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Alguém já ouviu falar do jogo da Esquerda/Direita? (PARTE 3)

31 comentários
PARTE 1
PARTE 2



Olá de novo, amigos.

Finalmente consegui tempo de postar a próxima entrada! Teria colocado antes, mas infelizmente tinha várias bicicletas para arrumar, e se eu não arrumar rápido talvez meus clientes entrem no Google e vão descobrir que não é tão difícil assim.

Quero agradecer novamente a ajuda que vocês tem me dado para encontrar Alice. O cara que disse que ia encontrar a loja de espelhos está me dando atualizações regulares sobre o seu progresso, e recebi muita ajuda por relatórios de pessoas desaparecidas nos EUA. Acontece que o trabalho de Alice também não teve mais notícias dela, e eles estão olhando em seus arquivos de e-mail. Todo mundo tem sido muito útil, então obrigada.

Tenho que dizer, estou dormindo pior desde que essa coisa toda começou. É estranho pensar que o tempo todo enquanto eu e Alice não nos falávamos, eu estava perfeitamente bem. No entanto, agora que voltou a entrar em contato, cada dia em que não recebo notícias dela, fico cada vez mais preocupado. Isso, claro, supondo que foi ela quem me enviou o e-mail.

E eu espero que tenha sido. 

Obrigado novamente, e por favor, me avisem se descobrirem de algo. 

***

O Jogo da Esquerda/Direita [RASCUNHO 1] 09/02/2017

ROB: Arroz; não-perecível. 

ROB: Shoyo; não-perecível. 

ROB: Sal; não-perecível. 

ROB: Ovos; bem, são perecíveis mas comprei frescos e já cozi eles e assim vão durar uma semana. 

É a hora do café da manhã, o começo do nosso primeiro dia inteiro na estrada. Rob está acordado desde as sete, preparando uma refeição para quem quiser. O aroma nos puxa para fora de nossas camas improvisadas e nos sentamos em torno de seu fogão portátil. Nossas tigelas já estão cheias antes de percebermos que há um problema. O preço pela refeição supostamente de graça? Rob dando uma palestra de 10 minutos sobre o poder do arroz.

ROB: Veja bem, no Pacífico, nossos camaradas costumavam ficar aterrorizados com os japoneses. Exércitos inteiros marchando enquanto apenas se alimentando em grãos? Pensei que eram super soldados. Veja bem, os japoneses sabem o segredo. Você dá arroz para as pessoas pela manhã e elas vão conseguir andar o dia todo. 

Depois de colocar duas colheres grandes do seu alimento favorito em uma tigela e entregá-la para mim, Rob quebrou um ovo cru por cima. A gema estoura enquanto eu a mexo. Para ser justa, a comida é deliciosa, e é divertido ver Rob dando uma de protagonista. Pelo menos assim percebo que existe sim algumas coisas as quais gosta de falar longamente. 

Eu olho através do círculo para Lilith e Eve. A segunda tinha jogado um pouquinho de arroz em cima da outra, e as duas estavam brincando. Eve viu que eu estava olhando, encontrou meu olhar e se voltou para Lilith, ficando dramaticamente muda. Volto minha atenção para a comida, fazendo questão de parecer atenta ao discurso de Rob. Um minuto depois, as duas garotas decidem que terminaram a refeição e percebo que eu também.

Devorando as últimas garfadas, coloco minha tigela na pequena banheira de água quente ao lado do fogão e casualmente ando em direção do carro delas. Lilith e Eve estão de costas para mim, silenciosamente arrumando seus sacos de dormir. Se recusam a olhar para mim quando me aproximo, em uma tentativa profundamente séria de sutileza.

LILITH: Ele está olhando para cá?

Olhei para Rob. Ele ainda conversava com Bonnie, Clyde e Apollo, falando para tentarem adivinhar como se fala "Café da manhã" em japonês. 

AS: Acho que estamos de boa. Então... vocês viram o carro? 

Sem responder, Eve se esticou até o banco de trás e pegou um Macbook, aonde todas as filmagens de Paranormicon são editadas e armazenadas. Ela apertou play enquanto Lilith e eu nos aconchegamos ao redor dela, bloqueando a visão de qualquer espectador em potencial.

A filmagem retrata uma estrada familiar. Lilith e Eve já devem ter largado o caroneiro, e acabam de chegar na próxima virada. Posso ouvi-las falando sobre a experiência, tanto aterrorizada quanto emocionada com os eventos do dia. Eve lembra Lilith que precisam ficar atentas pelo tal carro, Lilith xinga e a câmera imediatamente começa a vasculhar a beira da estrada.

EVE (VOZ): Olha, ali!

LILITH (VOZ): Estou vendo. Vai mais devagar... mais devagar!

