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Alguém já ouviu falar do jogo da Esquerda/Direita? (PARTE 7)

20 comentários
PARTE 1
PARTE 2
PARTE 3
PARTE 4
PARTE 5
PARTE 6 


Olá pessoal,

Peço perdão pela demora, acontecimento recentes parecem estar conspirando contra mim. 

Por favor, me informem se tiverem alguma informação. 

***



O Jogo da Esquerda/Direita [RASCUNHO 1] 13/02/2017

Sou agraciada na volta da entrada de Wintery Bay pelo canto dos pássaros.

Fiquei grata pela companhia, estava dando boas-vindas a qualquer som que me distraísse de meus próprios passos solitários, buscando qualquer antídoto concebível para o silêncio palpável que ele deixou para trás. Entretanto, não sou tão receptiva ao o que aquela melodia fervescente e melancólica representa; o primeiro sintoma do iminente amanhecer.

Eu só tinha estado acordada por volta dessas horas poucas vezes, tropeçando pela de Niddry Street e também pela Sweetmarket, depois de noitadas loucas. O pessoal que moravam comigo, Molly, Craig e Tom, passavam a caminhada discutindo alegremente os escândalos da noite, apoiando-se uns nos outros enquanto todos tropeçávamos em uma noite de horríveis excessos.


Desta vez, as circunstâncias eram absurdamente diferentes. Estava completamente sozinha enquanto subia a estrada, e o único excesso na minha noite tinha sido uma torrente implacável de estresse e melancolia. Entretanto, existe uma mera coincidência, algo que prevalece tanto agora como naquela época; a sensação incômoda de que o dia seguinte seria com o gosto amargo das consequências.

Por mais sombria que a noite tenha sido, ainda me sinto apegada nela, relutante em testemunhar os desenvolvimentos angustiantes que o nascer do sol trará. Em poucas horas, o comboio acordaria e descobriria que sofreu outra perda. Não seria uma sensação brutal e dolorosa como quando perdemos Eve, Apollo ou Bonnie, que desapareceram diante de nossos olhos, mas uma sensação muda de injustiça. Por mais que odiemos enfrentar os horrores em nossas vidas, pode ser muito pior quando esses nos atingem sem o nosso conhecimento. Acordando na manhã seguinte apenas para se dar conta que foi afetado por forças cruéis que agiram sem respeito nenhum à sua presença, sem seu consentimento. 

Não vai ser uma manhã agradável. No entanto, fico feliz em ver o comboio quando ele finalmente aparece.


O imenso Wrangler descansava à beira da estrada parecendo uma relíquia antiga. Naquele momento, não consiguia pensar em nada mais reconfortante do que entrar em sua casco seguro. Por um momento, achei estranho como um objeto feito para ser um transporte se tornara o único ponto fixo no meu mundo, e então, novamente, obviamente não era a coisa mais estranha naquele momento.

O carro do Bluejay estava estacionado de lado, espalhando-se pela estrada. As janelas cobertas por escuridão, ainda que por um breve momento achei ver um ponto vermelho de um cigarro fumegante, acendendo-se por trás do vidro, brilhando momentaneamente antes de sumir de vista. Fixei meus olhos no Wrangler e continuei andando, resolvendo ignorar o brilho sinistro das brasas e ignorando suas implicações. Mesmo assim, estremeci ao pensar nas conclusões sombrias que estariam sendo feitas dentro daquela câmara de fumaça.

Descansei minha mão na porta do lado do passageiro do Jipe, parando brevemente para avaliar o sol nascente. Tinha menos de duas horas antes que Rob me levasse para um território desconhecido, para a seção inexplorada do jogo da Esquerda/Direita. O que quer que esteja no final, poderia muito bem ser duas estradas... então, novamente, poderia levar muito mais tempo.


Suponho que só há uma maneira de descobrir.

Subi em silêncio no carro e gentilmente me posicionei ao lado de Lilith. Era apertado, e agora que ela tivera espaço para se movimentar, foi preciso um pouco de contorção para me deitar, mas ainda parecia mais confortável do que a perspectiva de me deitar no espaço que antes era reservado a Clyde. Pelo menos nesta noite, pareceria um pouco demais descansar em uma cova fresca.

A manhã veio mais rápido do que eu gostaria. Surpreendentemente, quando acordei de um sono feliz e sem sonhos, percebi que não estava nem um pouco cansada. Talvez isso fosse me atingir mais no final do dia, ou talvez a necessidade de dormir cada vez menos fosse mais um dos "benefícios" da estrada. Era inquietante pensar que a estrada estava exercendo alguma influência metamórfica sobre mim, por mais conveniente que seja esse efeito. Depois de não sentir mais vontade de comer ou beber, e agora precisar cada vez menos descanso, não posso deixar de sentir que algo quer que nós continuemos na estrada, tirando de nosso caminho qualquer obstáculo, qualquer coisa que nos tire dessa jornada. É uma algo que me intriga e me apavora em medidas iguais.


Quando abri os olhos, me vejo olhando diretamente para Lilith, que havia se virado para mim durante a noite. Percebi que ela já está acordada, calmamente descansando os olhos, relutante em encarar a manhã sem alguém ao seu lado.

AS: Oi.

LILITH: Oi, bom dia.

AS: Dormiu bem?

LILITH: Uhh… sim… não maravilhosamente, mas... Isso aqui não é muito confortável.

AS: [risos] Pois é. Você se acostuma.

Um momento de silêncio passou entre nós.


