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Meu nome é Mitch e eu sou um alcoólatra.

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Bem, pelo menos é isso que eles querem que você diga quando vai em um encontro dos Alcoólatras Anônimos. Veja bem, sou o que chamam de "alcoólatra funcional". Tenho um emprego, hobbies, amigos e, mais importante, uma família. Eu nunca aceitei completamente que tenho um problema com bebidas, porque, bem, não pode ser realmente um problema se eu ainda tenho todas essas coisas, certo? Certo.

Bebo desde da tenra idade dos dezesseis anos (valeu, pai), e até hoje, com quarenta e um anos, nunca fui preso ou hospitalizado ou qualquer outro tipo de coisa que você ouve falar que acontece com alcoólatras.

Mas, é claro, não vou dizer que beber nunca me trouxe alguns "probleminhas". Minha esposa, Lauren, sempre foi cautelosa em relação a minha relação com a bebida, principalmente depois que nossos dois filhos, Eric e Nelly, surgiram em nossas vidas. Eu os amo com todo meu coração, e é por isso que concordei em fazer coisas que me "ajudem" com meu "problema" com bebidas. Já estive nos Alcoólatras Anônimos, reabilitação ambulatorial, aulas e palestras, e até um programa especial de trinta dias. Conversei com conselheiros, psiquiatras... mas no final das contas só estou fazendo isso para manter a paz em casa. 

Olha, mais de vinte anos de bebedeiras não é só alegrias. Tive que aumentar a quantidade de vodka que tomo por causa da tolerância que adquiri com os anos. Agora eu bebo desde o momento em que acordo e abro meus olhos até se fecharem enquanto desmaio de noite. Ninguém nunca me avisou sobre as crises de abstinência. De começo era tremedeiras e suador, mas com o passar dos anos se desenvolveu em tudo desde vomitar até crises de ansiedade. Mas não passo muito por isso... sendo que o álcool está em meu sistema todos os dias desde o momento em que acordo. Cara, eu nem sequer sinto mais o gosto! (Acho que minhas papilas gustativas estão mortas... é, bem... é uma coisa a menos para se preocupar!) 

Mas você deve estar se perguntando: e o trabalho? Não é difícil de conciliar as coisas quando se trabalha de casa. Meus chefes nem sequer sabem que tem algo de errado... Sou tão bom assim no que faço. Pra ser sincero, sou até melhor no que faço quando estou meio tonto. As crianças estão no Ensino Fundamental, e Lauren trabalha das oito às cinco. Beber é muito mais fácil quando se está sozinho em casa. 

É claro, não temos nenhum tipo de álcool em casa... Lauren ficaria triste se soubesse que ainda bebo.  Então armazeno minhas pingas por toda casa nos meus "esconderijos". Minha rotina é bem simples: acordo antes de Lauren todo dia (normalmente porque a abstinência faz com que eu já esteja de pé depois de apenas seis horas de sono) e termino com seja lá o que tenha sobrado. Isso me garante não ficar tremendo até que ela saia perto das oito da manhã.  As crianças já estão no ônibus por essa hora (não se preocupem, eu não dirijo bêbado com meus filhos no carro... não sou um monstro) e faço meu caminho até a loja de bebida mais próxima. É menos de um quilometro de distância, então vou caminhando para que eu possa já estar lá quando abre, as nove. Bebo todo dia, desmaio, e repito. 

Bem, hoje foi um pouco diferente. Eu comprei um pouco demais ontem, então tinha vodka o suficiente em casa. Não precisei sair! Tomei os primeiros goles direto da garrafa e arrumei as crianças para o colégio. Lauren estava um tanto quanto distante hoje, mas fiquei aliviado quando ela saiu sem falar uma palavra. Achei que tinha me pego... ou pelo menos estava suspeitando que eu estava bebendo. Mas não falou nada, então.. ufa!

Era por volta das duas da tarde quando a campainha tocou. Sai de perto do meu computador e da minha garrafa de vodka e andei até a porta. Notei que estava meio tremulo hoje, então minha tolerância devia estar nas alturas. Olhei pelo olho mágico e vi um homem baixinho e careca de pé na minha porta. 'Quem diabos é esse?' pensei, mas enquanto julgava-o, já estava com a porta aberta.

"Olá, Mitch. Eu sou o Sr.White. Eu gostaria de entrar e conversar alguns minutos com você."

"Sobre?" Respondi, começando a ficar um pouco agitado sobre ter aberto a porta para um vendedor ou algo do tipo.

"Na verdade, estou aqui a pedido da sua família." 

'Porra,' pensei. Eles perceberam que eu estava bebendo e mandaram alguém para fazer uma intervenção. Acho que vou deixá-lo entrar e depois tentar amenizar a situação.

"Bem, entre!"

Ele entrou e fechou a porta. Escoltei-o até a sala onde antes estava trabalhando. Sentei e gesticulei para que ele sentasse à minha frente. Se sentou e olhou em volta por um momento, parando quando deu de cara com minha garrafa cheia de vodka. Um sorriso fino, porém condescendente, surgiu em seu rosto. 

