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Deus é Uma Garçonete em Las Vegas

27 comentários
Me encontrei com Deus pela primeira vez depois de uma noite de muito azar em Vegas, onde tinha ficado com dinheiro suficiente apenas para uma xícara de café e um prato de ovos mexidos em um restaurante 24 horas que os moradores locais chamavam de 'O Restaurante da Intoxicação Alimentar'. 

É um daqueles lugares onde as luminárias das lâmpadas fluorescentes são cheias de insetos e você não pede creme no seu café, ou será servido com requeijão vencido. Era quatro da manhã e até os bêbados já tinham ido para casa, deixando eu e Deus sozinhos no restaurante.

Deus era a personificação do que era ser uma garçonete em Las Vegas, uma mulher que provavelmente era linda uma década antes, mas agora o rosto era traçado por rugas de cigarro e anos morando sob o sol do deserto. As primeira palavras que falou comigo foram quando estava reabastecendo minha xícara de café pela terceira vez.

"Como está o café?" Perguntou.

"Bom," respondi. "Mas preferia que fosse vinho." 

Deus sorriu para mim e pegou o copo para examinar de perto. Quando devolveu, estava cheio do que parecia ser vinho tinto. 

"Vá em frente," disse. "Prove."

Dei um gole e minha língua foi agraciada com o sabor de mel e uvas frescas. 

"Como você fez isso?" Perguntei. 

"É fácil quando se é Deus," respondeu, sentando na cadeira em minha frente. 

Nesse momento, provavelmente eu deveria ter surtado, mas havia algo de tranquilizador na presença da garçonete que me acalmava. 

"Você é Deus?" Perguntei. "O que você está fazendo trabalhando em um restaurante em Vegas?" 

"Sou uma pessoa do povo, acho," respondeu. "Parece que Vegas é o lugar perfeito para encontrar pessoas em seu pior momento." 

"Por que você quer encontrar pessoas em seu pior momento?" 

Deus conjurou uma xícara de chá preto e alguns cubos de açúcar do nada. Mexeu os cubos em sua bebida com minha colher.

"Defeitos são o que definem a humanidade," disse. "Bem, isso e livre arbítrio, duas coisas que anjos não tem." 

"Se as pessoas tem tantos defeitos, porque você nos fez assim?" Perguntei. 

Deus ficou encarando seu chá pensativamente antes de levantar seus olhos para mim. 

"Não era para ser assim," disse. "Vocês meio que ficaram assim depois. Efeito colateral de livre arbítrio demais."

"Por que você não nos arruma?" 

Deus balançou a cabeça e vestiu um sorriso irônico enquanto olhava para os insetos mortos na luminária acima da mesa. 

"Não posso," confessou. "Pelo menos não mais." 

"Por que não?" Indaguei. 

Ela tomou um gole de seu chá e suspirou. 

"Você quer mesmo saber?" 

"Agora acho que meio que preciso."

"Bem," começou, "os outros deuses tiraram minha habilidade de criar quando me expulsaram dos Céus." 

"Espera aí," contrapus. "Existem outros deuses?" 

"Claro que sim," ela riu. "Foram eles que criaram todos os diferentes tipos de anjos." 

Me recostei em minha cadeira e respirei profundamente enquanto processava a informação que acabara de receber. 

"Então, por que você foi expulsa?" 

Deus tomou mais um gole de chá e enrugou os lábios. 

"Porque eu quebrei a principal regra dos deuses," confidenciou-me. "Você nunca dá livre arbítrio para um ser inferior." 

"Por que não?" 

Deus terminou seu chá, e o copo se encheu sozinho novamente. Materializou mais alguns cubos de açúcar e os mexeu. 

"Por que você acha?" Interrogou. "Olhe em sua volta. Olhe esse lugar. É cheio de desespero e sofrimento, cheio de sonhos despedaçados e esperanças de um futuro melhor que jamais virá. E quando as pessoas se cansam disso, se encontram nesses lados da cidade e se acabam com uma ou duas garrafas." 

"Essa é sem dúvida uma perspectiva sombria," julguei. 

"Você só diz isso porque não sabe o que eu faço," Deus respondeu. 

Tomei um gole do vinho e franzi o cenho. 

"Bem, então o que é que eu não sei?" Perguntei. 

"Você não quer saber," Grunhiu. 

"Você provavelmente está certa, mas me diga mesmo assim." 

Uma sombra passou pelo rosto de Deus, e pela primeira vez me senti estranho desde que pisara na lanchonete. Respirou profundamente e continuou. 

"Não sou o primeiro Deus a falhar," explicou. "Houveram outros deuses antes de mim - deuses antigos que eram motivados pela crueldade. Criaram criaturas mais sombrias do que seus piores pesadelos, coisas obscuras que existem apenas para machucar, consumir e matar." 

Pude sentir arrepios passando pelos meus braços. 

"Onde estão essas criaturas agora?" Perguntei. 

"Estão lá em baixo," respondeu. "Onde todos os deuses falidos e suas criaturas quebradas são colocados depois da morta - no lago de fogo eterno." 

Meu coração despencou. 

"Então é para lá que todos vamos quando morremos? Direto para o Inferno? Existe alguma chance de redenção?" 