Eu já estava ciente do espaço vazio do outro lado do jipe, escondido por uma pilha de malas e galões de gasolina. Seria fácil para mim fingir surpresa com a ausência de Clyde, dizer que dormi a noite inteira, simular um esforço infrutífero em procurá-lo até "perceber" que não estava mais lá.

Parte de mim quer evitar o peso desses acontecimentos recentes, me afastar e deixar toda a culpa cair nos ombros da estrada. No entanto, mesmo que eu quisesse, sabia que não era certo. Eu não iria contribuir com um novo conjunto de segredos nessa viagem. De qualquer forma, pelo que sei, Bluejay havia me visto voltar da entrada de Wintery Bay. Não queria dar a ela o gosto de poder desmascarar uma mentira minha. 


Se iria contar o que aconteceu, então a conversa precisaria acontecer o mais rápido possível. Obviamente, antes que percebessem a ausência de Clyde. As palavras não se formaram facilmente na minha língua. Era impossível formar frases com uma sensibilidade decente para aquele caso, e rapidamente percebi que qualquer tentativa de ser delicada seria apenas atrasar o inevitável. No final, tudo o que pude dizer foi...

AS: Clyde se foi, Lilith.

Levou alguns segundos para que Lilith processasse essa frase, até se sentar ereta, olhando alarmada para as bagagens ao lado de onde Clyde deveria estar.

LILITH: Rob. Rob!

AS: Lilith-

ROB: O que... O que está acontecendo?


LILITH: Algo pegou Clyde!

Rob acordou subitamente enquanto olhava para a parte de trás do Wrangler. Pude ver a compreensão dos fatos em seu rosto enquanto entendia o que acontecera. Se virou e tentou ligar o carro, atrapalhado. Seus olhos no retrovisor pareciam queimar com uma determinação desesperada. Ele ainda achava que poderia alcança-lo antes que Clyde atravessasse os limites.

ROB: Ninguém o pegou. Vamos lá.

AS: Ele se foi, Rob.

ROB: Não sabemos ainda, só precisamos-

AS: Rob! Ele se foi. Ele já passou pelo limite.

Os olhos de Rob se movem pelo espelho retrovisor, encontrando os meus. O motor continua a rugir enquanto se vira para me encarar.


ROB: Como você sabe disso?

A urgência em segui-lo já não existia mais dentro do carro, substituída por um ar palpável de questionamento. Lilith e Rob estavam olhando intensamente para mim e, pela primeira vez na estrada, me senti como uma  legítima suspeita.

AS: Eu estava com ele quando atravessou.

LILITH:… Que porra é essa? Quando?

AS: Ontem de madrugada, por volta das três ou quatro da manhã. Ele disse que-


Em resposta às minhas palavras, Rob abriu a porta do motorista e saiu do Wrangler. Eu o vi marchar até o meio da estrada, seu corpo inteiro tenso e duro por uma onda de raiva.

Rapidamente saio atrás dele.

ROB: Droga! Que droga, Bristol, por que diabos você deixou?

AS: Você não estava lá, Rob.

LILITH: Porra, nós estávamos a centenas de metros de distância, Bristol! Você não pensou em nos acordar?

AS: Claro que sim. Ele pediu para eu não fazer isso.

LILITH: Ah, claro, okay, tudo bem, está tudo bem então, não é?

AS: Ele se decidiu, Lilith. Nenhum de nós poderia detê-lo.

LILITH: Bem, eu certamente não iria deixar que ele se matasse! Você prendeu Bonnie na porra do carro, algemada! Mas deixou que Clyde voltasse pela estrada sem nos chamar?!

AS: Isso... não tem nada a ver uma coisa com a outra.

LILITH: Não tem nada… Você está falando sério?!

AS: Sim, claro que estou falando sério, Bonnie não era mais a mesma... Clyde tinha capacidade de tomar essa decisão.

LILITH: A irmã dele acabou de morrer! É óbvio que ele ia querer se juntar a ela. Isso não significa que você podia deixar isso acontecer! Por que você não pegou uma arma e ajudou a dar um tiro na cabeça dele? 

ROB: LILITH!

Rob chamou-a duramente, forçando seu silêncio imediato. Depois de se afastar para respirar um pouco, voltou falando calmamente. 


ROB: Bristol... você tem certeza de que não havia nada que pudéssemos fazer?

Olhei Rob nos olhos. Suas palavras me atingiram muito mais do que o discurso afetado de Lilith. De pé diante de nós, esperando uma resposta com seus olhos aflitos, sinto o primeiro indício de dúvida dentro de mim. O que teria acontecido se tivéssemos nos juntado e conversado com Clyde, se Rob o tivesse forçado-o a ficar? Ele encontraria motivos para continuar se ficasse mais uma noite? Mais um dia? Mais uma semana? Tudo o que posso fazer é guardar essas lembranças da noite anterior, revivendo a sensação de calma que irradiava de Clyde quando o confrontei. Tudo o que posso fazer é confiar que fiz a escolha certa.

AS: Não havia nada que pudéssemos fazer. 

ROB: Tá... Bem... Então não há mais nada a se dizer.

Rob caminhou para a parte de trás do Wrangler, interrompendo a conversa retomando tranquilamente para nossa rotina matinal. Lilith voltou para o carro e se fechou lá dentro. Fiquei de pé no meio da estrada no mesmo lugar, me perguntando se existia a possibilidade de me sentir mais infeliz do que já estava. 

BLUEJAY: Eu sei o que você fez.