O carro abandonado aparece na filmagem. Eve desacelera e Lilith maximiza a função de zoom da sua câmera, alguns detalhes preciosos podem ser vistos. O pára-brisa do carro e a janela do lado do motorista estão quebrados, a chave ainda está na ignição e, assim que Eve passa ao lado dos destroços, é possível perceber uma mancha escura encharcada no banco do motorista.

LILITH (VOZ): Pare o carro. 

Quando a Eve do vídeo começa a desacelerar o carro, a Lilith ao meu lado fecha o notebook. Eu olho de uma para a outra, tentando manter minha voz o mais baixa possível.

AS: Vocês pararam?

EVE: Sim...

LILITH: Eu sei que você disse para não parar, mas tipo, era algo muito estranho então eu fui e-

AS: Você saiu do carro?! 

EVE: Só pra registrar, eu fui contra. 

LILITH: De qualquer forma, não tinha muita coisa lá além do que já tínhamos visto do nosso carro, exceto que havia uma mochila no banco de trás.

AS: Você deu uma olhada?

LILITH: Sim.. você quer ver?

Lilith gesticulou com a cabeça em direção a parte de trás do carro. Levei uns segundos para entender o que queria dizer. 

AS: Está no bagageiro?!

EVE: Está onde?

AS: Está no porta-malas?!

LILITH: Sim, obviamente não podíamos deixar lá. Olha, você pode assistir o resto da filmagem quando quiser, até mandamos para você, mas PRECISA olhar dentro dessa mochila antes de continuar a viagem. 

Olhei para Rob mais uma vez. Ele está lavando as vasilhas e talheres, conversando um pouco com Bonnie de longe. 

Lilith e Eve me escoltam até o porta-malas, reformando nossa barreira contra olhares antes que Eve abra. Uma mochila de couro marrom está bem no centro. Parece cara, mas gasta, provavelmente tendo algumas décadas de uso. As duas gesticulam para que eu a abra.

LILITH: Só para dizer antes de qualquer coisa... essa viagem toda tem sido estranha pra caralho. 

A mochila não estava exatamente cheia. Vasculhei o conteúdo, encontrando alguns conjuntos de camisas masculinas de boa qualidade e um par de jeans. Mais abaixo, encontro um pequeno kit de barbear bastante usado. Estava começando a me perguntar porque Lilith e Eve estavam tão surpresas, quando minha mão bate na borda dura de um objeto reto e retangular. Lentamente, e com muito cuidado, consigo tirar por entre as camadas de algodão e jeans. 

Era um pacote, um bloco pesado e quadrado como mesmo comprimento do meu antebraço, embrulhado em papel pardo. Parece completamente despretensioso, exceto por um fio preto pendurado na parte inferior, que boa parte ainda está dentro da bolsa. Levantando o fio, um pino de tomada aparece e balança levemente no ar.

EVE: Vire.

Com as duas garotas me observando atentamente, eu viro o pacote em minhas mãos. O fio se conecta à uma porta de carregamento de um antigo Nokia 3210, que por sua vez está colocado no pacote junto com alguns fragmentos de placa de circuito exposto. Por último, mas certamente não menos importante, são as palavras estampadas no papel pardo, em uma imponente letra preta; Explosivo C4.

Minha boca estava seca. 

AS: ...Eu não esperava isso. 

LILITH: Eu sei, tipo, foda-se essa estrada, né? Havia toneladas mais no porta-malas lá, uma loucura. 

AS: É perigoso? 

EVE: Agora não. É basicamente inútil se você não tem o detonador. 

AS: Tem certeza?

LILITH: Temos o Wikipédia baixado no nosso HD. Foi o único motivo por Eve deixar eu trazer a bomba junto. Ela já leu o artigo umas três vezes. De qualquer forma, o Nokia está sem bateria. 

AS: Tá bom, não vou nem perguntar como você sabe disso... Não entendo, por que alguém traria explosivos para o jogo? Quero dizer, onde diabos estamos nos metendo? 

EVE: Não faço ideia. Você sabe se Rob tem alguma?

ROB: Se eu tenho uma o que?

Quando olhei para cima, Rob está a alguns passos de nós. Escondi a C4 atrás das costas, jogando-a dentro da minha bolsa ao lado do meu notebook. Consegui tirar meus dedos no segundo em que Eve fecha o porta-malas rapidamente. 

AS: Dicas de como dormir no carro. A galera teve uma noite difícil. 

ROB: ... Sinto muito. É algo que só melhora se acostumando, acho. Vamos voltar para a estrada em 15 ou 20 minutos. Tudo bem por vocês?

EVE: Claro, claro.

ROB: Bristol, pode me ajudar a arrumar as coisas? 

