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Tem uma garota morta no Snapchat: Almoço com Jorge (Parte 2)

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Eu chamei minha cachorra. Foi a primeira coisa que fiz depois de receber a mensagem da menina morta no meu Snapchat. Ela estava na sua casinha, ainda ofegante. Sentei na cama e chamei ela com a voz mais alegre que consegui reunir. Ela subiu na cama e se deitou no meu colo, como se o acontecimento mais assustador da minha vida não tivesse acabado de acontecer. Algumas lambidas dela nas minhas mãos e instantaneamente eu me senti melhor. Eu não sabia o que me esperava no próximo dia.

A atmosfera na casa mudou de terrível para calma na mesma velocidade que o contrário há pouco tempo. Meu quarto não estava mais frio e com aquele ar frígido, minha cachorra estava calma e meu celular estava agindo normalmente, de novo. Fiquei uns dois minutos fazendo carinho na minha cachorra, para ver se a acalmava e a mim também. Eu não queria pegar meu celular, então não tinha certeza de que horas era. Parecia muito mais tarde do que realmente devia ser e a exaustão me atingiu forte, mas eu sabia que eu precisava limpar a sujeira no banheiro antes que começasse a feder.

O que fez meu vômito sair vermelho daquele jeito? Nunca tinha acontecido isso e eu não tinha comido nada daquela cor. Parecia que eu tinha comido um saco inteiro de Cheetos picante.

Eu não tenho muita certeza como explicar o som que saiu da minha boca, algo entre um pigarro e um ganido, quando entrei no banheiro e notei que todo o vômito vermelho que tinha na pia havia sido limpo, como se nunca tivesse estado lá. Na verdade, minha pia parecia mais limpa do que de costume.

Eu apaguei a luz e voltei para meu quarto, fechando a porta atrás de mim. O telefone estava no mesmo lugar que eu havia deixado-o. A tela, ainda bem, toda preta. Que tipo de bizarrice apareceria se eu pegasse o telefone agora? Como eu explicaria tudo isso para o Jorge? O Naveed tinha, realmente, saído da prisão? Eu achava que ele tava cumprindo prisão perpétua, sem nenhuma chance de condicional. Isso significa que ele fugiu da prisão?

Relutante, peguei meu celular e o desbloqueei. O Snapchat ainda estava aberto e a câmera focalizou no meu pé. Eu fechei o app e notei o quão tarde já era. Eu teria que resolver tudo de manhã. Será que eu conseguiria dormir?

A resposta é sim. Pareceu que eu dormi antes mesmo de encostar a cabeça no travesseiro. Foi estranho porque normalmente eu demoro para cair no sono, mesmo em um dia bom.

Sonhei que eu estava na lanchonete que a Lydia trabalhava. Era um dia ensolarado. Lydia e eu estávamos sentados do lado de fora comendo sorvete. Nossos cachorros estavam sentados entre a gente. Eu sabia disso, mesmo que eu não os visse. Nós finalmente estávamos tendo o dia de passeio com nossos cachorros, como sempre falamos.

"Por que você veio me ver noite passada?" Perguntei. "Você era tão mais próxima a outras pessoas do grupo. Por que não foi falar com uma das meninas?"

"Eu realmente não consigo explicar. Eu sabia que tinha que contar para alguém e, de algum jeito, eu sabia que você escutaria." Ela respondeu alegremente. "Além do mais, eu sei que você não solta o celular de jeito algum." Ela deu uma risadinha e colocou a mão em meu ombro quando disse isso. Sua mão era mais fria que o sorvete e, mesmo que ela só tenha me tocado por um segundo, o dia ficou mais escuro.

"Como você acha que eu vou explicar isso para as pessoas? Você usou o Snapchat. As mensagens desapareceram. Como você sequer conseguiu fazer isso? Falar comigo pelo Snapchat. E agora você está no meu sonho. Isso não pode estar acontecendo, pode?"

Nuvens começaram a se formar e a feição alegre da Lydia começou a ficar sombrio. "Você está fazendo todas essas perguntas que eu não sei responder. Pergunte-me qualquer outra coisa. Temos pouco tempo."

"Naveed escapou da prisão?"

"Ele não fugiu, mas está solto, sim."

