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Você prestou atenção na chuva recentemente? Não é água.

17 comentários
Notei pela primeira vez enquanto esperava o ônibus. 

Chovia. Mais forte do que havia chovido naquele mês, naquele ano. Todos estavam espremidos naquela gaiola de vidro, miseráveis, aparentemente sem guarda-chuvas. Avaliei a cena, tentando decidir o que era pior: me molhar ou esfregar a bunda em estranhos?

Foi uma escolha fácil. 

Fiquei de pé na grama enlameada. A chuva caia na minha pele, encharcando minha camiseta. Gotículas escorriam por minha testa, pigando em meus olhos; estiquei a mão para secá-los. 

Mas congelei. 

A água da chuva parecia... diferente. Estava levemente escorregadia - como uma mistura entre água e óleo. Molhei os dedos e esfreguei um contra o outro, sobrancelha franzida. 

De primeira, achei que era minha imaginação. Mas uma olhada na estrada e pude perceber que não. Os carros estavam andando muito mais lentamente do que o de costume - 30 km/h no máximo. E os que iam mais rápido pareciam meio descontrolados, escorregando.

Puzei meu celular, comecei a digitar "Chuva em Bloomfield". Foi quando ouvi o grito. 

Olhei para frente. Do outro lado da rua, duas mulheres estavam gritando e apontando para um homem que saia de um Starbucks. 

"Você está sangrando!"

"Você está bem?"

Olhando de relance, achei que ele estava usando uma camiseta branca com bolinhas vermelhas. Mas com a chuva caindo nele, a camiseta só ficou mais vermelha. "Chamem uma ambulância!" uma das mulheres pediu. Observei a cena, confuso. 

"Eu estou bem, sério, não sei o que está acontecendo," o homem disse. "Por favor, não precisa chamar ninguém." 

Foi aí que entendi. Os pontos vermelhos eram as gotas de chuva. Linhas vermelhas escorriam por seu rosto e braços, pingando na calçada, formando poças rosas em sua volta. 

"Estou bem, é sério." 

Três dias depois, vi seu rosto novamente nas notícias.

John Allard, 45 anos, preso por assassinar sua mulher em casa, na noite de terça-feira. O julgamento será...

"Esse cara," falei, apontando para a TV. "Esse é o cara que te falei - o cara da chuva." 

Molly mal se quer olhou para a tela. "Ah, que legal," falou, enquanto mexia nas gavetas da cozinha. 

Nas semanas seguintes, mais pessoas foram pegas pela chuva. Quando tocava a pele de alguns, a chuva corria vermelho-sangue, manchando as roupas assim como seus corações. Sempre, dentro de alguns dias, essas pessoas cometiam atos de extrema violência - seja assassinato, agressão ou estupro. A cidade de Bloomfield estava caótica, confusa. Ninguém sabia o que estava acontecendo, nem o que fazer. 

Ontem a noite teve outra tempestade. A chuva batia com força na porta de trás, relâmpagos clareando o céu roxo. Eu fiquei na varanda, debaixo do toldo da casa, apenas assistindo. 

"Molly, vem cá! Olha que lindo!"

"A sopa está ficando fria, Rick," sua voz ecoou da cozinha. 

Raios se espalharam pelo céu, como teias de aranhas por entre as nuvens lilás. Fogos de artifícios da mãe natureza, Molly sempre dizia. "Você ama tempestades," chamei de novo. A chuva aumentava, tamborilando no toldo. "Venha ver!" 

Ela veio até a porta. "Não. Venha jantar comigo," falou pela porta de tela. 

"Fique aqui comigo, só um pouquinho. Chega até a ser romântico, vem." 

Ela suspirou. "Tá, tá."

Molly pisou cuidadosamente na varanda. Joguei meu braço ao redor de seus ombros, e ficamos ali por alguns minutos, assistindo o show de luz. 

Alguns minutos depois, quando o vento mudou de direção rapidamente, um pouco da chuva veio em direção dos nossos rostos como um spray, por apenas uns segundos. "Desculpa por isso," falei, me virando para ela. "Eu não devia ter te forçado a vir aqui, afinal de -"

Congelei. 