"Não existe chance de redenção," Deus proferiu. "Apenas mais dor do que jamais poderia imaginar." 

Ficamos sentados em silêncio por um tempo, ouvindo os sons do restaurante: o zumbido eterno das lâmpadas fluorecentes, o gotejar lento da cafeteira, um ronco de motor ocasional dos carros que passavam na rua da frente. 

"Eu não devia ter sentado aqui com você," Deus confessou. "Mas as vezes me sinto solitária, afinal de contas sou uma pessoa do povo." 

"Sem problemas," dei de ombros. "Acho que, se vou direto para o inferno, é melhor ficar sabendo antes mesmo." 

Deus sacudiu a cabeça. 

"Não é melhor, não."

Se levantou da cadeira e foi para trás do balcão, desligando a cafeteira. 

"Sua refeição fica por conta da casa," sorriu. "Por que você não pega esses trocados e vai até o cassino no final da rua e coloca tudo no 29 preto? Pelo menos isso te dará dinheiro suficiente para uma refeição decente."

"Valeu," agradeci. 

Me levantei para sair, mas quando cheguei na porta, parei. Olhei uma última vez para Deus, ocupada limpando o balcão. Pensei em dizer adeus, mas não disse. O conselho de Deus foi bem vindo, e minha maré de azar acabou no cassino do final da rua. 

Nunca vou esquecer o que ela disse para mim, e ainda me pergunto quais são os horrores que me aguardam quando morrer. Mas, mesmo sabendo que estava certa, que é melhor não saber, não posso evitar de sentir um alívio por ter me contado - sou só um ser humano, afinal de contas. 




FONTE

Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigada! Se gostou, comente, só assim saberemos se você está gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião!

27 comentários :

  1. Quanta blasfêmia num único texto, mesmo que seja uma creepypasta. Mas eu meio que concordo que o Deus bondoso não está mais no controle.

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    1. Até aqui encontramos esses crentelhões chatos?! Francamente...

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    2. Blasfemia porque? Porque deus foi retratado como uma mulher? Vaza daqui crentelho

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    3. Não vejo como uma blasfêmia, mas sim, como uma licença poética

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    4. Acalmem se, eu não falei sério, não sou "crente", e o fato de Deus ser mulher nessa Creepypasta não é blasfemia, é um erro lógico e/ou de gramática já que se é uma mulher seria uma Deusa.

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    5. A quem acredita, Deus não seria homem, nem mulher de acordo com a crença cristã, ele é um ser, uma "palavra", ele não tem um gênero, apenas foi atribuido a ele uma imagem masculina.

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    6. Como disse não sou crente, mas pelo que entendo Deus será sempre homem,(pela gramática) Se for mulher será Deusa, e pelo que sei a Santíssima Trindade é composta pelo pai, filho e espírito santo por isso o Deus dos cristãos é Homem sim, já na Wicca seria a Deusa mae, por exemplo ...

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    7. Blasfemar meu bom rapaz é desrespeitar o criador. Diga-me onde a creepy falta com respeito ao altíssimo? Mais não poupa esforços não porque por pouco eu não me tornei padre...

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  2. Será q era Deus msm? Vai q era um demonio trollando :v

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    1. Bem difícil. Com uma vítima tão fácil, um pacto seria feito com certeza.

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  3. Ah eu gostei desse creepy, sla muito boa a forma em que Deus foi retratada

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  4. isso abre uma serie de interpretações, saber que vamos para o inferno nos da um incentivo a mais para pecar? Ou seria uma forma de transformar o nosso mundo atual num paraiso

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    1. bom, usando a lógica temos a mesma prova da existência do inferno, e a mesma da do homem aranha, um livro, então não seria um "incentivo", apenas uma história para colocar medo nos seres vivos que sabem ler

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    2. Porém, conhecemos a Marvel comics que criou o homem aranha, mais o criador do inferno (e do paraíso também ) ainda não nos foi apresentado da mesma maneira...
      Kkkk

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  5. Enquanto ninguém sabe o que nos aguarda no final, varias interpretações são bem vindas

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  6. Já diria Ariana Grande, né? "Gos is a woman"

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    1. Deus não tem um sexo definido. Jesus chamava ele de pai porque na terra ele tinha uma mãe.

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  7. Me senti incomodado com a afirmação que os anjos não tem livre arbitrio, levando em consideração que o deus retratado no texto seja o deus bíblico, pra quem se propôs a falar Dele deveria no minimo ler os escritos sobre Ele. Que no caso os anjos, em Gênesis alguns caem por conta de que se apaixonaram por mulheres e foram amaldiçoados. E a recomendação de ler sobre é mais uma questão de criar credibilidade ou criar a duvida na mente de quem lê.

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    1. Anjos são mensageiros divinos, e sim, não possuem livre arbítrio. Prova disso é que, logo que desatam a pensar, só faze merda. A queda dos anjos nada tem a ver com escolha, e sim, rebelião. Nenhum deles chegou em Deus e disse
      - pai, as mulheres são lindas, quero ser homem.
      Todos desceram, desobedeceram e queriam voltar.

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    2. Essacitação, em si, já demonstra livre arbítrio.

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