Bem, pelo menos isso respondia minha pergunta. Parece que, enquanto eu estava lutando para defender a validade de minhas ações para Rob e Lilith, Bluejay saíra silenciosamente de seu carro, esperando pacientemente que o resto do comboio se dispersasse antes de dirigir um sorriso vitorioso para mim.

AS: Podemos simplesmente não fazer isso agora?

Respondeu às minhas palavras ignorando-as completamente.

BLUEJAY: Eu estava acordado ontem de madrugada, observando todos vocês. Que surpresa foi quando vi você sair com Clyde e voltar sozinha, calma como a porra de um cemitério. Eu não sei se Clyde estava no joguinho de vocês, mas com certeza ele não estava feliz por essa palhaçada ter chego tão longe. Teve que acabar com ele, não é?

Eu não queria dignificar suas palavras com uma resposta. Na verdade, não tinha certeza do que diria a uma acusação tão absurda. Sua declaração soava com todas as marcas registradas de sua conspiração paranoica; aquela confiança antinatural, a linguagem vaga, as conclusões frenéticas que eram tão óbvias para ela, mas parecia impossíveis de compreender.

No final, o Bluejay não esperou minha resposta.

BLUEJAY: Eu só quero que você saiba, que não estou me apaixonando por esse maldito jogo. Mas você não vai me forçar voltar, e se você tentar QUALQUER coisa assim comigo... Eu. Vou. Te. Matar.


Observei a mulher diante de mim. Suas pupilas eram duas poças escuras de veneno, seu sorriso se curvou em um riso torto de desprezo.

AS: Por que você não falou com o caroneiro, Bluejay?

A testa do Bluejay se franziu, o sorriso se desfazendo. Eu não esperei sua resposta.

AS: Quero dizer... agora que vimos o que acontece com quem fala com ele... é justo presumir que você não falou. Ou eu estou errada?

Bluejay fechou seus lábios firmemente, olhando para mim, as veias em suas têmporas pulsando em relevo contra sua pele tensa.

AS: Está tudo bem, Bluejay. Eu também estava com medo.

Andei até a parte de trás do Wrangler, onde Rob havia puxado o fogão e quatro cadeiras de camping. Depois de ajudá-lo a colocar tudo no meio da estrada e deixei que me cozinhasse uma tigela de arroz quente fumegante, sentando-me ao seu lado e comendo o que conseguia.


Não conseguimos falar nada, e as duas cadeiras restantes ficaram vazias pelo resto da refeição.

Quando voltei para o Wrangler, Lilith parecia quieta. Estava menos brava agora e, como eu já presenciara antes, quando forçada a confrontar seus sentimentos sozinha, sua fúria acabava sendo ofuscada. Trocamos olhares pelo espelho retrovisor, olhares genuinamente perdidos. Percebo que nossas expressões são as mesmas, e naquela pequena lasca de vidro, acho que nós duas encontramos um vislumbre de compreensão. Um entendimento de que não houve nem haveriam escolhas fáceis nesse caminho e que deveriamos perdoar uns aos outros e a nós mesmos pelas decisões que tivemos que tomar. Afinal, eu não ficaria surpresa se houvessem mais escolhas difíceis pela frente.


Demorou menos de uma hora para chegarmos à floresta. A viagem foi previsivelmente desprovida de conversa, entretanto, os campos de milho se fundiam em uma floresta verde-escura, e a pequena abertura que era nossa entrada se aproximava, Rob então quebrou o silêncio com a costumeira chamada para todos os carros.

ROB: Ferryman para todos os carros. Só quero dizer que é uma honra virar esta próxima esquina com todos vocês. De agora em diante nós vamos dirigir mais devagar, relatando qualquer coisa estranha ou incomum, e ficando atentos a próxima virada, ok? Tudo bem... aqui vamos nós.


Rob virou o volante. Viramos em um arco lento e deliberado em direção à abertura da floresta. O asfalto desapareceu em baixo de nós, dando lugar a uma pista de terra áspera. Uma legião imponente de árvores nodosas fizeram o eclipse para o comboio, o sol basicamente desaparecendo por trás do denso dossel.

O significado da nossa virada não passa despercebido por mim. Finalmente cruzamos o limiar, chegando nos territórios desconhecidos do jogo da Esquerda/Direita. Pelo que sabíamos, eramos as primeiras pessoas a chegar ali, os primeiros exploradores de um mundo inteiramente desconhecido. Não fiquei surpresa quando percebi que estava prendendo a respiração.

Observei de perto meus compatriotas. Lilith nem sequer olhava pela janela, perdida em seus próprios pensamentos tumultuados. Rob estava reagindo exatamente como eu esperava, olhando para fora com um ar de admiração.


ROB: É de cair o chapéu... Lindo, você não acha? 

Quando para de olhá-lo e encaro nossos arredores, me pego sorrindo. Mesmo depois da manhã estressante que tivemos, e do dia incerto que teríamos pela frente, a declaração de Rob é feita com uma felicidade sincera que me contagia. E concordo com ele; de um jeito sinistro, era um lugar lindo.


O Wrangler se moveu com nada mais que um rastejo pelo resto do dia. Os bosques eram vastos e indomados. Galhos finos e inclinados pendiam preguiçosamente pela estrada, batendo contra o equipamento de luz quando passamos pelos mais baixos. Muitas das árvores estão em ângulos estranhos e tortuosos, suas várias inclinações irregulares, tornando impossível de ver muito além em qualquer direção. 

