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Desafiei Meu Melhor Amigo a Arruinar Minha Vida (PARTE 2)

13 comentários
Parte 1


Oi de novo, gente.

Tive um pouco mais de tempo para escrever do que ontem. Desculpe pelo tamanho. Estou tentando acompanhar o presente o mais rápido possível, mas quero também incluir detalhes suficientes para que você possa ver o quanto David estava se empenhando.

Vou continuar de onde parei.

Enquanto eu ainda estava tentando resolver as disputas de crédito com essas empresas, as janelas do meu carro começaram a aparecer quebradas. Na primeira vez, estava estacionado na rua em frente ao meu apartamento. Acordei de manhã e encontrei a janela do motorista quebrada e meu carro invadido. Meu carro era apenas um Honda Civic meio merda, e eu nunca guardei nada caro lá dentro, mas roubaram meu aparelho de som, que era uma merda de qualquer jeito, e todos os trocadinhos que tinha no porta copos. Bem desesperados, né?

Consegui consertar minha janela naquele mesmo dia e decidi reservar uma boa quantia de dinheiro para comprar um aparelho de som decente, agora que eu tinha uma desculpa.

Na manhã seguinte, a mesma janela foi quebrada novamente. Mais uma vez, estava estacionado na frente do meu apartamento. Fiz o reparo relutantemente, e comecei a estacionar o carro no estacionamento subterrâneo do complexo de apartamentos. Olha, ninguém gosta desse estacionamento porque as linhas das divisões estão pintadas perto demais uma da outra, então não é  algo comum sair de lá com o carro um tanto arranhado. Decidi que era melhor do que mais uma janela quebrada, então tive que lutar por uma vaga naquela noite.

Sei que vocês vão me perguntar por que eu não chamei a polícia. Burrice, é por isso. Todos nós cometemos erros. Você tem sabedoria que vem com o conhecimento de saber toda história. Eu não sabia.

No dia seguinte, havia vidro espalhado por toda volta do meu carro. Não tinha sido só a janela do motorista dessa vez. O para-brisa dianteiro e o para-brisa traseiro estavam totalmente rachados. Passei algum tempo olhando para todos os outros carros da garagem. Nenhum outro tinha um arranhão sequer em suas janelas. Mas que porra é essa? Se um babaca aleatório estava quebrando janelas, eu era o seu alvo.

Notei o bilhete depois que entrei no carro. Era um post-it dobrado e enfiado no buraco da ignição. Abri. "Você tem que aumentar a sua exigência de esforço mínimo.", dizia. O fraseamento era intencional. David QUERIA que eu soubesse que era ele. E quando li aquela frase, lembrei-me de nossa conversa.

Aquele. Desgraçado.

Fiquei absurdamente puto da e cara saí do estacionamento, tentando o meu melhor para dirigir com o para-brisa todo rachado. Ainda me lembrava bem o caminho até à casa de David e ultrapassei um ou dois sinais fechados para chegar lá.

Estacionando na frente da casa, tranquei o caro e marchei até a porta da frente. Fiquei com o dedo pressionado na campainha por muito mais tempo do que o necessário. Tentei respirar fundo e permanecer calmo. David não ia colaborar se eu aparecesse gritando e xingando.

A mãe dele atendeu a porta alguns minutos depois. Os pais de David não tiveram filhos até depois de muito mais velhos. Como resultado, a mãe de David já tinha 75 anos, apesar de David ter apenas 23.

"Olá?" Ela falou, abrindo a porta. Então viu quem era. "Ah, Zander! Que coisa boa você aparecer! Não te vejo fazem semanas!" 

"É, faz... bem, faz quase um ano," suspirei. "Senhora K., David está em casa?"
"Não, querido. Ele está no trabalho agora." 

"Ah, tudo bem, vou até o cinema então encontrá-lo," falei, dando alguns passos em direção do meu carro.

"Não, não, ele não trabalha mais lá."

"Foi demitido?" Perguntei. 

"Não, se demitiu. Não muito depois de você. Ele agora é segurança em algum lugar, não me disse onde." 

"Eu vou dar uma ligada para ele," falei. 

"Ele trocou de número faz algumas semanas," me disse. "Deixa eu te passar o número novo." Ela entrou em casa e eu esperei na varanda. Voltou com um telefone muito antigo, e abriu a tela. 

"Se importa?" Perguntou, me entregando o telefone. "Minha artrite não ajuda muito com esses aparelhos." 

Entrei no contatos, procurei por David, coloquei seu novo número na minha agenda e devolvi o celular. 

