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Nunca compre uma passagem de avião que custe 999 reais (Parte 3 - Final)

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Quando acordei, a primeira coisa que senti foi de algo macio sob minhas costas. Eu estava deitada em uma cama, embaixo de uma coberta. Tinha algo na minha mão direita, pressionando meus dedos. 

Abri apenas um pouco um dos meus olhos, ainda desorientada. O quarto estava muito claro e eu tinha certeza que a luz entrava em formato retangular, centralizada. Vinha de uma janela. 

Eu lembrava de estar na estação. Lembrava do hotel pegando fogo. Eu não era religiosa, mas rezei para estar em Madrid, segura, com meu noivo e minha amiga. Mas então lembrei da foto.

Abri um pouco mais meus olhos e reparei que estava na minha cama. Era realmente minha casa. Sem cabeceira feia. Miguel estava do meu lado. Vi um pedaço do seu braço. Então ouvi um barulho de mastigação. 

Entrando em pânico, tive de usar toda minha força mental para ficar quieta e permanecer imóvel. Sangue pingava de seu braço nos meus lençóis branquinhos. Decidi encarar a fonte do barulho, sem mover minha cabeça ou meu corpo e sem abrir totalmente os olhos.

Descobri ter uma enorme força de vontade enorme quando vi "aquilo" e não gritei. "Aquilo" ainda usava as roupas de aeromoça. Tinha rosto humano, mas onde deveria haver uma boca, tinha um bico curvado, encharcado de sangue. "Aquilo" possuía a estrutura básica de uma mulher humana, mas no lugar de mãos, haviam garras. Grandes e afiadas garras, como de aves de rapina.

Seus olhos eram amarelos e malignos. O demônio era metade mulher, metade gavião. Tinha arrancado um dos olhos de meu noivo e estava mastigando-o lentamente, como se estivesse apreciando uma refeição que não gostaria que acabasse.

O demônio lambeu a cavidade ocular vazia de meu noivo, com sua cinzenta, longa, língua de pássaro. Eu não sabia se Miguel estava vivo ou não, mas eu tinha de tentar alguma coisa. Eu tinha de lutar.

Inconscientemente, apertei o objeto que eu segurava em minha mão. Era uma crucifixo.

Não era um crucifixo qualquer. Era um amuleto da sorte que minha vó me deu quando eu tinha 17 anos e ia viajar pela primeira vez de avião. Ela nunca tinha andado em um, então morria de medo.

O crucifixo tinha uns 15 centímetros de altura e eu sempre o mantinha em uma necessaire que eu levava sempre que viajava. Sempre achei que foi um gesto supersticioso demais, mas muito gentil, então nunca embarcava em um avião sem ele.

Contemplando o pequeno milagre que havia acontecido comigo, agradeci minha vó em uma oração silenciosa e comecei a pensar em um jeito de subjugar o demônio. Ele ainda estava lambendo o rosto ensanguentado do meu noivo.

Um segundo depois, começou a piscar, como um holograma com defeito. Não sei como, mas percebi que sua presença estava enfraquecendo nesse plano, em alguns momentos ele estava e em outros não estava. Ele piscava a cada dois segundos e meio, desaparecendo por meio segundo, então reaparecendo no mesmo lugar que estava antes.

Também percebi que ele tinha conseguido atacar Miguel tão facilmente porque ele tinha comido no avião. Eu não tinha. Eu estava fortalecida contra esse monstro.

Aguardei pelo seu sumiço e me posicionei melhor. Eu estava dolorida, mas meus movimentos eram incrivelmente leves. Quando ele reapareceu, enfiei o crucifixo no olho esquerdo do demônio, ao mesmo tempo que socava-o em sua caixa toráxica.

O demônio moveu uns passos para trás, lutando por ar, e eu usei o crucifixo para acertá-lo de novo, dessa vez na bochecha. Ele se contorceu de dor, se afastando um pouco mais.

Acho que fiquei confiante demais porque o demônio segurou a bochecha machucada e estremeceu, ainda que usasse ao mesmo tempo o pé para me ferir. Uma das pernas era humana e a outra era aquela longa parecida com a de um gavião que vi no avião e ignorei por achar que era um sonho.

Foi a perna de gavião que me acertou, rasgando minhas roupas e minha pele. Caí de costas, sentindo o sangue jorrar bastante de minhas panturrilhas. O crucifixo caiu da minha mão e o demônio olhou para mim pela primeira vez, olhos brilhando com indescritível malícia. Eu estava perdida.

Então ele piscou para fora dessa dimensão.

Eu não sou uma atleta. Não acho que sou fraca, mas sou apenas uma mulher normal com força e velocidade normais. Mesmo com a adrenalina suprimindo minha dor, desespero e medo, eu não conseguiria pegar minha arma e me levantar, então apenas peguei o crucifixo e o escondi, fingindo que não conseguia me mover.