Rob ficava observando todos os lados da estrada o tempo inteiro. As árvores que nos cercavam eram tão grossas, tão juntas umas das outras, que era fácil evidenciar os locais onde iriamos dobrar. Eu suspeitava que Rob simplesmente não queria se arriscar, paranoico como é sobre como essa estrada gosta de pregar peças. Ele não precisava ter se preocupado. Houveram apenas quatro viradas durante a tarde inteira. Nós percebíamos sempre com antecedência, e a sua navegação ia perfeitamente. 


Antes que eu pudesse perceber, nós estávamos adentrando a noite, e não havia previsão à vista para o fim do bosque. Nós estávamos viajando em uma subida fazia um tempo, seguindo por um trecho de estrada estreita, uma extensão interminável de floresta à nossa esquerda e um barranco perigosamente íngreme à nossa direita. Com um lado a menos para se preocupar com uma virada, Rob parecia um pouco mais confortável em  conversar.

AS: Então, o que você vai fazer, se chegar no final da estrada?

ROB: Documentar, levar para casa, entregar para o mundo.

AS: E  depois disso?

ROB: Acho que vou tirar umas férias. Talvez visitar Londres. Quer me guiar por lá?

AS: Você nunca esteve em Londres?

ROB: Passei por lá, como entregador. Nunca gostei muito de cidades grandes, tento ficar fora delas o máximo que posso. Mais iria se tivesse um guia de turismo.

AS: Tá bem, essa será minha próxima história, então. Rob Guthard Em Londres.

ROB: Não acho que as pessoas gostariam de ouvir essa história.

AS: Não sei, acho que as pessoas iriam se identificar, ou está preocupado que vai acabar gostando do lugar?

ROB: Hah, Junior nunca mais sairia do meu pé por isso.

AS: Justamente. Espere ... como é?

ROB: Meu filho não me deixaria esquecer isso. Ele sempre foi um garoto da cidade grande.


Olhei para o bosque negro, de repente pensando na minha chegada em Phoenix, Arizona, apenas cinco dias antes.

Lembrei de minha reunião formal com Rob Guthard e como eu tinha sido tratada com a visão mais breve possível de sua vida. Eu não havia insistido em muitos detalhes, querendo ouvir a história em suas próprias palavras e supondo que poderia obter mais informações depois de um curto período na estrada. Depois de quatro dias de intrigas, horrores e estresse, não consegui seguimento nessas informações. Para ser honesta, só agora que pensei nisso e percebi o pouco que cobrimos em nossa primeira entrevista, como estava ansioso para ignorar todos os detalhes formativos de sua existência. Eu não sabia os nomes de suas ex-esposas, ou de qualquer outra pessoa na sua vida que não tivesse uma ligação com seu trabalho paranormal.

Por exemplo, eu não sabia que ele se referia ao filho como Junior. Geralmente usado apenas como um apelido geral para uma criança, podia, as vezes, significar algo muito mais específico.

AS: Você e seu filho tem o mesmo nome?

Rob se virou para mim, confuso.

ROB: Sim, eu não te-


LILITH: Cuidado!

Rob pisou no freio quando um borrão momentâneo passou pela estrada, antes de cair pelo barranco íngreme à nossa direita. Além do som do motor, podemos ouvir farfalhares e batidas enquanto cai pela encosta declivosa e entra na floresta profunda lá debaixo.

AS: O que foi isso? Era um cervo?

ROB: Foi o que pareceu.

LILITH: Foi direto para o barranco, porque faria isso? 

ROB: Não era um dos mais inteligentes, só isso. 

AS: Gente podemos continuar, isso é meio-

Eu sou interrompido pelo som de um leve estrondo, emanando do bosque que ficava ao lado esquerdo da floresta. 

LILITH: O que foi isso?


ROB: Nós não vamos ficar aqui esperando para descobrir.

Rob religou o carro e começou a dirigir pelo caminho. Menos de cinco segundos depois, pisou no freio mais uma vez, parando o carro quando um pequeno grupo de três ou quatro cervos surgiu repentinamente na nossa frente. Ouvimos mais um passando na parte de trás do Wrangler, batendo contra as costas do jipe enquanto dividiam apressadamente o espaço entre nós e Bluejay.


Enquanto Rob tentava religar o carro, olhei pela janela em direção da floresta, finalmente ciente do que estava ouvindo entre as árvores. O som ensurdecedor de cascos martelando contra a terra, passando pela vegetação rasteira, lutando por entre as rochas e galhos em nossa direção. Em pouco tempo, a floresta mudou de uma escuridão vazia para uma energia violenta e caótica, enquanto uma horda ininterrupta de cervos frenéticos explodia por entre as árvores.

Rob tenta falar para termos calma, mas nem dá tempo.

O caminho à frente é inundado por centenas de veados, uma torrente ininterrupta que bloqueia o feixe de luz dos faróis. Lilith se afasta da porta, enquanto batidas altas e agudas vibram pela estrutura do Wrangler. Os cervos, trancados por sua corrida desesperada e com pouco espaço para manobrar, estavam correndo e dando de cabeça no Jipe. Um dos menores saiu da floresta e atingiu o metal verde profundo logo abaixo da minha janela, fazendo o vidro tremer.  Achei ter ouvido o pescoço dele estalar.


Os que ultrapassavam os carros não tinham um fim melhor. Presos em um estado frenético e forçados por seus companheiros igualmente desesperados, só posso assistir enquanto eles se jogam pela borda da encosta íngreme. Incontáveis corpos se chocam contra a escuridão, levados para o que só posso supor ser uma massa tumular de corpos retorcidos e entrelaçados.