"Obrigado,  Sra. K," falei. Mesmo que David estivesse agindo como um cuzão, eu sempre gostara de sua mãe. 

"Se precisar, só chamar", sorriu e fechou a porta. 

Liguei para David imediatamente, mas caiu direto na caixa de mensagens. 

"Oi David, é o Zander. Acabei de falar com a sua mãe e ela não sabia me dizer onde te encontrar então me passou se número. Por favor, me liga, cara. Acho que você sabe o motivo," foi a mensagem que deixei. Achei que ser educado era a melhor maneira de tentar ajeitar as coisas entre nós. 

No meio do meu expediente naquele dia, meu telefone tocou. Esperando que fosse David, fui até a rua e atendi. Era Clark. 

"Zander, você foi em lá em casa desde que saiu de manhã?"

"Não. Por quê?"

"Fomos roubados!"

"...Que?"

"Alguém invadiu nossa casa e roubou um monte de coisa. Seu computador, nossa TV, várias coisas, mano." 

"Filho da puta," falei. "Já ligou para a polícia?"

"Sim, estão a caminho." 

"Não toque em nada, tá bom?" Sugeri, lembrando de uns episódios de CSI que tinha visto naquela semana. "Talvez eles consigam achar digitais. Acho que sei quem foi."

"Quem?"

"Um ex-amigo. Te conto quando chegar em casa. Estou saindo daqui a pouco."

Falei ao gerente que meu apartamento tinha sido arrombado e ele me deixou ir para casa. Dirigi para casa com meus pára-brisas ainda quebrados, rezando para não ser parado por esse motivo.

Quando cheguei em casa, a polícia já estava lá. Fui até onde um policial estava entrevistando Clark enquanto outro olhava o apartamento.

O policial se virou para mim. "Você é um dos colegas de quarto?" Me perguntou.

"Este é Zander", disse Clark.

"Meu parceiro está vasculhando o apartamento. Uma técnico vai vir procurar por digitais. Vamos precisar que vocês  façam um inventário de tudo o que foi roubado e entreguem na delegacia depois do técnico passar por aqui."

"Tenho um suspeito", falei. O policial ergueu as sobrancelhas. "O nome dele é David King. Costumava ser um bom amigo meu, mas recentemente suspeito que ele está fazendo todo tipo de coisas contra mim. Acho que ele roubou minhas informações e dos meus pais para fazer cartões de crédito, danificou meu veículo várias vezes e agora invadiu minha casa." Clark me lançou um olhar questionador.

"Por que você acha que ele está fazendo tudo isso?" O oficial perguntou.

"Eu encontrei isso na ignição do meu carro esta manhã com as janelas quebradas", entreguei o bilhete dobrado do meu bolso. Ele leu.

"Por que acha que ele escreveu isso?" Perguntou.

"Tivemos uma conversa cerca de um ano atrás onde estávamos falando dos mínimos requisitos para alcançar o sucesso e como a escola fazia nossas vidas serem muito mais fáceis porque havia consequências se não fizéssemos os mínimo de esforço," expliquei. Parecia que aquela explicação tinha passado voando por cima da cabeça do policial. 

"Vamos ver se tem digitais nisso também," foi tudo que disse, pegando um saquinho de evidências do cinto e colocando o bilhete lá dentro. "Vá até a delegacia com a lista de pertences sumidos e esteja pronto para fazer um boletim de ocorrência contra seu amigo." Concordei.

Naquele momento, o outro policial saiu de nossa casa sem nada a relatar. O técnico chegou e começou seu trabalho. Esperamos pacientemente, ansiosos para ir ver o que havia sumido. 

"Vocês deviam mesmo sempre trancar a porta de seus quartos," o policial falou. "Dois quartos dos seus colegas estavam trancados, então duvido que algo tenha sido roubado deles. Mas mesmo assim, peça que eles verifiquem se algo está faltando." 

Concordamos, e o técnico finalmente terminou e disse que em alguns dias o resultado sobre as digitais ficaria pronto. 

A casa parecia vazia. Apenas o maior sofá dos três que tínhamos agora estava na sala. A TV, que era de plasma com 65'' polegadas, não estava mais lá. Não havia comida na dispensa, até as coisas de geladeira estavam espalhadas pelo chão. Talheres espalhados pelas bancadas e pelo piso.

"Onde diabos Isaac e Jackson estavam?!" Clarck gritou com raiva. "Eles sempre estão em casa!" 

"Devíamos ligar para eles," falei. 

"Não tenho o número deles," Clark respondeu. 

"Bem, nem eu," falei, andando em direção do meu quarto. Tinha sido levado todas as coisas de valor. 