AS: Vamos lá. 

Conscientemente nervosa sabendo do que está dentro da bolsa que carrego, me afasto junto de Rob até o fogão improvisado. Olhando por cima do ombro, vejo Lilith e Eve assistindo nós dois se afastando, seus rostos estampados de com uma preocupação nítida. 

Não posso dizer que sinto o mesmo. Apesar dos arredores, e todos os eventos estranhos, não tenho espaço na minha cabeça para preocupações. Toda ansiedade está sendo afastada lentamente, uma determinação começa a invadir seu território. São muitas coisas esquisitas acontecendo nessa estrada e, mesmo que me mate, vou descobrir o que isso significa. 

ACE: Rob, posso falar com você?

Tínhamos colocado tudo para dentro do Wrangler, e estávamos prontos para partir quando Ace veio até nós. Rob se virou, e vejo uma barreira protetora invisível envolvendo-o enquanto se direciona ao seu compatriota.

ROB: O que foi, Ace?

ACE: Posso... posso te perguntar uma coisa? Tudo bem se... você me mandar embora para casa... 

A barreira se quebra. Esse não é o mesmo Ace que estávamos acostumados e até Rob percebe isso. Se aproximou dele, cautelosamente. 

ROB: Qual sua pergunta?

Ace muda o peso de perna, desfortável. De repente, parece mais novo. 

ACE: O caroneiro... alguma coisa acontece se... se você não dá a carona para ele? 

ROB: Puta merda, Ace, eu te falei, você não pode... fale o que aconteceu. 

ACE: Eu... eu estava na estrada, e estava bravo pelo jeito que você tem... e quando vi o caroneiro achei que, você sabe, devia fazer o que eu tinha dito e... só passei por ele. 

Ace começou a tremer, sem conseguir sustentar o olhar de Rob.

ACE: Um minuto depois, olhei pelo espelho retrovisor e ele estava no banco de trás do meu carro. Ele só... estava lá, falando sobre o tempo. O que eu quero dizer é, eu juro que não parei para pegá-lo, mas quando penso sobre ontem, todas essas memórias vem. Me lembro de parar, de deixá-lo entrar. É como se eu tivesse feito, mas eu nem...

ROB: Você falou com ele? 

ACE: Não, não, não. Juro que não falei uma palavra.

Rob encarou Ace em silêncio. Ace pendeu a cabeça para o lado, como um penitenciário que aguarda a sentença do juiz.

ROB: ... é horrível, não é? 

Ace finalmente olha para ele, confuso com as palavras de Rob, explorando a expressão do homem por respostas. 

ROB: Eu fiz a mesma coisa que você na minha primeira vez. Apenas passei por ele. Não ia deixar um estranho entrar no meu carro. Quase sai para fora do corpo quando o vi no retrovisor. 

Rob sorri para Ace, que sorri meio tremulo de volta. 

ROB: Você não pode acelerar as coisas aqui, Ace. Eu gosto de manter minha equipe organizada e tenho que dizer que isso me irritou muito. Se você quiser pegar seu Porsche e dar meia volta, ninguém vai te julgar, mas se quiser continuar nessa estrada... que tal ficar calado e ouvir mais a voz da experiência sem tentar ser um cuzão?

Rob estende a mão para Ace apertá-la. É uma oferta de paz, ou pelo menos uma tentativa de acordo. Ace aceita, com um leve sorriso enquanto recebe o aperto forte de Rob. 

ROB: Hora de cair na estrada.

Cinco minutos depois estamos rodando por um vale profundo, cada membro do comboio aparecendo na lomba alta das colinas atrás de nós. Todos estavam presentes, incluindo Ace. 

AS: Estou impressionada. 

ROB: Com?

AS: Com o jeito que você lidou com Ace. Para um cara que já se divorciou quatro vezes, você soluciona conflitos muito bem.

ROB: Divórcio É uma resolução de conflitos. 

AS: Isso é... verdade. Ele parecia estar dizendo que o caroneiro obrigou-o a parar. É realmente assim que acontece?

ROB: Ahan, ele sempre aparece no banco de trás, e você sempre vai lembrar de ter parado. 

AS: Isso... isso não é cientificamente possível. 

ROB: Acostume-se com essa ideia. 

Passamos as próximas duas horas em silêncio, eu digitando minhas anotações e Rob navegando pelas poucas ruas paralelas que iam aparecendo de vez em quando. 

O testemunho de Ace me perturba, talvez por eliminar minha teoria favorita; de que o jogo não era nada mais do que um hoax bem elaborado por Rob Guthard. Eu estava feliz com a ideia de que o caroneiro podia ser apenas uma bela performance bem executada, mas mesmo que o cara fosse um dos melhores dramaturgos do mundo, isso não o deixaria apto ao controle mental. Ace podia ser louco, ou então um ator também, mas essas ideias soam exatamente iguais as racionalizações que depositei antes em Rob.