LILITH: Rob, nos tire daqui!

ROB: Não dá pra passar por eles, fique abaixada!

BLUEJAY: O que diabos está- Socorro!


O Bluejay parecia aterrorizada. O Wrangler estava definitivamente levando uma surra das criaturas desesperadas, mas ainda estava conseguindo se manter firme. Quando olho para trás em direção a Bluejay, vejo uma história completamente diferente. O carro estava em um ângulo, empurrado para perto da beira do penhasco pela força do impacto coletivo do bando. O lado do passageiro estava a mostra, cravejado de lustrosas marcas vermelhas, amassados e arranhões. As criaturas passavam correndo por ela, desajeitadamente escalando seu capô e martelando as portas do carro.

Bluejay gritava para pelo rádio, colocando a mão por cima dos olhos quando um dos pneus da frente do carro passou pela borda da estrada. Felizmente para ela, quando olho novamente para a floresta, vejo que estava drasticamente vazia. A inundação de quadrupedes diminuiu, e os últimos cervos estavam passando pelas árvores e atravessando a estrada, a posição desses na retaguarda do bando, proporcionando espaço suficiente para manobrar ao redor do comboio.

ROB: Ferryman para Bluejay, venha para cá, temos que ir agora.

BLUEJAY: Que porra foi essa? O que f-

ROB: Era apenas um rebanho de cervos, Bluejay, mas estavam correndo muito e eu não quero me encontrar com quem estava provocando a fuga. Nós não temos tempo, venha até aqui AGORA!

Não podíamos ouvir mais nada pelo rádio, exceto por estática e alguns suspiros sem fôlego de medo.


ROB: Ah droga! Vocês duas fiquem aqui. Lilith, me passe o rifle, não vou dar chance para o azar.

Lilith pegou o rifle e entregou para Rob. Pegando algumas munições suplementares do porta-luvas, Rob saiu e bateu a porta, marchando pela estrada de terra até o carro arruinado de Bluejay. Subi na parte de trás do Wrangler, lutando contra uma pilha de galões vazios e observando a cena.


Em um esforço quase hercúleo, Rob abriu a porta do lado do passageiro e estende a mão para Bluejay. Eu olho enquanto ela solta o cinto de segurança, saindo rapidamente, e imediatamente se jogando nos braços de Rob. Chorando, com os olhos esbugalhados e batendo no peito dele com os dois punhos cerrados. Parecia perturbada, aterrorizada e violentamente brava.

Rob ficou lá parado recebendo sua frustração, sussurrando garantias vazias de segurança para  ela enquanto Bluejay descarrega seu medo e desgosto em cada golpe de lamento.

LILITH: Vamos, Bluejay, temos que ir.

Lilith falou baixinho, esperando que o surto de Bluejay termine logo. Olho para ela, silenciosamente compartilhando de sua impaciência. Então, algo me chama a atenção, algo ao longe, atrás de Lilith, lentamente correndo por entre árvores.

Me virei e fui rapidamente para a frente do carro, pegando o rádio.


AS: Rob, volte para cá.Tem alguma coisa na floresta.

Ouvindo minha advertência pelos alto-falantes do carro de Bluejay, Rob se virou na minha direção antes de olhar fixamente para a floresta onde uma figura pálida estava indo em direção aos dois. Pelo que posso averiguar quando a coisa sai brevemente da vegetação rasteira, parecia ser pequeno, tremendamente magro e rastejava-se de uma maneira desigual usando as mãos e os pés.

A criatura parou em uma clareira à frente de Rob e Bluejay, diante de mim e Lilith, mas envolto  pelas sombras da floresta. Bluejay se soltou de Rob, puxando uma lanterna de sua bolsa. Lentamente, e com os dedos trêmulos, ela aponta para a criatura e a liga o feixe de luz.


O então cenário era incompreensível. O feixe instantaneamente iluminou a pequena estrutura de uma criança magra, quase raquítica. Devia ter pouco mais de um ano de idade, fatalmente pálido, coberto de terra e sujeira, sua pele tensa sobre os membros frágeis. Ele olhou para Bluejay, reflexivamente colocando um braço na frente dos olhos para se proteger da luz ofuscante.

LILITH: Meu Deus, o que está acontecendo com ele?


Entendi exatamente sobre o que Lilith se referia. Tapei a boca com as mãos enquanto via a criança se revirar iluminada pelo feixe de luz branca. A cada passo, a forma da criança começa a mudar e se transformar. Seus membros se alongavam em explosões aceleradas de crescimento. Qualquer coisa exposta a luz se desenvolvia com uma rapidez grotesca. Era como se a criança estivesse envelhecendo diante dos nossos olhos.

Deixando escapar um grito torturante, a criatura correu em direção de Bluejay, arrancando a lanterna de sua mão com raiva. Bluejay gritou de choque e dor enquanto segurava sua mão ferida, sua atenção na criança, que aparentemente envelhecera quase três anos em questão de segundos. Mesmo na escuridão repentina, com sua lanterna destruída no chão, pude ver que Bluejay estava paralisada por um medo que a consumia. 


Rob não hesitou. Reflexivamente, agarrou Bluejay e a puxou para trás em direção aos faróis do carro dela. A criatura estendeu a mão para eles enquanto iam, uma das mãos ficou no feixe de luz. Se afastou rapidamente, seus olhos cheios de lágrimas juvenis de cortar o coração. Os dedos da mão esquerda envelheciam e o resto do corpo não.