Meu computador, mouse, teclado, cadeira profissional, algumas caixas com coisas aleatórias, e até minha bicicleta haviam sumido. Minhas gavetas estavam espalhadas pelo quarto, meu guarda-roupa claramente saqueado, e minhas cobertas jogadas do outro lado do quarto. 

Ouvi uma explosão de palavrões vindo de Clark. "ELE LEVOU A PORRA DO MEU XBOX, AQUELE FILHO DA PUTA!" 

Me sentindo chocado, derrotado e anestesiado, sentei na cama. Liguei para Katie para contar o que havia acontecido. Não atendeu. Mandei uma mensagem de texto, "Minha casa foi assaltada," e fiquei só lá, olhando a parede, pensando. 

David King tinha estado na minha casa. Roubou minha identidade, minha imagem pública, e agora minhas coisas. 

Era hora de virar o jogo. Não, não o jogo. Minha vida. Hora de parar de deixar a vida passar e ultrapassar o mínimo de esforço exigido. 

Durante o resto do dia, aprendemos bastante sobre encanamentos. David tinha afrouxado todos os canos que encontrara pela casa. Clark descobriu isso depois que puxou a descarga e isso resultou um tsunami no banheiro. Passamos horas limpando. Para arrumar os canos, precisamos sair e comprar ferramentas que não tínhamos. Quando meu cartão foi recusado, Clark pagou. 

Meu cartão sendo recusado me deixou preocupado. Clark e eu fomos até a biblioteca local e tentamos acessar minha conta online. Bloqueada. Merda. Eu nem perdi tempo tentando redigitar a senha. 

Nos apressamos e fomos até a agencia antes que fechasse, e falei, já sem folego, com a atendente.

"Preciso... trancar... minha conta," ofeguei. 

"Qual o número da sua conta?" perguntou a atendente, que aparentemente se chamava Shauntelle.

Falei o número que já sabia de cabeça. Abriu os registros no computador. 

"Documento, por favor." 

Entreguei minha carteira de motorista. Digitou o número no sistema para verificar minha identidade, depois me devolveu. 

"Parece que sua conta está zerada", falou. "Você só pode congelar sua conta se tiver alguma quantia de dinheiro." 

"Eu fui roubado!" Gritei, me sentindo extremamente irritado agora.

"Você colocou todo seu dinheiro da conta para o cartão de crédito pelo aplicativo, depois retirou todo o dinheiro em um caixa eletrônico nessa tarde." 

"Não! Não fui eu!" Falei. "Eu fui hackeado!" 

"Se quiser fazer uma reclamação sobre transições fraudulentas, posso preencher um formulário agora."

"Sim. Tá bom. Faça." Falei grosseiramente. Clark me olhava preocupado, sentado em uma cadeira perto da porta. 

"Quando você notou essas transições estranhas?" Perguntou.

"Hoje, mas podem ter começado em qualquer momento no último ano," respondi. Ela levantou uma  sobrancelha, de um jeito que achou que eu não podia ver, e continuou digitando. 

Alguns minutos depois, olhou para mim. 

"Tá bom, preenchi o relatório de reclamação e enviei. Você receberá novas informações do departamento de fraudes logo." 

"E as câmeras dos caixas eletrônicos?" Perguntei. 

"Não tenho acesso, você precisa fazer um boletim de ocorrência."

"Sim, eu farei isso." Então eu e Clark voltamos para o carro e depois de volta para o apartamento. Nós teríamos ido para a delegacia de imediato, porém havia água vazando em diversos lugares da casa. 

Passamos mais algumas horas procurando por canos vazados e apertamo-os. Demorou horas porque precisamos pesquisar bastante para ter certeza que estávamos fazendo a coisa certa. 

Enquanto Clark inspecionava os canos debaixo da pia da cozinha, sentei à mesa e comecei a fazer a lista das minhas coisas que haviam sumido. Já eram nove da noite, então só iriamos até a polícia pela manhã. A nossa delegacia local não era 24 horas. Batemos na porta de Jackson e Isaac, mas não obtemos respostas. Ou não estavam em casa, ou estavam nos ignorando. 

"Sinto muito por todas essas fraudes que estão acontecendo," Clark disse, apertando o cano. "Você disse que sabe quem está fazendo isso? Quem é David King?"

"David era um amigo meu até cerca de um ano atrás," falei. Contei sobre os desafios e toda aquela conversa. 

"Vocês se desafiaram a arruinar a vida um do outro, e então ele levou isso a sério demais?" Clark perguntou, incrédulo. 

"Aparentemente," suspirei. 

"Então você não vai aguentar até o seu fim do desafio?" 

