?, você deve estar se perguntando. O cheiro do cigarro impregnava, e minha tia ficava fedendo a cigarros. E mesmo que minha tia não sentisse o cheiro por estar acostumada, seu ex-marido sempre sentia.  

Esse é o motivo para eu não comer - eu não consigo. Como eu disse, minha irmã é química. Está sempre em volta de milhares de produtos químicos. Ela provavelmente não percebe que eu sinto o cheiro do metanal que coloca nas minhas comidas. 

Não estou doente; estou tentando ficar vivo. 





Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigada! Se gostou, comente, só assim saberemos se você está gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião!


18 comentários:

  1. Ih rapaz.. acho vazou uma foto minha.

    ResponderExcluir
  2. Uau simplismente incrível, esse plot no final pegou de surpresa. A propósito amor de irmão é a melhor coisa que nós temos

    ResponderExcluir
  3. Achei que ela fazia espero menos com ele!

    ResponderExcluir
  4. Achei que ela fazia espero menos com ele!

    ResponderExcluir
  5. Não entendi muito bem, ela coloca Metanal na comida dele? ou ele fica paranoico que toda comida tem cheiro de metanal sla?

    ResponderExcluir
  6. Ela colocava Metanal? Mas oque é isso? Um veneno?

    ResponderExcluir
  7. A reviravolta apresentada é boa, mas deixa muitas pontas soltas. Por que ela queria matá-lo? Por que ele se contradiz, dizendo que a irmã se preocupa com ele, mas na realidade quer matá-lo? Por que ele não conta para ninguém, enfim, tantas coisas.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Acredito que ele sinta o cheiro que ela carrega, e acha q aquilo está em tudo, inclusive na comida que ela prepara e não que ela esteja tentando matá-lo.

      Excluir
  8. Acho que com a alta exposição a esses produtos a irmã dele ficou impregnada com as substâncias, assim não percebendo que coloca Daniel em risco. E Daniel não diz nada a ela porque tem medo de sua irmã sair de seu emprego (que é um respeitável trabalho).

    ResponderExcluir
  9. Por que ele não preparava a própria comida quando a irmã estava fora? Ou saía pra comer? Ou pedia uma pizza? :V

    ResponderExcluir
  10. Quando estava na metade do texto, imaginei que seria algo clichê, tipo... A irmã preparar comida com resto de pessoas mortas, sei lá XD

    ResponderExcluir
  11. Não entendi muito bem, ficou muitos perguntas sem respostas

    ResponderExcluir
  12. Respostas
    1. Mas ele comer fora uma hora a irmã dele vai ficar desconfiada tipo "pq q tu só n come minha comida" e se ele dizer q é por causa do metanol ele vai se sentir culpada

      Excluir
  13. Foi boa, mas falta várias explicações e deixa várias pontas soltas, mas no geral foi bom

    ResponderExcluir