Seus gritos começam de novo. Por mais horrível que pareça, a criança não parecia malévola ou demoníaca. Na verdade, enquanto olhava para o Bluejay, parecia genuinamente triste, incapaz de compreender as ações daqueles que o rodeavam. Enquanto olhava com tristeza para os dedos recém crescidos, não era difícil acreditar que as transformações eram tão dolorosas quanto perturbadoras.

ROB: Fique na luz, Bluejay. Continue andando.


Bluejay se afastou de Rob e correu em direção ao Wrangler. Assim que ela começou a fugir, a criança soltou um grito agudo e bateu no capô do carro do Bluejay. O impacto do golpe é incrivelmente forte. Em menos de um instante o chassi se transformou em uma massa de metal irregular, a luz do farol restante desapareceu de vista quando o carro foi jogado ribanceira abaixo, em direção do vale.

Com Rob e Bluejay novamente na escuridão, a criança correu rapidamente em direção de Bluejay, agarrando seu pé enquanto o levantava do chão, e puxando-a para trás. Sem conseguir se apoiar no chão, não tendo nenhum lugar para ir senão para baixo. Bateu-se contra a terra, seu queixo chocando-se em pedra afiada.

Bluejay olha para nós com olhos assombrados e suplicantes. Lilith e eu tivemos apenas alguns segundos para compartilhar seu olhar antes que ela fosse arrastada pelo chão. Ela gritava de dor, seu tornozelo preso no aperto de ferro da criança. Ele nem sequer diminuiu seu ritmo enquanto caminhava de volta para a floresta, puxando Bluejay como uma boneca de pano.

Rob estendeu seu braço, agarrando a mão de Bluejay enquanto ela se contorcia e se debatia contra aquela força imparável. Eles se encostam, brevemente, mas o esforço de Rob para segurá-la é inútil, e logo que ela foi puxada sem esforço para longe de suas mãos. Bluejay começa a cravar suas unhas chão, levando consigo um pouco da terra grossa e escura e algumas pedras soltas pelo caminho. 

Rob pegou seu rifle, macabramente girando-o para a frente. Enfiou a mão no bolso do paletó e carregou uma só bala. 


Bluejay olhava enquanto Rob apoiava o rifle em seu ombro e apontava para a parte de trás da cabeça da criança alheia a nova situação. 

LILITH: Ai, meu Deus.

Lilith se afastou da janela, se isolando da insanidade da situação do lado de fora do carro. Eu mal conseguia olhar para mim, enquanto Rob colocava o dedo no gatilho.

O tiro nunca foi disparado. 

Bluejay gritou quando a criança chegou no limite de entrada das árvores, puxando-a pela vegetação rasteira. As mãos dos Rob estavam tremendo, incapazes de fazer o que precisava ser feito. Xingando em voz alta para o nada, Rob deixou o rifle cair no chão. Ficou imóvel enquanto os gritos de Bluejay continuam a emanar através das árvores.


Sua expressão era imitada por todos na estrada. Como todos, ele não está mais presente, perdido para um reino de desesperança e perplexidade. Mas ao contrário de muitos outros, não fica assim por muito tempo. Ao contrário do resto de nós, Rob Guthard consegue sempre se recuperar.

ROB: Bristol! Tem uma lanterna na mochila verde. Pegue!

Não tive tempo para hesitar. Vasculhei o conteúdo do Wrangler desesperadamente, os gritos do Bluejay se tornando cada vez mais distantes a cada segundo que se passava. Localizando uma grande sacola verde no canto mais longe de mim, rastejo pelo Wrangler, abro o zíper e despejo seu conteúdo. Uma lanterna de LED pesada bate no chão do jipe e eu a seguro antes que role para de baixo do banco. 

Me voltando para Rob, abri as portas dos fundos e pulei para a estrada de terra, jogando a lanterna na direção da mão estendida de Rob. Assim que a pegou, Rob correu para a floresta, deixando eu e Lilith para trás.


Os eventos que se desdobram entre as árvores são contados a nós via som e luz.

Depois de quase um minuto de silêncio, os raios da lanterna irromperam por entre as árvores. Os guinchos distantes do Bluejay se intensificam quando a criança começa a chorar profundamente. Um grande estrondo ecoa através do ar da noite, sons das cascas de árvore se despedaçando quando as próprias árvores se estilhaçavam em farpas. A luz dançava caoticamente, enquanto Rob soltava um rugido assombroso e corrompido. De repente, o choro desolado da criança se torna mais distante, recuando profundamente na floresta. Então, de repente, silêncio.

LILITH: Bristol ... o que está acontecendo?

AS: Eu não sei. Fique no carro.

Nós esperamos pelo que pareceu ser uma eternidade, perdida em nossas preocupação, até que um barulho suave entre o matagal chamou nossa atenção para a linha das árvores. Um momento depois, Rob emergiu do bosque, segurando o braço de Bluejay em volta de seu ombro.

LILITH: Ah, graças a deus. Graças a deus!

O par tropeçou em nossa direção, lenta e dolorosamente. Bluejay andava mancando, seu tornozelo estava horrivelmente machucado. Rob ostentava uma série de cortes em seu rosto, mas parecia estar bem. Fala então conosco, totalmente exausto.


ROB: ... Não foi nada.

Um sorriso irreprimível cresceu em meu rosto, uma careta feliz. Levei a mão até os lábios enquanto lágrimas de um alívio desenfreado começaram a rolar pelas minhas bochechas. É um momento breve em uma noite escura, mas pela primeira vez conseguimos passar pela tempestade, golpeados e quebrados, mas no mínimo, ainda juntos.