Quando o demônio reapareceu, ele se jogou para cima de mim. Ele era muito pesado. Era como se eu estivesse sendo envolta por uma nuvem de todos os horrores e pecados que se poderia imaginar. Eu sentia alguns de meus ossos quebrando em face da pressão exercida por seu corpo pesado.

Eu aguardei. O demônio tentava arrancar meu olho, mas não conseguia me machucar tão facilmente. Doía como se milhares de lâminas tivessem penetrando meus olhos, mas eu sabia que eu não estava nem sangrando. Ele me puxou pelos cabelos e bateu minha cabeça no chão. Eu só esperei. Quando ele desapareceu de novo, eu segurei o crucifixo na frente do meu corpo com as duas mãos.

Senti como se, naquele momento, minha vó estava ali comigo, me dando forças.

É difícil acreditar que empalei um demônio com um crucifixo tão pequeno, mas foi isso que eu fiz. O monstro jorrou sangue e me olhou surpreso. Eu o chutei com toda força que eu tinha. O peso agora mais tolerável, já que havia saído de cima de mim.

Nesse momento, ele não piscou. Ele desapareceu.

Eu estava cansada e machucada, com costelas quebradas e a cabeça doendo para caramba. Parecia que eu estava com diversas enxaquecas.

Eu rolei para meu lado na cama, peguei o celular do Miguel no criado mudo ao lado da cama e liguei para minha mãe. Era difícil falar e acho que as únicas palavras que eu disse antes de ficar inconsciente foram "Ajuda. Ambulância. Estou em casa."

.

Depois disso, fiquei inconsciente por cinco dias. Quando acordei, minha mãe, meu pai, minha irmã, duas tias e cinco de meus amigos estavam ao lado da minha cama no hospital. Assim que lembrei do que tinha acontecido, comecei a gritar por Miguel.

"Calma, meu amor, calma", era minha irmã mais velha, me abraçando e afagando meus cabelos. "Ele ainda está inconsciente. Ele tá na UTI agora."

Eu estava tão aliviada por ele estar vivo que nem me importei que ele estivesse numa situação bem ruim. Eu esperaria. Não me importava se ele tinha perdido um olho ou se tivesse com a cara toda desfigurada. Eu ainda amaria ele.

Nossa casa não tinha nenhum sinal de que alguém tinha a arrombado. Nenhum  médico conseguia descobrir o que conseguiria arrancar minha pele e parte da minha perna daquele jeito. Eu ainda estava bastante machucada e todo mundo estava preocupado comigo.

Olhei na internet pela companhia aérea e não achei nada. Ela não existia. O dia que acordei e vi meu noivo sendo devorado por um demônio foi o mesmo dia que a gente viajaria. Nós nunca saímos de casa ou pegamos um avião.

Médicos e enfermeiras iam e vinham com bastante frequência. Eles queriam me observar. Eles me perguntavam toda hora o que tinha acontecido, mas eu não dizia de jeito nenhum. Não queria ser internada em uma instituição mental.

Hoje me disseram que Miguel havia finalmente sido transferido da UTI e iria para um quarto logo. Não ficaríamos sob constante vigilância mais.

Isso era ruim. Eu queria ir para casa logo. Eu pedi para minha mãe ir  na minha casa e me trazer o crucifixo da minha vó, mas ela não conseguia achar em lugar algum. Eu esperava por isso, mas eu tinha de ter certeza. Ele tinha ido embora junto com o demônio.

Bom, junto com aquele demônio. Agora há pouco uma enfermeira me trouxe comida e me disse que uma enfermeira especial ia conversar comigo sobre o que tinha acontecido. Uma psicóloga especialista em eventos traumáticos.

Estou sozinha agora, esperando pela minha consulta. Eu consegui dar uma breve olhada nela enquanto ela andava pelo corredor e eu posso jurar que um dos pés dela não é humano.

Fonte

Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigada! Se gostou, comente, só assim saberemos se vocês estão gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião!

7 comentários :

  1. Gostaria de saber como o crucifixo foi parar nas mãos da moça, "misteriosamente" na hora H.

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  2. o negocio do crucifixo foi um puta deus ex machina,mas blz

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  3. cara,amei a historia,muito bem detalhada. Adoro Creeppastas que mexem com coisas alem da compreensão ou coisas fora do comum e o autor conseguiu trazer isso pelo menos no meu ponto de vista. Muito bom,ta de parabens ><

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  4. tava maravilhosa mas esse final n foi lá muito bom naun.

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  5. Bater num monstro com crussifixo kkkkkkkk ele aparecer na mao mds gente q historia pessima

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  6. Estava legal até a parte 2 ..esse final parece que foi escrito as pressas ...

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