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Eu encontrei uma carta do meu eu de sete anos [Parte 2]

13 comentários
Deus está morto



Deus está morto




Deus está morto




Deus está morto




Deus está morto




Eu o matei



Isso é o que diz na tradução da página. Está escrito em cinco idiomas diferentes, incluindo francês, latim e malaio. Mesmo adulto, eu só conheço apenas um pouco de francês, e muito pouco de latim extraído de livros e filmes. Não há como eu ter escrito isso sem ajuda, ainda mais quando criança.


E a tradução! Por que diabos eu, ou qualquer outra criança, escreveria que Deus estava morto e que eu o matei? Não faz sentido e me dá arrepios só de pensar.


Eu verifiquei várias vezes outras amostras de escrita na caixa para ter certeza de que tinha sido eu que tinha escrito aquilo. Eu não sou um especialista, de qualquer maneira, mas não é difícil identificar as características similares da minha letra - foi definitivamente eu quem escreveu isso e, a julgar pela forma de algumas das letras e pela desordem, eu acho que minha suposição inicial de ter sete anos quando escrevi estava correta.

Eu liguei para minha mãe, era o primeiro passo lógico aqui, para ver se talvez eu tivesse passado por uma fase onde eu lia livros em outros idiomas ou algo assim, qualquer coisa que pudesse explicar isso. Ela atendeu no segundo toque.

"Alô?"

"Oi, mãe, eu tenho uma pergunta meio estranha pra te fazer", eu disse, depois comecei a contar a história de onde achei este papel e quando achei que o escrevi.

Quando terminei, não ouvi nada além de silêncio do outro lado do telefone por vários segundos. Eu quase me perguntei se havia caído quando ela finalmente falou.

"Não, eu acho que não me lembro de nada sobre isso. Houve uma breve época que você estava muito doente por volta daquela idade, então talvez fosse algo que você fez quando estava com febre ou algo assim. Também poderia ser alfgo que você fez quando tinha essa idade, como gostava de fazer listas de qualquer coisa, ou como amarrava seus sapatos daquele jeito esquisito até os seis anos."

Algo em seu tom parecia estranho. Era difícil explicar, mas parecia que havia algo por trás de suas palavras implorando para escapar, mas simplesmente não conseguia sair. Eu agradeci e desliguei o telefone.

Eu pensei sobre o que ela disse, então peguei o telefone para outra ligação. Ela mencionou que eu estava "muito doente" por um tempo, mas eu não tinha nenhuma lembrança de estar seriamente doente quando era pequeno. Eu me lembro da intoxicação alimentar quando eu tinha doze anos, a apendicite quando eu tinha dezesseis, mas nada quando era mais novo. Talvez fosse só uma febre, mas eu queria falar com meu médico antes.

Eu disse a sua secretária que queria uma cópia dos meus registros médicos do final dos anos 90. Ela disse que era um pouco estranho e que levaria algum tempo para acessar ester arquivos. Eu agradeci, e antes que ela pudesse me perguntar o motivo, desliguei o telefone.

Me senti estranho esperando o e-mail chegar. Era como se eu fosse um personagem em um daqueles filmes em que o protagonista fica obcecado por uma pessoa ou evento específico e lentamente enlouquece ao cobrir sua parede com recortes de jornal e fios vermelhos suspensos entre os alfinetes.

Eu não deixaria isso chegar tão longe, eu disse a mim mesmo. Eu só olharia o registro para ver se minha mãe estava mentindo para mim. Se ela tivesse, eu a confrontaria sobre isso. Se ela não tivesse, eu aceitaria sua explicação e me confirmaria que às vezes as crianças podem fazer algumas coisas estranhas, especialmente quando estão febris.

A notificação chegou em meu celular assim que sentei para jantar - eu decidi fazer um bife e purê de batata isntantâneo - mas enquanto eu lia, eu sabia que meu bife esfriaria até que eu terminasse.

Por razões óbvias, não compartilharei o documento médico real, mas transcreverei a parte importante para vocês, pois preciso realmente de ajuda para descobri o que isso significa e para onde ir a partir daqui.

DATA DE NASCIMENTO: 20/08/1992

ALTURA: 1,2m

PESO: 19,8 kg

TIPO SANGUÍNEO: B+

DATA: 16/01/1999

PROCEDIMENTO: LAVAGEM GÁTRICA/EGD

STATUS: COMPLETO

NOTAS:

O PACIENTE FOI ATENDIDO COM QUEIXAS DE NÁUSEA SEVERA, VOMITANDO SANGUE E DOR AGUDA NO ABDÔMEN. NO EXAME, FOI DETERMINADO QUE O ABDÔMEN ESTAVA EXTREMAMENTE INCHADO. DEPOIS DE UM ULTRASSOM, APARENTEMENTE O ESTÔMAGO ESTAVA CHEIO DE LÍQUIDO, CAUSANDO O INCHAÇO, NÁUSEA, E POSSÍVEL HEMORRAGIA INTERNA. UMA LAVAGEM GÁSTRICA FOI FEITA E 1,1L DE FLUIDO FOI EXTRAÍDO DO ESTÔMAGO DO PACIENTE, INCLUINDO UMA GRANDE QUANTIDADE DE SANGUE RECOLHIDA PELA EQUIPE MÉDICA PRESENTE. A EGD FOI EXECUTADA PARA IDENTIFICAR QUAISQUER ÚLCERAS NO REVESTIMENTO DO ESTÔMAGO, MAS NADA FOI DESCOBERTO. RESULTADOS DO LABORATÓRIO SOBRE O FLUIDO REMOVIDO DO ESTÔMAGO DO PACIENTE IDENTIFICARAM APROXIMADAMENTE 87% DE SANGUE O NEGATIVO. PACIENTE NÃO SE LEMBRA DE TER INGERIDO SANGUE NAS ÚLTIMAS 24 HORAS. SERVIÇO DE PROTEÇÃO À CRIANÇA FOI NOTIFICADO.

Enquanto meus olhos seguiam as palavras do médico quase vinte anos atrás, meu estômago se embrulhou, e eu podia sentir a bile subindo pela minha garganta, mas me segurei e continuei para o próximo registro.

DATA DE NASCIMENTO: 20/08/1992

ALTURA: 1,2m

PESO: 17,5 kg

TIPO SANGUÍNEO: B+

DATA: 05/02/1999

PROCEDIMENTO: DESBRIDAMENTO DE HEMATOMA

STATUS: COMPLETO

NOTAS:

PACIENTE FOI ATENDIDO COM QUEIXAS DE DOR INTENSA, INCHAÇO E DESCOLORAÇÃO NAS MÃOS E PÉS. NA INSPEÇÃO, FOI DESCOBERTO QUE O PACIENTE POSSUÍA UM TOTAL DE OITO HEMOCOMPONENTES LOCALIZADOS NO CENTRO DE AMBOS OS LADOS DE SUAS MÃOS E PÉS. ELES ERAM ROXO ESCUROS, QUASE PRETOS E INCHADOS. DADA AS RECLAMAÇÕES DE DOR DO PACIENTE E A GRAVIDADE DO INCHAÇO, UMA CIRURGIA FOI DETERMINADA A SER A MELHOR OPÇÃO. APÓS A REMOÇÃO DOS HEMATOMAS, PEQUENOS SEDIMENTOS APROXIMADAMENTE DO TAMANHO DE PEQUENAS PEDRAS E NA COR AMARELADA FORAM ENCONTRADOS E CONSEQUENTEMENTE REMOVIDOS. O MAIOR SEDIMENTO TINHA 5MM DE DIÂMETRO.  AMOSTRAS DO HEMATOMA FORAM COLETADAS E ENVIADAS AO LABORATÓRIO. O LABORATÓRIO DETERMINOU QUE AS AMOSTRAS CONTINHAM SANGUE A POSITIVO COM ALTO NÍVEL DE ENXOFRE. OS SEDIMENTOS FORAM ENVIADOS AO LABORATÓRIO E FOI DETERMINADO QUE TODOS ERAM DENSOS SEDIMENTOS DE ENXOFRE. TESTE DE SANGUE ADICIONAL FOI SOLICITADO.

Sentei em minha cadeira. Não poderia continuar lendo sem arriscar a possibilidade de vomitar tudo o que tinha em meu estômago. Olhei para minhas mãos e vi pequenas, quase invisíveis, cicatrizes na parte superior delas, em seguida virei meus pulsos e vi as cicatrizes brancas contra a carne rosa das minhas mãos. Eu sempre as tive, mas nunca soube de onde elas vieram. Sempre achei que era por cair de uma árvore ou algo assim e nunca pensei em perguntar, mas agora olhando para elas com essa nova revelação em minha mente, me senti idiota por nunca ter pensado.

Cobri meu prato com plástico filme e coloquei na geladeira. Eu não estava com fome agota e minha mente estava zumbindo. Tudo o que eu queria fazer era tomar um banho e ir para a cama, e talbez asistir um pouco de televisão para relaxar enquanto tentava descobrir o que estava acontecendo.

Fui ao armário no corredor e peguei uma toalha, depois fechei a porta e fui ao banheiro. A água estava tão quente quanto eu pude aguentar - do jeito que eu gosto - e isso me ajudou a clarear um pouco minha mente. Cheguei à conclusão de que precisaria falar com minha mãe amanhã para ver se conseguiria que ela se abrisse sobre o que aconteceu comigo quando eu era pequeno.

