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O homem da Janela

17 comentários

Eu o chamo de homem da janela. Eu o vi pela primeira vez há duas noites.

Moro em um apartamento no térreo de um condomínio de edifícios. Seria legal morar mais em cima e ter uma vista melhor da cidade, mas eu uso cadeira de rodas, então isso é inviável.

Era uma noite escura e sem nuvens. Jantei e passei um tempo assistindo filmes no meu notebook, quando o desliguei e apaguei as luzes, vi uma silhueta do lado de fora. Foi só um vislumbre breve no começo, não tinha certeza se realmente vi uma figura ou se eram só meus olhos se ajustando à falta de luz. Então sentei e esperei no escuro, observando minha janela.

Houve a luz de um relâmpago, ou pelo menos eu achei que era um relâmpago, e eu vi de novo. Mais claramente. Com certeza era uma pessoa. Eu não conseguia ver nenhum detalhe, ele devia estar há uns vinte metros de distância, mas parecia mais perto do que antes.

Eu liguei para o segurança do condomínio.

"Hey, Jack, é o Will do 1C. Acho que eu vi alguém bisbilhotando lá fora e estou meio preocupado. Pode checar pra mim, por favor?"

"Sem problemas, Will, vou dar uma olhada" Jack respondeu.

Eu conheço bem o Jack, às vezes ele me ajuda a carregar as sacolas de compras se estão muito pesadas, o que me alivia muito. Mesmo assim, queria ter certeza, então não fechei as cortinas nem fui pra cama. Fiquei parado na minha cadeira, no escuro, e fiquei alerta.

Outra luz rápida e lá ele estava, mais perto, há uns dez metros agora. A luz atrás da figura iluminou parte de seu rosto. Ele era assustador, parecia um homem, mas algo estava errado. Entretanto, foi uma visão tão breve que eu não soube identificar bem o quê.

Eu liguei para o Jack de novo.

"Jack, com certeza tem alguém lá fora. Checa pra mim, por favor?" Eu sussurrei.

"Eu estou aqui fora agora, Will, e não tem ninguém aqui. Eu até consigo te ver aí, no canto no escuro."

Ele está certo. Eu consigo ver Jack lá fora olhando ao redor enquanto fala no celular.

Depois, Jack bateu na minha porta e gritou, "sou eu, Jack, vou entrar, ok?". Como segurança, ele tem a chave do meu apartamento caso eu tenha algum problema para subir na minha cadeira.

Jack explicou que ele não via ninguém fora do meu apartamento.

"E o relâmpago?" Eu perguntei.

"Eu não vi nenhum, Will. Talvez você me viu ligando a lanterna e a figura que você viu era eu? Eu não sei... Mas com certeza não tem ninguém lá fora. De manhã eu vou dar uma olhada e ver se encontro pegadas."

Ainda inquieto, eu procurei alguma coisa pra me distrair na internet. Atualizei minhas redes sociais para contar essa história estranha para os meus amigos e até recebi algumas mensagens reconfortante, que me fizeram sentir melhor. Eu fechei meu notebook de novo e, quando me virei, eu posso jurar que vi, de relance, uma silhueta ainda mais perto da janela. Aterrorizado, eu tranquei a porta do meu quarto e fiquei na cama debaixo dos cobertores.

No dia seguinte, no meio da manhã, Jack bateu na porta me chamando.

"Eu dei uma olhada no lado de fora do seu apartamento essa manhã, nada lá sugere que alguém esteve por aqui. Eu também perguntei para alguns dos outros apartamentos e ninguém viu nada diferente. Will, você assiste filmes de terror demais, acho que foi só sua imaginação. Mas se você ver qualquer coisa de novo, não hesite em me ligar, ok?"

As coisas pareciam muito melhores e mais seguras de manhã, e eu tenho que concordar sobre a coisa dos filmes de terror tarde da noite, então eu continuei minha vida normalmente. Mas, quando ficou escuro, eu comecei a ficar apreensivo de novo. Eu sabia que, se eu deixasse as luzes acesas dentro de casa, alguém lá fora conseguiria me ver, mas eu não conseguiria ver a pessoa, então eu as desliguei. Depois de apagar todas as luzes, eu fiquei num canto, o mais longe possível da janela. Foi outra noite calma.

E então um flash de luz e lá estava ele de novo, o homem da janela. Noite passada, ele estava há vinte ou trinta metros, dessa vez ele estava mais perto, não mais que dez metros. Tive um vislumbre de seu rosto com a breve luz. Senti de novo que havia algo errado, mas não consegui descobrir o quê. Liguei de novo para o Jack, mas dessa vez eu pedi pra ele ficar no meu apartamento comigo em vez de olhar lá fora. Se ele visse o que eu vejo, talvez ele me levasse mais a sério? Ele estava no meio da ronda de segurança, então foram quinze minutos assustadores e solitários antes de ele se juntar a mim.

Uma hora se passou, nada aconteceu. Eu conseguia vê-lo ficando inquieto e entediado. Ele
pegou o celular para jogar algumas vezes, mas eu não deixei.

"Você não pode!" Eu sibilei. "Isso vai fazer luz e ele vai conseguir nos ver".

Ele suspirou e guardou o celular.