Bluejay caiu no chão, soltando-se do aperto de Rob e incapaz de aguentar seu próprio peso. Rob se virou para procurar aonde estava caída e a encontra rastejando lentamente em direção à ribanceira.

ROB: Bluejay? Denise, você está bem?

Bluejay parou de rastejar, colocou as mãos no chão e se levantou cambaleante. Quando finalmente estava em pé, se virou para Rob, colocando o rifle no ombro e mirando no peito dele.

Meu sorriso desapareceu.

ROB: Denise. O que você está... abaixe essa arma.

BLUEJAY: Era uma criança, Rob. Era uma criança ... o que você fez...

LILITH: Meu deus, Bristol, o que está acontecendo?

AS: Fique no carro, Lilith.

ROB: Denise... você viu tudo que eu vi. Você viu o que aconteceu.

BLUEJAY: Ele... se rasgou na minha ... A pele dele se rasgou! Como... Por que você está fazendo isso?!

ROB: Denise. Denise, você sabe o que viu, não é? Você sabe que isso é real. Nós não estamos fazendo isso para te enganar. Está realmente acontecendo... para todos nós. Está-


Rob olhou para Bluejay, depois para o rifle, a boca da arma apontada para seu peito.

ROB: Ok, ok. Que tal virarmos os carros? Agora. A gente volta e vou levá-los de volta para casa e vou deixá-los do outro lado do túnel... são e salvo. Só quero te levar pra casa em segurança ...o que você acha?

Bluejay olha nos olhos de Rob, o rifle tremendo em suas mãos. Todos nós esperavamos, mal conseguindo respirar, pela resposta de Bluejay.

BLUEJAY: ... Eu não acredito em você.


O tiro ecoou ao nosso redor. Rob caiu de joelhos. Um olhar de surpresa e descrença foi esculpido em seu rosto. Uma mancha vermelha-escura floresceu ao redor do ombro dele. Não havia ar em meus pulmões. Meu corpo inteiro estava paralisado pelo choque, pela injustiça, pela absoluta impossibilidade da cena diante de mim.

Eu ainda não entendia como aquilo podia estar acontecendo.

LILITH: MEU DEUS! Meu Deus! Não!

Bluejay rapidamente caminhou até Rob, pegou um punhado de munição do bolso do peito e recarregou o rifle com uma eficiência de quem sabia o que estava fazendo. Havia parado de tremer, na verdade, havia uma convicção calma em seus movimentos que me dizia, quase instantaneamente, de que eu poderia estar prestes a morrer.


Mergulhei de volta para dentro do Wrangler, batendo a porta atrás de mim. Encontro Lilith paralisada por um choque imediato.

AS: Nós precisamos ir. Lilith? Nós precisamos ir, ok?

LILITH: Eu não... eu não entendo.

BLUEJAY: Saiam do carro, vocês duas! Eu vou matá-lo! Eu vou matá-lo!

LILITH: Você acha que ela vai nos matar também?

AS: Não. Não… ela ia atirar em Rob no peito, mas ela apontou mais para cima no último minuto. Ela está apenas negociando.

LILITH: Negociando?

AS: Ela nos quer fora do carro. Acho que ela o Wrangler.

LILITH: Se ela nos deixar aqui, vamos morrer de qualquer forma.

Eu sabia disso.

LILITH: Bem, nós… não podemos lutar contra ela… uma de nós iria...

BLUEJAY: Saiam da porra do carro, vocês duas! Quero as mãos das duas para cima!

AS: Está tudo bem, tudo bem. Aqui, pegue isso. 

Me abaixei e peguei o walkie talkie, colocando nas mãos de Lilith.

AS: É uma corrida curta até a entrada do bosque. Precisamos dar a volta no carro, então entramos na floresta assim que vermos uma abertura, ok?

LILITH: Eu… eu não consigo fazer isso, Bristol.

AS: Eu sinto muito, Lilith. Você vai ter que fazer.


Gentilmente abri a porta do lado do motorista, descendo e caminhando ao longo da margem lamacenta, continuando abaixada para não ficar na linha de visão de Bluejay.

Lilith saiu logo atrás de mim, fechando a porta suavemente atrás de nós. Sem fazer barulho, consciente de todas as folhas secas pelo chão, gesticulei para que possamos dar uma olhada por cima do capô do Wrangler. Lilith foi primeiro, ficando abaixo das janelas, indo até a frente do carro e dobrando. Do capô do Wrangler, podíamos ir direto para as árvores.

BLUEJAY: Não brinquem comigo!


Antes que eu possa me aproximar de Lilith, a paciência de Bluejay chega no limite. Eu pude ouvir seus passos no chão áspero enquanto ela caminhava até o Wrangler. A situação rapidamente ficando fora do meu controle, só há uma coisa que eu podia fazer para impedir que fossemos descoberta.

AS: Estamos saindo!

Estiquei minhas mãos para cima e me levantei, indo até a parte de trás do Wrangler. Bluejay parou de andar, antes que chegasse perto o suficiente para perceber a presença abaixada de Lilith. Ela se virou para mim, colocando o rifle apoiado em seu ombro. Um momento depois, ouço Lilith sair de seu esconderijo, correndo para as árvores.