Não sei muito bem qual é a minha teoria do momento. Continuarei a trabalhar, esperando que minha digitação revele a verdade. 

Algumas árvores solitárias começaram a aparecer na distância, enormes pinheiros selvagens com troncos tão grossos quando um barril. Sem que eu pudesse notar, as árvores vão ficando cada vez mais numerosas e, com essa mudança repentina de paisagem, não demora muito para estarmos cercados de vegetação de ambos os lados, encapsulando nosso carro em uma clara e profunda floresta. Percebendo que já tinha registrado tudo que importava, e com Rob concentrado na viagem, não tenho escolhas a não ser ficar sentada assistindo o mundo passar pela minha janela. Tirando a persistente estranheza do jogo da Esquerda/Direta, há beleza na estrada. Debaixo da sombra reconfortante das copas das árvores, o cheiro dos pinheiros tomam conta do ar parado e, de verdade, me sinto relaxada. 

Mas três palavras mudam isso. 

As palavras não vem de Rob, que está quieto como sempre. Também não são ditas pelo resto do comboio. As palavras estão escritas em uma caligrafia grande e dourada, grudadas em uma placa branca. Mesmo de longe, com as letras sendo não mais que um borrão, já sei o que dizem. São as palavras que estou temerosa de ver desde que desliguei o rádio, as palavras que me perturbaram por uma noite inteira, enquanto eu pensava que nunca mais queria vê-las ou ouvi-las. 

"Bem-vindos à Júbilo." 

Afinal de contas, existe um lugar para preocupações na minha mente. 

ROB: Aqui é Ferryman para todos os carros. Estaremos passando por uma cidadezinha a seguir. Sem regras aqui, apenas continue dirigindo e tudo ficará bem. 

Rob colocou o receptor no gancho, e eu tentava ignorar o nó na boca do meu estomago.

AS: O nome Chuck Greenwald tem algum significado para você?

ROB: Tanto significado quando Zé Ninguém, por quê? 

AS: Ele é o DJ da rádio daqui. 

ROB: De Júbilo? Como você sabe disso? 

AS: Eu estava ouvindo o programa dele ontem a noite. O que você sabe sobre esse lugar?

ROB: Parece uma boa cidade. Os moradores não prestam atenção na gente, eu só passo direto. 

AS: Você já viu algo... sinistro? 

ROB: Algumas coisas estranhas aqui e ali. Mas gosto de manter meus olhos na estrada. 

A floresta some abruptamente, como se abríssemos uma cortinas, revelando uma perfeita cidade Americana, tão perfeita ao ponto de parecer uma paródia. 

Tínhamos chego em Júbilo. 

Não há como negar que a cidade é linda. Fomos recebidos por uma fileira de lojas em cores vibrantes, espalhadas por uma rua longa e larga. No final desta rua, uma prefeitura de paredes cinzas e ornamentadas, sentada orgulhosamente, impondo seu domínio. O lugar é imaculado. Não consigo encontrar um pedacinho de papel nas calçadas, uma sujeirinha nos vidros das lojas. Cada centímetro de Júbilo parecia intocado, tranquilo... e notavelmente deserto. 

AS: Cadê todo mundo?

ROB: Não sei, geralmente tem alguns vagando por aí. Talvez esteja acontecendo um jogo.

Pegamos a próxima direita, depois esquerda. A história é a mesma toda vez que viramos uma esquina: uma cidadezinha suburbana e linda, totalmente desprovida de uma população humana. Não acontecem alvoroços nos cafés, a superfície da água na piscina pública estava imóvel. Até passamos por uma escola, uma fileira de desenhos pintados a mão nas paredes do prédio da pré escola sorriem para nós. Entretanto, o prédio em si está trancado, o que é estranho, sendo que é perto do meio-dia de uma quarta-feira. 

Eventualmente o Wrangler entra na primeira rua residencial que encontramos. A placa na esquina diz "Fileira de Sicômoros". As lojas excêntricas são trocadas por casas de luxo, todas idênticas; paredes brancas, grandes sacadas e gramados verdes esmeralda muito bem cortados em alturas uniformes. A rua continua em linha reta por quase um quilômetro, criando um estranho corredor de construções Ctrl C, Ctrl+V. E então a coisa mais estranha sobre essa rua foi vocalizada por Rob.

ROB: Acho que descobrimos onde está todo mundo. 

