Postagens Semanais

Segunda-Feira
Francis Divina

Terça-Feira
Gabriel Azevedo

Quarta-Feira
Francis Divina

Quinta-Feira
Gabriel Azevedo

Sexta-Feira
Talisson Bruce

Sábado
==========

Domingo
==========

Meu filho é o melhor caçador que já conheci

31 comentários
Olá, creepers! Passaram bem o Natal? Devido a época de festas, estamos a maioria de férias. Depois do ano novo voltaremos com o conteúdo semanal. Obrigada pela compreensão e feliz ano novo!

Meu filho, Jake, demonstrou sua consciência em relação à natureza quando tinha apenas dois anos de idade - apontou para algo que eu não podia ver em uma árvore e disse "piu piu" antes que três pássaros saíssem voando. Nosso cachorro adotado Toby tinha mania de fugir, mas Jake sempre conseguia encontrá-lo quando dávamos uma volta de carro. Meu instinto paterno me dizia de que era algo muito maior que apenas intuição, e queria testá-lo.

A primeira lição de caça de Jake foi matar os ratos do celeiro dos fundos. Jake não gostava muito do calibre .22 e desprezava o ato de matar, mesmo se tratando de vermes nojentos como os ratos de dois quilos que comiam todos os produtos da nossa loja. Mas fez o que precisava ser feito, e  era bom naquilo...  bom demais. Eu não conseguia entender. Jake estava marcando ratos e pulando em zigue-zague e acertando vários ratos com um único tiro, enquanto eu tinha sorte de conseguir um ou outro - se eu fosse capaz de fazer aquilo aos  dez anos de idade, teria achado que era um dos homens mais mortais do mundo; mas aparentemente meu filho era mais reservado e tinha mais tato do que eu. Em duas horas e meia enfiou trinta e dois ratos em seu saco de lixo. Eu, quatro. Jake afirmou que só restavam três ratos machos, e que dispersariam logo para procurar novas parceiras. Jake estava certo.

Jake agia como meu guia quando íamos caçar ou pescar juntos; todas as vezes meu filho me levava em direção dos maiores alces ou peixes sem hesitar. Não considerava trapaça ter Jake como meu guia de caça - considerava um feito de Deus para que tivéssemos uma pequena vantagem nas competições de caça de pais e filhos. Os prêmios eram a entrada de graça em eventos maiores, e mais tempo com meu filho. Na verdade, a mãe dele odiava nossas semanas longe no mundo selvagem, mas então conseguimos nosso maior prêmio até aquele momento por pegarmos um Marlin-preto de 138 quilos. Tive que empilhar todo o dinheiro na frente dela, só para que visse quanto dinheiro um milhão e trezentos mil dólares eram realmente antes de colocar tudo no banco. Jake havia localizado e ganhado o Marlin-preto no seu aniversário de dezesseis anos.

Depois de várias vitórias, minha esposa via o talento de Jake pelo que realmente era - um dom amolado por anos de treinamento em campo, um dom que ia além do mundo dos esportes - como por exemplo: a menina.

Estávamos voltando para casa de carro do supermercado quando Jake nos fez parar o carro - sabia que havia alguém não muito longe da estrada precisando da nossa ajuda. Nós paramos e seguimos Jake até o que parecia ser um poço seco, onde encontramos uma menina que havia caído por entre as tábuas podres lá dentro. Jake teve sua foto tirada junto com os paramédicos; apareceu na capa de dois jornais locais com o título GAROTO ENCONTRA E SALVA MENINA LOCAL DE DENTRO DE UM TANQUE DE ÁGUA ABANDONADO.

Mas minha esposa ainda não gostava de todo o tempo longe de casa, e isso eu não podia mudar... mas podia mudar nosso endereço. Então pegamos uma parte do nosso prêmio e compramos uma casa em outro estado, em um local bem arborizado, perto das maiores competições nacionais. Todas as 144 fotos e vídeos do número 127 McKean Street mostravam uma casa de dois andares muito bonita e moderna, em relação as outras casas que estavam à venda por cinquenta mil dólares - "venda por dificuldades de divórcio". O chefe de polícia da cidade era o dono e garantiu pessoalmente a boa condição. Baseado somente em fotos, nós arrumamos nossas coisas e dirigimos por dois dias direitos, 2575 quilômetros até nossa nova casa.

