06/08/2018

Tinha água do mar na piscina

Mesmo na água da piscina e no calor escaldante, seus lábios continuavam vermelhos e vibrantes.

Eu sabia que era sinistro ficar assistindo minha vizinha nadar, mas eu não sabia como me aproximar para puxar papo. Ela saiu da piscina para descansar, cantando algo doce, porém abafado, enquanto passava os dedos pelo cabelo. Eu nem se quem sabia se ela curtia meninas. 

Com um rangido, abri a janela um pouquinho para ouvi-la cantando. 

"É um lindo dia..." Eu não conseguia entender todas as palavras que saiam de sua boca. 

Seus olhos se encaixaram com os meus e dei um passo rápido para longe da janela. Era óbvio que tinha me visto. Meu coração batia dolorosamente em meu peito. Em um momento de bravura, ou apenas pânico, decidi que falar com ela era o único jeito de me redimir. 

Depois de me encorajar, me encontrei atrás da cerca tentando pensar em algo inteligente para puxar assunto. Finalmente, decidi que perguntaria sobre sua maquiagem a prova d'água. Ou talvez não, isso seria estranho. 

Frustrada, decidi que só colocaria a cabeça por cima da cerca e falaria a primeira coisa que me viesse na cabeça. Logo percebi que a cerca era mais alta do que pensava. 

Com a cara enfiada entre duas tábuas, falei a primeira coisa que me veio a mente, talvez um pouco mais alto do que necessário. 

"Oi! Eu gostei do lindo dia!" 

O que eu queria dizer era "gostei da sua maquiagem" ou "está um lindo dia", porém minha indecisão tornou-se aquela bagunça de palavras. Estava pronta para sair correndo para dentro de casa, mas então ela riu. Parecia música. 

"Também gostei desse lindo dia," falou. Pude sentir o sangue subindo em minhas orelhas. Ela deve ter percebido que eu estava corando.

"Você quer vir aqui tomar um banho de piscina?"

Sem querer dizer mais alguma estupidez, assenti energeticamente. O que provavelmente era bem pior. Então corri para dentro de casa para colocar um maiô. 

Quando entrei em seu quintal, não a encontrei em lugar algum. 

"Não entre na piscina ainda! Estou pegando algo para beber." Gritou de dentro de sua casa.

Sentei em uma cadeira de jardim. O sol estava impiedoso e percebi que não estava usando protetor solar. Dez minutos se passaram e comecei a suar loucamente. Provavelmente ela não iria se importar se eu colocasse meus pés na água.

Sentei na beira da piscina e cuidadosamente enfiei uma perna na água. Estava fria, mais do que geralmente as piscinas são. Considerando o clima, essa era uma ótima anomalia. Sem pensar, entrei de corpo inteiro na água. 

A água estava extremamente gelada, e um arrepio percorreu por minha espinha. Senti um cheiro estranho também, meio salino. Bati as pernas para não afundar e esfreguei meus braços gélidos. Algo tocou meu pé. Algo que parecia algas marinhas. 

Sacudi a perna, mas só ficou mais presa na coisa. Dei uma sacudida mais violenta, puxei com força e finalmente fiquei livre. Me afastando em pânico, sai da piscina para cima dos azulejos decorados. 

Tremendo de medo e frio, arranquei as coisas que estavam enroladas no meu tornozelo. Era escuro, fino e cumprido. Em um sobressalto, reconheci o que era. Cabelo humano. 

Olhei para a piscina. Não tinha nada lá. 

Com nojo, tirei os fios nojentos da minha pele e joguei na grama. Então ela voltou com dois copos de limonada. 

"Achei que tinha falado para não entrar na piscina ainda..." Sua voz tinha uma entonação cantarolada até quando estava brava. 

"Eu... hm..." 

Seu comportamento suavizou. Colocou a limonada na mesa. 

"Tudo bem, se você quer entrar na piscina, podemos entrar agora na piscina." Ela começou a entrar na água. Eu não queria entrar mais, mas também não queria parecer uma babaca. 

A água continuava congelante. Ela me levou até o meio, onde era mais fundo. Eu nunca fui uma boa nadadora, e estava difícil ficar na superfície, a água entrando o tempo todo na minha boca e nariz. Era salgada. Como a água do mar. 

"Vamos nadar até o fundo e tocar o chão," ela sugeriu. Eu não gostava da ideia, mas não consegui falar que preferia sair de lá. 

Mergulhei, meu pulmões queimando. Algo bateu em mim. Mesmo queimando, abri os olhos. 

Um par de olhos mortos me encaravam. Eu gritei, deixando o ar escapar por entre milhares de bolhas. Mantive os olhos abertos enquanto nadava em direção da superfície. A água parecia infinita, definitivamente muito mais profunda do que os limites da piscina. Em toda minha volta, cadáveres estavam boiando de baixo da água. Alguns tinham partes do corpo faltando, como se algo estivesse se alimentando deles. 

Algo se enrolou na minha perna, e dessa vez definitivamente não era cabelo. Olhei para baixo e a vi, seus lábios vermelhos repuxados para trás em um estranho sorriso zombeteiro, revelando uma fileira de dentes pontudos, parecidos com aqueles peixes abissais, acho que se chamam xarrocos. 

Me debati fracamente. Minha visão começou a ficar turva. Pude ver a superfície logo acima de mim. Formas humanas subiam e desciam ao meu redor, escurecidas naquela água infinita. 

Em uma última tentativa, chutei com o máximo de força que meu corpo desprovido de oxigênio conseguia. Por um momento seu aperto se soltou e comecei a nadar freneticamente para cima.

Quando finalmente sai debaixo d'água, a atmosfera estava estranhamente calma. Ouvi o som de cortadores de grama não muito longe enquanto desesperadamente lufava por ar. Meus braços tremiam enquanto eu saia da piscina. 

Olhei para a água. Não tinha nada lá. 

Agora, enquanto escrevo isso, ainda posso ouvir seu canto de sereia entrando pela minha janela. 



FONTE

Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigada! Se gostou, comente, só assim saberemos se você está gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião!


11 comentários:

  1. "Algo tocou meu la" nao entendi

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  2. uma otima creepy mais o fianl pode ter sido melhor

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  3. Parece uma creepy inspirada na lenda da Iara haha. Quando ela consegue atrair os pescadores pro fundo, vira um monstro e devora eles. Bem criativo terem usado uma homossexual na história ao invés de um homem.

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  4. Bem criativa, apesar de alguns erros ortográficos eu gostei muito

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  5. Poderia ficar bem melhor se não fosse por esses erros de português. A creepy ficou muito boa. Parabéns.

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