Na frente de cada casa, uma mesa de jantar tinha sido colocada no gramado, todas sem exceção preenchidas por famílias de quatro. Um marido, uma esposa, um filho e uma filha. Estavam todos comendo juntos. Uma grupo à esquerda brinda seus copos de suco de laranja enquanto comem costeletas de porco e salada. Outra família à direita compartilha um grande pedaço de bolo de carne, sorrisos largos em seus rostos. Olhando ao longo da estrada, faço uma conta de cabeça, devia ter para mais de oitocentas pessoas, em grupos de quatro, todos comendo ao mesmo tempo.

Nenhum deles parecia nos notar. 

ROB: Ferryman para todos os carros. Parece que estamos passando por uma comemoração aqui na cidade. Não vamos incomodá-los enquanto passamos, ok?

Rob deixou o carro rolar lentamente pela rua, com  seu pé pressionando levemente o acelerador, tentando fazer o mínimo de barulho possível. Quanto mais famílias passamos, mais claro era que cada uma delas compartilhava características em comuns. Todos estavam impecavelmente vestidos. Todos participavam do mesmo conjunto; marido, esposa, filho e filha. Embora as refeições escolhidas variassem um pouco, todos compartilhavam de uma felicidade estridente e quase opressiva.

APOLLO: Cidadezinha Americana, não é, gente? [risos]

As piadas de Apollo não melhoravam as coisas. Me sinto claustrofóbica. Presa. Algum animal gritando dentro de mim sabia que estava cercado, por todos os lados, por algo que não entendia. Não sei se estava imaginando, mas à medida que continuávamos na estrada, todo mundo parecia estar rindo um pouco mais e comemorando mais ainda.

Passamos mais da metade da rua com sucesso, e então uma virada à esquerda aparece no final, representando a estrada que saía de Júbilo. Outra rua surge à direita, a Estrada dos Bordos. Enquanto passamos por ali, aproveitei a oportunidade para olhar para essa nova avenida, curiosa para saber se todas as ruas são como a anterior. 

Não gostei do que vi.

As casas têm o mesmo prestígio, as paredes são brancas imaculadas, mas tem algo de diferente, mudanças sutis, mas que fazem a diferença. Não existem mesas nem famílias nos amplos gramados verdes. Quase todas as janelas que vejo estão quebradas. Carros estão abandonados na rua, com um deles enfiado dentro de uma varanda toda detonada. Em cima de cada porta, um X foi desenhado com tinta vermelha e, do lado de fora de cada casa, um pequeno monte de roupas jaz no gramado recém-cortado. Uma enorme pilha coletiva de sapatos masculinos, femininos e infantis estão empilhados no meio da rua... aparentemente sem donos.

ROB: Tudo certo, pessoal. Vamos voltar para a estrada. 

Chegamos ao fim da rua, e eu respiro aliviada quando nos despedimos do Júbilo. Olho para a estrada pelo espelho retrovisor enquanto dobramos. Imediatamente desejei não ter olhado, pois na fração de segundo antes que a cidade desaparecesse da minha vista, tive um vislumbre dos mais de 800 residentes da Fileira de Sicômoros.

Eles não estavam sorrindo mais, e estavam olhando na nossa direção. 

Fiquei grata de ver a floresta enquanto as árvores iam aumentando de número mais uma vez. A indiferença da natureza é uma mudança muito bem-vinda em relação a sacarina, falsa-civilização de Júbilo.

APOLLO: Cidadezinhas como essa me fazem ficar feliz por ser um garoto de cidade grande. 

BONNIE: Eu gostei, não parecia com Wintery Bay? 

CLYDE: Não lembro de ter ido nesse lugar. 

BONNIE: Ah... talvez seja Shelburne Falls. 

CLYDE: Ah, com certeza se parecia um pouco com Shelburne Falls. 

ROB: Gente, precisamos manter esse canal geral só para informações importantes.

Passamos rapidamente pela próxima estrada, e viramos em uma esquerda. Quanto mais longe íamos da cidade sinistra que era Júbilo, melhor nossos espíritos pareciam ficar. 

AS: Quanto mais até pararmos? 

ROB: Mais umas quatro horas. Não tem nada muito grandioso na estrada nesse meio tempo. Provavelmente não teremos problemas. 

AS: Bom saber. Então... qual a tradução de "café da manhã" em Japonês? 

ROB: Você ouviu essa? 

AS: Sim, e estou curiosa desde do começo da manhã.  Tem alguma coisa a ver com-

Fui jogada para frente, sentindo uma dor aguda no meu pescoço enquanto minha cabeça recuava contra o assento. Rob pisou no freio agressivamente, fazendo com que o carro parasse em um segundo. Antes que eu possa perguntar o motivo, minha pergunta é respondida, quando vejo um dos pinheiros colossais se estendendo no meio da estrada à nossa frente, bloqueando nossa rota.