"Por que ele está indo atrás do Jorge? Eles eram tão próximos antes de tudo aquilo acontecer."

"Exatamente por isso ele tá atrás dele."

"Por que você me contatou?"

"Essa não é a pergunta certa." Eu ouvi trovões à distância.

"Como você não entrou em contato com mais ninguém?" Eu segurava um guarda chuva preto sob minha cabeça, conforme mais raios e trovões ecoavam acima da gente.

"Eu tentei! Tentei muito!" Ela segurava um guarda chuva branco e lágrimas rolavam de seus olhos. "Ninguém mais sequer estava aberto à possibilidade de falar comigo. Eles não ligavam como você. Eu não fazia ideia do quanto você se importava. Me desculpa. Eu sinto muito mesmo." Ela esticou a mão e tocou a minha e a chuva caiu no momento que ela encostou em mim.

Eu acordei suando frio. Frustrado. Assustado. Confuso. Eu não conseguia me mexer. Não queria que isso tivesse acontecendo. Estava me fazendo sentir coisas que eu esqueci que eu sentia. Claro que eu me importava com a Lydia. Eu me importava com todos do grupo. Eu queria que acontecesse algo mais entre a gente? Bom, sim, mas isso sempre acontecia quando uma garota nova entrava no nosso grupo. Eu era um cara solitário de uns 20 e poucos anos que só queria alguém para a amar e ser amado de volta.

Não. Eu não podia pensar nessas coisas agora.

Dormir. Eu precisava dormir. Ter uma noite de sono sem sonhos. Por favor, Deus, deixe-me dormir sem sonhar.

Sem sorte.

Sonhei com o estacionamento. Havia correria. Um tiro. Não lembro do resto. Meu telefone me acordou. Eu devo ter dormido mesmo depois que o alarme tocou, porque o sol já estava entrando pela minha janela. Eu ouvi minha cachorra bocejando exasperada para o telefone tocando, que tinha acordado ela também. Pelo menos tudo tinha voltado ao normal.

Era Jorge.

"E aí, cara, bom dia."

"Bom dia, Jorge" Respondi meio sonolento. "Tudo beleza? Eu tava pensando mesmo em te ligar hoje."

"Ótimo, cara." Jorge adorava falar cara. Ele falava excessivamente. "Eu tava querendo te encontrar tem um tempo já. Tem como a gente almoçar juntos hoje?"

Eu sentei na minha cama. "Isso, na verdade, é perfeito. Vamos almoçar. Eu pago. Tô precisando mesmo de uns tacos."

"Hahaha Sim, cara, isso parece ótimo. Me manda o endereço de onde quer comer e te encontro lá meio dia."

Nos despedimos e me arrumei rapidamente para ir pro trabalho.

O dia passou como qualquer outro. Depois de postar a primeira parte no Reddit e ver a demanda por uma atualização, eu não tinha muita certeza de como continuar até que tudo tivesse se desenrolado. Teria que esperar até o almoço com o Jorge pra ver se teria o que contar.

Meio dia encontrei com o Jorge e fomos comer tacos. Rimos e zoamos um pouco conforme íamos nos atualizando da vida um do outro. Eu não o via há alguns meses. Ele era o mesmo cara doce e alegre que tinha uma alegria pela vida que todos desejavam ter.

"Então, cara" Disse ele, subitamente sério. "Não sei se você ficou sabendo, mas Naveed. Se lembra do Naveed, né? O cara que... bom, atirou na Lydia..."

"Assassinou, Jorge. A palavra é assassinou. Ele assassinou a Lydia." Eu conseguia sentir minhas orelhas queimando enquanto ele se esquivava de falar logo o que queria. Eu sentia que já sabia onde isso ia parar.

"Sim, sim, isso que eu quis dizer" ele respondeu. "Enfim, eu tô vendo que você tá ficando nervoso, então vou direto ao ponto. O advogado dele conseguiu explorar algum tipo de brecha no sistema legal que eu nem sei começar a explicar, mas, de qualquer jeito, ele foi solto há umas duas semanas."

Deve ter sido estranho para o Jorge ver todas as cores do meu rosto se esvaindo, porque realmente era esquisito sentir eu me empalidecendo.