"Sua família está preocupada com você, Mitch." 

"Estão?" Respondi, tentando soar inocente. 

"Você não é tão sorrateiro quanto acha ser, Mitch. Lauren sabe que você ainda está bebendo. Seus filhos sabem que tem algo errado. Não é tão difícil de ver... ou de sentir o cheiro do seu problema." Sr. White disse, torcendo o nariz. 

"Não é tão ruim," falei, "Eu faço o que tenho que fazer e ainda sustento essa família. " Peguei minha vodka e tomei alguns goles. 

"Seus filhos estão com medo, Mitch. Sua mulher está no limite. Na verdade, estão vindo para cá agora."

Ouvi a porta da frente abrindo e Lauren entrou. Meu coração começou a acelerar. Eric e Nelly estavam atrás dela. Olhei para o relógio. Cinco da tarde. Como isso aconteceu? Lauren e as crianças sentaram ao lado do Sr. White. 

"Eu...eu...eu... eu não sei o que dizer." 

Lauren finalmente falou, "Mitch. Eu sei que você anda bebendo. Eu só quero te ajudar. NÓS só queremos te ajudar." 

Comecei a chorar. "Eu não sei mais o que fazer..."

Lauren se levantou e andou até mim. "Está tudo bem, Mitch. Estou aqui para te ajudar. NÓS todos estamos." Por que ela estava falando daquele jeito? 

Enquanto eu olhava para ela, lágrimas em meus olhos, notei um brilho negro em seus olhos. Me pegou de surpresa, então olhei na direção de Sr. White e das crianças. Mas não eram meu pequeno Eric e minha pequena Nelly que estavam ali. Chifres haviam crescido em suas cabeças. Me olhavam com os pescoços inclinados... sorrisos macabros. Olhei de volta para minha esposa, que sorria para mim com seus dentes pontudos e afiados.

"Estamos aqui para te ajudar, Mitch." Lauren disse, sorrindo ainda mais. Me levantei, tremendo, suando... meu coração disparado, me afastando do que seja lá o que havia entrado na minha casa. Não era minha esposa... não eram meus filhos. Senti o vômito indo para minha garganta e corri para a pia da cozinha. Vomitei algo que parecia ser sangue, e notei milhares de pequenas aranhas nadando ali. Olhei para o Sr. White, de pé ao meu lado, estranhamente sereno. 

"Essa não é sua esposa, Mitch. Esses não são seus filhos. São monstros... Acho que podemos chamá-los de seus demônios. Posso te ajudar a se livrar deles." 

"Como?" Perguntei, me contorcendo todo. 

"Com isso." Sr. White me entregou uma enorme faca de cozinha. Eu agarrei de sua mão e olhei-a. Mas não deve ter passado de três segundos até que Lauren entrasse na cozinha. 

"Querido, você está bem?" Perguntou, mas não era mais ela. Se parecia com ela, mas sua voz era mais grossa. E seus olhos... meu deus, seus olhos haviam desaparecido. Eric e Nelly estavam atrás dela, ainda com os pescoços jogados desumanamente para o lado e sorrindo. "Queremos te ajudar!" Ela gritou, e os três correram na minha direção. Comecei a cortar e esfaquear tudo na minha frente. Tudo que ouvia eram grunhidos e gritos. Esfaqueei e esfaqueei até que tudo que eu ouvia era a minha respiração ofegante. Sr. White havia sumido. Foi nesse momento que desmaiei.

Fui levado para o hospital. Tentei levantar, mas instantaneamente percebi que estava algemado na cama. Intravenosas nos meus braços. Deitei novamente... feliz que tudo tinha acabado. 

"Mitch Tyler. Está no leito 3." Olhei e vi um médico falando com um policial. 

"Ele ainda está apagado?" O policial perguntou. 

"Sim, está. Exame toxicológico voltou indicando que não haviam traços de drogas ou álcool em seu sistema, mas estamos mantendo-o levemente sedado." 

"Faz sentido. Mas é uma pena. A esposa e os filhos foram encontrados junto com ele, desacordado. Esfaqueados até a morte. Ainda não sabemos a motivação, mas sabemos que antigamente ele era alcoólatra. Mas o único líquido que conseguimos encontrar em suas garrafas era água." 

FONTE

11 comentários :

  1. Boa creepy, me pegou de surpresa ._.

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  2. Esse tema... Acredito que essas sejam as piores creepys pois são pessoas reais com problemas e tragédias reais. Alcoolismo é um tema muito delicado e até nescessario de se falar, e terrível conviver com pessoas que estão nessa condição e se sentir impotente por não saber ajudar.

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  3. Não entendi alguém explica? Por favor sem chingamentos 😉

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    1. O cara bebia pra ficar controlado. A esposa descobriu é trocou todo o álcool das garrafas por água, daí ele perdeu o controle e teve uma alucinação em que sua família virava demônios. Então ele os matou e desmaiou.

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    2. ele pode ter tido uma crise de abstinência e alucinou com a familia dele sendo demônios, e matou eles.

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