ROB: Puta merda! Você está bem? 

AS: Estou bem.

Massageando meu pescoço, olho para a base da árvore derrubada. A extremidade inferior é coberta por marcas retas e pontiagudas. Alguém havia derrubado aquela árvore, cronometrando sua queda na tentativa de incapacitar o Wrangler.

AS: O que está acontecendo? 

ROB: Ferryman para todos os carros. Ré total. Cuidado com o carro atrás de vocês.

O comboio se afasta, de volta à estrada em direção ao Júbilo. Rob espera que Apollo comece a se mover e, em seguida, dá ré também. Há um segundo impacto quando Rob para abruptamente o carro, examinando nossos meios de volta. 

ROB: Ferryman para todos os carros. A estrada está bloqueada, mas há uma lacuna na ponta. Sejam cuidadosos.


Rob estava certo. Embora a árvore tenha caído no asfalto, apenas a copa da árvore fica sobre o gramado entre a estrada e a floresta. Há uma pequena depressão entre a beira da estrada e a grama, e Rob não perde tempo em mostrar aos outros como passar. 

Virando a direção, Rob vira diretamente à abertura e prossegue cautelosamente em direção à beira da estrada. Vejo o asfalto desaparecer embaixo de nós momentos antes do barulho. O Jeep desce o pequeno barranco e faz a volta no pinheiro caído. Observo as folhas em formato de agulha gentilmente rasparem contra minha janela enquanto passamos. Com um segundo solavanco, Rob nos traz de volta para a estrada e nos puxa para a borda mais distante, virando o jipe de frente para o comboio que estaria por vir. 

ROB: Ok, Apollo, pode vir. 

APOLLO: Estou indo, Rob. 

Enquanto Apollo se dirigia para a abertura, ouço algo. O som de um motor em funcionamento, a princípio tão silencioso que é quase impossível diferenciá-lo dos próprios motores do carros do comboio. Então começou a ficar mais alto e depois ficou muito mais perceptível. 

AS: Rob, tem alguém vindo. 

ROB: Apollo, atravesse imediatamente. Aos outros carros, venham o mais rápido possivel! Vamos!

Apolo acelera em direção da passagem. Seu Range Rover estremece, descendo no declínio da grama, mas não precisa fazer esforço algum para dar a volta na árvore e voltar para a estrada.


O barulho à distância fica mais alto. Posso imaginar o veículo indo em direção à esquina, a apenas um passo para que colocasse os olhos no comboio. Embora eu não tenha ideia do que possa ser, não quero dividir a estrada com seja lá o que esteja saindo de Júbilo.

O resto do comboio já consegue ouvir o som. Bonnie e Clyde rolam pelo buraco rapidamente. É claramente mais difícil do que os carros de Rob e Apollo fizeram parecer. Depois de alguns momentos, eles atravessam o banco, trazendo-se para o outro lado.

O veículo vira a esquina. 

Um caminhão branco aparece, com os pneus berrando contra a estrada. Uma viga de metal estava atrás do compartimento do motorista, e um gancho balança com o movimento repentino da curva à direita. É um caminhão de reboque, embora algo me diga que não está aqui para nos ajudar.

ROB: Todos os carros, uma vez que você estiver do outro lado, dirijam. Espere na próxima entrada a esquerda. Eu avisarei pela rádio se eles passarem por mim. 

APOLLO: E vocês?


ROB: Eu vou quando todos estiverem do outro lado. Agora não é hora de perguntas. Eve e Lilith venham agora!

Ainda temos tempo para fazer com que todos atravessem, mas cada segundo parece uma perda de um tempo precioso. Eve e Lilith estavam impacientes por sua vez. Caíram no barranco e subiram em questão de segundos.

O caminhão estava ganhando uma velocidade incrível. Consigui ler as palavras “Recuperações Júbilo” rabiscadas no capô. E as letras estão ficando cada vez mais fácil de ler. 

Bluejay leva um tempo para contornar a estrada. Na verdade, ela parece quase casual em  relação ao que está acontecendo, diminuindo ainda mais o pouco tempo que tínhamos. Uma onda de raiva surge dentro de mim quando as rodas dela sobem para a estrada novamente. Se ela está calma com tudo isso, bom para ela, mas posso ver Ace tamborilando freneticamente seus dedos contra o volante, agora totalmente sozinho do outro lado da árvore tombada.

Assisto Bluejay seguir o resto do comboio até a próxima curva, demonstrando zero urgência, diferente de todos os outros. 

ROB: Vá com calma, Ace. Seu carro não foi feito para isso. 