Bluejay rapidamente percebeu o que estava acontecendo, e com um grito violento de frustração, virou o rifle em direção das árvores. Lilith já tinha desaparecido na floresta escura, fora de alcance e fora de vista. Preferi não tentar apressar o Bluejay no meio dessa distração, e foi bom não ter feito isso. Percebendo que já havia perdido Lilith, Bluejay rapidamente gira nos tornozelos e aponta o rifle para meu peito.

BLUEJAY: Eu sabia que vocês estavam todos juntos nisso, seus monstros malditos!

Seus olhos estavam praticamente saindo das órbitas, todo o rosto contorcido em um ódio malévolo. Mesmo depois de todos aqueles dias na estrada, nunca tinha visto uma expressão semelhante. 

AS: Você não está bem, Bluejay.

BLUEJAY: Não. Não. Eu só não estou disposta a cair nos seus malditos truques!

AS: Como isso tudo poderia ser um truque, Bluejay? Como? Apollo, Eve, Bonnie. Você viu o que aconteceu com eles. Está além do nosso entendimento, meu e seu.


BLUEJAY: Não existe magia, porra! Apenas idiotas, fraudes e malditos enganadores! 

Lá estava. Em uma frase, o gatilho da insanidade de Bluejay. A crença inflexível que havia despedaçado sua mente contra um turbilhão de contradição. Com cada evento impossível que ela testemunhou, cada morte brutal que se desdobrou em sua frente, o ceticismo inabalável de Bluejay a impedia de culpar o sobrenatural, de culpar a estrada. Em vez disso, ela nos culpava, um grupo de conspiradores que estava diminuindo rapidamente, cujos crimes haviam rapidamente passado do engano para a imprudência, até assassinatos reais.

Pela percepção dela, éramos os únicos monstros nessa estrada. Isso não era loucura. Era defesa pessoal.

AS: Não importa mais. Você pode ir para casa, ok? Mas apenas... pelo menos leve Lilith com você. Por favor. Ela não faz parte disso.

BLUEJAY: Eu não sou retardada, Alice. Você acha que eu não tenho observado? Vocês são todos cúmplices e, por mim, vocês pode voltar andando!

AS: Desculpe, eu acho que não posso deixar você fazer isso.

Ela riu, uma risada sarcástica e feia. Segurando o rifle firmemente.

BLUEJAY: Não entendo como isso possa ser uma decisão sua.


AS: Bem… esse sempre foi seu problema, não é Denise? Você não tem imaginação.

Dei um passo para trás, permitindo que a gravidade me levasse até o limiar da íngreme e escura encosta. Nos últimos segundos, antes de cair na escuridão, fecho os dedos da mão esquerda.

Quando eu estava com as duas mãos para cima, as palmas das minha mãos estavam viradas para ela, e Bluejay poderia facilmente ter confundido o metal em volta do meu dedo com um anel. Enquanto caio na ribanceira, os olhos de Bluejay se fixam no meu punho agora fechado, enquanto vê o que está preso ao anel. Um abridor de garrafas, uma pequena lanterna LED e a chave de ignição do Wrangler.


Eu desapareço pela beira da estrada, me preparando para o que estava por vir. Com mais nada para fazer, me entrego à longa queda, seguida na escuridão pelos gritos enfurecidos de Bluejay.

FONTE

PRÓXIMA QUARTA-FEIRA (12/09/2018), Alguém já ouviu falar do Jogo da Esquerda/Direita? (PARTE 8) ESTARÁ DISPONÍVEL A PARTIR DAS 08H00! 

Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigada! Se gostou, comente, só assim saberemos se você está gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião!

20 comentários :

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    1. Acho que vou testar também ahsuashash

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    2. Acho que tambem vou testar, vai que da certo

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  2. sempre odiei essa merdinha da Denise

    Rob deveria ter deixado ela morrer. >:c

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    1. Pois é, se tivesse morrido as coisas estariam bem melhores

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  3. Caaaaaaaaaaraaaaca que final de capítulo. Essa série fica cada vez melhor.
    Obrigado Divina!

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  4. NAONAONAOANAOAJAKAOAJABAJAANANOAAKOANAOAAOAKABANAJJ ROB, GENTE, PELO AMOR DE DEUS NAO POR FAVOR, DENISE SUA FILHA DE UMA PU*A, ROB, NÃO GENTE NÃO PODE ACABAR ASSIM, EU TAVA COM UM CRUSH NELE NAO DA, NAO, ESPERANDO O PRÓXIMO PRA ESSA DENISE MORRER LOGO DEMONIA

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    1. NÃO É POSSIVEL QUE ELE MORRA ASSIM ;;; AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA

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  5. Merda de bluejaaaaaaaay morre logo desgraça, só fez merda a série inteira, agora vai fuder com o resto do grupo

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  6. Bluejay é a pessoa mais chata nessa historia toda, sim, claro ou óbvio?

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    1. Eu estou achando o desenvolvimento dela como personagem um dos mais interessantes depois da Bonnie, do Clyde e da Alice.
      Pelo que ela está fazendo, certeza que vai pagar de alguma forma, entae aguarde e confie~

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  7. Passando mal em plenas 03:16 da manhã.
    Por Deus, eu espero que o Rob não tenha morrido. Ele tomou um tiro no ombro, mas não foi dito que morreu específicamente.
    A esperança é a última que morre, não é mesmo?
    Alice tem me surpreendido cada vez mais com seu desenvolvimento monstruoso durante a narrativa.
    Ansiosa pela proxima parte.
    Obrigada, Divina.

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  8. Vamos razer um mutirão de preces para o Rob gente.

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  9. É tudo um sonho...
    É verdade esse bilete.

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