Me senti tonto e coloquei meu taco na mesa. Meu súbito desejo por eles parecia ter acabado. Pena. Estava gostoso.

"O que você quer dizer com ele foi solto? Como ele foi solto? Onde ele está? Como isso pode estar acontecendo agora?"

"Cara, calma" ele respondeu. "Você está fazendo todas essas perguntas que eu não sei responder."

Eu me levantei em choque. Foram as exatas palavras que a Lydia disse pra mim no meu sonho. Os detalhes inundaram minha mente.

"O que você disse?"

Jorge deu uma olhada ao redor e colocou a mão no meu punho. "Cara, senta. Não faça uma cena. Foi mal por não saber muito mais que isso. Só achei que você precisava saber."

Dei uma respirada funda e me acalmei antes de me sentar de novo. Tomei um longo gole de minha coca, minhas mãos tremendo e a palma suada. Jorge me perguntou o porquê isso me incomodou tanto e eu dei o melhor de mim para explicar o que tinha acontecido na noite anterior.

Jorge riu. Ele riu da história. Ele se desculpou, mas realmente riu de mim. Ele achou que eu estava brincando. Eu tentei explicar pra ele o quão sério era, então ele ficou normal e pediu desculpa de novo.

O restaurante ficou frio. Eu senti meu telefone vibrar. Eu tirei o celular do bolso, por puro hábito, e vi aquele fantasminha na barra de notificação.

Lydia está digitando uma mensagem...

Meus olhos se arregalaram e eu entreguei meu telefone para Jorge. Seu sorriso sumiu e eu o vi se tremer todo.

"Cara, para. Não tem mais graça. Quem tá fazendo isso?"

"Não sei, cara. Tô te falando que isso é real." Eu arrastei a conversa pro lado e abri meus contatos. Não sei porque não fiz isso antes. Depois de ir até os nomes com L, eu mostrei pro Jorge o que eu tinha suspeitado durante o dia, mas não consegui me fazer ir checar. "Eu não tenho mais o número da Lydia salvo, Jorge. Ontem à noite, quando recebi a notificação, eu achei que eu ainda tinha salvo e alguém tinha ficado com o número dela agora. Mas, olha! Ela não está aqui. Eu devo ter apagado, deve ter sido deletado, sei lá. Olha, Lydia queria que eu te avisasse, então eu tô avisando. Não fale com o Naveed. Se ele tentar entrar em contato contigo, não responde. Eu sei que vocês eram próximos até ele matar ela e você sentia como se fosse o único amigo dele, mas, por favor, Jorge, não fale com ele. Eu não sei o que ele fará se te encontrar."

Com horror nos olhos e uma mão sob a boca, Jorge tocou na tela do meu celular. Eu sabia que ele estava passando as notificações e abrindo o Snapchat. Eu conseguia ver o reflexo amarelo mudar para preto, em seus olhos, e depois ficar branco, quando a tela de conversa abriu. Agora tinha umas cores refletidas no rosto dele, agora tão pálido quanto a minha quando ele disse que o Naveed tinha saído da cadeia. Seus olhos ficaram bem arregalados e eu vi seus lábios tremendo. Virei o telefone para eu ver a tela e tinha um girassol com alguns pontos vermelhos. A tela ficou preta e mudou para o próximo story. Mais quatro palavras que quase me fizeram derrubar o celular na mesa.

"Não confie no Naveed."

Jorge pegou o celular dele e a carteira e, praticamente, saiu correndo da mesa. Eu ouvi ele murmurar alguma coisa sobre ter que voltar ao trabalho e entrou correndo no carro.

"Jorge, espera!" eu gritei em vão, batendo nos vidros. Ele olhou pra mim com lágrimas nos olhos e engatou a ré.

"Me desculpa..." ele disse, tão baixo que nem sei se ele chegou a pronunciar as palavras. Com isso, deu ré e foi embora correndo do estacionamento.

Antes que eu conseguisse processar o que tinha acabado de acontecer, meu telefone vibrou de novo. Frustrado, olhei para o próximo story no Snapchat. Duas telas pretas com mensagens da Lydia.

"Obrigado."

"Ainda não terminamos."

Fonte

Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigada! Se gostou, comente, só assim saberemos se vocês estão gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião!

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