Haviam muitas coisas que me incomodavam nesses relatórios, especialmente que, embora eu tenha lido todo o relatório meia dúzia de vezes, nenhum diagnóstico foi determinado. Mesmo depois de lê-los diversas vezes, eu ainda não lembrava o que aconteceu, mas era como se algo estivesse no fundo da minha mente cantarolando uma melodia familiar, mas eu nçao conseguia entender as palavras.

Enquanto eu pensava nisso no chuveiro, percebi que era exatamente o que estava acontecendo. Realmente havia algo tocando na minha cabeça, quase como uma canção de ninar, mas quais eram as palavras? Não era 'A Dona Aranha' nem 'Brilha Brilha Estrelinha', mas era algo desse calibre. Tinha palavras, eu sabia disso, mas simplesmente não conseguia me concentrar nelas. Algo como... o que foi isso?

Nós comemos seus dentes



Nós comemos seus ossos



Não, não era isso. Isso era estranho demais para estar certo. Nós escovamos nossos dentes talvez? Estava lá, na minha cabeça, mas não era algo que eu pudesse alcançar.


Desliguei o chuveiro e saí do box, sentindo-me melhor sobre a coisa toda. Talvez eu até esquentasse meu jantar.

Com a toalha enrolada na minha cintura, saí do banheiro e imediatamente congelei onde estava.

Todas as portas do corredor estavam abertas. A porta do armário que tinha acabado de fechar, a porta do meu quarto, o guarda-roupa. Eu rapidamente me vesti e peguei a pistola do cofre na minha mesa de cabeceira. Com o coração batendo fortemente, caminhei cautelosamente pela casa e encontrei todas as portas, gavetas e janelas abertas. Até a porta da frente e dos fundos.

Eu saí e olhei em volta pela rua vazia. O único som que ouvi foi o som distante do trânsito na estrada a 1km de distância. Nenhum cão latia e já era tarde demais para as crianças brincarem lá fora.


Entrei e liguei para a polícia, mas quando eles chegaram, fizeram exatamente o que achei que fariam - verificaram por impressões digitais em algumas maçanetas e perguntaram se alguma coisa estava faltando. Eu disse a eles que não. Eles disseram que provavelmente era apenas crianças brincando, mas que eu deveria me certificar de manter minhas portas trancadas. Eu disse a eles que estavam trancadas, e o policial sugeriu que eu trocasse a fechadura - talvez um Schlage ou um Kwikset, esses eram difíceis de arrombar.

Eu agradeci e tranquei a porta quando saíram.

Enquanto escrevi isso, estou sentado em minha cama com minha pistola carregada ao meu lado na mesinha de cabeceira. Eu não consigo dormir porque toda vez que eu fecho meus olhos essa música toca na minha cabeça - é uma melodia quase sinistra que faz minha cabeça doer para pensar. E eu sei que provavelmente só esteja nervoso, mas eu juro que posso ouvir alguém se movendo em meu quarto sempre que apago as luzes.



Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigada! Se gostou, comente, só assim saberemos se você está gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião!

13 comentários :

  1. Essa creepy começou muito bem, mas tô com medo que vire uma creepy de vampiros.
    Vampiros são chatões d++
    Mas ate agora tá bem interessante

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    1. Concordo contigo. Eu, particularmente, não me atraio por estórias de vampiros ou zumbis. Acho dois gêneros de creepypasta muito clichê e desinteressantes.

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    2. Se formos analisar a parte do sangue, realmente se encaixaria bem nessa temática, exceto pelo fato do enxofre. Acho que a descoberta da substância provavelmente descarta a possibilidade de uma creepy sobre vampiros.
      (Que são realmente bem chatas)

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  2. Seguindo indícios de estudos e algumas teorias sobre possessões e coisas do tipo, seria plausível afirmar que este garoto tenha uma ligação forte demais com Lúcifer, talvez algum parentesco? Levando em consideração que a mãe hesitou em lhe contar a verdade, os diferentes tipos de sangue em seu corpo, e alto teor de ENXOFRE, é realmente possível comprovar seu parentesco com Lúcifer. Ou talvez isso realmente se torne algo relacionado a vampiros o que seria realmente bem clichê.

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  3. Deus não está morto, menino mentiroso.

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  4. Essa creepy tem haver com aquela da creche que já postaram aqui no site? (http://www.creepypastabrasil.com.br/2017/08/creche.html). A música é igual/muito parecida.

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    1. Nossa, acho que sim, é igual

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    2. Até a música é parecida
      "Nos comemos seus dentes
      Nos comemos seus ossos
      E rasgamos suas gargantas sem esforços
      Nos cantamos essa canção
      E quando terminar
      Vamos para o inferno para brincar"

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  5. Acho que tem algo demoníaco nessa história, por causa do enxofre e do conhecimento sobre várias línguas, tem um filme que citam isso como um sintoma de possessão

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