Apesar de 144 fotos e 19 telefonemas, comprar uma propriedade sem checá-la primeiro parecia a coisa mais estúpida a se fazer para minha esposa e eu quanto mais dirigíamos. Nossa ansiedade permaneceu conosco até que vimos a vizinhança acolhedora, o exterior imaculado e os quartos abertos parcialmente mobiliados no interior. Minha esposa amou o jardim e a vista, eu amei a garagem e o fato de que toda a fundação e estrutura da casa eram novos. Meu filho reservou um julgamento imediato. Parecia até um pouco hesitante andando pela casa. Quando desfazíamos as malas, meu filho ficou olhando apreensivamente em volta, como se estivesse esperando que algo aparecesse e o mordesse. Sua paranoia chegou ao auge quando se pendurou na sacada para tirar uma lâmpada no centro da parede abaixo. Jake pegou a lâmpada e a quebrou na rua. Fui conversar com ele, contei que confiava nele, até com a minha vida, e NUNCA havia o questionado, mas agora precisava saber por que ele quebrou aquela lâmpada. Jake olhou para a casa por um longo tempo e disse:

“Pai ... eu não rastreio esses animais pelos pequenos rastros no chão ou pelo jeito que as águas estão se movendo. É um sentido, de um órgão que provavelmente está no meu cérebro, como um nariz. Mas somente eu tenho esse tipo de nariz, do tipo que fareja onde animais - até mesmo pessoas - estão. E eu não posso descrever o cheiro para alguém que nunca teve esse nariz. Mas posso sentir o cheiro de uma maneira diferente, mesmo no escuro, mesmo se você colocar minha cabeça dentro de um bloco de gesso. E aquela lâmpada estava viva, pai. Senti-a como um pássaro vivo, como um cachorro; como você ou eu, como aquela garota no tanque de água. Aquela lâmpada era pelo menos um pedaço de algo vivo ... como um olho". Perguntei ao meu filho se a lâmpada ainda estava viva. Ele olhou para os cacos da lâmpada na rua e murmurou “não. Não como antes. Mas...” ele não terminou a frase enquanto olhava para a nossa nova casa em tons pastéis. Ele parecia estar consumido com uma preocupação sombria.

Naquele momento, minha esposa e eu estávamos exaustos de dirigir mil quilômetros enquanto dentro dos nossos últimos cem mil dólares, e a ideia de desperdiçar aquilo em um motel sujo por um período indefinido de tempo não era uma opção que eu estava disposto a aceitar. Admito que descartei as preocupações do meu filho como sendo paranoia induzida pela puberdade. Eu também descartei a percepção de quão bobo esse raciocínio era. Era uma boa casa. Era barata, ao lado de algumas grandes competições - simples assim. Eu viveria com lâmpadas sencientes. O que poderiam fazer? Desligar e ligar? Transforme minha casa em uma rave?

Nós gostávamos do fato de que a casa já tinha ótimos armários, comodas e camas ainda com plástico de fábrica, uma visão fantástica para viajantes cansados portanto apenas um colchão de ar furado. Nós só tínhamos energia suficiente para achar os lençóis nas malas e fazer a cama, desmoronando imediatamente.


   Não me lembro de quanto tempo dormi, mas acordei no escuro sem ser capaz de me mover, como se a cama estivesse me segurando, como se fosse o ímã mais poderoso do mundo e eu fosse feito de puro ferro. Vi minha esposa debatendo-se levemente sob os cobertores - emitia sons fracos como se estivesse com dor -, a pior parte era que eu não conseguia nem levantar um braço para tirar o cobertor para ver o que tinha de errado com ela. 