Gotículas de sangue pintavam as bochechas dela.

"Hm, Molly?"

"Que?"

Ela se virou para mim. Quando o fez, seu braço saiu de baixo da proteção do toldo. A chuva encharcou-a, tornando sua pele em um tom de carmesim profundo. 

Me afastei.

"Rick, espera," falou, seus olhos arregalados, entendendo a situação. Mais gotas caíram em seu rosto; listras escuras corriam em sua linda face. 

Corri para a casa. Click - tranquei a porta. 

"Rick, por favor, abra a porta," falou, enquanto sua camiseta ficava vermelha e sangrenta. 

Me virei, procurando meu celular. 


***
A polícia encontrou uma garrafa de etilenoglicol na prateleira da cozinha, pela metade. 

Eu queria acreditar que a chuva deixou-a daquela forma. Que todos nós somos inocentes aqui em Bloofield, que estamos sendo manipulados por uma arma química nos céus, transformando pessoas inocentes em monstros. 

Mas encontrei o recibo do veneno. 

A data da compra foi a mais de seis meses atrás.

Continua a chover aqui em Bloomfield. Toda vez que vejo as nuvens acinzentadas chegando, minhas entranhas parecem se transformar em nós, me perguntando quem será o monstro revelado da vez. 

Mas agora eles pegaram o jeito. Enquanto dirijo pela rua principal do centro, existem poucas pessoas por lá. A maioria fica dentro de casa. 

E os poucos que saem...

Bem, esses são espertos o suficiente para usar seus guarda-chuvas e capas.



FONTE



Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigada! Se gostou, comente, só assim saberemos se você está gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião!

17 comentários :

  1. Aconteceu comigo uma vez, choveu forte por cerca de 3 minutos mas o interessante era que a água não molhava, ela tocava diretamente o chão. Isso aconteceu mesmo, eu prestei bastante atenção no evento porque eu estava a pé na rua e jurava que ia me encharcar, mas nenhuma gota me acertou... Ninguém mais pareceu ter percebido isso. Falando da Creepypasta, gostei muito.

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    1. Também cara, foi muito estranho

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    2. Hummmm
      Eu sempre pensei comigo mesmo, que ninguém acreditaria se eu contasse, mas agora vendo que outra pessoa percebeu essa bizarrice



      Oque diabos foi aquilo?

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    3. Hummmm
      Eu sempre pensei comigo mesmo, que ninguém acreditaria se eu contasse, mas agora vendo que outra pessoa percebeu essa bizarrice



      Oque diabos foi aquilo?

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  2. Gostei muito, só não entendi a revelação no final

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    1. foi revelado que a chuva não criava monstros, e sim os revelava

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  3. Gostei mas não entendi ._.
    Alguém pode traduzir filosóficamente scr

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    1. Na minha interpretação, alguma entidade divina decidiu se revelar modificando a chuva para elucidar os malfeitores antes que eles cometam seus atos, por isso a cor vermelha quando a chuva toca suas peles ser tão simbólica.

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  4. Aonde que observar uma tempestade de raios acompanhado da pessoa que ama é romântico a ponto de ser observada como um espetáculo tranquilo? Enfim... achei bem original, só o protagonista que pareceu meio tapado. 9/10.

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    1. Não é porque não é romântico pra ti que pros outros não podem ser também, isso é relativo ao que é belo e calmo para cada um, eu mesmo sinto muita tranquilidade em tempestades

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    2. É óbvio que falei isso pela minha opinião rsrs, eu não sou todo mundo. Eu sei que é relativo, mas pra mim é no mínimo estranho.

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    3. Acho muito relaxante uma chuva forte batendo em folhas de árvores e se tiver trovões, melhor ainda

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  5. Criativa, porém achei muito curta, poderia ter sido mais desenvolvido, apesar disso eu gostei!

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  6. Será que e aquela chuva da série Runners? Vão nascer cogumelos neles? xD

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