Ace vira o carro, atendendo ao pedido de Rob para ir com cautela, mas imprudentemente indo de cabeça.  Uma de suas rodas dianteiras bate na borda do banco e o chassi bate no asfalto. A queda é íngreme demais para o Porsche. Os avisos de Rob sobre o carro de Ace parecem turbilhar em meus ouvidos quando ele acelera em três rodas, com seu carro se movimentando lentamente, quase nem se quer indo para frente.

ACE: Rob, o que eu faço?!  Rob?!

O caminhão mantem velocidade e se alinha com o Porsche, a rapidez estrondosa desafiando a lógica, despreocupados tanto com a segurança de Ace quanto as leis da física. 

ROB: Saia do carro, Ace! Saia do maldito carro!

Ace luta com o cinto de segurança, sem conseguir controlar suas funções motoras. Se soltou e jogou o cinto para o lado. Agarrou a maçaneta e empurrou.  A porta se abre levemente e bate imediatamente contra a casca do pinheiro. Por um momento, que dura muito tempo, troca comigo um olhar de horror absoluto. 

A porta é fechada, amassada quando o caminhão de reboque colide com o lado do passageiro do carro de Ace. Ace é lançado contra a porta, sua cabeça batendo contra a janela. O ímpio som de metal estridente troca de lugar com o silêncio que antes dominava. 

ROB: Merda.

Rob foi para a parte de trás do carro.

AS: Rob, o que eu faço?

ROB: Fique aqui. 

Eu ouvia Rob vasculhando a bagagem enquanto o caminhão de reboque dava ré para longe do Porsche de Ace. O capô do caminhão de reboque estava completamente e impossivelmente ileso pelo impacto, assim como as duas pessoas que estavam lá dentro. 

Estacionam o caminhão paralelo com nós, o gancho pendurado a poucos metros da parte de trás do Porsche. As palavras Recuperações Júbilo estão novamente visíveis, agora acompanhadas de um slogan “Estamos aqui para ajudar”. Dois homens de camisa branca e macacão azul saem e caminham até o Porsche destruído. Mal parecem registrar a situação, casualmente conversando entre si enquanto abrem a porta do lado do passageiro de Ace.

Ace, atordoado, parecia estar lutando contra uma concussão, com pouca consciência em si quando é puxado para fora do carro. Rapidamente fica um pouco consciente quando os mecânicos o agarraram por cada braço, lutando contra enquanto seus sequestradores papeiam. 

ROB: Soltem-no!

Quando me virei, Rob estava saindo do Jeep. Aparentemente, escondido entre as maletas muito bem arrumadas, havia um rifle de caça carregado. Rob aponta a arma para eles e repete. 

ROB: SOLTEM-NO AGORA!!

Os mecânicos nem se quer prestaram atenção em Rob. Continuavam a arrastar Ace para o caminhão. Um sussurrava uma piada para o outro enquanto iam. Os dois davam risadas. 

Um estrondo cruel irrompeu ao meu lado e um buraco vermelho-escuro explodiu no torso de um dos caras, o sangue saindo lentamente da ferida. Inexplicavelmente, o mecânico não fez nada mais do que olhar para baixo em sua ferida, depois para Rob, e então voltou ao seu assunto anterior com seu colega. Nem se quer mudou o ritmo de seu andar até o veículo, apenas sangrava livremente pelo chão. 

Ouvi Rob recarregando o rifle. 

Os mecânicos chegaram na parte de trás do caminhão com Ace. Duas alças curtas de correntes finas estão penduradas no elo mais baixo do gancho. O mecânico colocou os braços de Ace em cada uma das alças, até que estivesse pendurado pelas axilas em frente do próprio gancho.

Rob atira novamente, que atinge o nada. 

Os mecânicos então pegaram na parte de trás do cabelo de Ace, tagarelando enquanto fazem isso, e levantam a cabeça de Ace até que sua mandíbula esteja logo acima do gancho.

Naquele momento, apesar de tudo, apesar de todos os meus ideais jornalísticos, minha busca pela verdade, meu dever como observadora... fechei meus olhos.


A imagem desapareceu na escuridão, mas o som não. O impacto e o gemido doloroso e obstruído que seguiu penetraram meus ossos, espalhando-se por todo o meu ser. Outro tiro e o som agudo de um ricochete metálico. Os gritos de Ace continuam enquanto o motor liga e eles o levam de volta à Júbilo. Ouvi mais um tiro, que pareceu não atingir nada além do ar.

Enquanto o barulho do motor e os gemidos de Ace ficavam cada vez mais distantes, alguns momentos se passam até um último tiro solitário ecoar pela estrava. 

ROB: ... Mas que droga. MAS QUE MERDA DO CARALHO!!!

O chassi do Wrangler estala quando Rob chuta o lado com toda sua força. Abri meus olhos para ver um pinheiro caído, um Porsche arruinado e uma estrada vazia.