"Até o meu fim?" 

"Ele te desafiou primeiro, cara. E você nem sequer tentou?" 

"Bem... não. Acho que não." 

"Então vamos bolar um plano pra realmente destruir a vida dele!" Clark saiu de debaixo da pia e limpou as mãos. 

"Prisão seria bom," sugeri. "Se eu conseguir provar que ele roubou minhas informações, isso já resolveria o caso." 

"Verdade," Clark disse. "Mas temos que mostrar que você não vai ficar sentado esperando ele ferrar com você. Tenho uma ideia. Não irá arruinar a vida dele, mas vai perceber que você está reagindo." 

Fomos até uma loja de construção. Compramos duas latas de tinta preta spray e Clark pagou em dinheiro. 

"Tá, onde esse idiota mora?" Perguntou quando voltamos para o carro. 

"Clark, a mãe dele é uma pessoa maravilhosa. Não posso pintar a casa dela," respondi. 

"A mãe dele?!" Clark riu histericamente. "Um babaca que ainda vive com a mãe está te aterrorizando?!"

"Tá bom, tá bom, meu Deus!" Dei o endereço, e fomos. 

Passamos pela casa para ver se alguma luz estava acesa. Todas estavam desligadas. Até as da varanda. Estacionamos três quarteirões de distância da casa e fomos andando. 

"Qual o plano?" 

"Escrever "LADRÃO" na frente da casa," Clark sussurrou com um sorriso. "Isso deixará os vizinhos cheios de boatos."

Quando estávamos perto da casa do vizinho, nós nos abaixamos atrás de uma cerca e observamos a vizinhança. Tudo estava silencioso. Nenhuma movimentação, nenhum som, nenhuma pessoa. 

Ficamos abaixados e quietos e fomos até a frente da casa. Pintei o 'O' e Clark o 'L' e o intuito era ir escrevendo a palavra em conjunto na direção um do outro. Não demorou três segundos. Nos afastamos para olhar nosso trabalho. As letras deviam ter um metro e meio de altura, bem visível da estrada. Perfeito. 

Nos viramos em direção do carro. Então a porta da casa abriu. Olhei por cima do ombro. 

David Desgraçado King.

"Merda," sussurrei. Clark me ouviu e começamos a correr em direção do carro. David disparou pela calçada atrás de nós. Clark olhou para trás. 

"Meu Deus, meu Deus, meu Deus," Clark recitava a cada passo. Ele parecia preocupado de verdade.  

Enquanto nos aproximávamos do carro, Clark pensou me algo.

"Não pare," tentou sussurrar, mesmo já sem ar. "Eu tranquei as portas, vai demorar muito tempo para destrancar. E ele iria ver minha placa." Clark não tinha travas automáticas, tinha que abrir e fechar o carro com a chave. Concordei com sua lógica e passei correndo pelo carro como se fosse apenas mais um carro. 

Olhei para trás de novo, David estava nos alcançando. Estava escuro demais para ver sua expressão. Que inferno, eu nem sabia se tinha me reconhecido mesmo. 

"Vamos nos separar," resmunguei, virando à direita no jardim de alguém. Clark continuou reto. 

Quando cheguei no portão branco de plástico que ficava no final da propriedade, olhei para trás. David estava me seguindo, não Clark. 

Pulei a cerca escorregadia e caí do outro lado. Tinha aterrissado no quintal de outra pessoa. Comecei a correr em direção ao quintal da frente. Uma luz de detecção de movimento na parede disparou, me cegando. Olhei para trás de novo e vi David escalar a cerca em meio segundo. Quando diabos ele aprendeu a fazer aquilo?!

Virei a esquina da casa e joguei contra uma mesa e cadeiras de plástico. As cadeiras e a mesa caíram enquanto meu corpo ia junto. Meu coração estava batendo muito forte enquanto me levantar.

Foi quando David agarrou a parte de trás do meu pescoço e me empurrou para baixo, enfiando meu rosto contra a borda da mesa.





FONTE


Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigado! Se gostou, comente, só assim saberemos se você está gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião!

13 comentários :

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. to tenso esperando a próxima parte, essa história ta legal do uma nota 8

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  3. Talvez seja só impressão minha, mas me parece que o Clark tá trabalhando com o David

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  4. Quando sai o próximo? Tô nervouser demaisss

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  5. Este Comentário Foi Removido Pelo Autor.

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  6. Eu li a série no reddit, e é simplesmente genial!
    Pretendem traduzir a segunda parte da história?

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  7. O blog não tá mais postando as creeps? :( Acho que desde setxa não postaram mais ...

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