"Eu preciso ir ao banheiro," disse. "Depois vou ter que ir embora. Não tem nada acontecendo aqui, Will." Quando Jack foi ao banheiro, aconteceu de novo. Uma luz, eu o vi. Ele estava tão perto que devia estar à distância de um braço. Foi aí que eu descobri o que estava errado com o rosto dele: ele não tinha pálpebras ou lábios, apenas olhos redondos me encarando sem piscar, um olhar cuidadoso, atento. A falta de lábios dava a seu rosto uma espécie de sorriso doloroso e malicioso ao mesmo tempo.

Eu gritei e Jack voltou correndo, ainda puxando o zíper para cima. Ele checou o lado de fora e não achou nada, mas eu consegui convencê-lo a ficar mais tempo. Eu sabia que ele achava que era tudo coisa da minha cabeça. Duas horas se passaram sem incidentes e não pude convencê-lo a ficar mais tempo. Prometeu que tudo ficaria bem e que ele voltaria pela manhã.

Assustado demais para dormir, eu fui fechar as cortinas e o vi de novo, aquele horrível rosto me encarando. Sua face pressionada contra o vidro, sua respiração quente embaçando a janela, ele parecia retorcido e deformado, mas ainda poderoso. Ele estendeu um dedo torto e sua unha perversa bateu na janela fracamente três vezes.

Fechei as cortinas com força e fui com a cadeira de rodas até a mesa, onde abri meu notebook e mandei algumas mensagens para meus amigos. Consegui algumas respostas tranquilizantes e alguns perguntaram se eu estava bem ou se bebi ou me droguei recentemente. Eu não sabia o que fazer. Jack não acreditava em mim, eu não podia chamar a polícia, já que a primeira coisa que eles fariam seria ligar para o departamento de segurança e Jack diria que eu estava mentindo. Eu fiz alguma pesquisa online pra ver se descobria qualquer coisa sobre o sinistro Homem da Janela.

Eventualmente, após horas de busca, eu achei uma discussão num fórum intitulada "O Homem da Janela". Havia apenas três posts de um ano atrás. O primeiro parecia descrever exatamente a mesma experiência que eu: uma silhueta, flashes de luz inexplicáveis e uma figura se aproximando cada vez mais.

Eu fiquei aliviado por não estar imaginando coisas e escrevi freneticamente uma resposta  depois de ler o primeiro post: 

Meu Deus, eu estou tendo exatamente a mesmo experiência com a mesma aberração assustadora. Me ajuda! Me diz o que eu tenho que fazer!

O segundo post era ainda mais estranhamente familiar. Mais picos de luz, a figura sinistra se aproximando mais e mais até que você pode distinguir seus horríveis olhos sem pálpebras e seu sorriso curvado e sem lábios. O fim do post descrevia o arrepiante bater leve e ritmado na janela.

Eu enviei outra mensagem desesperada.

Droga, isso é exatamente o que está acontecendo comigo, por favor me diz como você fez isso parar!

A terceira atualização era a mais desconcertante, já que era uma précia do que poderia acontecer comigo. Nessa, a noite começava com constantes e terríveis batidas na janela. A mensagem descrevia detalhadamente como as pancadas persistiram toda a noite, como cada vez que o usuário acendia a luz, ligava para a polícia ou pedia para alguém ajudar, eles não conseguiam achar nada, mas assim que ele ficava sozinho, as batidas voltavam. O usuário descreveu como as pancadas começaram a entrar em sua cabeça. Como, quando ele se afastava da janela, ainda podia ouvir as pancadas como se estivessem vindo das paredes, das portas, até de detrás do espelho.

Eu enviei mais uma mensagem, começando a me perguntar por que esse usuário só escreveu três posts, e por que não havia atualizações em mais de um ano.

O que você fez? Como você fez essa coisa parar? Por favor, me diz que você tá bem?

As pancadas na janela começaram de novo. Eu estava aterrorizado. Eu não tinha plano nenhum, nenhum modo de fazer isso parar, ninguém me ajudaria. De repente, na tela, surgiu uma mensagem.

Um amigo está digitando...

Pareceu uma eternidade observar os pontos, esperando que a mensagem fosse minha salvação. Minha única esperança era essa resposta.

Ele me deixou entrar, é o único jeito de me fazer parar.

***
Traduzido por: Alguém. 

17 comentários :

  1. Faz tempo que uma Creepypasta não me assustava assim. Muito boa

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  2. Respostas
    1. A mensagem respondida (ultimo parágrafo) é do monstro,porque a vitima anterior ao protagonista não estava mais aguentando e deixou o monstro entrar,fazendo o monstro matar ele
      Minha dedução

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    2. Rapaiz arrepiei até o cu do meu ânus

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  3. Muito boa, da muita agonia por que você se sente na pele do personagem, e ele não poder mostrar pra alguem o que está acontecendo é agoniante - Terry

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  4. Foi muito tenso, eu me arrepiei aqui

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  5. Este comentário foi removido pelo autor.

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  6. Divina, please, traduz Borrasca e The New Fish

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  7. nossa, eu ia deixar ele entrar e botar ele pra mamar, imagina sem lábios tudo ia ficar mais fácil

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    1. se fosse a Divina eu botava pra mamar tbm

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  8. Pelo jeito q descreveu o rosto ei acho q era o Jeff the killer

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