Quando Rob sobe no carro, ficou claro que ele estava tentando normalizar sua respiração. Uma raiva internalizada o acendeu, que tinha pouco controle sobre. 

ROB: Temos que ir.

Rob virou, apontando o Wrangler de volta pela estrada. O silêncio no carro parecia um tambor em meus ouvidos, junto com outros sons que não consigo esquecer. Assisti o pinheiro caído ficar cada vez menor pelo retrovisor, oprimida pela sensação de que estava deixando para trás nessa estrada coisas muito maiores do que eu poderia imaginar. 

Desprovidos da habilidade de conversar, de lógica, de qualquer tipo de conforto, Rob e eu fazemos a única coisa que podemos.


Nós viramos na esquerda seguinte.

FONTE


PRÓXIMA QUARTA-FEIRA (15/08/2018), Alguém já ouviu falar do Jogo da Esquerda/Direita? (PARTE 4) ESTARÁ DISPONÍVEL A PARTIR DAS 08H00! 

Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigada! Se gostou, comente, só assim saberemos se você está gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião!

31 comentários :

  1. Kkkkk muito foda essa Creepypasta, mal espero para as próximas partes.

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  2. Foda! Foda! Foda! MUITO FODA! PORRA! Isso que é creepy, a melhor que vejo depois de 1000vultures, na colina!! Muito foda!

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  3. Muito foda msm.Sempre deixa um gostinho de quero mais... Não aguento esperar tanto

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  4. Já sabia que o Ace ia ser o primeiro a dançar

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  5. Foda de + ... cara isso dava um belo filme

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  6. Eles estão indo pra um lugar tão remoto que não vou me admirar se eles encontrarem a galera da caverna do Dragão

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  7. Muito boa. Esperar uma semana é uma tortura!!

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  8. Ah não veyy, eu já estava gostando do Ace, pqq?? ;-;

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  9. Alguém lembra o nome da Creepypasta que conta a história de que todos nós somos seres extremamente inteligentes e esquecemos de tudo isso quando nascemos?
    Tô procurando a horas e não acho.

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  10. Que ótima creepy! Posta dias partes por semana , por favor. É desesperador essa espera

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  11. Incrível, já é uma das melhores creeps do site

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  12. Incrível, já é uma das melhores creeps do site

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  13. Muito boa essa Creepypasta mesmo. Não tive paciência para esperar e procurei em inglês, mas a tradução aqui está tal foda que vou ter que ler de novo agora sim entendendo 100 por cento hehehe

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  14. Ótima série! Sem dúvidas, é o atual carro-chefe do blog. Eu mal vejo a hora de chegar a próxima quarta-feira para acompanhar os próximos eventos da trama. Porém, fiquei curioso. O Ace foi punido pela sua imprudência em não seguir as instruções do Rob sobre o caroneiro ou simplesmente foi vítima do acaso pela má sorte em estar dirigindo o último carro do comboio?

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    Respostas
    1. Ele foi levado para Júbilo por ser o ultimo, sendo que o objetivo do caminhão era puxar todo mundo de volta para lá, mas não duvido nada que ele volte

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    2. Ele não seguiu as instruções ao ir no posche.E Por ser um carro baixo não conseguiu transpor o desnível da pista cpm o acostamento.

      Sim ele foi punido por não seguir as instruções.

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    3. Eu n acho q ele tenha sido diretamente punido e sim sofrido as consequências de n seguir as instruções. A punição por n pegar o caroneiro é o susto e trauma de ver ele no banco de trás, tanto q o próprio Rob sofreu na primeira vez.
      Foi o infortúnio de escolher um carro improprio pra viagem, mas a Bluejay colaborou lerdando tbm.

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  15. Também não resisti e fui ler o original em inglês, acabei de ler a quinta parte, fica cada vez melhor. Divina você escolheu bem.

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  16. cara, li a serie toda e ela é sensacional (o final me lembrou um pouco o de Aniquilação). Divina, não se tu já traduziu I dared my best friend to ruin my life - he's succeeding. Caso não, peço que considere como uma das próximas séries a apresentar aqui no CPBR.

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  17. Essa com certeza tá na top 1 Creepypasta. Que filme isso daria.

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  18. Bom dia pessoal ... lia até a parte 9 e chorei muito ... medo de ler o último capítulo.. a história só melhora. Não sei se quero saber o fim

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  19. O Ace sendo levao a Júbilo me fez pensar na pessoa que morreu naquele acidente de carro. Será que aquelas familias não estavam se alimentando da carne dele? E agora farão o mesmo com o Ace?

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  20. Slk, tão indo pra Nárnia, só pode

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