Eu estaria morto se não fosse Jake me arrancando da cama. Eu caí flácido nos braços do meu filho - não sentia falta da energia, não estava sem fôlego, simplesmente não tinha força física para ficar de pé. Pior ainda, quando caí, meus pés descalços e mãos que tocavam o chão de madeira, e pude sentir aquela sucção magnética novamente.

Meu filho, 65 quilos, me carregando, uns 110 quilos, descendo as escadas e para fora da casa como se eu fosse sua pequena noiva, e me colocou no gramado da frente.


"Minha cama estava viva também, pai..." Jake disse enquanto me ajudava a ficar de pé com as pernas bambas, "... não me deitei nela. Eu fui no seu quarto para te acordar, mas você já estava deitado..." Cai novamente. Pedi para Jake ligar para a polícia.

Fiquei surpreso ao ver o chefe de polícia, que era dono da casa antes de nós, aparecer junto do corpo de bombeiros. Foram até o quarto e encontraram a calcinha da minha esposa na nossa cama, mas nenhuma mulher. O chefe acreditava firmemente que minha esposa estava simplesmente “confusa e perdida” e que apareceria a qualquer momento, e riu quando eu contei o que aconteceu, com o fato de estar preso à cama. Até riu quando eu disse a ele que eu tinha 110 quilos e dois metros algumas horas atrás - agora, eu tinha mais ou menos a mesma altura e pesava menos do que o meu filho. Perguntou “Você quer que eu acredite que esta casa estava de alguma forma te devorando? Que comeu sua esposa? Você é louco?" Era exatamente isso o que eu queria que ele acreditasse, e se eu não fosse tão grandalhão como era antes, teria me absorvido totalmente como aconteceu com minha esposa... até que eles a encontraram.

O chefe voltou com minha esposa enrolada em um daqueles pesados cobertores aquecidos. Ambos sorriam, sorrisos inabaláveis. Minha esposa disse “Bobinho, eu entrei em um dos closets e não sabia mais onde eu estava! Muito melhor agora!” E o chefe assentiu com satisfação. Nunca ouvi minha mulher falar daquela forma, e a mulher que conheço nunca teria entrado em um closet sem querer e se perder.


Jake, em seguida, me puxou para longe da multidão e sussurrou: "Eu não sei o que o chefe ou aquela mulher fingindo ser a mamãe são, mas eles não estão vivos."

31 comentários :

  1. Ave, eu gostei kk
    Se fosse transformado em uma série, ficaria 10/10
    E ai, Divina? Bora transformar numa série? kkk

    ResponderExcluir
  2. Pelo amor... Me diz que isso tem continuação.

    ResponderExcluir
  3. feliz natal atrasado, Divina

    ResponderExcluir
  4. Caralho, muito bom. Espero que seja só a 1° parte.

    ResponderExcluir
  5. Isso tem potencial pra se tornar uma série porque ficou algumas pontas soltas como:como o garoto tem essas habilidade,oque aconteceu com a mãe dele após ela ter sido "devorada" e oque reside nessa casa?

    ResponderExcluir
  6. A casa devora a mulher e ela não está usando calcinha? Kkk

    ResponderExcluir
  7. Uma das melhores que já li. 11/10

    ResponderExcluir
  8. Leva essa pro MK, Divina! Beijão 💜

    ResponderExcluir
  9. PRGDL02022

    Show!!! Vocês são demais, só creepys top... Parabéns pelo trabalho...

    ResponderExcluir
  10. Meu Deus precisa de uma continuação

    ResponderExcluir
  11. Ain modeoso adorei tem q ter continuação pleaze :v

    ResponderExcluir
  12. Creepy muito boa. N sabia que dava pra copiar as historias.. achei que era algo que vcs tinham feito pro povo n sair copiando rs

    ResponderExcluir
  13. Quando terá a segunda parte Divina?

    ResponderExcluir
  14. Tem alguma coisa que esse cara tá escondendo. Como é que alguém ganha 1 milhão e 300 mil, compra uma casa por cinquenta mil e já fica chorando miséria falando que não queria gastar seus últimos cem mil dormindo num hotel?????

    ResponderExcluir